sexta-feira, 23 de outubro de 2020

COLUNAS

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Política & Economia NA REAL n° 9

quarta-feira, 9 de julho de 2008


Conexões de Dantas deixam graúdos em polvorosa

É difícil até imaginar todos os desdobramentos das prisões, na manhã de terça-feira, do banqueiro Daniel Dantas, do empresário-investidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo e mais duas dezenas de pessoas ligadas a ele. Os três têm sido, nos últimos tempos a contar do início da década de 1990, personagens um tanto freqüentes na crônica das irregularidades registradas na vida política e empresarial brasileiro.

Nenhum ainda teve alguma condenação definitiva, portanto são inocentes até prova em contrário, mas são investigados em bom número de processos. Mesmo assim, a detenção dos três, arrolados num mesmo suposto grandioso negócio irregular, com ramificações muito provavelmente extraordinárias, aqui dentro e lá fora, surpreendeu. Pela enormidade.

Segundo ainda as incompletas informações divulgadas pela Polícia Federal ou vazadas por fontes "desconhecidas", as transações sob suspeita podem ter chegado a 2 bilhões de dólares. E teriam transitado tanto no mundo privado quanto na esfera pública. Envolveria até informações privilegiadas com os índices de juros do poderoso Fed, o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O mensalão parece ter sido uma etapa. Há suspeitas inclusive de que tudo isso passe inclusive por profissionais que atuam na mídia.

 

A origem das investigações que levaram à prisão do três foram algumas descobertas durante o processo sobre os benefícios dos negócios então capitaneados pelo publicitário Marcos Valério e a tal quadrilha denunciada pelo STF. Tem outros tentáculos, porém, plantados antes e depois, em diferentes direções. É uma bomba que fez baixar o estoque de Lexotan nas farmácias de Brasília, São Paulo e Rio. É inimaginável a extensão do escândalo. Sabe-se que haverá desdobramento em operações no exterior e com farta documentação.

É ingenuidade acreditar que gente experiente como Dantas, Pitta e Nahas vá dar com a língua nos dentes se sentir de fato ameaçada. O que se teme é o que a Polícia Federal possa ter descoberto e as famosas gravações que vazam espontaneamente não se sabe bem de onde nem como. O poder em Brasília está minado pelas intrigas e a movimentação dos políticos que de alguma forma têm interesses relacionados a gama de transações de Daniel Dantas está temerosa com os desdobramentos dos fatos. Tenhamos uma certeza: os fatos serão grandiosos e suas conseqüências imprevisíveis.

Podemos apostar: estamos diante do mais relevante fato político do Brasil este ano. Talvez o mais importante desta primeira década do século 21.

Atualizado em: 9/7/2008 10:13

COORDENAÇÃO

Francisco Petros, é advogado, sócio responsável pela área societária, compliance e de governança corporativa do escritório Fernandes, Figueiredo, Françoso e Petros Advogados. Economista e pós-graduado em finanças. Trabalhou por mais de 25 anos no mercado de capital, em instituições financeiras brasileiras e estrangeiras. Foi presidente da APIMEC - Associação Brasileira dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (2000-2002).

José Marcio Mendonça, é jornalista e comentarista político; editou o Caderno de Sábado, o suplemento de Cultura do Jornal da Tarde e foi chefe de redação da sucursal de Brasília dos jornais: O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde. Apresenta: A Palavra de Quem Decide na Rádio Eldorado e escreve para o Portal Estadão e no Blog: A Política como Ela é.

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