domingo, 29 de novembro de 2020

COLUNAS

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Porandubas nº 205

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Creusa

Joaquim Francisco Cavalcanti era delegado de Polícia, em Recife. Uma noite, em um baile de travestis no bairro do Recife velho, a pancadaria come solta. Prisão de todos os participantes. O delegado fichava cada um e mandava embora :

- Nome ?

- Greta Garbo.

- Nome ?

- Sophia Loren.

- E seu nome ?

- Marilyn Monroe.

- E o seu ?

- Creusa.

- O que, seu sem vergonha ? Creusa é o nome de minha mulher. Você vai ficar 6 meses na prisão de Itamaracá.

Seis meses depois, o delegado Joaquim Francisco manda buscar Creusa para soltá-lo :

- Seu nome ?

- Joaquim Francisco.

- O que, imbecil ? Como tem coragem, sem-vergonha ? Vai ficar mais 6 meses na prisão.

E para lá Creusa voltou. Sem piedade.

Guerra I

Em Maratona, 490 a.C., 15 mil persas enfrentaram 11 mil atenienses. Mas os gregos tinham uma vantagem, a falange, um esquadrão de infantaria aguerrido e imbatível. Cada soldado do corpo segurava o escudo protegendo metade de si e metade do homem à sua esquerda. Formavam uma muralha indevassável. Seis mil persas foram mortos contra apenas duzentos atenienses.

Casa da mãe Joana ?

A Embaixada brasileira em Tegucigalpa, capital de Honduras, mais parece uma casa da mãe Joana. Zelaya chega, furtivo, com um montão de assessores e ali se instala. Começa a fazer daquele território "brasileiro" um palanque político. Lula ordena : Zelaya, cale-se. E o presidente de Direito de Honduras, o que faz ? Dá uma de Lula, ou seja, abre mais ainda o bico. Grita no palanque 24 horas. Metido no seu chapelão cheio de marketing, Zelaya zela por seus direitos, rasgando a ética que deveria presidir a "hospedaria Brasil". Sinais dos tempos. Sinais de uma política de relações exteriores administrada pelo fígado e não pela cabeça.

Lula versus Obama

De um lado, Barack Obama; de outro, Luiz Inácio. Onde ? No ringue de Copenhague, na Dinamarca, onde os dois, esta semana, estarão defendendo Chicago e o Rio de Janeiro como sedes para as Olimpíadas de 2016. O Rio tem mais chances que Chicago por uma razão forte : tem o apoio de sua população. Cerca de 70% dos habitantes de Chicago, segundo pesquisas, não querem que sua cidade abrigue os jogos. Acham que haverá muita destruição, bagunça, quebradeira, com ameaça ao patrimônio público e perturbação da vida urbana. Não querem pensar na dinheirama que entrará nos cofres da cidade. Vida saudável, em primeiro lugar.

Quem levará a melhor ?

Sei não. Será que, ante dois competidores com as famas de Obama e Lula, os julgadores teriam coragem de colocar um deles na berlinda ? In medium virtus, diz o ditado. Se a virtude está no meio, é bem provável que a decisão contemple outra cidade, entre as que estão no páreo, como Madri e Pequim. O Rei da Espanha, Juan Carlos, é bom lembrar, carrega charme. O Rio conta com a maior simpatia. Se o cara daqui ganhar, vão anunciar de maneira bombástica e brasileiramente : "Lula venceu Obama".

Guerra II

Em Arbela, 331 a.C., Alexandre enfrentou Dario. Este lutou de forma convencional. Com 15 elefantes e 200 bigas na vanguarda. Alexandre usou a cavalaria nos flancos esquerdo e direito. Fez o chamado ataque de varredura pelo flanco direito. Os persas correram para o esquerdo. Alexandre girou sua cavalaria por trás de seu centro. Cercou os adversários. Estratégia chamada de aproximação indireta. Ataque na linha onde há menor expectativa. Alexandre mereceu ser chamado "O Grande".

Zeluya

Em Honduras, há um novo herói : Zeluya. Se o Manuel Zelaya não voltar ao governo, os hondurenhos apenas substituirão o final do sobrenome que se incrusta em seus corações : Luiz Inácio, agora Zeluya, é o cara. Em Caetés, que já foi distrito de Garanhuns, onde Zeluya nasceu, está sendo confeccionado um imenso chapelão. Com ele, o novo ídolo das massas da América Central será entronizado.

Schwarzenegger amazônico

Em um Estado da região amazônica, um político - ex-vice-governador, ex-deputado - recebeu a dica : um senador, no imaginário do eleitor, deve exibir perfil musculoso, forte, para transmitir a imagem de todo-poderoso. Ou seja, o eleitor enxerga no senador um político mais portentoso que a figura de deputado. Pois não é que o cara fez uma plástica geral a conselho do marqueteiro de araque ? Esticou os peitos, botou massa muscular onde pode, alargou os beiços, enfim, enfiou outra forma na carcaça antiga. Um desastre. Dizem que mais parece... bom, a comparação é trágica. Não dá para registrar. O riso tomou conta da capital depois que a galera descobriu que a figura queria ser a cara do Arnold Schwarzenegger, ex-ator, governador da Califórnia (EUA).

"Há uma fraqueza na força se você tentar encontrá-la. Aquiles tinha um tendão que o levou à queda." Al Ries e Jack Trout

Guerra III

Austerlitz, 1805. Napoleão estimulou um ataque dos adversários austros-russos pela direita. Em seguida, manobrou seu flanco esquerdo para golpear o inimigo pelo centro. Foi muito rápido. "Posso perder uma batalha, nunca perderei um minuto", dizia ele. Ganhou. Mobilidade e rapidez, o sucesso. Perdeu mais adiante.

A zoeira endinheirada

Mais uma vez, Brasília será tomada, nos próximos dias, pela farra das Centrais Sindicais, organizada pela Força Sindical e CUT. Acompanharão os debates e votação sobre o projeto que reduz de 44 para 40 horas a jornada de trabalho. Vejam a patrulha que farão : afixarão em praça pública nos Estados de origem os nomes dos parlamentares que votarem contra o projeto. Serão chamados de traidores. Muitos deverão votar a favor para não receberem a pecha de traição. Esse é o Brasil da Independência ou Morte. Quer dizer : se Suas Excelências decidirem votar com Independência serão condenados à Morte Pública. Tempos Banais. Paredes de espelhos quebrados. Terra devastada.

Guerra IV

O troco a Napoleão veio em 1815. Waterloo. Napoleão tinha 74 mil homens e o general Wellington dispunha de 67 mil. Napoleão estava na ofensiva. O inglês podia se dar ao luxo de esperar. 19h30, por do sol de 18 de junho : ousadia plena de Napoleão. Ataque frontal com 10 batalhões dos Guardas Imperiais. Audácia, sempre audácia. Perdeu a batalha. E a coroa. A defesa de Wellington ganhou pela superioridade. O melhor ataque, desta feita, foi a defesa.

Quércia, o manda-chuva

Orestes Quércia se lixa para aqueles que fazem alguma restrição ao seu estilo político. Considera-se dono do PMDB paulista. E, nessa condição, acha que pode dominar o PMDB nacional. Não contente em ser o manda-chuva do partido no Estado de São Paulo, Quércia pretende definir os rumos da sigla nacionalmente. O que ele pretende, na verdade, é eleger-se senador por SP. Seu esforço se explica. Não se trata de amor à causa de José Serra, pré-candidato do PSDB à presidência da República. Não será tarefa fácil a eleição de Quércia. Os eleitores não vêem bem sua volta aos holofotes da política.

As chances

A aritmética eleitoral aponta para a eleição de um senador pela base governista em São Paulo e outro pela base oposicionista. O candidato da oposição - PT e companhias - será Aloizio Mercadante. Cuja imagem, aliás, está em queda. O candidato da base situacionista é exatamente ele, Orestes Quércia. Mas haverá outros nomes, sendo um deles, possivelmente, Gabriel Chalita, pelo PSB. Pode ter boa votação. Se Guilherme Afif fosse candidato, Quércia estaria frito, Afif ganharia a parada. Por isso mesmo, Quércia promete mundos e fundos a Serra. Teme que sua candidatura vá para o espaço. Ou, como candidato, naufrague mais uma vez.

Censura querciana

Orestes não vetou o ingresso de Paulo Skaf no PMDB. Mas, indiretamente, pôs obstáculos, na medida em que impôs uma condição. Se ele quiser ser candidato ao governo de SP, deveria se submeter à Convenção. Nesse sentido, ele tem inteira razão. Mas o perigo é o detalhe : Quércia tem completo domínio sobre os convencionais. Logo, vetará qualquer candidatura do PMDB ao governo do Estado. O Dr. Hélio, do PDT, prefeito de Campinas, também pensou em entrar no PMDB. A porteira está fechada. O porteiro não admite o ingresso de perfis com grande votação.

Estraçalhado

O PMDB de São Paulo caminha na linha contrária à expansão do PMDB nacional. Foi estraçalhado. Tem 3 deputados estaduais (Jorge Caruso, Uebe Rezek e Baleia Rossi), 3 federais (Michel Temer, Antônio Bulhões e Francisco Rossi) e, na capital, conta apenas com 2 vereadores (Antonio Goulart e Joogi Hato).

Guerra V

Rio Somme, em 1916, na França. Aí foi travada uma das maiores batalhas da I Guerra Mundial. Tropas inglesas e francesas saem de suas trincheiras para enfrentar os alemães. Esta era a guerra para acabar com todas as guerras. Mas os alemães tinham um trunfo : a metralhadora. Franceses e ingleses conseguiram avançar apenas 5 milhas. Primeiro dia de batalha : 50 mil mortos. A luta durou 140 dias. Uma carnificina. Guerra ganha pelo poder mortífero das armas. Um ano depois, os ingleses puseram em cena os tanques.

Adeus, Alberto Silva

Registro com pesar a morte de Alberto Silva (PMDB), que foi senador e governou duas vezes o Piauí. Morreu como deputado federal. Soube cultivar a auto-estima dos piauienses. Explico. Em 1986, coordenei a campanha de Freitas Neto (PFL, na época) ao governo do Estado. O adversário era Alberto Silva. Ganhou a campanha por pouco. Entre as razões, aponto uma : soube cultivar a auto-estima dos eleitores.

Feitos albertianos

Mostrou que podia fazer uma Poticabana, uma praia, às margens do poluído rio Poty, lembrando Copacabana. Os piauienses, portanto, podiam se orgulhar de sua bela praia, sem precisarem se deslocar ao Rio de Janeiro. Adquiriu, nos Estados Unidos, um equipamento que formava ondas artificiais. Um tento. Explicou que os médicos piauienses, por satélite, poderiam ser monitorados por médicos americanos. E, assim, realizar operações fantásticas. Demonstrou que a vida em Teresina (capital muito quente) poderia ser mais saudável. Com imensos ventiladores respingando água das fontes, os piauienses seriam refrescados.

Vida saudável

Mandou fabricar um equipamento para arrancar tocos das queimadas nas roças, facilitando o trabalho do agricultor. Era um visionário. Ideias esquisitas. Que geravam impacto. A auto-estima dos piauienses subia à montanha. Convencia usando a argumentação de professor em sala de aula. Pregava que cada família poderia alimentar-se melhor. Para tanto, incentivava a construção de uma pequena horta em cima das casas. Dava material para as famílias. Como engenheiro, explicava numa lousa os projetos, desenhando ele mesmo as ideias malucas. Os eleitores acreditaram. Ganhou a campanha.

Complexo de culpa

Um dia, entendi a força do complexo de inferioridade que Alberto Silva queria expurgar. Ele contava a deliciosa piada. Um cara chegou para um piauiense e perguntou : "o Sr. é de onde?" Feroz, o piauiense se armou em posição de soco, e, antes de dizer qualquer coisa lógica, logo tascou de modo áspero : "sou do Piauí, e daí ?" Respondeu como se quisesse dar uma porrada no interlocutor diante da pergunta. Alberto Silva deixa um legado e muitas histórias. Era um homem querido por seu povo. Adeus, governador.

Vereadores

O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, alerta : a leva de quase oito mil vereadores, que engordará as Câmaras Municipais do país, não tem como tomar posse. Consulta feita ao STF, no passado, aponta nesse sentido. A PEC dos vereadores, aprovada na Câmara, só terá validade na eleição de 2012. Mas já há vereadores tomando posse em alguns municípios. É isso : o Brasil também é conhecido como território onde impera a anomia.

São Miguel

Ontem, terça-feira, os micaelenses de todo o Brasil fizeram festa. Dia de São Miguel. Minha homenagem ao município de São Miguel, RN, comandado pelo prefeito e médico Galeno Torquato, meu sobrinho. Para quem não sabe, São Miguel foi o Príncipe da Milícia Celeste, aquele que na batalha feroz ocorrida no céu, derrotou o revoltoso satanás e seus sequazes, precipitando-os nos quintos do inferno.

Novos rumos

A campanha de 2010 abrirá oportunidades para voos mais altos de políticos mais jovens e com certa experiência. Deputados estaduais e federais postularão vôos majoritários. Tem-se a impressão de que um processo de renovação nas cúpulas ocorrerá com intensidade. A conferir.

Meirelles no PMDB

Henrique Meirelles se filiará ao PMDB de Goiás. Em março do próximo ano, decidirá o caminho a seguir. Hoje, a via mais larga é a do Senado. Pode ser, amanhã, a do governo do Estado. A terceira alternativa é o ingresso na estrada de Dilma Rousseff como vice. Possível, porém, menos provável.

Michel como vice ?

Por onde anda, o deputado Michel Temer ouve a indagação : é mesmo candidato a vice de Dilma ? O presidente da Câmara abre o sorriso e retruca : cargo de vice não é objeto de candidatura. Ninguém se candidata a vice. Michel, na verdade, tem pela frente um grande desafio : comandar a Câmara em um ano eleitoral. Pragmático, escolherá, no momento oportuno, a carta mais condizente com suas expectativas.

Conselho aos novos vereadores

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado aos senadores. Hoje, volta sua atenção aos novos vereadores :

1. Não contem com o ovo antes do ato generoso da galinha.

2. Acautelem-se contra decisão sobre a PEC dos Vereadores, cuja interpretação poderá bater nas portas do STF.

3. Mais prudente e conveniente, neste momento, será arregaçar as mangas e começar a trabalhar pela viabilidade eleitoral - sem artificialismos - em 2012.

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Atualizado em: 30/9/2009 07:46

COORDENAÇÃO

Gaudêncio Torquato jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.

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