quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Providências

de 5/6/2005 a 11/6/2005

"Li o editorial de Migalhas 1.180 (3/6/05), ao que me lembre o primeiro editorial, talvez julgado necessário à vista do que as notícias nos trazem sobre o "nosso" governo federal. Logo no primeiro parágrafo, o editorial conclui que "está na hora de se tomar alguma providência...! E eu pergunto: e qual providência? E quem a tomará? Estou cansado desse tipo de providência, por exemplo, na qual milhares de pessoas aparecem vestidas de branco no parque do Ibirapuera, recebem fitas brancas para colocar nas antenas ou placas dos carros, soltam balões e/ou pombas brancas, e vão todos para casa imaginando que fizeram algo no sentido de influir nas decisões daqueles que governam nossas vidas. Esse tipo de movimento, aliás, parece-me mais um equívoco do que qualquer outra coisa, já que os que lá comparecem acreditam que cumprindo o ritual, colocando fitas brancas nos carros etc, a violência terminará, ou será abrandada. E por que isso aconteceria? Na verdade, em uma dessas manifestações no Ibirapuera, um grupo de manifestantes, que tinham soltado os balões, que assistiram à libertação das pombas, que cantaram juntinhos o hino nacional e que estavam vestidos de branco, foram assaltados, logo na saída do Ibirapuera, à mão armada...  Em outras palavras, pior do que nada acontecer, ou de não fazer nada, é imaginar que, cumprindo algum ritual qualquer a violência será exorcizada, os malfeitores se intimidarão e o crime cessará. Saem todos desse tipo de manifestação imaginando que fizeram algo em prol de alguma coisa quando, na verdade, apenas tomaram o ópio da circunstância, e nada mais aconteceu. Em minha modesta opinião, os comentários que aparecem no Migalhas, inclusive os meus, que servem ao meu ego apenas, deveriam se transformar em bandeiras, agitadas por esse jornal eletrônico, ajudando a nos tirar do imobilismo com que contam os políticos, os únicos beneficiários das riquezas do nosso país. Quando o IPEA dá a público seu último estudo, no qual aponta a existência de 54 milhões de pobres no país (31% da população), esclarecendo que pobres, para o estudo, são aqueles cuja renda familiar não é maior do que R$ 150,00 (que é a metade do salário mínimo legal), acho que algo mais deva ser feito, antes que um poder maior se alevante... Há que ser dada uma resposta aos Jeffersons, Correios, Roraimas, etc. É necessário não aceitar mais notícias, como as de hoje dos principais jornais de São Paulo, que informam, candidamente, que o Ministro Palocci aderiu à campanha do governo pelo "abafa" da CPI, liberando não sei quantos milhões para as emendas de cada deputado que se alinhasse ao desejo de não investigação da corrupção da qual o governo é parceiro. É necessário esclarecer o porquê da existência dos deputados e senadores, e quais as suas funções específicas e necessárias à existência e manutenção da Democracia, a fim de afastar da mente do povo, em especial daqueles 54 milhões de indefesos, que a profissão do político é o roubo, a corrupção, o poder sem sentido e a impunidade sem razão. Como fazer valer uma Democracia da qual todos descrêem, menos os políticos que são os beneficiários do butim? Como criar um povo que possa decidir, não obstante se recuse a essas pessoas a educação e o ensino necessário a reconhecerem um ladrão, ou um corrupto qualquer? Que instituições são essas, tão decantadas, que privilegiam uma classe de desclassificados, vagabundos de todo o gênero, ignorantes por opção, mas matreiros suficientemente para se acomodarem exatamente no poder ao qual incumbiria mudar as coisas. Para onde foi o texto antigo de nossa constituição que dizia que o poder emana do povo e em seu nome será exercido? Acho que Migalhas é um instrumento. Acho que Migalhas deveria liderar a campanha levando a opinião pública, ao menos dessa casta que a lê, a reclamar, fiscalizar e não deixar nenhum assunto para trás, para que o tempo resolva. Onde anda o caso do Jader Barbalho, minha gente? E o do Fórum do Nicolau? Cadê o Nicolau? Cadê o dinheiro que o Nicolau roubou? E seus asseclas que foram absolvidos? E o Sérgio Naia? Está lá em Miami rindo dos mortos de seus edifícios? E Garotinho et caterva? Migalhas formou seu terreno. Criou seus leitores, todos de nível universitário, todos formadores de opinião, em algum nível. Porque Migalhas não lidera a opinião de seus leitores para os problemas nacionais, aqueles que são crônicos e que deixamos de lado pela nota publicada acerca de nossos próprios negócios. Migalhas não deve, como os demais, simplesmente aceitar, simplesmente deixar as coisas correrem livremente, permitindo que pensemos que em algo influímos, sem de fato influir, o que é pior do que não influir conhecendo nossas limitações. Migalhas tem tudo para ser, de fato, influente. Não deixemos passar a oportunidade. Mais uma..."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 7/6/2005

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