segunda-feira, 23 de novembro de 2020

MIGALHAS DE PESO

Publicidade

COVID-19 - Quando há mais inimigos: quarentena (covid-19) vs. violência doméstica

Diana Geara

É imprescindível que seja atendida a recomendação da ONU de que os serviços de prevenção e resposta à violência contra as mulheres devem estar dentre as prioridades do Estado.

terça-feira, 24 de março de 2020

t

Em um país como o Brasil, repleto de desigualdades, enfrentar uma pandemia é muito mais do que sopesar o equilíbrio entre o humanitarismo e a economia. Temos obstáculos preexistentes ao vírus: a pobreza, a fome, a educação, a falta de saneamento básico, o desemprego, os empregos informais, a deficiência do SUS e, sem dúvidas, a violência doméstica.

A violência habitual contra a mulher representa números preocupantes, segundo o mapa de violência de 2018 (elaborado pela Comissão da Câmara dos Deputados de Direitos das Mulheres1): a cada 17 minutos uma mulher é vítima de violência física; a cada 30 minutos há uma nova vítima de violência psicológica/moral; por dia há 8 casos registrados de violência sexual e; toda semana 33 mulheres são assassinadas por parceiros ou ex-parceiros.

Dos autores dos feminicídios no Brasil, 95,2% são cônjuges ou ex-cônjuges (maridos/companheiros) ou namorados/ex-namorados e, 4,8% parentes (pais, avós, irmãos e tios). Quanto à violência doméstica que não é seguida de morte, os maiores agressores também são cônjuges ou ex-cônjuges (maridos/companheiros) ou namorados/ex-namorados - responsáveis por 58% da violência, já os outros 42% são de responsabilidade dos pais, avôs, tios e padrastos. Além disso, praticamente 50% dos crimes de natureza sexual tem também como algozes os familiares da vítima. O ambiente doméstico/familiar é, portanto, cenário da violência contra a mulher. Os números citados foram colhidos em situações habituais, que não a do necessário confinamento recentemente adotado pelas autoridades públicas para conter a disseminação do covid-19.

Posto isto, o alerta realizado pela ONU Mulheres, baseado na experiência de outros países também vitimados pelo covid-19, de que a violência doméstica contra a mulher pode aumentar durante o confinamento e crise econômica decorrentes da pandemia é pertinente e, não pode ser ignorado pelas autoridades públicas nacionais. Consequentemente, é imprescindível que seja atendida a recomendação da ONU de que os serviços de prevenção e resposta à violência contra as mulheres devem estar dentre as prioridades do Estado.

_____________________________________________________________________

1 Clique aqui

_____________________________________________________________________

*Diana Geara é advogada e membro do Escritório Professor René Dotti.

Atualizado em: 24/3/2020 11:10

AUTORES MIGALHAS

Busque pelo nome ou parte do nome do autor para encontrar publicações no Portal Migalhas.

Busca

AUTORES MIGALHAS VIP

Luciane Bombach

Migalheira desde 2019

Almir Pazzianotto Pinto

Migalheiro desde 2003

Carla Domenico

Migalheira desde 2011

Renato de Mello Almada

Migalheiro desde 2008

Guilherme Alberge Reis

Migalheiro desde 2020

Carolina Amorim

Migalheira desde 2020

Vantuil Abdala

Migalheiro desde 2008

Gilberto Bercovici

Migalheiro desde 2007

Guershom David

Migalheiro desde 2020

Marcelo Branco Gomez

Migalheiro desde 2020

Publicidade