sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Migalheiros

de 2/5/2010 a 8/5/2010

"'Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.'" Clarice Lispector. Pois é!"

Osório Barbosa - 3/5/2010

"'Depois que aprendi a pensar por mim mesmo, nunca mais pensei igual aos outros.' (Clarice Lispector) A neurastenia orkutiana, não nos quer assim, aos poucos toma conta de nossas vidas, onde a fantasia e a realidade, têm o mesmo peso. E, nesse caminhar, as pessoas especulam, no afã de tentarem saber quase tudo sobre quase nada. São os Heróis da Modernidade! Alguns grupos atribuem uma identidade, estabelecendo divisões, e tentando legitimizar seu poder na conduta e modelo dos seus membros. 'Assim como Pilatos, não posso lavar minhas mãos'."

Arlete Travasso da Costa - 3/5/2010

"Uau! Osório, parabéns, que palavras bem colocadas! Toque aqui, tô contigo e não abro!"

Claudia Corrêa - 3/5/2010

"Sr. diretor, vi na TV inúmeros (parece-me que 20) oriundos de Goiás, terem sofrido um golpe de estelionatário e terem vindo para cá para um emprego inexistente. Vieram com a roupa do corpo, quase sem condições nenhuma, etc. Bem aí é que verifico como o nosso código penal é precário. Que tipo de delito seria esse senão gravíssimo, infamante etc., entretanto, se condenado o estelionatário será por poucos meses, quando, na verdade, deveria ser condenado a anos de cadeia, até com trabalhos forçados. Depois criticam Lula por dar cestas básicas a famílias. Tomara ele pudesse dar a todos, para evitar esse sacrifício de muitos a procura de emprego. Atenciosamente,"

Olavo Príncipe Credidio – OAB/SP 56.299 - 7/5/2010

"Manchete e matérias irresponsavelmente redigidas. Sou leitor de Zero Hora, o que faço via computador, devido à minha falta de visão (física). Se me falta visão física, faltou ao redator da manchete de capa de Zero Hora de 5 de maio e ao redator da matéria sobre a morte da professora Maria Paula Amaral Leal, o jornalista Itamar Melo, algo que sempre deve nos acompanhar, sobretudo no exercício profissional, o bom senso. Zero Hora, pelo modo como seus profissionais trataram a morte da professora, entre os quais inclui-se também o colunista Paulo Sant'Ana, foi extremamente infeliz. Os jornalistas, assim como os advogados, não podem prescindir da precisão absoluta no uso das palavras, seu instrumento de trabalho, sob pena de este vir a ser prejudicado, além de trazer prejuízo a terceiros. Na matéria em comento, escreve o jornalista Itamar Melo: 'Maria Paula Amaral Leal, (...) morreu porque voltou atrás em seu caminho para ajudar uma pessoa. Morreu porque decidiu fazer o bem'. Com efeito, se 'porque' anuncia que se vai explicitar a causa do acontecimento que está sendo narrado, tem-se que as duas frases transcritas são totalmente inverdadeiras, porquanto ter a professora 'voltado atrás em seu caminho para ajudar uma pessoa' ou 'ter decidido fazer o bem', jamais seriam colocadas numa certidão de óbito, como sendo a 'causa mortis'. Mas, segundo as palavras de Itamar Melo, a professora 'morreu porque voltou atrás em seu caminho para ajudar uma pessoa. Morreu porque decidiu fazer o bem'. Embora o jornalista se contradiga mais adiante, escrevendo que 'Tarefa cumprida, começou o retorno. Não chegou ao final. Em cima da faixa de segurança, foi atingida por uma motocicleta', o 'estrago' já estava feito; o que ficou impresso na mente dos que leram a matéria foi a manchete sensacionalista: - 'Professora morre após ajudar cego a atravessar a rua', seguida das duas frases inverdadeiras: - 'professora de Ensino Religioso, morreu porque voltou atrás em seu caminho para ajudar uma pessoa. Morreu porque decidiu fazer o bem'. Ficou impressa na mente dos que leram ZH de 5 de maio as infelizes afirmações  do colunista Paulo Sant'Ana, para quem a professora 'Encontrou a morte pelo seu altruísmo'; para quem, a solidariedade e o altruísmo da professora foram 'caminhos para a morte'; para quem 'Se o coração dessa mulher não tivesse compaixão, ela não teria morrido como mais um dos milhares de mártires do nosso trânsito'. Mas, pior que isso, Sant'Ana ainda reflete: 'Como é o destino das pessoas! Se ela não tivesse se condoído com o cego em dificuldades para atravessar a pista da avenida, estaria a esta hora sã e salva'. - Escreveu isso, sem se lembrar de que 'para morrer, basta se estar vivo'. Sant'Ana não explicitou, mas Itamar Melo estabeleceu o gesto solidário da professora como nexo de causalidade para a morte dela. Muitos dos leitores foram induzidos ao mesmo sentimento. Tal como ocorreu com Itamar, só depois de apresentar considerações subjetivas (já reproduzidas acima), Sant'Ana pôs no papel a 'questão objetiva: o motociclista atropelou a vítima em alta velocidade e em cima da faixa de segurança'. Primeiro, o subjetivismo do jornalista; só depois a objetividade do bacharel em Direito. O jornalista se manifestou como se, fazer o bem, prestar uma ajuda a alguém fosse 'caminho para a morte'. Escrevi que o erro de avaliação dos jornalistas de Zero Hora prejudicaram o seu trabalho e prejudicariam terceiros, querendo me referir aos cegos, que, como os demais cidadãos, andam em Porto Alegre nas idas e vindas para seu trabalho, cuidando-se, como todos, para não serem vítimas do trânsito maluco e da imprudência e irresponsabilidade de pessoas mais malucas ainda. A confirmar o supradito, eis o que recebi ontem de uma assistente social, encaminhando a matéria referente ao atropelamento: 'Bem, acho que teremos menos pessoas ajudando cegos ...' Senhores jornalistas, pensem bem antes de escrever as matérias; pensem na responsabilidade que têm ou deveriam ter, ao escreverem para um veículo do alcance de Zero Hora. Mas, o Jornal também é responsável pois o empregador responde pelos atos dos seus prepostos."

Francimar Torres Maia - OAB/RS - 21132 - 7/5/2010

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