quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Circus

de 2/5/2010 a 8/5/2010

"Gosto muito de ler Migalhas. Vocês são excelentes, muito informativos, criativos e muito úteis ao esclarecimento dos fatos. Este trabalho de Circus 179 é uma preciosidade (30/4/10 - "Ela" - clique aqui). Parabéns, não para vocês, mas para nós, leitores, de contar com informativo de tal nível. Sou advogado militante, já no final de carreira, e me valho, muito, de suas excelentes informações. Vá em frente."

José Brígido Pereira Pedras Júnior - 3/5/2010

"A Coluna Circus 179 superou-se (30/4/10 - "Ela" - clique aqui)! Parabéns a Adauto Suannes! E ao ler a coluna, me pergunto se teremos 'pão e circo' em outubro próximo?"

Fernanda Cubas Araújo - 3/5/2010

"Parabéns ao articulista  (Circus 179 - 30/4/10 - "Ela" - clique aqui). Uma pena que a maioria dos brasileiros não vai ler estes comentários."

Carlos Alberto Garcia Passos - 3/5/2010

"Oi Adauto, muito boa a biografia d"Ela  (Circus 179 - 30/4/10 - "Ela" - clique aqui)... Abraços,"

Luis França - 3/5/2010

"Olá Mestre Adauto. Gostei do artigo que nos induz à curiosidade e nos remete à pesquisa das origens dos candidatos (Circus 179 - 30/4/10 - "Ela" - clique aqui). Mas dizem que nem sempre dá melhor leite a vaca que tem maior ubre, e, em curral onde tem touro gordo, sempre surge algum vira-bosta."

Mano Meira - Carazinho/RS - 4/5/2010

"Sobre o Circus da biografia (escrita sobre a vida da pessoa), me vem à memória, dentre os políticos de escol, a história da vida desse grande riograndense e brasileiro, que foi, Julio de Castilhos (Circus 179 - 30/4/10 - "Ela" - clique aqui)."

Cleanto Farina Weidlich – Carazinho/RS - 5/5/2010

"Em uma dessas bienais (Circus 180 - 7/5/10 - "Ser Poeta" - clique aqui). :

- O sr. pode dedicar 'ao poeta Antonio Rodrigues'?

- Sim, claro! É você?

- Sim!

- (Sorriso) – 'ao poeta Antonio Rodrigues um abraço do Ferreira Gullar' - Boa sorte!

- Obrigado! (Felicidade em estado puro)

Poeta sim, jamais publicado, tentando fazer jus à dedicatória...

___________________

Meu poeta patativa

Meu poeta Patativa

Tão distante em Assaré

Ouça a voz deste seu filho

Honrado e grande e querido

Cabra macho nordestino

Cantador de sua terra

Com oito anos de idade

Pra São Paulo fui trazido

Nem vou dizer da saudade

Minha e dos familiares

Por você já bem cantada

Na sua Triste Partida

Tudo era novidade

Menos a fome e a miséria

Essas eram de verdade

Nas noites manhãs e tardes

Mesmo até nas madrugadas

Tinha ainda o aluguel

Como era grande a luta

Pra pôr comida no prato

Vida parecia luto

Porque o governo corrupto

Só sabia do seu luxo

Com pobres não tinha trato

Essa parte da história

Continua sendo a mesma

No poder está a corja

Plantadora da discórdia

Da bagunça da desordem

Nos canteiros brasileiros

Mas não quero falar disso

Não vou sujar o cordel

Porque mais do que omissos

Os brasileiros têm sido

Ao votar nesses bandidos

Pra governar nossa terra

Ai quantas dores lascadas

Naqueles tempos difíceis

Era grande a empreitada

Acordar cedo estudar

Com nove anos de idade

Já trabalhava eu menino

E assim seguiu-se a vida

Do grande clã do Nordeste

A esperar melhores dias

De oito rebentos nascidos

Trabalhava quem podia

Eita que cabras da peste

Sofrimento ainda existe

Porque a vida não dá trégua

Mas no sangue nordestino

Do homem ou do menino

A saudade da terrinha

É que corre corta e fere

Nesta cidade inclemente

É tão fácil se perder

As tentações são freqüentes

O medo apavora as mentes

Nesta cidade inclemente

É muito fácil morrer

Morrerei sim meu poeta

Como todos morrerão

Mas só quando Deus quiser

Quando chegar a hora certa

E que venha a vida eterna

Sem dor nem sofreguidão

Antes preciso contar

Neste cordel sem engenho

Um emocionante causo

Em que sou o personagem

Um poeta miserável

Como não há entre as gentes

Para que finalidade

Eu sem saber escrevia

Talvez por mera vaidade

A meu ego alimentava

Com esplendores sonhava

A mim mesmo me traía

Eis a marca da miséria

Cravada a ferro no peito

Que não ter deve o poeta

Mesmo oriundo da plebe

Mesmo que seja o mais reles

Dos cidadãos brasileiros

Era uma judiação

Receber a poesia

Nascida do coração

Retratando ora a paixão

Ora o amor sem condição

E torná-la tão mesquinha

Foi tão difícil escapar

Das garras do vil orgulho

Do luzeiro das vaidades

Das tolas vãs veleidades

Que pouca era minha idade

Hoje sou homem maduro

Mesmo no melhor juízo

Sobrevinha a indagação

De querer saber por fim

Se era mesmo este o caminho

Mais correto a ser seguido

Pelo meu bom coração

Sem demora sem aviso

Sem nenhuma cerimônia

Essa dúvida crescia

Hora a hora dia a dia

Eis que em uma tarde fria

Cabô dúvida medonha

Mas ainda vou falar

Da ação que precedeu

O instante singular

Em que me fiz revelar

Ante a luz crepuscular

Como nunca aconteceu

Em data já esquecida

Li na imprensa paulistana

Que agraciado seria

Meu poeta Patativa

Com outra biografia

Escrita por Assis Ângelo

Com grande felicidade

Recebi essa notícia

E tão logo foi lançada

A obra tão esperada

Eu não me fiz de rogado

Fui correndo às livrarias

Ei-lo O Poeta do Povo

Mostrado em fotografias

Já ouvindo muito pouco

Sem visão pra ver as flores

Pois venceu com muito esforço

Quase um século de vida

Antonio meu Patativa

Agora sim vou contar

Que em uma tarde fria

Não sei se morta ou se viva

Minh’alma muito sofria

Como não sei explicar

Parecia que o peito

Não se ia agüentar

Batia de qualquer jeito

Lento ou veloz ou a esmo

Ora apagado ora aceso

Quase querendo gritar

Antonio que é Gonçalves

Que da Silva também é

Sua voz me fez chorar

Seu canto me fez chorar

Sua vida me fez chorar

Patativa do Assaré

O poema da infância

Que você bem recitou

Despertou-me na lembrança

O meu tempo de criança

Em que a bondosa esperança

Desfilava seus favores

Quando dela eu me perdia

A você eu encontrei

Reencontrei a poesia

Dei à vida um sentido

E de cada dor sofrida

Fiz a minha fortaleza

Não me envergonho ao falar

Que não pude me conter

E me permiti chorar

Pois foi como ser tocado

Pela própria divindade

Por meu Senhor nosso Deus

Meu poeta Patativa

Sua voz é a do sertão

De tanta gente sofrida

Abandonada esquecida

Brasileirosnordestinos

Sangue nobre da nação

Meu poeta Patativa

Saio da sua presença

Como um filho agradecido

Fazendo último pedido

Se não for encarecido

Que o Sinhô me dê a benção."

Antonio Rodrigues - 7/5/2010

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