sábado, 24 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Espólio

de 17/4/2005 a 23/4/2005

"Caro Editor, os frutos dos arroubos juvenis em geral caem no irreversível esquecimento. Mas não é que os últimos episódios envolvendo o passamento do Papa resgataram-me estes versos, revoltos no baú!? Pois antes que para lá retornem, coloco-os à disposição dos leitores de Migalhas.

ESPÓLIO

Extenuado,

O asno do arado

Expira

Nem bem suspira

Derradeiro sussuro

Labuteiro burro

Rente

À carne crua inda morna

Entorna

Tanto ente

Vem de toda beira

Urubu abutre e varejeira

E até lamuriosa hiena

Diretamente de Viena

Juntas às mãos à missa

Pedem pela pobre alma

Da carniça

Mas como lhes coçam as palmas!

Lágrimas, garras, assédio

O couro cede

Roem-se os ossos

Deitam fora os destroços

Vencida a contenda

Vão-se embora contentes

sorridentes

Cada qual com invejável prenda

Fede e assunto:

Não, não vem o mau cheiro do defunto.

Fétida cobiça

Quão inveja da carniça..."

Flávio Rodrigues Godinho - Advogado em Goiânia/ Professor Universitário/ 1º Tesoureiro do IGT - 19/4/2005

"Pode o migalheiro 3 em 1 (advogado/professor/tesoureiro) Flávio Godinho explicar-nos o que tem a ver os escatológicos versinhos que enviou com o passamento do Papa? A única coisa com que atinei é que o assunto era assunto de asno. Se outra implicância quer dar-lhe o Godinho acho de profundo mau gosto e desrespeito."

Alexandre de Macedo Marques - 20/4/2005

Comente

Cadastre-se para receber o informativo gratuitamente

WhatsApp Telegram