quinta-feira, 22 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

João Paulo II

de 3/4/2005 a 9/4/2005

"Morreu o Papa João Paulo
De Cristo um representante
Um peregrino de Deus
Que amou o seu semelhante
É a grande voz pela PAZ
Que se cala nesse instante!"

Zé Preá - 4/4/2005

"João Paulo tropeiro
fez a última viajada,
a derradeira jornada
do pastor - guerreiro
da paz, e timoneiro.
Partiu rumo à luz,
nos deixa a cruz,
relicário sagrado,
símbolo legado
do Mestre Jesus!"

Mano Meira - 7/4/2005

"Se a África é o lugar do mundo onde mais cresce o catolicismo, quantos africanos será que já morreram na pandemia de AIDS por, em razão da orientação do Santo Padre, infalível quando se pronuncia ex cathedra, não usarem preservativos? Talvez o Coisa Ruim tenha se deliciado com os vetustos ensinamentos de João Paulo II."

Rogério Gaspari Coelho - 7/4/2005

"Queriam que o Santo Padre
Defendesse o descartável
Como se o amor coubesse
Num pequeno saco inflável
A verdade é que João Paulo
Foi um pastor responsável!

Se não ponho fé no pai
Que doa à filha a coisinha
Como querer que a Igreja
Seja tão modernazinha
Que dentro de cada templo
Distribuam camisinha?"

Zé Preá - 8/4/2005

"Estão vazias as sandálias do pescador. Cessaram de caminhar os pés que durante mais de um quarto de século as calçaram em longas jornadas pelo mundo. Os pés sobre os quais andou a Igreja neste período da História que nos cumpre testemunhar e construir subiram ao leito pela última vez. Por que me abisma a estranha sensação de fim de um tempo? Por que a impressão de que vamos dormir empobrecidos nesta noite? Por que não me sai dos olhos a imagem daquelas duas janelas iluminadas, sinalizando a agonia de Karol Wojtyla? O que fez desse polonês o maior homem de seu tempo, numa era tão marcada pela mudança, pela transitoriedade, pela volatilidade e pela superficialidade? Eu sei por que esse homem foi tão importante. Dois milênios atrás, o Mestre a quem ele serviu manteve com o pescador Pedro, filho de Jonas, um diálogo desafiador, perguntando-lhe por três vezes, se ele o amava mais do que os outros. E a cada resposta afirmativa, o Mestre determinava: "Apascenta minhas ovelhas". João Paulo II foi, então, esse modelo de amor a Cristo e modelo de pastor que.suportou, ao limite da resistência dos seus ombros cada vez mais arqueados, a missão de ser a pedra sobre a qual se sustentou a Igreja. Mas não bastaria isso para que a humanidade empobrecesse tanto nesta noite. Mesmo tão excelsas virtudes não seriam suficientes para que bilhões de pessoas experimentassem profunda sensação de perda. João Paulo II foi, também - eis a razão - alguém que amou a humanidade de modo tão sincero, paternal e efetivo, que todos nos sentimos ocupando um lugarzinho próprio nesse grande amor. Pescador de homens, pastor de ovelhas perdidas, peregrino de todos os povos, com todos quis estar e gostava de estar. Para tal convívio, superava a dor, a doença, a dificuldade da palavra, o tremor corporal, a fraqueza e o peso dos anos. Bendito seja Deus por tão dileto Papa. Muitas vezes nos últimos dias ele foi apontado como um conservador por aqueles que gostariam de vê-lo não como guia do rebanho na Verdade e no Bem, mas como ovelha da opinião pública e discípulo das tendências correntes. Vem daí minha sensação de fim de um tempo. Vem daí este receio de abismo e a necessidade de rezar para que o Espírito Santo ilumine o futuro Conclave e as sandálias do pescador retomem o andar da Igreja na sua santificadora missão através da História. Descansa em paz, João de Deus."

Percival Puggina - escritor - 8/4/2005

"Sem dúvida será muito importante a escolha do novo Papa. O Papa, apesar do que tenta fazer crer a mídia, tem papel fundamental na sociedade, seja ela católica ou não. Isso pode-se ver claramente nos últimos dias quando foram veiculadas com mais clareza as opiniões sobre João Paulo II, o chamado "homem das multidões", lutador pela paz etc. Muito surpreendeu, de qualquer forma, a imensa quantidade de pessoas (maioria jovens) que abriram mão de seu tempo, dinheiro, e energia, numa fila de horas para ver este ser humano, tão criticado, por alguns segundos. Sem contar as milhares de pessoas que acompanharam seus últimos dias pela televisão. Sem dúvida o que vimos foi que - dizer a verdade doa a quem doer, lutar pelos seus ideais (na verdade ideais de Cristo) nem que seja para abrir mão de sua imagem, ser aberto aos outros, ter humildade, ser extremamente sacrificado e amar - foi recompensado, seja pela paz interior com que falece quem fez o bem, seja pelo reconhecimento que vimos nos meios de comunicação. As cenas que vislumbramos na mídia não mostraram uma sociedade divorciada da igreja, nem o enterro de um senhor retrogrado, ou de uma pessoa  política, que muda de opinião para não ser criticado e que normalmente não faz os sacrifícios físicos que este Para fez até o fim da sua vida. Torçamos, para nosso próprio bem e das próximas gerações, para que o novo Papa, não importa de que país/cor/raça for, tenha esta consciência e coragem."

Carla Wagner - advogada - Rohde & Schwarz do Brasil - 8/4/2005

Comente

Cadastre-se para receber o informativo gratuitamente

WhatsApp Telegram