sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

COLUNAS

Publicidade

Porandubas nº 387

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Plural garante emprego

Abro a coluna com Arandu, em SP, cuja história começa com um pequeno povoado, no bairro do Barreiro, no município de Avaré. Em 1898, um pedaço de uma fazenda leiteira da região foi doado para a construção de uma capela. Elevado a distrito de Avaré/SP, em 1944, recebeu na ocasião a atual denominação. Em 1964, conquistou a emancipação política. No primeiro comício, os candidatos a prefeito exibiam seus verbos. Dentre eles, o matuto José Ferezin. Subiu ao palanque e mandou brasa : "Povo de Arandu, vô botá água encanada, asfaltá as rua, iluminá as praça, dá mantimento nas escola...". Ao lado, um assessor cochichou : "Zé, emprega o plural". O candidato emendou : "Vô dá emprego pro prural, pro pai do prural e pra mãe do prural, pois no meu governo não terá desemprego". (Historinha enviada por Marcio Assis)

PT abre a campanha

A campanha eleitoral começou. Sabe-se que o prazo legal para candidatos irem às ruas é 6 de julho. Mas poucos observam isso. O candidato do PT, Alexandre Padilha, foi entronizado por Lula em comício no interior. Até ônibus especial, que se transformará na casa ambulante de Padilha, foi devidamente preparado. A campanha do PT será muito organizada. Terá comitês de conteúdo, batalhão de comunicadores e repassadores de informações, analistas de pesquisas, coordenadores regionais, tesoureiro, agências e consultores variados. Será a campanha mais densa da história do PT em SP. Mote : ou vai ou racha. O chefe da comunicação é o jornalista Eduardo Oinegue.

A caravana

O candidato Padilha agora é funcionário do PT, com salário de R$ 10 mil mensais. Vai fazer uma batelada de viagens pelo Estado em um ônibus especial. As caravanas lembrarão o roteiro de Lula. O ônibus, que não deve fazer nenhuma referência direta às eleições por conta de legislação, adquirido por leasing, foi adaptado para abrigar cerca de 12 pessoas. O veículo será uma espécie de escritório volante, com uma mesa de reuniões.

Articulação e mobilização

O PT estabeleceu uma agenda com atividades fechadas, sem atos na rua, ora com os militantes, ora com setores da sociedade, como universidades, empresários e lideranças religiosas. A preocupação é colher elementos para o programa de governo, garante Emídio de Souza, o esforçado e competente presidente do partido em SP.

PSDB verticaliza

O PSDB decidiu impor ordem na casa. Quer imitar o PT e vai verticalizar os comandos. Intenção é : ajustar, padronizar, normatizar as linguagens. Como o PSDB é um partido de caciques, há muita particularidade, muitos feudos. A ordem é compor uma unidade. Com um discurso homogêneo, que possa ser capilarizado. De cima para baixo. Andrea Neves, a irmã de Aécio, vai dar um empurrão nessa meta de verticalização do marketing.

Temperatura ambiente

A temperatura subiu neste verão. Mais que em outros verões. No Rio, chegou aos 42º C. Em SP, 38º C. Sensação térmica em alguns lugares beirando os 50º C. Mas a temperatura ambiental está mais alta. Refiro-me ao clima que se respira nas ruas : insegurança, medo, assaltos, black blocs, assassinato de cinegrafista, greve de ônibus, greve de policiais Federais, movimentos em série, vandalismo, repressão policial, descrença nos políticos, inflação se expandindo nas gôndolas de supermercados e feiras-livres, falta de energia, apagões, falta d'água, etc. Até parece que um cordão embebido de gasolina corre em direção ao arsenal de pólvora. Exagero ? Pode ser. Mas a imagem, confesso, bateu na mente. Enxergo um estado geral de beligerância.

O arsenal da guerra eleitoral

A campanha eleitoral deste ano, para ser eficiente e eficaz (entenda-se, nos meios e resultados) deve usar de maneira harmoniosa as ferramentas e suportes de guerra. Vamos lá : a infantaria pode ser entendida como os batalhões especializados em ações táticas em terreno hostil, no caso, os cabos eleitorais correndo para tirar votos dos adversários para os seus candidatos; são esses que olham diretamente para o eleitor de fim de linha. A cavalaria, hoje formada por carros de combate, pode ser entendida como os eventos nas cidades, com algum barulho para animar as massas eleitorais. A artilharia, composta por mísseis balísticos de longo, médio e curto alcance, é formada pelos canhões do rádio e TV nos programas eleitorais. Neste caso, a artilharia agrega também as comunicações. A engenharia agrega o planejamento da campanha, com foco na formação das propostas. O candidato é um composto de materiais bélicos, e deve se fazer presente em todas as frentes. De vanguarda e retaguarda. Pedindo votos e ouvindo conselheiros.

PMDB e a corda

Esta semana, mais uma rodada de conversações deve ocorrer entre a cúpula do PMDB e a presidente Dilma ou interlocutores. O governo estica a corda. E o PMDB a estica. A queda de braço deverá gerar pequena ruptura, não a ponto de inviabilizar a parceria entre peemedebistas e petistas.

Quebrar a força

Uma certeza vai se adensando nas entranhas da política. Projeto do PT é estiolar a força do PMDB, fazer secar suas fontes de poder. Para isso, o PT quer fazer as maiores bancadas de deputados (Federal e estadual), o maior número de governadores e de prefeitos. Nos últimos tempos, tem dado sinais de seu projeto.

Fontes secam

Os reservatórios exibem índices alarmantes. Há pouca água para atender a demanda nacional. A situação do Sudeste é precária. O governo garante que não faltará energia. E que as térmicas estão esperando acionamento. Claro, o custo vai subir. O governo aguentará o rombo ? Haverá racionamento ? Já imaginaram o clima eleitoral com falta de água e de luz ?

A volta de Lula

Por enquanto, são apenas versões. Mas o clima social, tenso e tendente a ficar mais quente, abre muita especulação. Fala-se bastante em Lula como estepe. Se a crise se intensificar, diz-se, Lula entraria tranquilamente no lugar de Dilma. Até porque estará fazendo campanha em paralelo. Quer se fazer do escudo de Dilma. Querem fazê-lo candidato no lugar da pupila. Este consultor registra a hipótese, mas não acredita que seja viável em 2014.

Agenda agitada

Agenda das Casas Congressuais tende a ser agitada. Na pauta, o marco civil da internet, o Código de Mineração (regras para exploração das riquezas nacionais), a reforma dos presídios, a reforma do Código Civil e até a reforma política. Este consultor acredita que não haverá ânimo para grandes debates. Os parlamentares estarão com a cabeça voltada para as bases eleitorais.

Pergunta indiscreta ? 

Por que o PT e a CUT não se engajam na luta para corrigir o FGTS pela inflação? A correção foi alterada em 1999, no governo do PSDB, em prejuízo dos trabalhadores. Em mais de uma década de poder, o PT nunca quis tratar desse assunto.

Contas da esplanada

Ilimar Franco, o bem informado colunista de O Globo, fez as contas das correntes petistas no Ministério. A tendência Um Novo Brasil, do PT, com 45 deputados e 12 senadores, tem 10 ministérios. (Mas tem a bancada inferior a do PMDB, que tem apenas cinco ministérios). A corrente Mensagem, do PT, com 12 deputados, tem um ministério, bancada inferior à do PTB, que não tem nenhuma pasta. A Democracia Socialista, do PT, com oito deputados e um senador, tem um ministério.(O PROS, que tem mais cadeiras no Congresso, nada possui). E o Movimento PT, com oito deputados, tem uma pasta. (PP, PR, PDT e PC do B têm mais parlamentares que aquela tendência para ganhar sua cota).

A liturgia destoante I

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas, elevou o punho fechado, forma de "cumprimentar os companheiros", por ocasião da abertura do ano legislativo. Ao seu lado, o ministro JB, presidente do STF, que comandou a AP 470, o mais longo da história da Corte e que condenou importantes quadros do PT, hoje presos no presídio da Papuda, em Brasília. O gesto não combinou com a liturgia, ainda mais pelo fato de Vargas portar o segundo cargo mais importante da Casa do Povo. Foi um ato escasso de polidez.

A liturgia destoante II

Do alto de seus domínios, o ministro Edison Lobão garantiu que o risco de faltar energia este ano é zero. Valia-se de dados que mostram uma sobra de energia de 1.773 MW, "valor que deve dobrar esse ano". No mesmo dia, leu-se que o déficit de energia passará este ano de 20% nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No dia seguinte, um apagão deixou sem energia seis milhões de pessoas nessas regiões, incidente que, segundo o governo, não teve vinculação com a sobrecarga do sistema nem com os baixos níveis de reservatório. Garantias e realidade são dissonantes. A situação das represas do Sudeste é a pior desde 1953, com 39,98% de sua capacidade, alerta o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A liturgia destoante III

Cheguemos, agora, à Petrobras. No ano passado, registrou a maior perda de valor de mercado, em termos nominais, passando de US$ 124,7 bilhões no fim de 2012 para US$ 90,6 bilhões semana passada, em um recuo de US$ 34,1 bilhões. Portanto, o momento não é de comemorar, brindar o sucesso. O clima é de velório. E o que se vê ? Pesada campanha na TV, em comemoração aos 60 anos da empresa. A Petrobras fez aniversário em 3 de outubro do ano passado, quando a fornada publicitária foi lançada. Há motivo, quatro meses depois, para se fazer loas à ex-primeira empresa brasileira, cujas ações derretem na Bolsa de Valores ? Mais uma dissonância.

A liturgia destoante IV

A liturgia dos Poderes recomenda respeito e obediência aos ritos, normas, gestos e ações inerentes às funções que exercem. O Poder Judiciário deve ser exemplo de recato. Bacon, por volta de 1620, já pregava que os "juízes devem ser mais instruídos que sutis, mais reverendos que aclamados, mais circunspectos que audaciosos". Bela lição sobre as virtudes da magistratura. Por isso, é estranho ver altos magistrados deixando a toga de lado para usar verbos de tom político. O ministro Gilmar Mendes, um dos mais preparados da Suprema Corte, sugeriu investigação sobre as doações feitas aos apenados na AP 470, por meio de campanhas por eles acionadas nas redes sociais, nas quais vê indícios de lavagem de dinheiro. É verdade que as altas arrecadações surpreendem, principalmente quando se tem em conta o esforço de candidatos, como a presidente Dilma, que alcançaram resultados pífios quando tentaram angariar recursos pela internet. Mesmo assim, o sucesso da operação não justifica que um alto magistrado abra a boca para criar polêmica.

Conselho às polícias

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos investidores. Hoje, dedica sua atenção aos integrantes do aparato policial.

1. O ambiente está tenso e turvo. O país está vivendo uma intensa crise de autoridade, que tem como pano de fundo a descrença na política e nos governantes e a precariedade dos serviços públicos. Por isso, os grupamentos policiais precisam compreender a natureza das manifestações e planejar suas ações, sobretudo no campo da prevenção e da inteligência.

2. Urge ter bastante cuidado para evitar a repressão que deflagre o conceito de violência gerando violência. Urge reprimir ondas de vandalismo do império da desordem.

3. O Brasil se prepara para abrigar o maior evento esportivo mundial. 100 mil homens das forças Federais e estaduais estarão envolvidos nos sistemas de segurança para a Copa. Urge muito preparo, muita cautela, muito bom senso. A segurança pública será um teste decisivo para consolidar a imagem do Brasil.

Atualizado em: 12/2/2014 08:13

COORDENAÇÃO

Gaudêncio Torquato jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.

Publicidade