terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Coloquialidade x Juridiquês

de 11/7/2010 a 17/7/2010

"Apesar de pouco usual, a linguagem utilizada pelo magistrado demonstra identificação com os problemas dos jurisdicionados (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui). Além disso, suas decisões possibilitam ao leigo entender os fundamentos jurídicos (!) de suas decisões, mesmo sem se valer de citações doutrinárias e jurisprudenciais, ininteligíveis e pedantes para os não versados na linguagem jurídica. Isso demonstra que por baixo da toga, há um ser humano normal."

Flávio Mota Morais Silveira - 14/7/2010

"Afora a discussão do gosto musical (efetivamente duvidoso) do magistrado em comento, vejo neste ato uma tentativa de aproximar o judiciário da sociedade, utilizando-se linguajar 'tecnicamente mais pobre' mas, socialmente, de fácil interpretação, sem perder o objetivo, que é o de dar uma solução à lide (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui)'Se liguem nessa ideia!'"

Bruno de Cristo Galvão - assistente jurídico - Hotelaria Accor Brasil S/A - 14/7/2010

"Nem tanto ao mar, nem tanto à terra (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui). Nem Kelly Key, nem gíria. A linguagem barroca e anacrônica utilizada no meio jurídico extrapõe o vernáculo. Expressar-se corretamente não diz respeito ao empolamento. E purismo só cabe quando o latim é usado para citar o direito romano, realçar uma figura de linguagem ou marcar a impressão psíquica de um conceito."

Clarice Bagrichevsky - consultora e coordenadora - Alpi Service - 14/7/2010

"Estou de pleno acordo com a colega Clarice (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui). Digo mais: os colegas e as entidades que se dedicam a combater o que chamam 'juridiquês' estão, sem o perceber, cavando a cova da nossa nobre profissão. De fato, quando a patuleia não precisar mais perguntar nada aos advogados porque entenderão tudo que o meio jurício escreve e publica, para que serviremos nós? Certos estão os médicos, os engenheiros, os cientistas, que conservam muito bem seu vocabulário característico. Esses colegas deveriam, com muito maior proveito, empregar suas forças para elevar o nível da própria classe e da sociedade em geral. Espero ter sido claro."

José Fernandes da Silva - OAB/SP 62.327 - 14/7/2010

"Não sou contra, acho até bacana, já tive oportunidade de ler bastante sentença inusitada neste sentido aqui em São Paulo (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui). Lembro, inclusive, da polêmica sentença do caso Richarlyson, no qual o juiz citou um pequeno trecho do hino do Internacional, do Rio Grande do Sul."

Ricardo Sandri - advogado - 14/7/2010

"'Cada macaco no seu galho.' (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui).  Ops! Desculpem-me, não devia começar assim. De todo modo, essa discussão sobre a forma de escrever nas sentenças me lembra a também discussão sobre a vestimenta adequada ao judiciário. Mas não devemos nos esquecer que assim como ninguém vai de terno e gravata à praia, ou de roupa de banho em eventos sociais de maior importância, a forma de escrever tem diferença na forma escrita ou falada, formal ou informal. A forma coloquial, todos sabem (ou nem todos!) é dada às circunstâncias informais, escritas ou faladas; na linguagem formal a exigência é a observação das regras gramaticais, evitando-se gírias ou outras figuras pouco recomendadas. Autorizar ou mesmo recomendar outra coisa que não a linguagem formal e correta nas sentenças judiciais é desvirtuar tudo o que até agora aprendemos. A interpretação do que é escrito numa sentença não é dado a qualquer pessoa. E se muitos com capacidade não conseguem entender a sentença, não é por culpa da sua forma escrita, mas sim por culpa de quem a escreveu. Por isso, não se deve mudar a forma como se deve escrever a sentença, mas sim ensinar melhor quem a deve escrever. A exigência de fluência na língua pátria existe praticamente para todos os concursos públicos e para as melhores funções privadas. Que assim seja mantida nos atos jurisdicionais."

Nilson Theodoro - escritório Nilson Theodoro Advogado & Associados - 15/7/2010

"Risível, para não dizer ridículo (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui). Não é preciso vulgarizar e banalizar a linguagem para simplificar a comunicação entre o Poder Judiciário e a sociedade."

Natália Kairuz - advogada do Grupo Lund - 15/7/2010

"Se o excessivo 'juridiquês' é criticado na redação de peças processuais, despachos e sentenças, creio que igual reserva merece o excessivo informalismo (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui). Melhor do que (supostamente) aproximar o judiciário da população através da utilização de gírias e letras musicais de gosto duvidoso, mais proveitoso seria aproximar o jurisdicionado do bom português, através da escorreita utilização do vernáculo."

Túlio Marco Gonçalves Barros - coordenador jurídico cível do Grupo Pão de Açúcar - 15/7/2010

"Fantástico (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui)! O ramo do direito, infelizmente, nada contra a corrente mundial. Em um mundo globalizado, aonde o acesso a informações depende de apenas um clique e remete-nos a um dinamismo e uma linguagem universal, o direito, na forma como é trabalho pelos operadores do direito, torna-se pouco atrativo e, de certa forma, é atrelado a características pouco amistosas, como: arcaico, pomposo, prolixo, procrastinatório, complexo etc. Parabéns ao magistrado Luiz Carlos da Costa, que não se torna menos qualificado ou conhecedor do vernáculo, ao empregar linguagem perfeitamente compreensível à maioria esmagadora de nossa população."

Paula Silveira Martins - 15/7/2010

"Não se trata de embate entre coloquialidade e juridiquês, mas sim, entre vulgaridade e linguagem vernacular (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui). Citação de Kelly Key? É necessário recorrer a canções de gosto duvidoso para se fazer entender pelos jurisdicionados? Qual nada. Coisa de quem quer chamar a atenção. A prevalecer o posicionamento do magistrado, teremos todos de citar o latino ao invés do latim. Tristes tempos. Que tal enviar ao juiz exemplares das migalhas de Machado de Assis e de Euclides da Cunha?"

Ricardo Alexandre da Silva - escritório Felippe, Gomes e Isfer - 16/7/2010

"Mais importante do que o linguajar é o Estado, de forma tempestiva e eficaz, encontrar a resolução da lide (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui). Pouco importam os poemas, músicas ou anedotas, porque o jurisdicionado deseja do Estado é a aplicação da Justiça. Quando se fala em aplicação de Justiça é necessário, acima de tudo, que ela se apresente em tempo hábil cessando a angústia do necessitado. É isso."

Eduardo Pereira da Silva - advogado em São Paulo/SP - 16/7/2010

"A forma não importância nenhuma, o que importa é dar o recado (Migalhas 2.428 - 14/7/10 - "Ao pé da letra" - clique aqui)."

Conrado de Paulo - 16/7/2010

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