quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Caso Isabella

de 28/3/2010 a 3/4/2010

"O chamado 'caso Isabella' foi por mim detidamente acompanhado. Respeito a decisão do Conselho de Sentença, porém não me arvoro quanto a dizer da 'Justiça' da decisão. Peço a Deus que a sentença tenha sido justa. O certo é que satisfez a opinião pública que é a 'senhora' do direito a ser satisfeito, diante de crimes de tamanha monta que ferem profundamente à sociedade nacional. Mas, gostaria de formular um pedido aos que se dedicam a produzir literatura jurídica, para que analisassem a possibilidade da publicação de um livro específico sobre a atividade pericial em situações como a analisada, principalmente, haja vista a defesa dos Nardoni haver levantado certas hipóteses que não deixam de ser elemento de preocupação no exercício da atividade de perito criminal. Quem sabe isso estimularia os profissionais da área a agir com mais acuidade quando do exercício de seu mister desde a fase policial. Este é o meu apelo."

Alzira Ewerton - 29/3/2010

"Eu fico pensando nas 'tais' perguntas feitas aos Jurados e montei um processo hipotético: Um comerciante cansado de ser assaltado, humilhado e vendo o fruto de seu trabalho levado sempre pelos mesmos bandidos resolve partir para o tudo ou nada. Compra uma arma potente aprende a usá-la, prepara-se psicologicamente e monta uma reação para a 'próxima visita'. E na 'próxima visita' o bandido já acostumado com a 'moleza' não toma os devidos cuidados e tomba morto. Dai vêm às perguntas. A= planejou o crime? Sim ( ) Não ( ). B= agiu com frieza? Sim ( ) Não ( ). C= inibiu a defesa da vitima? Sim ( ) Não( ). D= absolve o réu? Sim ( ) Não ( ). Penso que se o voto é de consciência não deveria haver questões técnicas. Se houvesse pergunta, essa deveria se resumir à coisa tipo: Você aceitaria conviver com o réu no seio de sua família? A= com ressalvas ( ) B = plenamente ( ) C = Não ( ). Como o hipotético réu pode ser o Pai, irmão, filho, amigo, compadre etc. de cada migalheiro ou o próprio migalheiro convido todos a votar."

Jose Roberto Amorim - 29/3/2010

"Leio na mídia: Defesa dos Nardoni vai usar lei antiga para pedir novo júri. Bem! Há muito ou sempre me opus ao Tribunal do Júri e acho que devam a Câmara e o Senado reunir-se, ou para extingui-lo; ou para, na melhor das hipóteses, copiar o dos States: 11 membros e liberdade para discutir e unanimidade para sentenciar. Li que o Juiz, no caso recente, ouviu somente 4 julgadores e interrompeu, dando a sentença: um absurdo! Não se trata de saber ou não se os réus eram culpados, cuja mídia culpou-os desde início, como fez no caso Escola Base. A populaça provou que não pode imiscuir-se: é ignorante, é levada pela paixão. Onde se viu soltar fogos, agredir advogado, e manifestar-se da forma que se manifestou? O próprio Promotor decepcionou dando opiniões antes do evento, quando estava obrigado a manifestar-se somente nos autos. Como bem disse um migalheiro: isso foi um grande circo, como diziam os romanos. Atenciosamente,"

Olavo Príncipe Credidio – OAB/SP 56.299 - 29/3/2010

"... pedindo desculpas pela demora (não havia cadeiras confortáveis do lado de fora, mas um telão poderia ter sido providenciado, não é mesmo? Afinal, foi tolerada e instigada a presença de todos ali), o N. Magistrado, autorizado pelo Tribunal, permitiu que uma sentença condenatória fosse por todos conhecida, em tempo real, e o que é ainda mais estarrecedor, fosse comemorada com fogos de artifício. Aponta o árbitro para o centro do campo: fim de jogo! Fim dos tempos! Fecham-se as cortinas: o espetáculo acabou! Quem mesmo estava pensando que era um julgamento? Senhor, esteja, urgentemente, conosco e perdoe seus filhos, que ainda disputam, ensandecidos, o atirar da primeira pedra!"

Márcia Santos da Silva - advogada em Marília/SP - 29/3/2010

"Não é gol do Corinthians, não é réveillon, não é apuração de pontos sobre o desempenho das escolas de samba, não é comício, não é show pirotécnico, não é fila de emprego, não é protesto por causa dos mensalões ou dos atos secretos do Congresso... é o povo vibrando, gritando de alegria, pulando, empunhando faixas e cartazes, em frente ao Fórum de Santana, zona norte de São Paulo, comemorando a desvalorização da família, o fracasso da própria sociedade, os excessos midiáticos, a condenação de duas pessoas pelo resto de suas infelizes vidas. A reação da população é realmente de causar espécie. Um crime, uma família desfeita, um julgamento que antes de começar já tinha a sua sentença pronta. Infelizmente a pequena Isabela não foi a primeira criança a ser lançada pela janela de um prédio e nem será a última. Entre o acontecimento desse crime e o julgamento do casal Nardoni, a enfermeira Tatiane Damiane jogou sua filha de oito meses pela janela do sexto andar do prédio onde morava em Curitiba/PR; Tharlane Nogueira lançou seu filho de quatro anos pela janela do segundo andar em Itaúna/MG. Milhares de crianças todos os dias são submetidas à prostituição, a trabalho escravo. Sofrem maus tratos em casa. São vítimas da bullying nas escolas onde estudam. Passam fome. Não vivem em condições mínimas de dignidade e nem por isso tenho visto a sociedade perder noites de sono para se mobilizar em favor delas, ao contrário do que aconteceu recentemente em São Paulo: filas durante a madrugada para garantir um lugar na platéia do grande show jurídico que foi o julgamento dos Nardoni. Como cidadã e profissional do Direito, tinha certa a convicção de que a mídia tem o papel de informar, a política de investigar, o Ministério Público de denunciar e os juízes de julgar. Julgamentos pré-concebidos normalmente se distanciam da justiça. Não se olvidem do casal Maria Aparecida Shimada e Ikushiro Shimada, donos de uma escola infantil, e de seu funcionário Maurício de Alvarenga que, em 1994, foram acusados por duas mães de alunos da Escola Base, localizada no bairro paulistano da Aclimação de promoverem orgias com as crianças da escola. A polícia, representada pelo delegado Edélcio Lemos, logo acatou a denúncia e promoveu, com grande ajuda da imprensa, uma verdadeira 'caça às bruxas' contra os três envolvidos. A mídia os execrou: o jornal paulista A Folha da Tarde exibiu em manchete: 'Perua escolar carregava crianças para orgia' e a capa da revista Veja trazia a chamada: 'Escola de horrores'. Ao final, foi constatada sua inocência, a mesma mídia que apedrejou, teve que noticiar a falsidade das denúncias. Todos são capazes de matar, de forjar suas emoções sobre um túmulo, isso ninguém contesta, mas poucos são aqueles que reconhecem o quanto a sociedade está doente. Menos ainda são os que fazem alguma coisa para reverter essa situação."

Lilla de Macedo Lima - advogada e professora de Direito Constitucional, Ciência Política e Teoria Geral do Estado na Universidade de Rio Verde - 29/3/2010

"A OAB/SP deveria pedir direito de resposta em nome do advogado de defesa do Caso Isabella, em diversos espaços da mídia em geral, levar o texto abaixo para conhecimento da população do trabalho do advogado de defesa no processo."

Antonio Jorge Moyses Betti - OAB/SP 175.604 - 29/3/2010

"Sou advogada, há 56 anos, portanto 80 anos de idade (Migalhas 2.355 - 29/3/10 - "Julgamento" - clique aqui). Nunca pensei viver tanto e testemunhar fatos como esse do processo e consequente julgamento de Jatobá e Nardoni. Estou realmente estarrecida e entristecida por constatar por onde anda a mentalidade de nosso povo. Parece que não mudou nada desde o julgamento de Tiradentes. Parabéns advogados que se levantam em defesa do advogado do casal. Infelizmente é uma lástima."

Rosary Niepce - 29/3/2010

"No julgamento de um crime como o atribuído ao casal Nardoni não pode estar presente nenhum sinal de emoção, como se não fossem seres humanos que estivessem na responsabilidade de decidir o julgamento (Migalhas 2.355 - 29/3/10 - "Julgamento" - clique aqui). Então surgem muitas vozes condenando as manifestações populares que pediam justiça. Outras, como que torcendo pela inocência do casal, procuravam menosprezar o trabalho da perícia, como se os peritos fossem os culpados do crime. No Brasil há um pensamento generalizado de que a nossa justiça não presta, justiça boa é a dos outros. Os mais ricos não se conformam com sentenças contrárias aos seus interesses, conseguem recurso para tudo, com o objetivo de ficarem impunes. Julgamento antecipado? Desde o início ficou evidente que não havia uma terceira pessoa na cena do crime e que os Nardoni estavam mentindo. Os pais são responsáveis pela proteção e integridade dos seus filhos. São milhares os casos de maus tratos a crianças praticados por pais em todo o Brasil. Esse crime não poderia mesmo ficar impune. A emoção faz parte de qualquer ser humano. Mesmo os juízes não estão imunes a ela. A não ser que se pense em utilizar robôs para prolatar sentenças dos crimes de competência do tribunal do júri."

Gelson Jorge de Oliveira - 29/3/2010

"O fim do mundo. Alguém aí recebeu a notificação de fim do mundo? Sim porque o mundo deve ter acabado e eu ainda não recebi o mandado de intimação... O canalha mata a própria filha, uma criança de 5 anos, e daqui a 12 anos estará livre para voltar a conviver em sociedade?! Agora que as emoções do julgamento vão se arrefecendo, é hora de todos juristas, advogados, juízes e promotores juntarem-se para questionar seriamente - sem interesse profissional ou pessoal – a lei de execução penal. Vamos aproveitar o momento para também revisitarmos a extensão e severidade das penas de nossos crimes. Fica aí o convite. RSVP. De minha parte, contribuirei com a revolta ao sistema atual. Enquanto isso, aguardo receber a visita do oficial de justiça que vai me intimar de que o mundo acabou. Sinceramente, espero que o faça antes de 2022, pois pelo menos assim não serei obrigado a conviver na mesma sociedade que esse verme putrefato."

José Edgard Cunha Bueno - 29/3/2010

"A dor dos inocentes O julgamento acabou e os réus foram condenados (Migalhas 2.355 - 29/3/10 - "Julgamento" - clique aqui). Diferente do que costumava acontecer em casos de grande comoção. O posicionamento assertivo e corajoso do juiz, a lucidez do promotor e o trabalho feito pelos peritos do Instituto de Criminologia, fizeram a diferença. O que parecia a muitos mais um circo armado, não resultou em palhaçada ou resultaram em truques forenses deprimentes aos cidadãos. Desde o início, os acusados apostaram no trabalho caótico e desconexo das investigações policiais. Preferiram mentir e confundir a confessar o crime. E os advogados assumiram a farsa apesar das evidências já visíveis nos primeiros levantamentos realizados pelos órgãos competentes. Afinal, isso sempre deu certo nas apurações de crimes de acusados bem posicionados e na vitrine nacional das inúmeras CPIs instaladas nos legislativos. Arquitetar mentiras e falsear a verdade pode ser dolorido. Mais ainda, quando todo o esforço feito ao longo de dois anos não alcança o resultado esperado: a libertação por 'falta de provas'. Mas havia o rastreador... Instalado no carro dos réus, permitiu determinar quando foi desligado, ao chegarem na garagem do Ed. London. A partir do registro desse horário, o movimento das pessoas envolvidas e os telefonemas feitos tiveram o embasamento de prova. O casal podia ter confessado o descontrole emocional com a criança e o medo da punição ao vê-la desfalecida e, passado o momento, estarem arrependidos e sofridos... Não o fizeram. Mas a dor dos inocentes é muito maior. O advogado de defesa, vendo o efeito do depoimento da mãe de Isabella sobre os jurados, decidiu confiná-la até o fim do julgamento, alegando a necessidade de acareação dela com os réus. Dupla punição à mãe, justificada pelos ritos legais, mas que poderia ser ao menos mencionada pelo juiz quando não houve a acareação alegada. Inimaginável o espanto e a dor de Isabella ao ser sujeitada aos mal tratos pelo pai e madrasta. Inimaginável o terror do irmãozinho ao assistir o massacre com gritos aflitos ao pai. Inimaginável o que isso causou e ainda vai permanecer causando nessa criança. Os pesadelos recorrentes e o medo de seus pais - dele contar o que viu naquela noite - provavelmente vão torturar esse menino por toda a vida..."

José Renato M. de Almeida - 30/3/2010

"'Li que o Juiz, no caso recente, ouviu somente 4 julgadores e interrompeu, dando a sentença: um absurdo!' Senhores, absurdo é um advogado desconhecer a lei. Ora, pela lei 11.689/08, estatui-se que, formada a maioria de quatro votos acerca da materialidade e autoria de um crime, não se colhem mais cédulas, obstando-se, portanto, a formação da unanimidade. Enfim, parabéns ao Estado de São Paulo pelo trabalho dos peritos e do promotor Francisco Cembranelli!"

Abílio Neto - 30/3/2010

"Concordo em gênero, número e grau com o posicionamento claro e contundente do caro colega (Migalhas 2.355 - 29/3/10 - "Julgamento" - clique aqui). Infelizmente a raça humana ignora a própria ignorância... fazendo de conta que 'não sei, mas tem que ser assim'... 'meu filho pode, já o do meu vizinho tem que ser condenado'... Saber perdoar, se redimir, é algo deixado pelo Mestre Jesus como sinônimo de sabedoria, humildade, amor ao próximo, etc... porém, nem sempre é assim que acontece. Todavia, peço que reflitam, porque todos nós somos passiveis de erros, pensem olhando de vários ângulos a visão dos fatos. Importante ressaltar que o advogado, em especial o criminalista, não defende o crime, mas sim os direitos e garantias fundamentais, indispensáveis do homem, previsto como clausula pétrea em nossa Constituição Federal, defende o direito de resposta, o direito de expor a sua visão dos fatos, o direito do devido processo legal, do contraditório e ampla defesa. E o advogado também é ser humano que nem você... pense antes de falar!"

Marcelo Alves dos Santos - 30/3/2010

"Agradeço, em nome de toda equipe, por todo apoio recebido. É reconfortante perceber ainda existir quem reconheça a premência dos princípios inerentes a um Estado Democrático de Direito. Temos a esperança de que todos os responsáveis por transformar um julgamento (que decide o destino de cidadãos) em um show popularesco tenham percebido que assim não se faz justiça, nem se permite defesa, mas apenas se busca vingança. Muitos dos que gritavam e agrediam os advogados na porta do fórum poderão um dia bater às suas portas, clamando por acolhida. Por mais que se tenha procurado dar a este Júri um caráter de modernidade, o que se viu foi espetáculo digno das praças medievais."

Roberto Podval - escritório Podval, Antun, Indalecio Advogados - 30/3/2010

"Fantástico (Migalhas 2.355 - 29/3/10 - "Julgamento" - clique aqui)!"

Valeska Sousa - 30/3/2010

"Com todo o respeito ao renome e excelência do Dr. Roberto Podval como advogado criminalista, os comentários não honram seu brilho profissional. Uma coisa foi o julgamento que se desenrolou na intimidade do tribunal do júri, cujo script qualifico como notável. De um lado a acusação com suas provas técnicas em vista da ausência do trivial em tal foro: confissão dos réus e/ou prova testemunhal. Do outro a defesa em ingente esforço de incutir nos jurados a dúvida frente à evidência das provas técnicas, procurando o benefício do 'in dubio pró réu'. Excelente embate, a meu ver, decidido na cronometragem do tempo entre o desligar do carro do Nardoni, na garagem, e a hora do primeiro telefonema do vizinho pedindo ajuda ao 190. Aí ruiu todo o arcabouço da tese de uma possível terceira pessoa e ressoou a pergunta fatal: Se não foram eles, quem foi? E a convicção dos jurados pela culpabilidade dos réus superou qualquer dúvida que poderia ter sido incutida pela defesa frente a outras provas técnicas. Sem falar na fragilidade dos depoimentos do Alexandre e da Ana Carolina Jatobá. O clamor público, a carnavalização, a histeria, as manifestações de desequilíbrio individual, a busca de holofotes, caro dr. Podval nada têm a ver com o julgamento,sentido estrito. São manifestações da execrável 'sociedade do espetáculo', do politicamente correto que caracterizam, não só o país mas a sociedade de massas em todo o mundo. Fico pesaroso que misture as duas coisas e não compreendo por que o faz. Não conseguiu que sua estratégia fosse vitoriosa porque era arriscada e frágil diante das provas técnicas. Em tempos de tecnologia, quando bem e honestamente aplicada, a velha lábia dos 'leões do júri' tende a enfraquecer-se. Sua biografia e sua carreira de excelente advogado penalista não merecem correr tal risco. Porque, também no julgamento do Caso Isabella, uma coisa (o julgamento) é uma coisa e a deplorável histeria midiática e das massas é outra. Que, aliás, não poupou nem figuras consagradas a quem a gente se acostumou a procurar como farol nas brumas do Direito."

Alexandre de Macedo Marques - 30/3/2010

"Os doutores Podval e Cembranelli talvez tenham sido os únicos elementos de civilidade neste espetáculo dantesco em que se transformou o caso Nardoni (Migalhas 2.356 - 30/3/10 - "Justiça"). A mídia brasileira desceu ao mais baixo nível que se pode esperar do jornalismo, provocando sentimentos de ira e vingança na população desinformada, no intuito simples de alcançar audiência e vender jornal. Juro que os únicos sentimentos que tive ao acompanhar o noticiário nestes dias foram os de vergonha e desânimo com nossa 'opinião pública'."

André Luiz Aidar Alves - 30/3/2010

"É oportuna a frase: 'Fiat justitia et pereat mundus' ('Faça-se justiça e pereça o mundo').  De nada vale o mundo de especulações artificialistas do juridicismo verboso, vazio de objetividade e, mais, de um mínimo de sensatez. Irrefutadas as provas científicas da perícia técnica, convergentes para a evidência da responsabilidade do casal Nardoni, toda a ficção da defesa arruinou-se de imediato, mal saída dos fortes brados do perseverante advogado de defesa."

Luiz Fernando Garcia de Oliveira - 31/3/2010

"Amigos, está no site da UOL o entendimento de renomados criminalistas, opinando sobre o recurso que o ilustre advogado dos Nardoni pretende interpor. Na minha modesta opinião de advogado civilista, entendo que no momento, qualquer pronunciamento a respeito do sucesso ou insucesso do Recurso é prematuro, senão descabido, mesmo considerando que as opiniões são divergentes. Muito já foi dito sobre este caso, antes mesmo de serem os Nardoni julgados. Não seria melhor deixar para se falar, tecnicamente, sobre um tema ainda sujeito à apreciação do Judiciário, após o pronunciamento deste, decidindo se é uma questão processual ou caso da lei penal retroagir. Com a palavra o TJ/SP. Atenciosamente,"

Ednaldo Gamboa - 31/3/2010

"Infelizmente a mídia não conhece limites quando quer um show. Finge não tomar partido, finge não influenciar, mas produz um espetáculo com evidente excesso, notadamente de cobertura. Em breve virá o julgamento do caso Eloá e Lindemberg. Preparemo-nos para mais um irritante e excessivo show televisivo que costumam chamar de 'a mais completa cobertura' e o advogado que estiver na defesa será igualmente hostilizado pelo público influenciado pela mídia. Tomara o Dr. Podval não peça a anulação do júri porque mais um espetáculo destes não suportamos."

Fernando Paulo da Silva Filho - advogado em SP - 31/3/2010

"Obviamente é um caso escabroso o pai e a madrasta, sei lá em que condições, matarem uma criança. Mas tendo diversos outros casos escabrosos nesse país (pai de santo que espeta diversas agulhas em criança, uma criança arrastada por bandidos por quilômetros, o governo do Distrito Federal ser um antro utilizado exclusivamente para o enriquecimento dos políticos que ali se alojam, etc), me pergunto porque toda a imprensa do país se dedicou à cobertura exaustiva do caso. Certamente Alexandre e Ana cometeram um ato bárbaro e deveriam ser, como foram, julgados por ele. Mas a cobertura da mídia, como foi feita, os tornou inimigos públicos número um da sociedade, quando certo que são tão inimigos da sociedade quanto os traficantes que ainda dominam as favelas no Rio, os corruptos instalados nas várias esferas dos poderes públicos, o pai de santo que espetou a criança na Bahia e outros mais. É triste saber que o defensor do casal foi alvo de hostilidades, como se não fosse apenas um defensor mas os réus, e acredito que isso se deva à essa cobertura excessiva da mídia. O quanto pude, deixei de acompanhar as notícias do caso porque pra mim, de ruim, já bastou o fato em si."

Rodrigo Otávio de Araújo Herval - 31/3/2010

"Sr. diretor, quando se lê um texto,deve-se procurar a integridade dele,não o que se pensa respeito. Para mim, há advogados que não sabem integralmente ler o que se diz, , e até juízes,como o digo no meu livro a Justiça Não Só Tarda...Mas Também Falha. Lendo o texto do advogado Abílio Neto  não foi ao entendimento do que eu disse... Eu disse absurdo sim, a tão somente 4 condenarem,então o absurdo é a lei, que dispus que a que deveria ser como nos Estados Unidos,na pior das hipóteses: Onze condenarem ou absolverem.Não critiquei o juiz ,mas a lei. 'Data venia', como advogado, a primeira das coisas é procurar o sentido do que se escreve.Antes de advogado, sou bel. em letras clássicas pela PC de São Paulo,e dei aulas de língua portuguesa e latina por mais de 20 anos, e sei o que escrevo.Atenciosamente,"

Olavo Príncipe Credidio – OAB/SP 56.299 - 31/3/2010

"O Dr. Alexandre de Macedo Marques foi direto ao ponto. Parabéns pelo brilhante raciocínio!"

Abílio Neto - 31/3/2010

"Toda pessoa tem direito a ser bem e tecnicamente defendida, na medida em que acusada de algum crime, por advogado. Não há exceções a essa regra de ouro cujos fundamentos, contornos e consequências anunciam uma conquista da razão e da civilização humana. Cabe aqui expressar forte apoio e elevados encômios ao preclaro advogado Roberto Podval, mormente por ter suportado dignamente as vexações indecorosas as quais sofreu durante o já famoso julgamento de duas pessoas denunciadas pelo Ministério Público - e acusados por parte da mídia - por homicídio doloso. É preciso também exaltar a conduta sábia e a postura serena do juiz presidente do Tribunal do Júri, Maurício Fossen. Basta dizer que ao anunciar a condenação dos réus o magistrado o fez de forma tão calma, imperturbada que o público - parte dele em estado de fúria - mal percebeu o momento em que fora reconhecida a culpabilidade dos acusados. Espera-se que o envolvimento estulto e apaixonado de um certo público sirva de lição para determinados segmentos da mídia, precisamente aqueles que exploraram a triste situação de maneira insensível e sem ponderação, desprovidos de critérios e orientações deontológicas, ao tratarem o assassínio de uma criança como se tal horror pudesse ser apresentado como um espetáculo circense - ou lamentável coisa que o valha. Ao invés de aproveitarmos tais oportunidades para explicar e ensinar ao público os benefícios da aplicação da lei através da jurisdição, respeitando-se os ditames do devido processo legal, estimulamos sentimentos de vingança e comprometimento com instintos e sentimentos violentos e socialmente perturbadores. "

Paulo Cesar Rebello Giacomelli - 31/3/2010

"Excelente o texto do autor, inclusive até muito bem fundamentado (Migalhas 2.357 - 31/3/10 - "Caso Isabella" - clique aqui). A questão agora é saber quando é que será válido o julgamento do júri. Apenas quando o réu for julgado inocente, independente de ter ou não praticado o crime? Nunca vi um cidadão acusado de crime ter direito a tantos recursos, somente os ricos podem ter esse privilégio. Evidente que com tantos direitos e garantias fundamentais os mais ricos sempre irão ficar impunes. Parece até que estão mesmo acima das leis e da sociedade."

Gelson Jorge de Oliveira - 31/3/2010

"Quero parabenizar ao informativo pois, justiça seja feita aos profissionais advogado e promotor e toda uma equipe que atuaram, e atuarão no caso Nardoni, conduzir com serenidade digno de profissionais, apesar do circo montado por mídias televisivas, que disputam audiência,  fazendo de um fato um grande show buscando cifras, não se preocupando com os reflexos em nossa sociedade totalmente desorientadas procurando dar azo a suas frustrações e descontentamentos em situações como esta. Foi muito feliz a manifestação de Podval."

Saint Clair da Rocha Coutinho Sobrinho - 31/3/2010

"Dr. Olavo, aceite minhas desculpas. Sou um profissional do ramo das ciências sociais aplicadas e não sei por que vim me meter nesse debate."

Abílio Neto - 1/4/2010

"Junto-me ao Dr. Abílio Neto no comentário perfeito que faz o Dr. Alexandre de Macedo Marques. Realmente o texto expressa o pensamento que tenho sobre o julgamento, o comportamento dos atores envolvidos e o lastimável estágio que atingiu nossa sociedade civil. Nada mais acrescentaria."

José Fernandes da Silva - OAB/SP 62.327 - 1/4/2010

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