terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Prevaricação

de 24/4/2005 a 30/4/2005

"Estou estranhando o silêncio sobre o caso do aborto por estupro que foi permitido judicialmente, negado pelos médicos do SUS por motivos "éticos" e de consciência, e, a pedido da procuradora de Bagé, negado em segunda instância. Se sair, vai ser tarde. O argumento foi de que o sexo foi consentido. Existe sexo consentido entre uma criança de 13 anos e um adulto de 38? O descumprimento de uma ordem judicial por um funcionário público, por motivo religioso, não seria prevaricação?"

Sérgio Ellery Girão Barroso – Obs. Sou engenheiro, invadindo este site, sob a proteção de meus filhos advogados - 27/4/2005

"Boa Tarde, é com grande satisfação que reporto-me novamente a este Migalhas, já que fazer parte desta família é uma honra. Quero aqui registrar uma pergunta, em resposta ao comentário do Dr. Sérgio Ellery Girão Barroso, que não compreendeu o entendimento do juiz que julgou o consentimento da menor no ato sexual. Dr. Sérgio, na atual conjuntura quem é que pode ser chamado(a) "criança de 13 anos". Essas mesmas "crianças" são as que estão matando, roubando, se drogando e outros "ando" do dia-a-dia. Não há nelas o menor simplismo, ou desconhecimento do que é ruim, não são mais singelas, mas tem a criação voltada para toda sorte de maldades, seja através da televisão ou da falta de cultura e estudo de seus pais. Não quero generalizar, pois não são todas, mas uma grande maioria. O direito tem por obrigação realizar a justiça e atender as evoluções sociais (boas ou más), dirimindo seus conflitos de forma a não punir atos consentidos, mesmo quando por pessoas consideradas "crianças", desde que se demonstre com clareza não existir dolo na conduta. Agradeço a oportunidade de manifestar-me, e deixo um abraço ao amado diretor de Migalhas."

Marcio Benedetti - 29/4/2005

"Na condição de médico com mais de 40 anos de atividade, acho que posso dar um palpite ao leitor que espera uma explicação sobre a negação dos médicos de praticar o aborto autorizado pela Justiça. Neste caso temos que levar em conta que o aborto é um ato de assassinato de um ser humano existente dentro de um útero. Mesmo com a Justiça "mandando" fazer, o médico tem o direito de recusar se ele é primeiramente um crente em Deus e por isso obediente a Seus mandamentos. Não matar é um deles. De modo que este é o primeiro de uma infinidade de casos que teremos pela frente. Não somos soldados. Não somos carrascos contratados pelo Serviço Público. Somos seres humanos que respeitamos e lutamos pela vida. Não somos assassinos. Muita coisa vai acontecer. Certamente encontrarão "médicos" capazes de fazer tal ato. Mas não será muito fácil não.  Eu confesso publicamente: MESMO QUE RECEBA UMA SENTENÇA JUDICIAL PARA MATAR ALGUÉM  AFIRMO QUE DESEOBEDECEREI SEMPRE. Acho que milhares de colegas pensam como eu."

Plínio Zabeu – médico, 71 anos, Americana/SP - 29/4/2005

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