quarta-feira, 28 de outubro de 2020

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Grosso modo ou A grosso modo?

quarta-feira, 10 de junho de 2015

A leitora Ana Laura C. Andrade envia-nos a seguinte mensagem:

"A expressão correta é a grosso modo ou grosso modo? Conto com as preciosas explicações do professor José Maria para acabar com as minhas dúvidas."

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1) Grosso modo é uma locução latina, que significa aproximadamente, de um modo geral, de um modo grosseiro, por alto, resumidamente. Ex.: "Apreciando o caso grosso modo, já se vê que o autor não tem razão".

2) Por se tratar de expressão latina, de rigor é que venha entre aspas, com sublinha, em negrito ou itálico, ou ainda com grifo equivalente, indicador de tal circunstância.

3) Também não se olvide a lição de Edmundo Dantès Nascimento: a) expressões como essa não eram hifenizadas em latim, razão pela qual "não o podem ser em língua nenhuma"; b) "para quem pretende grafar escorreitamente, não é permitido o hífen em expressões do latim clássico".

4) Não há motivo algum para se lhe antepor a preposição a, que não existe na expressão em latim, de modo que é errôneo o seguinte emprego: "Apreciando o caso a grosso modo, já se vê que o autor não tem razão".

5) Domingos Paschoal Cegalla confirma esse aspecto de que "não se diz a grosso modo, mas apenas grosso modo".

6) Veja-se, também nesse sentido, a lição de Arnaldo Niskier: "A expressão é grosso modo e não a grosso modo".

7) Resumem-se os três aspectos problemáticos da expressão: a) por ser latina, de algum modo a expressão deve ser realçada (com sublinha, negrito ou itálico, ou ainda com grifo equivalente, indicador de tal circunstância); b) "a palavra a não pertence à expressão", motivo por que se há de dizer "sempre grosso modo, não a grosso modo"; c) por se tratar de expressão latina, é proibido o emprego de hífen, que não existia no idioma original, de modo, assim, que é equivocada a grafia grosso-modo.

Atualizado em: 9/6/2015 16:55

COORDENAÇÃO

José Maria da Costa, é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.

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