sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

23 de maio

de 22/5/2005 a 28/5/2005

"Estimados migalheiros, a data de 23 de maio de 1932 jamais poderá ser apagada do calendário cívico da Cidade de São Paulo, servindo como exemplo de patriotismo às gerações futuras, o ideal de quatro jovens que perderam suas vidas em prol da Constituição de seu País. Foram eles, Euclides Bueno Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo Camargo de Andrade. Com as iniciais de seus nomes é composta a sigla MMDC (Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo). Depois da morte destes quatro paulistas, São Paulo se prepara para a luta armada por uma nova Constituição, promessa não cumprida por Getúlio Vargas quando assumiu o governo em 1930. Assim, em 9 de julho de 1932, São Paulo abandona os discursos para ir definitivamente às armas, estourando a revolução. Em reconhecimento aos heróis desta Revolução e em homenagem ao civismo e brio do povo paulista, tramita pela Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 147/05, de autoria do Vereador Aurélio Nomura, já aprovada em primeira votação, com o objetivo de devolver à cidade de São Paulo a legitima e histórica denominação do Túnel 9 de Julho, que a ex-prefeita Marta Suplicy, por ignorar a historia do povo que governava, rebatizou, após quase setenta anos de sua inauguração, por Túnel Dr. Daher Elias Cutait, ilustre medico merecedor também de outra grande homenagem, que certamente a edilidade lhe prestará em outro local nobre da cidade, pelo tanto que fez em prol da medicina em nosso País. Com isso, espera-se das autoridades representativas do Município a necessária atenção, e merecida justiça, para com o patrimônio histórico e a memória cívica da Cidade da Cidade de São Paulo."

Pedro Paulo Penna Trindade - membro da comissão "Túnel 9 de julho para sempre" - OAB/SP: 37.292 - 23/5/2005

"Apenas para termos algum contraditório, quero dizer que a história, felizmente ou infelizmente para outros, tem várias facetas. Assim é que o movimento paulista de 1932 pela "redemocratização" brasileira, encobre motivos bem menos nobres do que aqueles geralmente mostrados pelos historiadores ligados a uma história voluntarista e triunfalista de São Paulo. Os cafeicultores paulistas, desbancados pela Revolução de 1930, mostraram seu inconformismo em várias ocasiões, mas foi em 1932 que, finalmente, conseguiram mobilizar parte da mocidade estudantil para a aventura contra os estados que defendiam o governo central. A chamada revolução de 1930, ao derrubar a "política dos governadores" popularmente conhecida como "café com leite", desenvolvida pelo paulista Campos Salles, trouxe esperanças ao povo brasileiro, principalmente, à incipiente classe operária, fortemente arraigada aqui na cidade de São Paulo. Os barões do café, longe de se preocupar com a democracia ou com a constituição, estavam preocupados com o que sempre estiveram: seus interesses econômicos. Para isso, basta olharmos para a República Velha, recheada de violências contra o povo (um presidente dizia que a questão social "era questão de polícia"), desrespeito à constituição feita por eles mesmos e enriquecimento geométrico. Portanto, 23 de maio de 1932, representa a generosidade de alguns jovens, ideologicamente manipulados pelos aristocratas em luta contra Vargas (ainda tão somente um governo provisório)."

Armando Rodrigues Silva do Prado - 24/5/2005

"Meu caro migalheiro, Pedro Paulo Penna Trindade, saiba que o pleito da Comissão Túnel 9 de Julho para Sempre é a exigência de todos os paulistanos. A questão não é mais política e sim jurídica. Essa senhora Martha Suplicy deveria ser responsabilizada pelos prejuízos morais que causou a todo o povo paulista ao "esquecer-se" da importância do 9 de julho para os desta terra. A não reeleição da ex-prefeita não foi o bastante. Que se lhe inflija, pois, e a tempo, além da indispensável condenação pecuniária, o castigo efetivamente merecido: zurzi-la até zebrá-la na própria Av. 9 de Julho!"

Alexandre Thiollier - escritório Thiollier Advogados - 24/5/2005

"Senhor Diretor MMDC é MMDCA Sim, a sigla que rememora o 23 de maio de 1932 foi atualizada em 2003 pelo Governador Geraldo Alckmin, em boa hora, por lei estadual, para incluir a letra "A" representativa de Orlando Alvarenga, ferido na Praça da República junto com Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, porém, falecido 81 dias depois."

Antonio Claret Maciel Santos - 24/5/2005

"Em relação ao assunto "MMDC" e ao texto do nobre colega Pedro Paulo Penna Trindade - que tratou do Projeto de Lei nº 147/05, de autoria do Vereador Aurélio Nomura, que visa a devolver à cidade de São Paulo a denominação do "Túnel 9 de Julho", rebatizado de "Túnel Dr. Daher Elias Cutait", na gestão da Prefeita Marta Suplicy - ambos constantes do Migalhas 1.173 (23/5/05), tenho a acrescentar a seguinte informação. Desde o ano passado, foi instituído pelo Governador Geraldo Alckmin, por meio da Lei nº 11.658, de 13 de janeiro de 2004, o "Dia dos Heróis MMDCA", a ser comemorado todo dia 23 de maio. A referida lei teve origem no PL nº 435/2003, de autoria do Deputado José Caldini Crespo (PFL). Como se pode perceber, acrescentou-se a letra "A", ao final da já famosa sigla "MMDC". Com isso, reverenciou-se o nome do quinto herói falecido em decorrência dos acontecimentos do sangrento dia 23 de maio de 1932: Orlando de ALVARENGA. Além dos conhecidos Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, foram feridos naquela oportunidade Manuel Jacinto Lessa (sem maior gravidade, apenas com um tiro no antebraço) e Orlando de Alvarenga (este, ferido gravemente com um tiro de fuzil na coluna). Alvarenga veio a falecer quase três meses depois, no dia 12 de agosto. A inicial de seu sobrenome, até a edição da referida Lei 11.658, não constava da sigla "MMDC", por um fato de certa forma curioso: é que no dia 10 de agosto daquele ano (somente dois dias antes do seu óbito, portanto) o então Governador Pedro de Toledo assinara o decreto nº 5.627-A, que oficializava a sigla "MMDC" (referente aos únicos mortos até aquela data) como símbolo da Revolução Constitucionalista de 1932. Ainda que tardiamente, a homenagem a este quinto falecido é justa e deve ser lembrada."

Asdrubal Franco Nascimbeni – escritório Franco Nascimbeni e Azevedo Advogados Associados - 24/5/2005

"Embora justíssima, a punição que o ilustre e admiradíssimo migalheiro Dr. Alexandre Thiollier prescreve para a indomada ex-prefeita Marta (Suplicy) Favre apresenta dois riscos que anulariam o efeito do castigat mores. Primeiro, a radiosa e exuberante dama pode gostar do "modelito zebrado" e aparecer na próxima Parada Gay exibindo-o, podre de chic . Segundo, o ato de zurzi-la pode levá-la a exclamar, com aquele jeitinho doce e delicado que lhe é peculiar, e citando Horácio, "Hoc erat in votis". Portanto sugiro que se convoque um referendum migalheiro para saber que castigo seria capaz de trespassar a blindagem. Não vale probição de usar Botox, nem Medida Provisória."

Alexandre de Macedo Marques - 25/5/2005

"Em relação ao texto de autoria do Sr.  Armando Rodrigues Silva do Prado,no Migalhas 1.174 (24/5/05), fica demonstrada a ausência de conhecimento da história do Brasil e principalmente da verdadeira história do povo paulista, pois a Revolução Constitucionalista de 1932 foi o único movimento, na história do país, que agregou todas as classes sociais de sua época, bastando para tanto, observar a composição do comando do movimento, da participação dos empresários, dos trabalhadores no comércio, na indústria e na agricultura, das mulheres voluntárias, dos trabalhadores autônomos (advogados, engenheiros, médicos), dos professores, dos batalhões voluntários, dos estudantes, etc. E mais, diferentemente do que afirma o autor do texto mencionado, não foram alguns jovens generosos manipulados, pois a grande massa dos combatentes e dos que trabalharam na logística da revolução eram jovens e também estudantes, e jamais foram manipulados, visto que não havia nada de governo provisório de Vargas e sim o desenvolvimento da mais opressiva ditadura vivida pelo povo brasileiro. O verdadeiro povo paulista nunca foi manipulado, mas é possível, e mais recentemente na história de nosso Estado, que os que se dizem paulistas, mas não o são na raiz e na essência, sejam objeto de massa de manobra. Envolvendo também os verdadeiros paulistanos, lembro os dizeres do lema de autoria de Emílio de Menezes contido no brasão da bandeira de nossa cidade: "Non Ducor, Duco"."

Luiz Antonio Caldeira Miretti – escritório Approbato Machado Advogados - 25/5/2005

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