quinta-feira, 26 de novembro de 2020

MIGALHAS DE PESO

Publicidade

Ética Urgente: Resgatando os Valores Profissionais na Comunicação Empresarial

Falar em ética implica a análise de vários setores da sociedade: a cultura, as relações sociais e regionais, o contexto histórico, e, sobretudo as formas de comunicação utilizada por uma dada sociedade e/ou organização. Mas afinal o que é ética?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008


Ética Urgente: Resgatando os Valores Profissionais na Comunicação Empresarial

Luiz Alves*

Falar em ética implica a análise de vários setores da sociedade: a cultura, as relações sociais e regionais, o contexto histórico, e, sobretudo as formas de comunicação utilizada por uma dada sociedade e/ou organização. Mas afinal o que é ética?

Embora sua significação não seja única e imutável, mas sim contextualizada, segundo o dicionário Aurélio, ética "é o estudo dos juízos de apreciação referentes à condição humana, suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto", é preciso, portanto, compreender o papel norteador da ética nas empresas e instituições brasileiras: o de direcionar a política organizacional, não de forma verticalizada, mas sim participativa e que também atendam aos interesses sociais.

Nota-se, contudo, que na maioria das vezes se torna difícil ir de encontro com a ética nas empresas, quando o assunto é o interesse público, já que se vivencia uma época de crises: a econômica, a política, a social e inclusive a de valores, sem falar na crise democrática, na qual seus princípios como a liberdade, participação, igualdade, diversidade e solidariedade costumam se tornar signos passíveis de uso ideológico a serviço do capitalismo.

Sem dúvidas, vivencia-se um "narcisismo dominante", onde indivíduos e organizações tendem a fascinar-se com a própria imagem fabricada, correndo o risco de se perder na construção de uma fachada, que muitas vezes não condiz com a própria prática e identidade. Com o uso de fetiche e artifícios, em tempos atuais, basta aparecer para ser ou parecer nos atos meramente performativos, nos Big Brother's da mídia. Além disso, em plena era da "responsabilidade social" é comum observar organizações levando vantagens fiscais, mediante exibição e projetos que se dizem sociais, mas que nem sempre atendem ao que se propõem.

Encontrando o Caminho.

Como o Relações Públicas se posiciona neste cenário esquizofrênico? O desafio está lançado. A primeira lição que se pode obter da ética enquanto Relações Públicas é a sua vivência cotidiana. Isso significa fazer do compromisso com a verdade, da ética um coadjuvante inseparável da estética, dois dos princípios norteadores da prática.

Sendo assim, um espaço de diálogo e debate entre comunicólogos, comunidade e empresariado, numa perspectiva social e humana se torna crucial para a reestruturação do modelo de gestão nas empresas. Este projeto teria como premissa um dos "Princípios Básicos dos Direitos Humanos", o de um ambiente coletivo que proporcione qualidade de vida aos atores sociais, e isto, implica a implantação de programas efetivos voltados à educação, saúde, moradia e proteção ao meio ambiente nas empresas e não simples ações efêmeras e assistencialistas.

Nota-se, contudo, que a compreensão mútua entre os grupos sociais é também essencial para que o respeito, a tolerância e a dignidade não sejam meras imagens esvaziadas de sentido. E dessa forma os profissionais de Relações Públicas possam tornar educadores, facilitadores e tradutores como disse Vera Giangrande no terceiro Congresso de Jornalismo Empresarial, Assessoria de imprensa e Relações Públicas,

"Educadores no ajudar as pessoas a entenderem todos os ângulos e conseqüências antes de tomarem uma decisão, facilitadores para que neste mundo de crescente complexidade, tornar as coisas mais simples e compreensíveis; tradutores no uso da palavra mais adequada e clara para que a informação não se distorça". (GIANGRANDE, 2000)

E assim se possa caminhar juntos com os valores profissionais que perpetuam a ética e a cidadania, contribuindo para uma sociedade mais justa, consciente e, sobretudo, democrática.

REFERÊNCIAS

AURÉLIO, B.H.F, Novo dicionário da Língua portuguesa, RJ, 1975.

TORQUATO, Gaudêncio, Tratado de Comunicação Organizacional e Política. São Paulo: Pioneira, Thomson Learning, 2002.

ALVES, J.A. Lindgren, Os Direitos Humanos na Declaração Universal dos Direitos Humanos - ONU, 1948.

DEFLEUR, Melvin L. Teorias da Comunicação de Massa, São Paulo, 1997.

ECO, Umberto. Apocalípticos e Integrados, Editora Perspectiva, São Paulo 2000.

LAKATOS, Eva Maria Marconi. Fundamentos da Metodologia Ciêntifica, Atlas São Paulo, 2001.

PERUZZO, Cicília Krohling. Relações Públicas no Modo de Produção Capitalista. 2.ed. - São Paulo, SUMMUS, 1986.

SITE: (clique aqui).

____________

*Membro do escritório Machado Neto, Bolognesi, Azevedo e Falcão (MBAF Consultores e Advogados)











___________

Atualizado em: 24/1/2008 15:59

AUTORES MIGALHAS

Busque pelo nome ou parte do nome do autor para encontrar publicações no Portal Migalhas.

Busca

AUTORES MIGALHAS VIP

Italo Bondezan Bordoni

Migalheiro desde 2019

Stanley Martins Frasão

Migalheiro desde 2002

Douglas Lima Goulart

Migalheiro desde 2020

Pedro Dalese

Migalheiro desde 2020

Sérgio Roxo da Fonseca

Migalheiro desde 2004

Ricardo Alves de Lima

Migalheiro desde 2020

Almir Pazzianotto Pinto

Migalheiro desde 2003

Murillo de Aragão

Migalheiro desde 2018

Júlio César Bueno

Migalheiro desde 2004

Lilia Frankenthal

Migalheira desde 2020

Publicidade