quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

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Vou ir - É correto?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O leitor Pedro Henrique Valle Costa envia a seguinte dúvida ao Gramatigalhas:

"Professor, eu estou com um dilema: 'eu vou indo' é correto? Estou ouvindo tanto isso, que já estou quase aceitando como forma correta."

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1) Um leitor pergunta se são corretas expressões como vou ir, ou vou indo.

2) Embora alguns teimem em tachar de errônea uma construção dessa natureza, o certo é que, no plano da Gramática, não há nela erro algum.

3) E é importante perceber que não se trata de pleonasmo, nem muito menos de pleonasmo vicioso, até porque os verbos não se repetem em função, mas o primeiro deles é auxiliar, enquanto o outro é o principal da locução.

4) O que pode parecer estranho para alguns é o fato de que o verbo ir, que é auxiliar em diversas outras expressões representativas da ideia de futuro mediante locução verbal - como vou trabalhar, vou fazer, vou pensar - está sendo empregado, no caso, como auxiliar de si mesmo (ir [auxiliar] + ir [principal]).

5) E uma atenta análise mostra que situação idêntica se dá com outros verbos, que também acabam sendo empregados como auxiliares de si próprios em locuções verbais de mesma estrutura: há de haver, tinha tido, vinha vindo. E, ao que se sabe, ninguém pensa em condenar tais expressões, ou ver nelas algum sinal de equívoco gramatical.

6) Como sinal de seu emprego por poetas e cultores de nosso idioma, é interessante verificar que Paulinho da Viola, na canção Sinal Fechado, assim diz em um certo verso: "Eu vou indo, correndo, pegar meu lugar no futuro".

7) E Vinícius de Moraes, na canção Você e Eu, que fez em parceria com Carlos Lyra, também assim pôs seus versos: "Podem preparar / Milhões de festas ao luar, / Que eu não vou ir. / Melhor nem pedir, / Que eu não vou ir, não quero ir".

Atualizado em: 15/2/2017 09:14

COORDENAÇÃO

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.

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