terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Artigo - Direitos do paciente com câncer

de 23/5/2010 a 29/5/2010

"Gostaria de saber qual pesquisa levou a autora a concluir que 'os médicos do setor público não receitam medicamentos de última geração, com o objetivo de equilibrar o orçamento, pois entendem que já houve disponibilização de recursos... (Migalhas 2.392 - 21/5/10 - "Saúde" - clique aqui)' Peço licença para discordar e apresentar alguns pontos para reflexão: 1- muitos generalistas desconhecem oncoterapia de ponta; praticamente, só os (bons) oncologistas acompanham esta evolução; 2- entre os oncologistas que conhecem terapia avançada, um grande número desconhece leis e proteção constitucional; 3- estes médicos raciocinam que sobram aos pacientes duas alternativas: pegar, gratuitamente, na farmácia hospitalar o remédio 'antigo', cadastrado na listagem de medicamentos do governo, ou, gastar um dinheiro (que não possuem) para aquisição de remédio de ponta, nas farmácias privadas. Ora, sabendo que 'pobre' não tem $$, eles acabam receitando os remédios antigos e gratuitos. 4- entre os médicos que conhecem terapia avançada e leis, há muitos que entendem que ao dar remédio caríssimo para uma pessoas, está-se condenando à morte 20 (50? 100? quem sabe?) outras pessoas. A sociedade se impressiona mais com uma única morte concreta do que com 20, 50 ou 100, 'longe dos olhos'. A questão é muito antiga e muito complexa: diante de recursos financeiros finitos, há como fornecer tratamentos infinitos só por que a CF 88 assim o determina? De onde virá o dinheiro? Qual dignidade humana prevalece, a de um paciente com câncer(doença quase sempre crônica, típica da 3ª idade) ou a de 20/50/100 crianças que morrerão de tuberculose ou pneumonia por falta de remédio para todos? Quem decide, o filho do paciente com câncer, ou as 100 mães das crianças que vão morrer?"

Renato Battaglia - 24/5/2010

"Parabéns por abordar esse tema, dra. Renata Vilhena Silva! Sofri na pele com esse problema e ainda não tenho uma visão de cima dessa questão, em razão da perda de um ente familiar em dezembro passado (Migalhas 2.392 - 21/5/10 - "Saúde" - clique aqui). Mesmo com prescrição de médico particular e todo o acompanhamento de oncologistas do INCA (como foi o meu caso), tive uma dificuldade absurda em obter um remédio caríssimo (Xeloda - quimioterapia oral). Após uma luta de seis anos e meio, sem resultados efetivos (metástases), o médico da minha tia só viu, como saída, a prescrição desse medicamento, cuja caixa custa, nada mais, nada menos, do que R$ 2.000,00. Um tratamento de seis meses, R$ 12.000,00. Dei entrada assim que o médico prescreveu o medicamento, em março de 2010, e 'fiz das tripas coração' para ter o remédio em mãos. O remédio só foi liberado pelo SUS em julho, sendo que ela teria que ter iniciado o tratamento em abril. O resultado dessa ineficiência foi o agravamento do quadro de saúde dela, e quando o medicamento foi disponibilizado, a situação se agravou de uma tal forma que só lhe restou tomar 3 comprimidos de DiMorf (morfina), de oito em oito horas, até o falecimento. Imagina a luta de pessoas de parcas posses? A minha tia teve o acompanhamento dos melhores profissionais e teve os melhores planos. Contudo, quimioterapias e remédios são tão caros que, no ano em que veio a falecer, não restou saída senão, obter ajuda de parentes e amigos, não restando outra saída senão a de propor essa ação. Um absurdo e não desejo isso a ninguém. Portanto, doutores, cuidem da saúde de vocês, e coloquem-na em primeiro lugar sempre, porque é um sofrimento muito grande, não só para quem tem o câncer, como ainda, para quem está ali, como uma fortaleza, passando vibrações positivas. Quanto ao que a Administração Pública vem fazendo, sinceramente, eu sinto nojo e prefiro não entrar em maiores detalhes, para não ser estúpida com vocês, leitores e colegas de profissão. Essa ineficiência existe, vocês sabem muito bem, e existem recursos sim. E como existem. Contudo, não são repassados em prol de quem precisa. Abraços e parabéns!"

Amanda de Abreu Cerqueira Carneiro - OAB/RJ 137.423 - 24/5/2010

"E mais uma importante observação: os cariocas, que circulam pela Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes/RJ se deparam, todos os dias, com um prédio, cheio de detalhes, no qual a prefeitura gastou milhões e milhões, e está em estado de abandono (Migalhas 2.392 - 21/5/10 - "Saúde" - clique aqui). O nome dessa suntuosidade, inútil, é 'cidade da música'. Desde o início dessa construção, estou eu, soltando farpas, em razão de existirem vários outros problemas, muito sérios, que a prefeitura precisava se preocupar. O repasse de verbas para medicamentos e um controle das redes hospitalares, atendimentos e tratamentos, é um deles. Se esse dinheiro tivesse sido despendido para essa questão, certamente, muitas vidas teriam sido preservadas. Ou seja: tanto as 100 crianças com pneumonia, quanto o portador de câncer, estariam com medicamentos em mãos, mesmo que por um determinado prazo. E a situação não envolve só a cidade da música não. O reflexo da incompetência está espalhado em várias partes do Rio. A intenção era passar, para quem vem de fora, uma imagem que não condiz com a realidade. Pois é.... E a população não pensa nisso quando vai eleger os prefeitos, governantes etc."

Amanda de Abreu Cerqueira Carneiro - OAB/RJ 137.423 - 24/5/2010

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