quarta-feira, 28 de outubro de 2020

COLUNAS

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Porandubas nº 347

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Um gol de placa

Abro a coluna com o folclore político do RN.

Um pedinte aporta mais uma vez diante do prefeito de Areia Branca, Bruno Filho/PMDB.

- "Doutor Bruno, eu quero uma ajuda da prefeitura", dispara à queima-roupa.

Com sua voz quase inaudível, arrastada e sem maior mudança na entonação, o prefeito procura esclarecer que a municipalidade não pode lançar mão de qualquer quantia, sem cumprimento de processo burocrático. Dentro da lei. O pedinte não abre a guarda, apesar das explicações do prefeito. Insiste no pleito.

- "Procure Lauro, nosso chefe de Gabinete, que ele trata de tudo", adianta Bruno.

Os dias passam e novamente o prefeito se depara com o interlocutor insistente. "Doutor Bruno, é aquilo que eu falei com o senhor naquele dia". E relata que já passou por vários setores da prefeitura, sem uma conclusão. O prefeito volta a encaminhá-lo para Lauro. Mas o pedinte reage, descrevendo uma linha de passes :

- Bruno joga para Lauro, que passa para Núbia, que devolve para Lauro, que joga para Juarez, que entrega à dona Lucinha, que volta para Bruno...

Interrompendo a "narração", de olhos fixos no "narrador esportivo", Bruno indaga : "O que você quer dizer com isso?".

- Prefeito, eu quero saber quando vou fazer o "gol".

(Da coleção de Carlos Santos em seu livro Só Rindo)

O adeus de Bento XVI

A renúncia do papa Bento foi uma de decisão muito bem arquitetada. O papa é teólogo de primeira. Um grande estudioso da Igreja. Substituía um dos mais carismáticos papas de todos os tempos, João Paulo II. Perdia pulso no comando da igreja. A Cúria Romana, sob o controle do cardeal Tarcísio Bertone, é quem dá as cartas. Bertone funciona como o verdadeiro administrador da Igreja Católica. Conservador e fiel aos princípios mais rígidos da igreja. Bento avaliou todas as posições : permanecer com a saúde deteriorada ? Permanecer com o poder escapando de suas mãos ? Ou renunciar e, usando o gesto de humildade, chamar o corpo de cardeais para um encontro com a grande verdade ?

O novo Papa

A Cúria Romana dará o tom do conclave. A Itália, com uma população de católicos em torno de 50 milhões, tem 28 cardeais. Cinco a mais que toda a América Latina e o Caribe que, juntos, somam mais de 500 milhões de católicos. É um desnível considerável. O puxão de orelhas do papa Bento em quem puxa o tapete do poder poderá resultar na escolha de um perfil externo à comunidade de cardeais italianos. O cardeal do Canadá, que fala bem espanhol ? Algum cardeal africano ? E um cardeal brasileiro, levando em consideração que o Brasil é o país mais católico do mundo ?

Ravasi, centrista

Se a opção for por um cardeal da Itália, dois nomes despontam : Ângelo Sodano, da igreja mais rica do mundo, a de Milão, e o cardeal Gianfranco Ravasi, uma espécie de ministro da Cultura do Vaticano. Ravasi passa a ser favorito ante o pano de fundo sob o qual foram escolhidos papas no passado. É o pregador do retiro que os cardeais começam a vivenciar. Ou seja, ele dará o norte para as reflexões que começam a ser feitas no Vaticano. Pio XI escolheu seu sucessor, o cardeal Pacelli, que veio a ser o pregador do retiro e, depois, escolhido papa Pio XII. O pregador do retiro por ocasião da morte de João Paulo II foi o cardeal Ratzinger, que viria a ser o papa Bento XVI. Coincidência ou indicação de que os pregadores de retiros são os favoritos ? A propósito, Ravasi tem uma posição centrista, abrindo diálogo com todas as alas. Mas dizem que Bento torce por Sodano, que também seria o preferido do camerlengo Bertone.

Bill Gates e a gorjeta

Certo dia Bill Gates foi ao restaurante junto com sua esposa e filhos, duas meninas e um garoto. Eles sentaram-se em mesas diferentes, mas foram atendidos pelo mesmo garçom. Durante o jantar tudo ocorreu normalmente. Depois de pedir a conta, Bill a pagou na mesa, deixando para o garçom uma gorjeta de 5 dólares. O que deixou o homem com uma cara estranha e que chamou a atenção de Bill, que perguntou :

- "O que houve?".

O garçom respondeu :

- "Eu acho um pouco estranho, pois seus filhos me deram 500 dólares de gorjeta e você, sendo o homem mais rico do mundo, me deu apenas 5".

Bill sorriu e falou :

- "Eles são filhos do homem mais rico do mundo, eu sou filho de um lenhador.".

Moral : Jamais devemos esquecer-nos de onde viemos.

O ano político

Por aqui, o ano político começa sob o signo das expectativas. Para começar, a grande indefinição : como organizar a pauta se o STF, por meio daquela liminar sobre os vetos, concedida pelo ministro Fux, deixa as casas congressuais em dúvida ? Há de se votar os vetos antes das pautas rotineiras ? Ou é possível fazer as coisas de maneira concomitante ? A decisão mais urgente é sobre o Orçamento. O presidente Renan havia marcado a votação para hoje, mas adiou a decisão, aguardando que o plenário do STF emita sua orientação.

Resgate de imagem

O Parlamento atravessa um momento crítico sob a perspectiva da imagem perante a sociedade. O que pode ser feito para resgate da boa imagem das Casas Congressuais ? Esta é uma questão que frequentemente se apresenta a este consultor. Pois bem, a resposta aponta para uma única direção : priorizar matérias de alta relevância para a vida social e política do país. Ou seja, o Congresso tem nas mãos a receita apropriada para curar seus males : votação das reformas política/eleitoral, tributária, trabalhista; a inclusão de grandes matérias que aguardam há tempos sua discussão no Parlamento. Em suma, chegou a hora de substituir a promessa e o discurso pela ação e decisão.

Lula e Eduardo Campos

Nos bastidores, é comum ouvir a observação : Eduardo Campos, governador de PE, não será candidato porque tem um dever de lealdade para com Lula. Foi Luiz Inácio quem jogou uma montanha de investimentos em PE, que permitiram ao neto de Miguel Arraes fazer um bom governo e ganhar boa avaliação do eleitorado. É isso ? Em termos. Eduardo Campos não se sente atrelado ao carro de Lula. Por ser político e considerando-se um quadro novo, analisa todas as possibilidades. Enxerga que teria chegado sua vez. Seu PSB foi o partido que, em termos proporcionais, mais ganhou no último pleito. O governador pensa em alçar voo.

Se perder, ganha

A equação que inspira Eduardo Campos é a de ganhos. Candidatando-se em 2014 e perdendo, somará ganhos. Como ? Pela geometria da política, a menor distância entre dois pontos nem sempre é uma reta. Pode ser uma curva. Perdendo, ele ganhará em matéria de grande visibilidade, correrá o país, travando contatos com as comunidades, ampliará o circuito de alianças, deixando, assim, o terreno preparado para a mobilização seguinte, ou seja, em 2018. Eduardo Campos poderá, em 2014, aumentar o quadro de governadores do PSB e as bancadas parlamentares nos Estados e no Congresso Nacional. Por essa leitura, este consultor conclui que, numa régua de 0 a 100, o governador de PE estica o braço até o número 90. Apenas 10% de chances de retirar o time de campo.

Quatro tipos de homens

"Aquele que não sabe, e não sabe que não sabe. É um tolo : evite-o;

Aquele que não sabe, e sabe que não sabe. É um simples : ensine-o;

Aquele que sabe, e não sabe que sabe. Está dormindo : acorde-o;

Aquele que sabe, e sabe que sabe. É um sábio : respeite-o". Conceitos árabes

PMDB consolida aliança

Ademais, o governador de PE tem em conta a equação estabelecida pelo PMDB. Sob o comando das duas casas congressuais, o partido ganha força para não apenas consolidar a aliança com o PT, mas para ampliar sua participação na esfera governativa. Michel Temer, sob essa perspectiva, manterá sua posição como vice na chapa da presidente Dilma. A hipótese de ceder esse espaço inexiste, nem mesmo sob a indicação de quadros do PT que gostariam de ver o vice-presidente disputando o governo de SP. Michel está muito bem no cargo, desempenhando altas missões que lhe são confiadas pela presidente. E nenhuma das alternativas que são jogadas no colo de Lula para substituir o nome de Michel pelo nome de Eduardo Campos na chapa de Dilma tem condição de vingar.

Renan enxuga custos

O presidente do Senado, Renan Calheiros, começa a fazer um enxugamento na estrutura do Senado. Demitirá cerca de 30% dos servidores comissionados e diminuirá estrutura do serviço médico. Merece aplausos.

Pacto federativo

Outra notícia auspiciosa é o encontro que os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros, farão com os 27 governadores dos Estados e do DF, dia 13/3. Em pauta : projetos relativos ao pacto federativo. Concretamente, deverão ser debatidas questões envolvendo mudança do critério de rateio do Fundo de Participação dos Estados, fixação de regras de distribuição da receita resultante da exploração de petróleo (royalties e participações especiais), unificação do ICMS e mudança no indexador da dívida dos Estados e municípios com a União. Um ótimo começo para os dois presidentes.

A.A.A.

E por falar em Henrique, uma historinha com ele.

Diante da cassação do líder Aluízio Alves, o jovem Henrique Eduardo Alves é elevado à prematura tarefa de sucedê-lo politicamente. Em Mossoró, um "aluizista" histórico exalta a continuidade. Ex-faz-tudo do empresário Renato Costa, "Mourão" dispara eufórico :

- Se o pai com dois "A" era forte, imagine o filho com três.

Ao seu lado, um interlocutor atordoado não entende o comparativo :

- Três "A" por que, Mourão ?

O apaixonado militante político, de pouca habilidade com o vernáculo, "esclarece" tudo a seu modo :

- Ora! Anrique Aduardo Alves, homem !

Explicado.

(Da coleção de Carlos Santos)

A dor de Dermi

Minha solidariedade ao amigo Dermi Azevedo, conterrâneo potiguar e jornalista. Seu filho, Carlos Alexandre, suicidou-se com uma overdose de medicamentos. Mas a dor vem de longe. Com um ano e oito meses, o filho de Dermi foi torturado com a mãe no Deops, em SP, pela equipe do delegado Sérgio Fleury. Ali começava a morrer seu filho. Nunca se curou das sequelas daquela brutalidade. Dermi, um forte abraço !

Lula em caravana

Luis Inácio Lula da Silva se prepara para correr o país em caravana. Quer abrir os palcos de 2014 para a reeleição de Dilma. Lula vai usar o estoque de carisma que ainda possui. Mas a caravana não será como a dos velhos tempos. A conferir !

Toma lá, dá cá

Quando Rui Barbosa iniciava sua profissão de advogado, na BA, apareceu-lhe em casa, certa vez, um açougueiro, perguntando-lhe :

- Se o cachorro de um vizinho lhe furta um pedaço de carne pesando 5 quilos, o dono do cachorro é obrigado a pagar ?

- Tem testemunha ?

- Tenho.

- Pois trate de receber a importância.

- Pois então o doutor me deve 7$500. Foi seu cachorro que roubou a carne.

O futuro jurisconsulto fez o julgamento sem bufar, e, quando o açougueiro ia saindo, chamou-o :

- Vem cá ! E a consulta ?

- Tenho que pagar ?

- Naturalmente. São 50$000

(Do livro Leia Comigo, do amigo Luis Costa)

Conselho aos novos dirigentes

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos donos de espaços de lazer, tendo como pano de fundo o desastre de Santa Maria/RS. Hoje, se volta para os dirigentes da Câmara e do Senado :

1. Procurem ler e interpretar as demandas de mudanças que partem da sociedade e organizem uma agenda de alta prioridade para as Casas congressuais.

2. No plano das mudanças, questões urgentes são : reformas política, tributária, trabalhista e a repactuação da Federação.

3. Tentem resgatar o escopo funcional do Parlamento, tornando-o menos dependente do Poder Executivo.

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Atualizado em: 19/2/2013 13:07

COORDENAÇÃO

Gaudêncio Torquato, jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.

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