sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Células-tronco

de 20/3/2005 a 26/3/2005

"Fico estupefato com a facilidade com que se agride a lógica em nome da mesma lógica. E fico também surpreso que um jornal como o 'OESP' venha a abrigar posições estapafúrdias dando-lhes status de sérias. Refiro-me ao artigo de jornalista italiano que atribuindo-se o título de guardião da "lógica", tenta provar uma tese absurda sobre embriões humanos, tendo como 'gran finale' a conclusão que "ao comermos um ovo não podemos dizer que estamos comendo uma galinha". O caminho percorrido por tal jornalista lembrou-me  dos tempos de cursinho pré -vestibular, quando um professor fez uma brincadeira em que, cumprindo um caminho perfeitamente lógico e matemático, 'provou' que 2 é igual a 3. Lembrei-me disto porque a mentira tem sempre a aparência de verdade e, se assim não fosse, não seria crível. É este exatamente o caso do jornalista italiano e de outros badalados acadêmicos, que intitulando-se "cientistas de vanguarda", montaram poderoso lobby para a aprovação de pesquisas com células tronco embrionárias humanas. Da mesma forma que a demonstração 'lógica' de meu professor escondia, em uma das passagens da dedução matemática, que tínhamos os termos multiplicados por zero, sobre a questão dos embriões similarmente esconde-se algumas questões elementares e evidencia-se outras menos importantes, chegando-se assim a conclusões absurdas. Percorrendo-se um caminho lógico e honesto, a conclusão do jornalista italiano deveria ser exatamente oposta, pois ao se comer um ovo, come-se SIM uma galinha.  A diferença encontra-se somente no nome que atribuímos a um diferente estágio de seu desenvolvimento, pois o ovo JÁ É aquele ser que, quando adulto chamamos de galinha.  Ovo, pintinho, franga e galinha são nomes que atribuímos a diferentes estágios de desenvolvimento de um ser que já existe e que depende somente das condições ambientais para percorrer seu ciclo biológico, numa contínua e ininterrupta transformação. O mesmo se aplica ao homem. Embrião, feto, bebê, criança, adolescente, jovem e adulto são apenas nomes que atribuímos a diferentes estágios de desenvolvimento de um ser humano. Para justificar posições fundadas em interesses econômicos, ou em ideologias que não estão centradas no respeito pela pessoa humana, busca-se desqualificar o interlocutor atribuindo a si e a seus argumentos o status de "lógicos" e, ao do outro, de "dogmas". Honestidade diante de qualquer questão implica em abertura a responder a todas os aspectos colocados por ela. Neste caso a principal delas é sobre o ponto a partir do qual um ser humano existe. Até o momento não me convencem as colocações que a vida humana começa com a primeira célula neural e muito menos com a consciência de si (esta a pior de todas) pois, tanto o para o homem quanto para a galinha, a partir do momento da união dos gametas temos seres com identidades próprias, irrepetíveis e com todo aparato para cumprir seu ciclo biológico. Assim a tal lei, mesmo aprovada, não está eticamente justificada e causa repulsa em todos que amam a verdade e não se deixam encantar pelas falsas promessas de um lobby. Em nome do que vivemos, trabalhamos e lutamos?"

Ulisses Brandão - 22/3/2005

"Sobre as células-tronco, nosso nobre amigo acadêmico, Denival Cerodio Curaçá, ao final da explanação publicada no Migalhas 1.131 de 21/3/05, acrescentou, em conclusão estritamente pessoal, que "entende" que as células embrionárias não são vida (clique aqui). Há um perigo instalado no emprego do verbo "entender", ao caso em tela. Na verdade, nosso colega também é vítima, como tantos, dos efeitos da secularização de diversas instituições. São esses "entendimentos" que descaracterizam o embrião como gênese milagroso da vida humana, e que penetraram, de algum modo, na consciência de profissionais respeitados, de várias áreas, que geram uma influência nociva aos jovens estudantes, no que diz respeito aos alicerces do direito constitucional à vida. E quanto à eutanásia, os excelsos migalheiros poderão visitar o site www.notdeadyet.org. Eutanásia é matar. Aborto é matar. "Embriocídio" é matar. Pode haver "pensamento" contrário a estas assertivas. Mas só o ser humano vivo, que foi respeitado desde a concepção, pode "pensar". E é aí que a lógica "contra a vida" se auto destrói. Pedindo permissão a Descartes e ao latim, "Sum, ergo cogito"."

Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - advogado em SP - 23/3/2005

"O migalheiro Ulisses Brandão, em 24/3, ao exprobrar a utilização de restos de uma fecundação 'in vitro', e perder tempo com elucubrações despiciendas, não levou em conta o fato de que, melhor que jogar no lixo é aproveitá-los para pesquisa, que poderá ser útil na cura de diversas patologias."

Conrado de Paulo - 24/3/2005

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