segunda-feira, 30 de novembro de 2020

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Após de - É correta a expressão?

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A leitora Fabiana Menezes envia ao Gramatigalhas a seguinte mensagem:

"Olá, tenho uma dúvida em relação à expressão 'Após da morte'. Posso usá-la, ou devo dizer, necessariamente, 'Após a morte'?"

Envie sua dúvida


1) Uma leitora indaga se é correto usar a expressão após de, ou se deve, necessariamente, dizer e escrever apenas após.

2) Embora sejam expressões sinônimas quando se considera o significado, pode-se dizer que, por via de regra, após se constrói sem preposição, enquanto depois normalmente vem seguida da preposição de: (a) "Após o espetáculo, seguiu-se um acalorado debate"; (b) "Depois do espetáculo, seguiu-se um acalorado debate".

3) Embora pouco usada, porém, encontra-se, por vezes, entre os escritores eruditos, o emprego da palavra após seguida da preposição de: (a) "Corremos todos após da fortuna" (Dicionário Houaiss); (b) "O seu peito tremia, e ela estava pálida como após de uma longa noite sensual" (Álvares de Azevedo).

4) Por outro lado, em complementação, é oportuno dizer que, além de depois de, também se encontra entre os melhores autores, de modo intercambiável, a expressão depois que: "Como hei de eu, de hoje em diante, viver, depois que partires?" (Olavo Bilac).

5) Com essas considerações como premissas, volta-se para solucionar diretamente a dúvida posta pela leitora: como é de fácil percepção pelos exemplos dados, ao empregar a expressão após da morte, não está a referida usuária, por um lado, utilizando circunlóquio corriqueiro; mas, por outro lado, encontra-se ela totalmente amparada por exemplos de nossos melhores escritores, e, assim, não há o que inquinar de condenável em sua maneira de expressar-se.

Atualizado em: 19/8/2020 07:53

COORDENAÇÃO

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.

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