sábado, 24 de outubro de 2020

MIGALHAS DE PESO

Publicidade

O nó górdio do mercado de carbono

Antonio Lombardi

Quando do advento do Protocolo de Quioto muito alvoroço se fez, muita expectativa se criou. No Brasil isso pareceu ser a panacéia para todos os males. Muito barulho por (quase) nada, considerando a atual postura do setor privado ante essa questão. Desde então muito se estudou sobre o tema. Todas as instâncias da sociedade, câmaras de comércio e governo dedicaram horas sem fim à análise do tema.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2004

O nó górdio do mercado de carbono

 

Antonio Lombardi*

 

Quando do advento do Protocolo de Quioto muito alvoroço se fez, muita expectativa se criou. No Brasil isso pareceu ser a panacéia para todos os males. Muito barulho por (quase) nada, considerando a atual postura do setor privado ante essa questão. Desde então muito se estudou sobre o tema. Todas as instâncias da sociedade, câmaras de comércio e governo dedicaram horas sem fim à análise do tema. Todos debruçados sobre as técnicas a serem usadas na construção de projetos, na normatização dessas técnicas e na solução de problemas sem fim. Sim, todos, especialmente a iniciativa privada, permanecem desde então estudando reiteradas variações sobre este tema, sobre quais projetos devem e quais não devem ser levados adiante, sobre as posturas que o governo deve e não deve ter.

 

Em suma, produziu-se muito papel e muito pouco de efetivamente concreto.

 

Talvez fosse o momento de vermos a iniciativa privada deixando de se pré-ocupar com a questão, passando a efetivamente ocupar-se dela. Já se estudou, como disse, muito este tema. Eu mesmo já tomei parte em inúmeras rodadas de discussão e muito já palestrei sobre mudanças climáticas e redução de emissões. Agora estamos no ponto exato em que já se sabe o suficiente. Sabe-se inclusive que, mesmo que o Protocolo de Quioto não venha a ser ratificado, União Européia e Japão tendem a programas próprios e de sentido muito próximo ao de Quioto. O próximo passo é, sem dúvidas, por conta da iniciativa privada, que deve vez por todas começar com seus projetos.

 

Alega-se falta de informação precisa nos meios de comunicação e desconhecimento do setor privado. Por outro lado, a experiência aponta na direção de que o setor privado, sempre que é de seu interesse, sana rapidamente quaisquer dúvidas e estabelece marcos institucionais convenientemente adequados. Com isso, cabe aos que são eminentemente do mercado fazer com que esse mercado - o de carbono - finalmente, efetivamente aconteça. Esse nó górdio precisa ser desfeito, já! Compradores há e os que militam nas cearas do carbono sabem disso. Também sabem que não há no Brasil projetos, ao menos em volume e qualidade adequados. Algumas definições por parte do governo federal são, evidentemente, necessárias. Mas, fundamentalmente depende-se muito da iniciativa privada.

 

Sem dúvidas o governo tratará de estabelecer as necessárias definições, quando e se esse mercado se tornar ativo. E para que os negócios em carbono abandonem, de uma vez, essa aparência de "banco imobiliário", dependemos da iniciativa privada. Sem projetos de fato não teremos carbono. Sem ter o que negociar, não teremos mercado. Essa poderá ser, então, apenas mais uma boa intenção a povoar o inferno.

 

Aos senhores empresários o convite está feito. Nós, seqüestradores de plantão, aguardamos.

 

__________________

 

*Business manager do escritório De Rosa, Siqueira, Almeida, Barros Barreto e Advogados Associados

 

 

 

 

 

 

 

 

___________________

Atualizado em: 10/2/2004 07:04

AUTORES MIGALHAS

Busque pelo nome ou parte do nome do autor para encontrar publicações no Portal Migalhas.

Busca

AUTORES MIGALHAS

Leandro Eustaquio

Migalheiro desde 2014

Laísa Santos

Migalheira desde 2020

Ariane Costa Guimarães

Migalheira desde 2020

Priscilla Pacifico Paghi

Migalheira desde 2020

Henrique Soares Melo

Migalheiro desde 2020

Denise Lima

Migalheira desde 2020

Gustavo Mizrahi

Migalheiro desde 2020

Marçal Justen Filho

Migalheiro desde 2004

Ricardo Lima Melo Dantas

Migalheiro desde 2016

Publicidade