domingo, 29 de novembro de 2020

COLUNAS

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Está faltando alguém

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Vai ser bonita a festa em pelo menos 11 dos 12 campos nos quais será jogada a Copa. Todos os oito países campeões do mundo estarão representados no Brasil, reunidos em seis dos oito grupos da primeira fase da competição. Cuiabá será a triste exceção entre os alegres anfitriões espalhados de Norte a Sul do país: não vai receber nenhum jogo da elite do futebol mundial. Os campeões farão a festa da torcida nas outras 11 sedes.

Os brasileiros deveriam se dar por satisfeitos com a presença de todo o Primeiro Mundo da bola em seus novos e caríssimos estádios.

Quem, no entanto, gosta realmente de futebol e dispensa algum carinho à Copa do Mundo lamentará uma ausência ilustre na lista das 32 seleções que atuarão no Brasil em junho e julho. Não se trata de nenhuma equipe fantástica, como eram a Hungria de 1954 e a Holanda de 1974, mas, sim, de uma seleção de nível médio, que é ligada quase umbilicalmente à história de glórias brasileiras na Copa do Mundo. Estamos falando da Suécia, a adversária goleada por 5 a 2 na final de 1958. Foi o primeiro dos cinco títulos mundiais do mais vitorioso futebol do planeta Terra.

Brasil e Suécia se enfrentaram sete vezes na história das Copas, duas delas na campanha do tetra, em 1994, nos Estados Unidos - 1 a 1 na primeira fase, 1 a 0 nas semifinais. Na Copa de 1950, que os brasileiros farão tudo para esquecer nos próximos meses, os suecos vieram e, em 9 de julho, uma semana antes da final, foram impiedosamente tratados no Maracanã, diante de 138.886 torcedores. Com quatro gols de Ademir Menezes, a Seleção os massacrou por inacreditáveis 7 a 1.

A Suécia faz, pois, parte da história do Brasil nas Copas do Mundo. É uma pena que o acaso tenha determinado o confronto, na repescagem das eliminatórias europeias, entre a seleção portuguesa de Cristiano Ronaldo e a Suécia de Zlatan Ibrahimovic. E as vitórias por 1 a 0 e 3 a 2, com os gols marcados exclusivamente pelos dois ídolos, garantiram a vinda de Portugal e seu craque marrento, eleito pela FIFA, poucos dias depois, o melhor jogador do mundo em 2013.

Portugal não poderia mesmo ficar fora da festa. Era a torcida da maioria dos brasileiros. A Suécia, porém, seria mais benvinda do que muitas seleções, de variados continentes, que aqui estarão sem somar nem futebol nem emoção à Copa. Os suecos serão uma ausência sentida. E não só a equipe. "Uma coisa é certa: uma Copa do Mundo sem mim não vale a pena ser vista" - proclamou o craque Ibrahimovic, ainda mais marrento do que seu adversário lusitano.

É um exagero, claro, mas o boquirroto dos gols bonitos fará mesmo falta à maior festa do futebol. E não apenas dentro de campo, embora seja um dos mais criativos e surpreendentes atacantes da atualidade, um matador que cultua o fenômeno Ronaldo como inspiração e é fã declarado do futebol brasileiro, que aprendeu a amar em 1994, naquela Copa em que a Suécia ficou em terceiro lugar.

Ibrahimovic, grandalhão de 1m95, ambidestro, filho de um bósnio mulçumano e de uma croata católica, nascido e criado num bairro pobre de Malmoe, ídolo do Ajax, da Juventus, da Internazionale, do Milan, do Barcelona e agora do Paris Saint-Germain, é também imprevisível e provocador fora de campo, sempre disposto a disparar verdades que o bom mocismo dos boleiros atuais insiste em escamotear.

Na terra de boquirrotos geniais, como Romário e Edmundo, o sueco Zlatan Ibrahimovic vai fazer falta, talvez mais até do que a simpática seleção de seu país.

Confraria

O que tem em comum o sueco Zlatan Ibrahimovic com alguns supercraques do futebol, como os brasileiros Pelé, Garrincha, Didi e Falcão, os argentinos Sivori e Maradona, o alemão Fritz Walter, o russo Yashin, o inglês Bobby Charlton e o francês Kopa? Todos são de outubro. Ibrahimovic nasceu em 3 de outubro de 1981.

Em branco

Campeão nacional pelo Ajax, na Holanda, por Juventus, Inter e Milan, na Itália, pelo Barcelona, na Espanha, e pelo PSG, na França, Ibrahimovic marcou gols por todos eles na Liga dos Campeões da Europa, mas passou em branco nas duas Copas do Mundo que disputou pela Suécia - em 2002, quando jogou apenas 16 minutos, e 2006.

Atualizado em: 3/2/2014 08:08

COORDENAÇÃO

Roberto Benevides é jornalista, foi por muitos anos colunista e o editor do caderno de esportes de O Estado de S. Paulo, trabalhou também no JB, na Folha de S.Paulo, nas revistas Veja, Exame, Quatro Rodas, Placar e Época. Nos últimos dois anos, fez a coordenação editorial de uma coleção de 15 livros sobre esportes olímpicos publicada pelo editora do Sesi.

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