sábado, 24 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Águas de abril

de 11/4/2010 a 17/4/2010

"Até o estádio do Maracanã foi vitimado: gramado coberto por lama, dependências tomadas pelas águas, um estrago. Porém, estrago mesmo quem sentiu foi a população, diante da dimensão trágica do desastre que já matou mais de 150 pessoas. Discute-se a omissão das autoridades que, ao longo do tempo, permitiu que áreas de risco fossem tomadas por habitações. Por falta de dinheiro é que não foi. Descobriu-se, nos últimos meses, que o Rio de Janeiro recebe, há muito tempo trilhões de reais dos royalties do petróleo. Foi preciso aparecer a emenda Ibsen Pinheiro para que o país soubesse que o Rio é um estado que nada em dinheiro, mas nada fez e faz para prevenir catástrofes como esta. O governador organiza eventos populares para rugir contra a emenda Ibsen, mas o que os próprios cariocas deveriam perguntar é: aonde vai a fortuna que abarrota os cofres públicos, todos os meses, saída da exploração petrolífera, e que com certeza não tem sido para proteger e melhorar a vida da população do Rio de Janeiro?"

Iracema Palombello - 12/4/2010

"Falta de planejamento. O Alto da Boa Vista está a ponto de, em uma próxima chuva, ficar interditado por longo tempo, pois há muitos e muitos anos, não sofreu qualquer reforma, visando o bem estar dos que ali transitam. Quem reside na Barra, não saiu da Barra. Quem reside na Tijuca ou em Niterói, não conseguiu nem chegar na esquina. Na Lagoa, quem mora ou passa, perdeu a oportunidade de praticar kite surf ou velejar, tamanho o estrago, consequência da falha da Administração Pública, pela omissão. Até de pedalinho, fontes de veiculação mostraram fotos. O mais interessante é que, na época das eleições, os candidatos aparecem com um milhão de dentes, prometendo soluções humanamente impossíveis de se resolver em apenas uma gestão. E eu, depois de ficar parada horas no trânsito, durante todo o período em que o Rio de Janeiro foi castigado (eu, você e todos os cariocas), ainda me deparo com uma notícia de que a gestão estaria buscando medidas efetivas, com relação aos fenômenos climáticos, com entidade científica esotérica. O que é isso ? Não estão preparados para gerir uma cidade e precisam de uma entidade, contando que ela tem poderes para mudar a situação ? Se isso funcionasse, com todo o respeito, campeonato baiano acabaria empatado. Mas a população sofre as consequências nefastas da má escolha de seus governantes... E esquecem... Tem a memória fraca... Quanto à população de parcas posses, todos sabemos que a defesa civil fecha o cerco e eles se recusam a sair. Vão invadindo, invadindo, invadindo. Cadê medidas mais severas quanto a isso ? Não querem perder a vista para o mar do alto da favela, mas vão ter que sair, sim. Muitas mortes, muita tristeza. Enfim..."

Amanda de Abreu Cerqueira Carneiro - OAB/RJ 137.423 - 16/4/2010

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