domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Arrumando a casa

de 27/3/2005 a 2/4/2005

"O texto publicado no Migalhas pelo Dr. Fernando B. Pinheiro (Migalhas de peso – "Todo o poder emana do povo e em seu nome é exercido" - clique aqui), elogiado por vários colegas, bem espelha os acontecimentos no Brasil. Como exemplo desse "pacto da mediocridade" feito por aqueles "representantes" (sic), temos a trágica e bisonha postura do atual Presidente da Câmara dos Deputados, deputado Severino Cavalcante, que mereceu, inclusive, um texto migalhiano de nossa autoria, o qual aborda a possibilidade de cassação de seu mandato por falta de decoro parlamentar. Mas sempre é bom lembrar - e digo isso sempre por aqui, no Congresso Nacional - que quem coloca essas pessoas no poder é ele - o Povo. Ou seja, nós. Temos todos a oportunidade de, a cada 4 anos, mandá-los de volta. Todavia, pessoas como ACM, Jader Barbalho, Inocêncio de Oliveira e tantos outros não chegaram no Congresso por acaso. Alguém os mandou para lá. E quem foi "este alguém"? Foi ele, justamente o Povo. Portanto, e até prova em contrário, o Povo deve gostar bastante dessa situação a ponto de repeti-la várias vezes. Então, aplica-se ao caso aquela máxima: "cada povo tem o Governo que merece"."

Milton Córdova Júnior - 28/3/2005

"Magnífico Editor, o Migalheiro Milton Córdova Junior tem toda razão: foi o Povo que colocou os "representantes" (sic) no Congresso e no Executivo. Tudo começou com o megalomaníaco Presidente Geisel que, para vencer uma eleição, estendeu o voto aos analfabetos e a uma "ditadura" que nada investiu em educação. Hoje o Brasil tem um povo onde praticamente 80% é analfabeto (sabe ler e escrever, mas não sabe interpretar um texto - esta deveria ser a definição de analfabeto) que acredita nas promessas mirabolantes de quem não tem o compromisso de realizar as promessas feitas em época de eleição. Temos que iniciar duas campanhas: educar o povo brasileiro e fazer uma reforma política. Só com isso conseguiremos colocar ordem nesta casa da Mãe Joana, com o devido respeito. Cordiais Saudações,"

Fernando B. Pinheiro – escritório Pinheiro e Bueno - Advogados - 29/3/2005

"Por mais tentador que me possa parecer concordar com o prezado Migalheiro Fernando B. Pinheiro, não posso aceitar suas premissas, ainda que comungue de suas conclusões. A educação no Brasil é problema crônico e certamente nos compete buscar soluções para esse mal, a reforma política também é premente e talvez agora, após o susto "severiniano", nossos deputados venham a atentar para a questão, mas daí não me permito apontar o voto dos analfabetos funcionais como a razão da má qualidade de nossos congressistas. Tal afirmativa me remete à perigosa idéia do “governo dos bons”, sistema democrático controverso, defendido por Gregos na antiguidade, mas incompatível com o atual estágio de evolução do conceito de democracia. Mesmo aquele que não recebeu educação apropriada tem direito de escolher seus representantes, não é menos digno nem sua opinião é menos relevante que a de um letrado. Não nos cabe decidir o que é bom para os outros, isso não é democracia, por melhores que possam ser as intenções, isso é ditadura, autoritarismo, despotismo, ainda que esclarecido. Em verdade, desde sempre nosso legislativo se mostra corrupto, pouco eficiente e condescendente com os desmandos do Executivo, foi assim no Império, na 1ª República, no Estado Novo... e continua assim nessa nossa Nova República, que de nova tem apenas um texto constitucional que já se fez emendar mais de 50 vezes (em se considerando as Emendas de Revisão). O Problema brasileiro é mesmo grave e nisso concordo com o caro colega Migalheiro, mas o desastre não se deve à má qualidade do eleitor analfabeto, mas à má índole da elite que comanda nosso país. Elite política, econômica e intelectual que desconhece escrúpulos, ignora a moralidade e manobra a população na busca da realização de interesses menores. Precisamos mesmo de reformas institucionais, mas acredito que a reforma dos valores morais de nossa elite deva ser prioritária, sob pena de não se viabilizarem nenhuma das outras."

Mateus Simões de Almeida - escritório Almeida, Ferreira & Rodrigues Advogados - 30/3/2005

"Seguindo a linha de raciocínio do Dr. Milton Córdova Júnior, de que cada povo tem o governo que merece (ou elege) é de se ponderar que esses parlamentares podem não ter sido (pelo menos todos) eleitos diretamente, já que a legislação eleitoral possibilita que os citados ACM, Jader Barbalho, Inocêncio (ou seria Culpádio) de Oliveira podem ser manter eleitos, por vários mandatos, pela sigla de seu Partido. Não seria o caso, então, de o POVO, isto é, NÓS nos dedicarmos mais e escolher um nome, ao invés de votar na legenda por comodidade?"

Suely de Souza Rodrigues Rosa - 30/3/2005

"Senhores editores, "no mínimo lúcida a colocação do leitor Fernando B. Pinheiro a respeito do sistema eleitoral no país do futebol e da cachaça. O efeito dominó: até hoje sofremos as conseqüências dos desmandos da ditadura militar a qual, apenas para relembrar, era apoiada pela arena, depois PDS e PFL, cujos parlamentares encontram-se atualmente 'lotados' no PP PMDB, PL, PTB, PT do B, etc, etc... apoiando o governo lula em troca dos mesmos cargos da época. Que país é esse, de pouca ou nenhuma memória?"

Rodrigo U. Kirst - 30/3/2005

"Analisando a passagem escrita pelo migalheiro Fernando B. Pinheiro resta claro o insinuamento, do qual discordo, de que o povo brasileiro não sabe votar, e muito menos escolher os seus representantes. Acho que o povo brasileiro sabe votar e muito bem, quem não sabe representá-lo são os governantes que prometem isso e aquilo e não cumprem nada. O melhor exemplo disso foi a eleição do Presidente Luiz Inácio, pois se levarmos em consideração o momento em que passava o país até 2002, com a alta da inflação, privatizações que por pouco não levaram a nossa Petrobras, e uma exorbitante taxa de juros, não tínhamos outro método de tentar pôr ordem na casa a não ser com o Lula na presidência, que em sua propaganda eleitoral, despertou o sentimento de esperança para o povo"."

Luis Henrique A. Ramos - 30/3/2005

"Ao ler a migalha de Fernando B. Pinheiro, senti-me na obrigação de discordar. De fato, o migalheiro está certamente desatualizado acerca da necessidade de educar o povo brasileiro, projeto que se tornou obsoleto em razão dos "avanços" da classe política brasileira. Quanto a mim, tenho outra opinião, já que ultimamente venho me sentindo um tanto quanto antiquado ? (eu também pensava como o migalheiro). Então, decidi tomar algumas providências para me tornar um homem "atual":

Vou abandonar o péssimo hábito da leitura e não vou mais me preparar para coisa alguma.

- O improviso é que está na moda. A ignorância, um privilégio.

-Vou bloquear toda a entrada de indesejado conhecimento, ocupando meu tempo livre para uma pelada com os amigos, degustando uma branquinha.

- Toda vez que pensar em cultura, me livrarei da aflição trazendo à mente a figura do nosso ministro da cultura, saltitando com pés e mãos no chão diante de visitantes estrangeiros.

- Vou me esforçar para dar ênfase às frases sem sentido e gafes em geral.

Vou trocar o "nós" por "nóis".

- Vou engordar, manter meus cabelos sem corte e desgrenhados, o nariz vermelho e os olhos embaçados, suando em bicas, encharcando minhas roupas sempre que estiver em público.

- Pretendo me aprimorar em metáforas medíocres e frases de efeito sofríveis, pontificando metáforas sem nenhum interesse, acerca de meus familiares sem nenhum interesse.

Ah! E pretendo me candidatar. Com certeza, há uma carreira política à minha espera."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Patentes e Marcas Ltda - 30/3/2005

"Sr. Editor. Sobre os comentários dos migalheiros a respeito de nossos políticos é preciso ter em mente que eles de fato são representantes de nossa sociedade. Não há como esconder que somos uma sociedade corrupta e permissiva, primitiva, quase do tempo do caçador coletor, onde tudo é de todos e quem tem mão grande pega mais enquanto quem tem mão pequena pega menos. Como nossos representantes nas Casas Legislativas e no Executivo não vieram de Marte nem de Júpiter e nem mesmo de outros países, tendo sido eleitos por nós, obviamente representam a média do pensamento ou do comportamento de nossa sociedade. Nem se diga que isto se deve ao voto do analfabeto, porque nossa elite não se envergonha de desrespeitar as leis em benefício próprio, quando não respeita as faixas de pedestres, quando dirige pelo acostamento das estradas, para chegar mais rapidamente à casa na praia nos feriadões, quando pede a um amigo para comprar o ingresso do cinema, furando a fila, quando vende seu produto com o imposto embutido no preço mas não emite a nota fiscal, ganhando ilegitimamente, etc., e etc. Os vereadores, deputados e senadores são escolhidos nesse meio. O que se poderia esperar?"

Zanon de Paula Barros - 30/3/2005

"Gostaria, humildemente, de discordar da migalha de Fernando B. Pinheiro. Enquanto aluna da vetusta Casa de Afonso Pena (UFMG), sempre aprendi com meus mestres que culpar o "povo" (esta palavra "gorda" e que abarca inúmeros sentidos e que possibilita graves manipulações) pelo estado alarmante em que se encontra o país, é no mínimo preconceituoso. Será que nós, advogados, somos tão cegos assim a ponto de nos acharmos superiores? Afinal de contas, por mais marginalizado que uma pessoa seja, possui seus desejos e capacidade para mudar o estado em que vive. Talvez nós, advogados, é que precisamos ter uma melhor educação, principiológica talvez... O Brasil só poderá ser democrático e poderá mudar de verdade quando passarmos a acreditar que somos todos iguais, seres pensantes e racionais."

Vanessa Sampaio Costa - 31/3/2005

"Se o povo é culpado por não saber escolher os seus representantes, o que dizer dos intelectuais escolhidos quando chegam ao poder? O povo é besta porque confia, não por não saber votar. E sempre o faz com o coração cheio de esperança. O que fez Jânio Quadros? O que fez José Sarney? O que fez Collor? O que fez Fernando Henrique? Pelo que me consta são homens letrados. O meu sentimento de analfabeto funcional me diz que a desgraça deste País (fome e miséria) se deve também aos intelectuais que chegam ao poder (no Legislativo e Executivo), pois se instalam feito uns posseiros, e ato contínuo, dão bananas para o povo, o que também fez Lula, um homem sem instrução, mas muito "sabido" para o meu gosto. O caráter dos políticos é que deveria ser permanentemente avaliado e não os letrados jogarem a culpa no povo por tudo de ruim que acontece na política. Humildemente peço perdão aos migalheiros (notável classe de letrados) por manifestar a minha pobre opinião, porque aqui eu somente aprendo e, mais importante, de graça."

Abílio Neto - 31/3/2005

Comente

Cadastre-se para receber o informativo gratuitamente

WhatsApp Telegram