quinta-feira, 29 de outubro de 2020

COLUNAS

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Porandubas nº 236

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Alerta

Cuidado, senhores candidatos e senhoras candidatas. Muito cuidado com a liturgia de abraçar pessoas e beijar crianças. Francelino Pereira, ex-governador de Minas, ex-senador e ex-deputado federal, nos fundões do Estado, fazia a maior demagogia. Encontrou um grupo de crianças. Começou a suspendê-las pelos braços e a beijá-las. De repente, sentiu algo estranho. Era uma cara cheia de barba. Francelino havia beijado o anão de Uberaba.

Ibope confirma

Dos Institutos de Pesquisa, faltava apenas o Ibope. Que confirma o empate entre Dilma e Serra : 37%, no primeiro turno, e 42% no segundo turno. O que esse cenário quer dizer ? Vamos lá. O segundo turno tende a favorecer a candidata situacionista. Os candidatos apoiados por estruturas governamentais somam melhores condições. O poder da máquina federal puxa grupos e lideranças. O governismo age como um rolo compressor. Lula comandará as estratégias de cooptação de votos. Dilma passa, então, a ser favorita.

A tipologia eleitoral

Como este consultor tem avaliado, o eleitorado de Dilma se agiganta no nordeste. Serra ganha no sudeste, mas sua maioria está diminuindo. Poderá anular a vantagem de Dilma no nordeste com a eventual maioria que tirará do sul e do sudeste. Minas, porém, será uma incógnita. Tem 14,2 milhões de votos. O mineiro é desconfiado. Hélio Costa, do PMDB, terá o apoio do PT para disputar o governo. Mas Aécio Neves poderá puxar a vitória para Anastasia. Ocorre que a vitória do vice Anastasia não significa a vitória de Serra em MG. Lá, o voto poderá favorecer a mistura Dilmasia ou Anastadilma.

A razão ?

Perguntam-me a razão. Digo : o orgulho mineiro. Os mineiros não querem ver Aécio Neves como segundo ou terceiro. E sim como o primeiro. Deveria ele estar no lugar de Serra. Se não é Aécio, podem optar por uma candidatura mineira, nesse caso, a de Dilma, que nasceu no Estado. Há uma rixa histórica entre Minas e São Paulo. Acho que Minas Gerais poderá ser o principal termômetro desta campanha. Com o Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral, cumprindo também papel preponderante. E Dilma tende a ganhar no Rio, se caso Sérgio Cabral levar boa vantagem.

Vox de Dilma

Já o Vox Populi fez uma pesquisa sob encomenda do PT que dá Dilma com 6% de vantagem em relação a Serra. No segundo turno, são 8 pontos de diferença para a petista.

A favor de Serra

Este consultor crê que o favoritismo de Dilma pode ser esvaziado ante as seguintes situações : acidente/incidente de percurso por parte da campanha petista como a extravagância de produção de dossiês contra Serra; gafes continuadas de Dilma; alterações continuadas na fachada principal (a fisionomia da candidata), pois o efeito cosmético poderá lhe sugar a identidade; climas emotivos nacionais - catástrofes, desastres - que sujem a imagem do governo Lula.

A favor de Dilma

A continuidade do PNBF - Produto Nacional Bruto da Felicidade - amálgama de fatores : dinheiro no bolso, conforto social, geladeira cheia, carro novo, transporte barato, escolas perto de casa, bolsa família chegando todo mês; luz para todos; casa própria; dinheiro para ajudar a produzir boa colheita; enfim, os braços assistenciais do governo Lula.

O caminho do voto

O voto começa pelo bolso, vai subindo até o coração e, depois de longo percurso, chega à cabeça. Esse é o caminho do voto e da geografia eleitoral. Do estômago das massas chega ao escopo crítico das classes mais aculturadas. Que somam bem menos gente do que os contingentes nas gerais.

E a Copa, hein ?

A Copa poderá servir como gigantesca estrutura de consolação, que funciona como espaço da catarse coletiva. Se o Brasil ganhar, comoção e locupletação emotiva. Se perder, decepção e frustração coletivas. Mas o eleitor não confunde vitória ou derrota com o político ou o governante. Quem desejar tirar partido do gol, acabará na linha do pênalti.

Pêsames (e não palmas) em Tocantins

A Assembleia Legislativa de Tocantins acaba de dar um golpe na Carta Magna. Um deputado, de nome Stalin - que não se perca pelo nome -, conseguiu aprovar seu projeto para estiolar as funções do Tribunal de Contas do Estado. A lei revoga dispositivos da Lei Orgânica do TCE - que enquadravam os prefeitos, no exercício das funções de ordenador de despesas -, a se submeterem às competências do Tribunal. Ou seja, pretende que o TCE não julgue mais os prefeitos na condição de ordenadores de despesas, o que acontece em 137 dos 139 municípios do Estado. O projeto é uma curva na CF, que dispõe sobre a exclusividade dos Tribunais de Contas na iniciativa de propor alterações na Lei Orgânica. Se a moda "stalinista" pegar, o caminho da gastança sem controles não terá fim. Mas a Atricon - Associação dos Tribunais de Contas impetrou ADIn no STF. Vamos aguardar os resultados.

Livro-dossiê ?

Este consultor recebeu um briefing sobre o livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que teria sido contatado por Luiz Lanzetta, o cara que teria feito as sondagens para a produção de dossiês contra Serra. Fofocagem sob encomenda. Por não acreditar nessas baboseiras, este consultor não abre espaço para o acervo que discorre sobre negócios da família do ex-governador de São Paulo. Agirá do mesmo modo, caso chegue pacote sob encomenda contra figuras do PT.

Juiz ? Também o fui

Jânio Quadros era um ás na técnica da enrolação. Visitava Fortaleza e ficou na casa do deputado Jorge Furtado Leite. Descansava numa rede, quando Furtado tentou convencê-lo a receber uma comitiva de juízes.

- Não os recebo. Juiz é magistrado. Não pode fazer política. Eles não têm nada a me dar e nem tenho nada a prometer-lhes.

De repente, viu que estava cercado de juízes. Prontamente se levanta e exclama, em alto e bom som :

- Juízes dessa querida terra, que também o fui...

E conversou lorota por mais de duas horas com eles. Sob o efeito de uma cachacinha.

Nova comissão

A OAB/SP criou a "Comissão de Estudos de Recuperação Judicial e Falência". A ideia foi do advogado Luiz Antonio Caldeira Miretti, nomeado seu presidente. Miretti, representando a Seccional Paulista da Ordem, será palestrante no "Congresso Internacional de Direito Empresarial", discorrendo, no dia 11, às 10h30, sobre os "Os cinco anos da Lei de Recuperação e Falência". O evento será pelo INRE - Instituto Nacional de Recuperação de Empresas, nos dias 10, 11 e 12/06/10, no Hotel Sofitel, em São Paulo.

Quem paga o pato ? Nós

Esta coluna abre uma campanha de moralização no complexo terreno das licitações. Pano de fundo : estratagemas de certas empresas para ganhar o bolo. Expliquemos. Empresas estatais possuem um passivo trabalhista que poucos conseguem imaginar. No afã de demonstrar eficiência na hora de contratar serviços de terceiros, buscam, apenas e tão somente, o menor preço apresentado. A prestadora contratada por este critério, na maioria das vezes, acaba quebrando e seus funcionários, sem terem a quem acionar, voltam-se contra a estatal que responde subsidiariamente pelas ações trabalhistas. O passivo trabalhista da estatal cresce. E quem acabará pagando o pato ? Ora, todos os cidadãos que pagam impostos. Moral : é mais razoável buscar o melhor preço possível e não simplesmente o menor. O barato acaba saindo muito caro.

O viés do pregão

O Estado consegue fazer economias, aliás, bem-vindas, por meio deste processo de compras, que nada mais é do que um leilão ao contrário. Entretanto, por falta de parâmetros para estabelecer a formação de preços, ou ao menos do custo do serviço, fica difícil ao pregoeiro justificar a não contratação de uma empresa que ofereça o menor - muito menor - preço. O país possui muitos institutos capacitados. Por que não são chamados a realizar estudos sobre o chamado "preço inexequível" ?

Ficha Limpa

A lei da Ficha Limpa, sancionada por Lula, está à espera de uma interpretação por parte do TSE. Valerá para este ano ou apenas para 2012 ? Pela lei, para ser impedido de registrar candidatura, o político deve ter sido condenado por um órgão colegiado, ou seja, em que há mais de um juiz. Áreas das condenações : tráfico de drogas, formação de quadrilha, racismo ou tortura, além de crimes eleitorais, por exemplo, fica inelegível por oito anos. É ainda o caso de punições por ações civis de improbidade administrativa, mas só se as acusações forem de enriquecimento ilícito ou lesão aos cofres públicos. Os condenados poderão recorrer para viabilizar a candidatura. O projeto recebeu a adesão de 1,6 milhão de assinaturas sobre a aplicação da lei. O STF também pode ser consultado com uma ação para confirmar a constitucionalidade do texto aprovado.

Números da terceirização

O país tem, hoje, mais de 31 mil empresas de serviços terceirizáveis que, juntas, faturam acima de R$ 43 bilhões ao ano. As regiões sudeste e sul são as que concentram a maior parte desse montante. A remuneração mensal destes profissionais paga pelas empresas gira em torno de R$ 918, totalizando R$ 18 bilhões ao ano. Os dados são da 4ª Pesquisa Setorial, encomendada pela Asserttem - Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário. Com relação à empregabilidade, o Brasil possui, hoje, mais de 8 milhões de trabalhadores terceirizados, o que representa quase 9% da população economicamente ativa. Jovens em situação de primeiro emprego representam 12,5% das vagas preenchidas. A terceira idade responde por quase 14% do total de contratos com empresas terceirizadas.

Conselho a Hélio Costa

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos jogadores da seleção. Hoje, volta sua atenção ao pré-candidato ao governo de Minas Gerais, senador Hélio Costa :

1. Definida sua candidatura pelo PMDB, cuide, agora, de garantir o prometido apoio do PT. Pelo andar da carruagem, há alas querendo traição.

2. Haverá muita casca de banana pelo caminho. A serem jogadas pelas alas descontentes.

3. O futuro político do governador Aécio Neves estará atrelado ao sucesso de seu candidato ao governo, o vice Anastasia. Aécio fará tudo o que for possível para eleger seu sucessor. Panorama bem provável.

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Atualizado em: 9/6/2010 08:38

COORDENAÇÃO

Gaudêncio Torquato, jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.

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