segunda-feira, 19 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Trova pernambucana

de 20/2/2005 a 26/2/2005

"Sr. Redator,  abaixo segue uma antiga modinha pernambucana, que curiosamente ainda não vi publicado em nosso meio de comunicação. O autor é desconhecido, ao menos para mim...

"Quem viver em Pernambuco

Deve estar desenganado

Ou há de ser Cavalcanti

Ou há de ser cavalgado"

Alexandre Andrade - 23/2/2005

"Caríssimo Alexandre Andrade: Eu conhecia a quadrinha apresentada pelo amigo, porém com uma pequena variação:

"Quem nascer em Pernambuco
Há de ter este legado:
Ou há de ser Cavalcanti
Ou há de ser cavalgado."

De qualquer modo, esta quadra simboliza o poder que os Cavalcante(ti) sempre tiveram no Estado, desde a chegada em Olinda em 1559, de D. Felipe Cavalcanti, um fidalgo nascido em Florença na Itália e que passou por Portugal por volta de 1558, de onde se transferiu para Pernambuco. Pouco tempo depois da sua chegada, casou-se com Catarina de Albuquerque, filha de Jerônimo de Albuquerque, homem considerado o Adão Pernambucano. Dessa união houve onze filhos, o primeiro nascido em 1560. Os descendentes desses filhos se espalharam também pelo Ceará, Paraíba e Alagoas. Há descendentes ilustres dessa família: O compositor Humberto Teixeira, o escritor Ariano Suassuna, o escritor Gilberto Freyre, o compositor Chico Buarque de Holanda, os ex-governadores de Pernambuco José Francisco de Moura Cavalcanti (falecido) e seu sobrinho, o deputado federal Joaquim Francisco de Freitas Cavalcanti, além do ex-tesoureiro de Collor, Paulo César Cavalcanti Farias, o PC. Agora surge em evidência o nosso Severino Cavalcanti. Segundo o pesquisador Carlos Barata, 99% dos Cavalcanti do Brasil são descendentes de Felipe Cavalcanti. Em Pernambuco sempre mandaram e tiveram posses: senhores de terras, senhores de engenhos e barões do açúcar, muitos deles escravocratas. Será que é sem motivo que lá pelo ano de 1304, Dante Alighieri tenha colocado alguns Cavalcanti no seu Inferno?  Já na qualidade de um cansado cavalgado, por via das dúvidas, toda vez que vejo o Severino na TV, eu rezo o credo!"

Abílio Neto - 24/2/2005

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