segunda-feira, 1 de março de 2021

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Respondendo aos leitores

terça-feira, 20 de novembro de 2012

 

Respondendo aos leitores


O leitor, Dirceu Jacob de Souza, de Campo Mourão/PR, indaga: "haveria algum 'problema' se janeiro e março ficassem com 30 dias, para que fevereiro também tivesse 30 dias e, assim, acabar com o ano bissexto?".


Caro Dirceu, lendo sua sugestão, quase aderi ao meu primeiro impulso que foi de indagar: "por que não pensei nisso antes?".


Mas logo vi que sua proposta apenas igualaria os dias dos meses de janeiro, fevereiro e março, sem modificar-lhes a soma e permaneceriam os mesmos 365 anuais, cuja insuficiência exige a adoção do acréscimo de 1 dia a cada 4 anos. A modificação do número de dias dos meses seria apenas "problema político de calendário", mas não resolveria a necessidade da adoção do ano bissexto, que é "problema científico de calendário".


Isto porque o problema está na busca da exata correspondência entre a duração do "ano trópico", que seria quase 365,25 dias, e a do ano do calendário, fixado em 365 dias, o que gera uma diferença de 6 horas anuais ou 24 ao final de quatro anos.


O tema "calendário" é fascinante, mas nesta coluna não caberia nem mesmo a abordagem de alguns tópicos, como a explicação do que sejam ano sideral e ano trópico, conceitos influentes na explicação do acréscimo de 1 dia, a cada 4 anos, nos calendários, o juliano e o gregoriano, por exemplo.


Uma sugestão a quem se interessar: veja na "Enciclopédia Mirador Internacional", vol. 5, o verbete Calendário. Excelente.


Ou esta lição de Manuel Nunes Marques, diretor do Observatório Astronômico de Lisboa, em artigo na Internet, sob o título "Origem e evolução do nosso Calendário" (clique aqui):

"Em Astronomia consideram-se várias espécies de ano, como o ano sideral (duração da revolução da Terra em torno do Sol ) - que é igual a 365 d 06 h 09 m 09,8 s. - e o ano trópico ( tempo decorrido entre duas passagens consecutivas do Sol médio pelo ponto vernal ) que é atualmente de 365 d 05 h 48 m 45,3 s. É mais curto do que o ano sideral, devido à precessão dos equinócios, que faz retrogradar o ponto vernal de 50,24 segundos de arco por ano. É o ano trópico que regula o retorno das estações e que intervém nos calendários solares".

Está-se vendo que a matéria é de astronomia e extravasa do âmbito de Latinório, espaço reservado às análises de coisas simples do Latim. Aliás, não é de agora a observação: ne sutor supra crepidam. Examinando a escultura, um sapateiro não pode fazer críticas senão à sandália. Ou como se diz também lá em Minas Gerais: cada macaco no seu galho!

 

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Atualizado em: 20/11/2012 07:06