segunda-feira, 26 de outubro de 2020

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Extra

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O leitor Conrado de Paulo envia ao Gramatigalhas a seguinte mensagem:

"Caro professor: Devemos pronunciar 'extra', com 'e' fechado, como pronunciamos o 'e' de 'extraordinário'? O que se ouve é com 'e' aberto e/ou fechado, indistintamente."

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Extra

1) Como adjetivo, com o significado de extraordinário, é forma correta e dicionarizada, podendo variar normalmente para o plural. Exs.: trabalho extra, horas extras, edições extras.

2) Nesse caso, o som é fechado (ê), e não aberto (é).

3) A esse respeito, lembra com propriedade Édison de Oliveira: "Trata-se, no caso, da forma reduzida, abreviada de 'extraordinário'. Ora, como dizemos 'extraordinário' ('ê' fechado), é sensato que, ao reduzirmos a palavra, não modifiquemos a pronúncia".1

4) Arnaldo Niskier, realçando a natureza de adjetivo nesses casos, observa que, em expressões como serviços extras, tal vocábulo "concorda com o substantivo a que se refere".2

5) Domingos Paschoal Cegalla também observa tal vocábulo como adjetivo, em "forma reduzida de extraordinário" - horas extras, ônibus extras, serviços extras -, acrescentando também a possibilidade de seu emprego como substantivo: os extras de um filme, os extras de uma novela.3

6) Como prefixo, tem o sentido de fora de, além de, e se separa por hífen, se o elemento seguinte começa por vogal, h, r ou s. Exs.: extrajudicial, extra-oficial, extra-hospitalar, extra-regulamentar, extra-sensível.

7) Incoerentemente, porém, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, órgão oficial para definir oficialmente o modo de grafia dos vocábulos em nosso idioma, apresenta a grafia extraordinário.4

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1Cf. OLIVEIRA, Édison de. Todo o Mundo Tem Dúvida, Inclusive Você. Porto Alegre: Gráfica e Editora do Professor Gaúcho Ltda., edição sem data. p. 96.

2Cf. NISKIER, Arnaldo. Questões Práticas da Língua Portuguesa: 700 Respostas. Rio de Janeiro: Consultor, Assessoria de Planejamento Ltda., 1992. p. 91-92.

3Cf. CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1999. p. 161.

4Cf. Academia Brasileira de Letras. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 2. ed., reimpressão de 1998. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1999. p. 332.

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Atualizado em: 18/11/2008 14:35

COORDENAÇÃO

José Maria da Costa, é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.

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