segunda-feira, 26 de outubro de 2020

COLUNAS

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Precisar de falar

quarta-feira, 11 de abril de 2007

A leitora Daniela Kallas envia-nos a seguinte mensagem:

 

"'Preciso de fazer' alguma coisa ou 'preciso fazer' alguma coisa? 'Preciso de ir' ou 'preciso ir'? 'Preciso de comprar' ou 'preciso comprar'? 'Preciso de comer' ou 'preciso comer'?... Obrigada!"

Envie sua dúvida


1) Valendo-se de pesquisa de Luiz Carlos Lessa, no que tange ao verbo precisar observa Celso Pedro Luft que no Brasil, "pelo menos em nossos dias, o mais usual é preposicionar-se o complemento, se este é um substantivo, e, ao revés, omitir a preposição, se a precisar segue-se um infinitivo: preciso de viagens / preciso viajar".1

2) Da análise dos casos concretos de seu uso, todavia, pode-se afirmar que, mesmo seguido de infinitivo, o verbo precisar pode ser empregado sem preposição ou com preposição, indiferentemente:

a) "Não precisamos rememorar os fatos decisivos das duas regiões" (Euclides da Cunha);

b) "Essa classe opulenta não precisava para isso de pertencer à raça judaica" (Alexandre Herculano).2

3) Eduardo Carlos Pereira, com muita propriedade, leciona que "alguns verbos transitivos, seguidos de um infinitivo, assumem facultativamente a preposição de".

4) E ele próprio exemplifica: "devo falar ou de falar, preciso estar ou de estar, devo escrever ou de escrever."3

________

1Cf. LUFT, Celso Pedro. Dicionário Prático de Regência Verbal. 8. ed. São Paulo: Ática, 1999. p. 412.

2Cf. FERNANDES, Francisco. Dicionário de Verbos e Regimes. 4. ed., 16. reimpressão. Porto Alegre: Editora Globo, 1971. p. 471.

3Cf. PEREIRA, Eduardo Carlos. Gramática Expositiva para o Curso Superior. 15. ed. São Paulo: Monteiro Lobato & Cia., 1924. p. 241.

Atualizado em: 5/4/2007 10:46

COORDENAÇÃO

José Maria da Costa, é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.

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