quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

juízes e Juízes

de 6/3/2005 a 12/3/2005

"Autoridade nata. É de uma força superior, secreta. Não deve demandar de artificialismo enfadonho, mas de um domínio natural. Todos sucumbem a ela sem saber por quê, reconhecendo a força secreta e o vigor da autoridade nata. Tais indivíduos possuem um caráter altivo: reis por mérito, leões por direito natural. Apoderam-se do respeito, do coração e até da mente dos outros. (...)" Lamenta-se a postura daqueles que, para se fazerem reis, "dão suas carteiradas." Que sucumbam os ditos."

Baltazar Gracian - 7/3/2005

"Quem vos fala é um mero magistrado de uma distante comarca do interior do Estado de Mato Grosso do Sul, denominada Glória de Dourados. Sou o único magistrado nesta pequena comarca, hoje com aproximadamente dez mil habitantes. Faço uso deste brilhante veículo de informação para deixar registrado meu descontentamento diante da generalização que vem sendo feita sobre a conduta de magistrados no nosso país. Recentemente publicou-se neste informativo (Migalhas 1.121 – 7/3/05) que os magistrados não costumam receber advogados em seus gabinetes e que está se tornando tarefa quase impossível um advogado ter audiência com os juízes de primeiro grau. Ingressei na magistratura deste Estado com 25 anos de idade, isso há três anos, sendo que antes advoguei e estudei por aproximadamente outros três anos na capital de São Paulo, tempo durante o qual efetivamente pude comprovar que em parte a revolta da OAB tem fundamento, pois por mais de uma vez não consegui falar com juízes da capital paulistana, às vezes depois de ter me locomovido por mais de duas horas, utilizando metrô e ônibus, porém desde que comecei a exercer minhas funções como magistrado nunca, e disso tenho orgulho, nunca deixei de receber um advogado em meu gabinete, por mais atarefado que eu estivesse e mesmo sendo muito inseguro, tendo pouco conhecimento do direito e muita inexperiência, esta decorrente da minha incipiente carreira, além é claro de tratar invariavelmente com advogados que não têm o cabedal de conhecimentos jurídicos ostentado pelos brilhantes mestres da capital paulistana e outras. Conheço alguns colegas magistrados, na esfera estadual deste e de outro estado, como também na federal, que têm conduta semelhante a minha. Talvez o problema seja um pouco mais setorial ou regional do que se pensa. Fui advogado e certamente voltarei a ser, em que pese a limitação prevista no “emendão” da Reforma do Judiciário, além de outras mais que possam vir. Admiro muito a atividade do advogado e acredito ser ela tão nobre quanto a de um juiz, obviamente quando ambas são desempenhadas com a ética e o esmero que delas se espera. De fato existem péssimos juízes, porém não nos olvidemos de que existem péssimos advogados, governantes, parlamentares, promotores de justiça e outros agentes públicos detentores de parcela de poder. Precisamos começar a arrumar nossa casa para depois nos ocuparmos da alheia. Isso é o que venho tentando fazer na pequena comarca na qual me encontro e desde que fui aprovado no concurso público. Penso que é o que os detentores de poder e a própria OAB, em nível federal e estadual, deveriam fazer. Pode até parecer ridículo e óbvio isto que estou escrevendo, como de fato é, porém senti necessidade de que no mínimo uma pessoa tomasse conhecimento do que eu e certamente outros, que não destinaram parte do seu tempo para redigir algo parecido, pensam."

Cássio Roberto dos Santos - 8/3/2005

Nota da Redação - A nobre função de distribuir a Justiça não se coaduna com a empáfia. Ontem, na migalha intitulada "juízes e Juízes", dizíamos justamente o que disse o leitor, que há de fato "incontáveis magistrados que atendem, com muita presteza, e sem nenhum interesse diverso, os causídicos". Vossa Exa. se enquadra certamente nessa categoria. Parabéns pela conduta, que é exemplo para os operadores do Direito, principalmente os novéis.

- 9/3/2005

"Sou advogada militante há treze anos no estado de São Paulo, mais propriamente em Marília. A Justiça Federal chegou há seis anos na cidade. Quero registrar que, seja na Justiça Estadual, seja na Federal, seja ainda no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, NUNCA tive dificuldades para ser recebida pelos nobres magistrados e colocar as necessidades de meus representados (e não sou ninguém importante, sou apenas Márcia Aparecida de Souza). Louvo a Justiça Paulistana por isso."

Márcia Aparecida de Souza - 10/3/2005

"Caro amigos de Migalhas. Sou advogado em São Paulo, e, como tantos, padeço das vaidades de alguns magistrados. Essa história de advogado aguardar horas para ser atendido, poderia ser evitada ou ao menos seria feita justiça, mediante uma medida simples da nossa Ordem. Aliás, tal medida poderia incluir outras pessoas dotadas de representatividade pública. Sim, respeitando-se o direito de resposta, ad referendum reunião de um conselho especialmente para tal constituído, bastaria que fosse feita uma lista pública destes maus profissionais, para que, pretendendo eles adentrarem à Ordem para obter a sua “carteirinha”, recebessem o mais solene NÃO! Tenho orgulho de ser advogado e fico extremamente irritado em saber que esses estão entre nós, após uma vida de desserviços à sociedade. Gostaria que esta sugestão fosse submetida à discussão e, após, fosse encaminhada à nossa Ordem."

Osvaldo Correa de Araújo – escritório Correa De Araújo Advogados S/C - 10/3/2005

"Gostaria nesse momento de parabenizar o Nobre Juiz de Direito - Cássio Roberto dos Santos - da pequena cidadezinha Glória de Dourados (MS) pela sua coragem e humildade em relatar sua posição com relação à polêmica da tratativa magistrados versus advogados, inclusive por relatar o seu modus operandi em sua profissão (Migalhas 1.123). É isso aí. Precisamos de pessoas mais humildes para compor a sociedade de uma maneira geral, quiçá a sociedade jurídica. Por isso, deixo estampada uma frase da qual nunca me esqueço que li quando criança, de autor desconhecido: "A humildade é o primeiro degrau da sabedoria."."

Fernão Pierri Dias Campos - advogado em Palmas - Tocantins - 10/3/2005

"Gostaria de parabenizar o eminente Magistrado Cássio Roberto dos Santos pela feliz missiva que enviou ao informativo 1.123 de migalhas. Além de demonstrar bastante humildade, admitindo sua (eu diria nossa, pois também tenho pouco tempo de advocacia - cerca de 6 anos) insegurança devido à (natural) falta de experiência, abriu um precedente interessante: a vivência do juiz dos dilemas do advogado, o que muito ajuda - a meu ver - quando o mesmo passa à Magistratura, embora eu não entenda que isso deva ser item obrigatório para o ingresso. Digo isso porque conheço alguns Juízes que foram antes advogados e, por experiência própria, afirmo que o relacionamento é bem mais cordial. Fico, enfim, muito satisfeito em perceber que gradativamente a Magistratura, renovada pelas boas cabeças jovens (não necessariamente pela idade), que nessa têm ingressado, está modificando o muitas vezes tenebroso relacionamento entre juízes e advogados, que nada mais são do que artífices da justiça e devem trabalhar juntos para seu aperfeiçoamento. Atenciosamente,"

Rodolfo Barreto - advogado - 10/3/2005

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