sexta-feira, 23 de outubro de 2020

COLUNAS

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Advogado Tik Tok

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

A amiga Juliana S. Moura pergunta:

"Acompanho a coluna desde do começo e hoje resolvi escrever em função de ver uma advogada que foi representada pela CREMESP referente às postagens do Instagram. Isso é possível?". 

Juliana, obrigado pela pergunta e por acompanhar a coluna há tanto tempo. Fiquei sabendo também sobre caso, acontecido há algumas semanas. Vamos analisar pontualmente antes de comentar. No caso em questão, a advogada fez basicamente tudo errado em termos de marketing: não criou sua imagem institucional antes de uma fase prospectiva, não entendeu os limites do Código de Ética (além da CREMESP ela também foi representada pela OAB/MG) e não percebeu que criticar uma classe (mesmo que sejam as instituições que estão do outro lado da mesa em uma ação), não é o caminho mais adequado para se promover. 

Então veja que postagens como "seu médico bonzinho pode ter cometido erro médico", "todos os médicos comentem erros", "mas você quer corpo de panicat? - Dr. Sem Noção" conseguem, em uma tacada só, corromper tudo que é instruído em termos de postura ética e sobriedade advocatícia. 

Infelizmente existe uma geração de advogados (em especial os jovens advogados) que preferem não ter o embasamento das regras providas pela classe e acham que todo tipo de marketing é permitido. Eles veem ações "virais" em redes sociais como Youtube e Tik Tok e acreditam que isso se aplica à advocacia. O formato, conteúdo e aceitabilidade dos formatos não se encaixam. É usar uma camisa 5 números abaixo do seu, só porque achou ela bonita. Não vai ficar bem, nunca. Não estou questionando se as regras são adequadas à realidade ou não, mas sim estou comentando que estas são as regras vigentes no momento e deveriam ser respeitadas e seguidas até uma evolução (necessária) das mesmas. 

Se você fizer uma rápida busca no aplicativo Tik Tok, primariamente usado por crianças para vídeos curtos (e sinceramente bem bobinhos), verá que existem advogados lá promovendo seu nome para o público errado e de uma maneira errada. Não me perguntem por que, pois para mim não faz sentido algum. 

Enfim, por enquanto não existe a evolução de regras voltadas às redes sociais (e mesmo assim o advogado nunca deveria se portar como um youtuber), o mais sensato seria continuar levando informação dentro dos moldes mais adequados à sobriedade da advocacia. 

Espero que eu não esteja vivo para ver o dia que o advogado vai pintar o cabelo para ter mais likes no Instagram. 

Espero ter ajudado. 

Confira toda sexta-feira a coluna "Marketing Jurídico" e envie suas dúvidas sobre marketing jurídico, gestão de escritórios,  cotidiano dos advogados empreendedores ou dúvidas gerais sobre o dia a dia jurídico por e-mail (com o título Coluna Marketing Jurídico) que terei um grande prazer em ajudar. 

Bom crescimento!

Atualizado em: 2/10/2020 08:30

COORDENAÇÃO

Alexandre Motta, é consultor e sócio diretor do Grupo Inrise. Com formação e pós-graduação em marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), atuou durante cinco anos em escritório jurídico como responsável pela área de desenvolvimento de negócios e comunicação com clientes. É palestrante oficializado pela OAB (tendo recebido inclusive a Medalha do Mérito Jurídico), escreve artigos de relevância para o mercado atual e é autor dos livros "Marketing Jurídico - Os Dois Lados da Moeda" e "O Guia Definitivo do Marketing Jurídico". Apresenta também o programa de entrevistas Conversa Legal, focado na interatividade dos profissionais do setor jurídico. Desde 2002 mantém, através de sua consultoria, uma clientela de inúmeros escritórios jurídicos sob sua responsabilidade de atuação e crescimento em marketing ético.

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