sábado, 24 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Paulo Coelho

de 20/3/2005 a 26/3/2005

"Machado de Assis, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, Monteiro Lobato, Raquel de Queiróz, Jorge Amado, Rubem Fonseca... Paulo Coelho!? O que aconteceu?"

Armando Rodrigues Silva do Prado - 22/3/2005

"Em um país onde um quarto da população acima de 15 anos consegue, no máximo, ler e escrever com dificuldade, e que boa parte dos tidos como “alfabetizados” sequer é capaz de interpretar um texto, apenas por alcançar tamanhos índices de vendagem, o escritor Paulo Coelho já é merecedor de respeito. Por ter seu trabalho publicado e respeitado em diversos países onde a educação é tratada com seriedade e como prioridade, o referido escritor é digno de louvor. A única explicação que vislumbro capaz de justificar tantas críticas negativas e destrutivas é a baixa auto-estima do nosso povo. Deleguemos a análise técnica à crítica especializada e, independentemente de nossa preferência literária, experimentemos aplaudir o escritor apenas e tão-somente pelo sucesso alcançado. No mínimo, servirá como exercício para melhorar nossa auto-estima."

Shirlei Cruz - 22/3/2005

"O acidente Paulo Coelho lembra-me algo assim como Cassandra Rios, o que somente descobri após ler o notável trecho selecionado a dedo por Migalhas. Um dia - um péssimo dia, diga-se! - vi que o indigitado escriba houvera escrito mais um dos seus excelentes livros, ao qual dera o título de MAKTUB. Lembrei-me, aí sim, de uma notável obra literária, do saudoso MALBA TAHAN, ou seja, do eminente professor Júlio César de Mello e Souza, falecido em 1974. Mandei um e-mail para o frenético Coelho, dele indagando sobre como poderia dar semelhante título a seu livro, já que existia um outro, etc. e tal. Nem respondeu, embora tenha recebido o e-mail. Dane-se os meios, quando o fim pode e é atingido facilmente. Não foi à toa que o notável Jorge Luiz Borges colocou Malba Tahan entre os mais notáveis escritores da humanidade. E é por muita razão que a obra O Homem que Calculava está em sua 45ª edição. Uma proposta: esqueçamos de vez esse cara."

José Aranda Gabilan - 22/3/2005

"A única coisa recente que provocou baixa na minha auto-estima foi a MP 232. Quanto a Paulo Coelho, tenho absoluta certeza que ele não obrou pra mim, embora tenha obrado bastante."

Abílio Neto - 22/3/2005

"Para todos aqueles que "julgam" Paulo Coelho como prejudicial à nossa cultura, recomendo o texto "Antônio Gramsci lia Paulo Coelho", de Mário Maestri (professor do Programa de Pós-Graduação em História da UPF).

"Há algumas quase unanimidades entre nossos intelectuais. Uma delas é certamente Antônio Gramsci, o sagaz comunista italiano, morto aos 46 anos, após viver uma década nas cárceres fascistas. Nem que seja transversalmente, sobretudo as categorias que plasmou, nos seus Cadernos do Cárcere, sobre a cultura, a sociedade e o Estado, encontram crescente consenso entre os pensadores nacionais. É sobretudo o refinamento de um marxismo de profunda raízes humanistas e ocidentais que cativa fortemente nossos intelectuais. Paradoxalmente, a simpatia deve-se também à ampla operação – empreendia nos anos 1970 – de arbitrária ruptura da visão de mundo de Gramsci da preocupação central de sua obra – a luta pelo poder. Mais coesa ainda é a unanimidade sobre a literatura de Paulo Coelho. Há quase total acordo entre os pensadores brasileiros que ela não presta, não deve ser lida, não merece ser estudada e discutida. Já se disse sobre a ficção coelhista, radicalizando esta concepção: "Não li e não gostei!" Devido a tal visão, no Brasil, avolumam-se investigações acadêmicas sobre ficcionistas e ensaístas, nacionais e estrangeiros, tidos como eruditos, de público liliputiano, e rejeita-se com quase asco a discussão da ficção ou do ensaísmo triviais. O sucesso multitudinário de um Paulo Coelho ou mesmo de um Eduardo Bueno, quanto muito, merecem sumárias desqualificações. Passa despercebido a muitos admiradores de Gramsci que, entre os quatro grandes temas que se dispôs a investigar na prisão, encontrava-se precisamente o estudo da literatura folhetinesca, como assinalou em carta de 19 de março de 1927, ao anunciar a intenção de redigir ensaio sobre o "gosto popular na literatura". Ou seja, sobre os José Mauro de Vasconcellos e assemelhados de sua época. Em 22 de abril de 1929, escreveu que, durante sua prisão em Milão, lera muitos romances de "terceira ordem", especialmente "populares", sobretudo na procura de algumas respostas: "Por que esta leitura é a mais lida e a mais publicada? Quais necessidades satisfaz? A quais aspirações responde? Quais sentimentos e pontos de vistas estão representados nesses livrecos, para agradar tanto?" Definitivamente, a preocupação com a ficção trivial não era inocente passatempo diletante de prisioneiro policiado nas suas leituras. Gramsci escrevera sobre esse tipo de literatura quando jovem e registrou, mais tarde, suas reflexões maduras sobre as categorias de "romance popular" no terceiro Cadernos do Cárcere, lamentavelmente não concluídas. Gramsci acreditava que, em qualquer país, existe nação "desconhecida, que não se vê, muito diversa da aparente e visível". Na Itália, o fenômeno seria mais profundo do que nas "chamadas nações" civilizadas. Devido à verdadeira tradição de "casta", o intelectual italiano banhar-se-ia nas águas límpidas – e mais seguras – da superfície, sem mergulhar nas agitadas profundezas oceânica da cultura e da ideologia popular. Gramsci acreditava que a revolução italiana nasceria da aliança entre o operário nortista e o camponês meridional. Porém, lembrava que as massas rurais integravam, em forma subordinada, bloco histórico no qual intelectuais pequeno-burgueses sulistas de origem agrária traduziam e difundiam, entre os subalternizados, visões de vida das elites, elaboradas pelos intelectuais nacionais orgânicos do poder. Com o estudo da função dos intelectuais na história italiana até a Unificação, procurou entender a construção dos mecanismos ideológicos e culturais de dominação, através dos quais as concepções de vida das elites, vulgarizadas e trivializadas, eram incorporadas à consciência dos trabalhadores, mantendo-os no consenso, ou seja, na submissão pacífica. Gramsci propunha que, na Europa Ocidental, por trás do Estado, trincheira avançada da ordem burguesa, se encontrasse verdadeira casamata da organização social em vigor, constituída pelo modo de viver, de pensar, de agir etc. da imensa maioria da sociedade civil, diretamente dependente da concepção de mundo das elites. Através da crítica dessa ideologia, procurava lançar as bases para a criação de interpretação proletária de mundo que superasse, dialética e antagonicamente, as representações elitistas. Inicialmente, a nova percepção do mundo restringiria o consenso popular ao Estado e, num segundo momento, sustentaria e consolidaria o assalto ao poder, apoiando e facilitando a constituição da ordem socialista. Até a morte, preocupou-se com a compreensão dos mecanismo ideológicos de dominação, estudando minuciosamente o que a população gostava, sem irritar-se, em forma elitista, com o que deveria ler, mas não lia. Queria decifrar os mecanismos da narrativa trivial que envenenam a forma de sentir dos explorados, na procura do necessário antídoto. Se fosse vivo e morasse no Brasil, certamente na biblioteca de Gramsci encontrar-se-iam os livros de Paulo Coelho e Cia, e ele se reservaria um tempinho para assistir ao Ratinho, às novelas e ao Jornal Nacional, na dura luta para decifrar as infinitas esfinges que devoram sem cessar a alma da sofrida gente brasileira."

Ana Cordeiro - 22/3/2005

"Não sei nem o que dizer àquele que em nome da informação se viu obrigado e ler o novo livro de Paulo Coelho... (Migalhas 1.131). E mais, escolher um trecho para publicá-lo! Sem dúvida, este é um grande sacrifício em nome da profissão e por todos nós migalheiros, visto que se esse foi o trecho escolhido (provavelmente por ser o que há de melhor a ser citado do livro) o que não pensar do mesmo por inteiro?"

Fernanda Fachetti Horta - NEAC - Núcleo de Extensão e Atividades Complementares UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo Campus I - Colatina-ES - 23/3/2005

Nota da Redação - Assim que o redator destacado para a missão retornar da casa de repouso a qual teve de ser internado, encaminharemos a mensagem de solidariedade. Migalheira Fernanda, obrigado por reconhecer a arduidade da tarefa. De fato, a indefectível chibata de nosso amado Diretor mais parece uma pluma diante da mefistofélica obra.

- 23/3/2005

"Lendo meu Migalhas diário, este informativo brilhante, como no passar das linhas deparo com noticia que causa grande tristeza, nada mais do que Sr. Paulo Coelho, nos quais seus atributos são; mago, escritor, imortal, letrista (em parceria com Raul Seixas) e agora perdido no mundo jurídico, meu Deus que mundo é esse? Será que ele vai lançar uma obra sobre o mundo jurídico? Já sei vai comentar sobre as PPPs a beira de algum rio, ou montanha, ou em algum lugar do mundo! (exceto no Migalhas). Caro Diretor, que deslize mais imperdoável é esse? Não basta ver nas bancas nada mais do que em três revistas semanais, Veja, Isto É e Época, agora no Migalhas, algo de errado está acontecendo na redação. Só me falta agora noticias sobre lançamento dos livros da Zíbia Gaspareto."

Emerson Rizzi - escritório Rocha, Calderon e Advogados Associados - 23/3/2005

"Concordo inteiramente com a colega Shirlei Cruz, todo mundo gasta tempo e latim para criticar um brasileiro que faz o maior sucesso no exterior, ainda por cima escrevendo. Lembrando dos inúmeros analfabetos que ainda existem em nosso país, só o fato de fazer as pessoas lerem, sem levar em conta o gosto literário, já é um grande mérito. Ao invés de criticar quem faz sucesso de forma honesta, vamos criticar aqueles que realmente causam prejuízo ao Brasil?"

Emília Campos - escritório Viseu, Castro, Cunha e Oricchio Advogados - 23/3/2005

"Concordo inteiramente com o Dr. Emerson Rizzi, pois o também MEU MIGALHAS está realmente cometendo deslizes, primeiro a citação do b3 e agora de Paulo Coelho. Por que não falar de João Ubaldo, Carlos Drummond de Andrade, Patativa do Assaré, Vinicius de Moraes, Cabral de Melo Neto, Euclides de Cunha ou até, do só geograficamente distante, Leon Tostoi? Saudações da fã incondicional do Migalhas."

Suely Rosa - 23/3/2005

"O personagem de Paulo Coelho, que possui uma casa de campo à beira-mar (Migalhas 1.131) é soda limonada...!"

Luiz Antonio Levy Farto - 23/3/2005

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