domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Crise no governo

de 12/6/2005 a 18/6/2005

"O governo fala muito de moralidade e honestidade, mas continua mantendo dois ministros que respondem processos judiciais e estão sob investigação do Supremo Tribunal Federal: um por evasão de divisas (Francisco Meirelles, presidente do Banco Central), e outro por desvio de verbas públicas (Romero Jucá, ministro da Previdência). Depois de ser muito pressionado pela imprensa, Lula pensa em substituí-los. Por que será que neste país só com muita pressão que a corrupção e a imoralidade pública vêm à tona. Seremos todos corruptíveis por natureza?"

Iracema Palombello - 13/6/2005

"Meus caros migalheiros. Quando a vida nos dá um limão, façamos uma limonada, como diz o festejado Paulo Coelho (há pilhas e pilhas de seus livros nas livrarias de Oslo). Pois penso que o PT, aproveitando o tsunami do mensalão, poderá fazer uma revisão de seu logotipo. Como existe uma International Amnesty, poderá haver uma National Amnestesy. Aí fica a sugestão para um novo logotipo. Um abraço do"


Adauto Suannes



"Mein lieber Adauto, sinceramente não consigo distinguir o que é mais patético: a ABL, o mundo, o PT ou Paulo Coelho (! e ?) Se ser escritor é sentar na beira de um rio qualquer e sair compilando outros místicos, e desta forma incutir as suas (melhor seria dos outros) baboseiras na cabecinha sapiente de Madonna, meus sinceros parabéns pela 'festança' em Oslo, na China, no Alaska, em Ipanema e em Brasília."


Tathiana Lessa

- 13/6/2005

'Maioria débil é sempre vizinha da corrupção; primeiro, não tomando resolutamente a iniciativa de realizar as suas opiniões e compromissos; depois, agradando aos seus, para que não a abandonem, e atraindo os outros, para que a venham engrossar. Ficam, também, sem objeto, em presença de uma numerosa maioria, essas imorais coligações, que a intriga parlamentar engendra para derrubar situações, só com o fim de satisfazer à fátua vaidade de seis ou sete cobiçosos de pastas ministeriais. Essas maiorias artificiais, provenientes de coligações, são a lepra dos governos representativos; nos parlamentares, geram gabinetes efêmeros; nos presidenciais, situações irritantes, de que não raro, como remate do conflito entre o Legislativo e o Executivo, surgem os golpes de Estado. O seu fruto é sempre a instabilidade do poder público e a perturbação do progresso'.

"Assis Brasil, há mais de 80 anos. Mas parece que foi dito nessa semana."

Milton Córdova Júnior - migalheiro - 13/6/2005

"Hodiernamente é a "Lei de Jefferson"; antes era de Gerson; antes ainda, era um pouco diferente, mas sempre foi ladrão. Ladrões. (dir. romano) Os romanos dividiam os ladrões em duas classes: os directarios e os sacollarios. Os primeiros eram os que se introduziam ou se escondiam nas casas para furtar, e compreendiam dois tipos: os apertularios, que abriam as portas com chaves falsas e gazuas, e os cancellarios, que se escondiam nas igrejas, só saindo de noite. Os segundos eram os que se serviam de sacos para furtar, trocando com a vítima um saco vazio por um saco de dinheiro, o que o povo daquele tempo atribuía a artes mágicas, e compreendiam também dois tipos: os crumenisecas, que cortavam os cordões das bolsas para furtar, e os manticularios, que se aproveitavam do ruído das igrejas e teatros para fazer o crime. Havia ainda os zorarios, que cortavam os cintos nos quais se levava dinheiro. Como se vê, a arte de furtar é bem antiga... B. - Basílio Alberto de Souza Pinto, Lições de direito criminal. Tipografia União, Pernambuco. 1847."

Carlos Alberto Campanati - Advogado em Registro/SP - 13/6/2005

"No guichê do mensalão

(ou, o michê do comilão)

Dúvida cruel me tortura e enlouquece

Como seria pago, mês a mês, o medonho mensalão?

Seria com verdinhas, do tipo "pega/esquece"?

Talvez, um DOC  de rotina, velho estilo de pensão...

Que tal terras, lotes, alqueires no cerrado?

Imaginou vir da mina, reluzente, uma pepita?

Existem mil maneiras, sem cálculo errado,

E, a cada trinta, claro -  a caixinha se repita.

Depois de muito pensar, eis a conclusão:

Coisa simples, banal, nem precisa preocupar

Rabo fica preso, todos lucram, ninguém detona

Doidivanas,  antegozando, o vil milhão:

"Na conta da mamãe...juro: ela  está a par.

Qualquer banco...um daqueles, instalados lá, na "Zona"..."

Pio Pardo - 13/6/2005

"Sugiro ao Migalhas iniciar campanha para que os deputados "mensalistas" paguem Imposto de Renda ("mensalão" ou carnê-leão). Deve ser lembrado que sonegação de rendimentos é crime."

Cláudio B. Costa - OAB/SP 11.087 - 13/6/2005

"Dos peçuelos às guaiacas

à moda dos antigos,

na mamata entre amigos

ninguém se mete de paleta,

nenhum boi corneta

há de alertar os patrícios,

sem alarde ou comícios,

a partilha seria feita.

Pra pagar o mensalão,

penso seria via correios,

simples e sem rodeios,

malote chegando de avião,

rápido ao alcance da mão,

a comissão já descontada

do butim da rataiada

pras burras do partidão."

Mano Meira - 14/6/2005

"Na atual crise do governo, vejo um problema insolúvel e uma solução plausível. O problema insolúvel é que nossa Constituição é híbrida: meio presidencialista, meio parlamentarista. Ou: nem totalmente presidencialista e nem totalmente parlamentarista. Esse debate nunca foi suficientemente feito e esclarecido a todos os brasileiros, ficando circunscrito aos doutos. Este é um problema insolúvel, a menos que ocorra uma constituinte onde fique definido a forma de governo totalmente presidencialista ou totalmente parlamentarista. Quanto à solução plausível, tem sido feita por alguns comentaristas mais esclarecidos: para fazer maioria, porque o PT não se alia ao PSDB? Dirão: logicamente é correto, mas politicamente é impossível. Ano que vem temos eleições e os partidos disputarão os cargos majoritários. Bem, diante disso, só nos resta torcer para que a democracia saia ganhando."

Antônio Margarido - 14/6/2005

"O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, informou que "O que eu faço lá qualquer um faz". É exatamente por isso, que o governo do Sr. Luiz Inácio da Silva, está onde está. Colocam qualquer um, para fazer o trabalho que requer ética e competência!"

Eduardo Augusto de Campos Pires - 14/6/2005

"Faz-se necessário ainda mais, uma clara definição, de que toda garantia prestada pelo governo eximirá o próprio governo em arcar com eventuais prejuízos no âmbito das parcerias recém formuladas pelo Estado. Uma manchete no newsletter da revista inglesa the economist, mostra toda a balbúrdia causada pelo efeito "mensalão" e, assim outras, ou seja, mais uma clarividência de que o nosso legislativo é tão unido ao executivo quanto o gato e seu rabo, e ainda, que a disposição que vincula este irmão siamês fundamenta-se em um pagamento nos moldes dos tempos de colegial, uma inocente mesada, que grande referência as nossas instituições, oh god! Daí devemos pressupor que ao investidor estrangeiro, ecoasse um som um tanto quanto assombroso, uma espécie de arroto político que, nem precisando-se sentir o seu odor, apenas escutando a sua melodia, faz-se mostrar a incredibilidade do país em ter como pólo societário de uma joint - venture empresas dependentes de sua pecúnia, ou ainda, de sua boa-fé! Saímos correndo em defesa do país e gritamos em alto e bom som: "fundo garantidor desvinculado de qualquer tipo de títulos públicos e merecedor de caráter jurídico próprio, longe de ter-se alguma espera por ressarcimentos". Aí sim, podemos avisar aos quatro cantos do mundo, que aqui existe uma tal de "PPP"! Mas, e se o inglês quiser realmente ver? Ele terá que sacar a sua lupa no estilo Sherlock Holmes para encontrar o montante que o aguarda neste fundo, ou seja, míseros quatro bilhões de reais!... Nem vou fazer a conversão para o pound do legal alien! E assim, terminamos esta história, com a conclusão do sábio chinês; "a bóia jogada no lago, faz suas ondas atingirem todas as margens... inclusive aquelas que salvariam o afogado"."

Francisco Bernardes Jr. - 14/6/2005

"Acabo de ver o final do depoimento do Deputado Roberto Jefferson no Conselho de Ética da Câmara e dois pontos me causaram espanto: (i) Os deputados não estavam preocupados em buscar a verdade dos fatos, mas de aparecer em rede nacional; (ii) Todos estão preocupados com o fato do Deputado Jefferson ter oferecido dinheiro. Ninguém questiona ou pergunta quem recebeu. Fiquei triste em ver que, mais uma vez, os políticos se preocuparam com suas vaidades e interesses, e não com a sociedade."

Philippe Diuana - Light - Distribuição de Energia - 15/6/2005

"Com muita perspicácia, Jefferson usou seu depoimento na Comissão de Ética da Câmara como plataforma política para a Presidência da República. Quem assistiu à inquirição ficou impressionado. Ele mostrou-se extremamente confiante e seguro. Nem sequer gaguejou uma única vez. Foi altamente convincente. ACM comentou que se Jefferson não for só um excelente ator, então tudo que foi dito é verdade. Demonstrou grande poder de persuasão e elevada capacidade política. Ele mostrou ser o candidato que esperávamos, e de que o Brasil precisa. Se a eleição fosse hoje, ele teria meu voto."

Conrado de Paulo - 15/6/2005

"Apesar de estarmos perplexos com tantas "bombas" de corrupção estourando, estou muito esperançoso... pois nesse momento o país vive uma Grande Oportunidade de Mudança... mudança esta que está nas mãos do povo... na cobrança feita pela grande massa... mas que tem como seu maior contribuidor a IMPRENSA... precisamos de uma imprensa séria... sem venda de matérias... esse momento é histórico... petistas ou tucanos... estão sendo presos... agora não, mas daqui a alguns anos isso vai surtir efeito, já temos Vicente Viscome, Lalau, a Lei de Responsabilidade Fiscal... estamos evoluindo sim! A esperança Continua!"

"Só me restou uma dúvida nessa história de CPI dos Correios/Mensalão... o pagamento dos mensalões era via sedex M..." QUE CHEGA UMA HORA ANTES DE TODA VOTAÇÃO"!?"

Rodrigo Lopes - 15/6/2005

"Bem a propósito do embate Roberto Jefferson x Governo Federal, exatamente no momento em que uns acusam e outros recuam, em que alguns afirmam e outros rebatem, em que o país se vê imerso, como diria Lacerda, no seu já conhecido "mar de lama", localizei um trecho de Rui Barbosa (Obras Completas V. 4b, t.1, 1919, p. 31) de conferência proferida na Associação Comercial do Rio de Janeiro, que me parece bastante oportuno e atual:

"Mentira toda ela. Mentira de tudo, em tudo e por tudo. Mentira na terra, no ar, até no céu, onde, segundo o Padre Vieira, que não chegou a conhecer o Dr. Urbano dos Santos, o próprio sol mentia ao Maranhão, e diríeis que hoje mente ao Brasil inteiro. Mentira nos protestos. Mentira nas promessas. Mentira nos programas. Mentira nos projetos. Mentira nos progressos. Mentira nas reformas. Mentira nas convicções. Mentira nas transmutações. Mentira nas soluções. Mentira nos homens, nos atos e nas coisas. Mentira no rosto, na voz, na postura, no gesto, na palavra, na escrita. Mentira nos partidos, nas coligações e nos blocos. Mentira dos caudilhos aos seus apaniguados, mentira dos seus apaniguados aos caudilhos, mentira de caudilhos e apaniguados à nação. Mentira nas instituições. Mentira nas eleições. Mentira nas apurações. Mentira nas mensagens. Mentira nos relatórios. Mentira nos inquéritos. Mentira nos concursos. Mentira nas embaixadas. Mentira nas candidaturas. Mentira nas responsabilidades. Mentira nos desmentidos. A mentira geral. O monopólio da mentira. Uma impregnação tal das consciências pela mentira, que se acaba por se não discernir a mentira da verdade, que os contaminados acabam por mentir a si mesmos, e os indenes, ao cabo, muitas vezes não sabem se estão, ou não estão mentindo. Um ambiente, em suma, de mentiraria, que, depois de ter iludido ou desesperado os contemporâneos, corre o risco de lograr ou desesperar os vindoiros, a posteridade, a história, no exame de uma época, em que, à força de se intrujarem uns aos outros, os políticos, afinal, se encontram burlados pelas suas próprias burlas, e colhidos nas malhas da sua própria intrujice, como é precisamente agora o caso."


"Os medíocres, as nulidades altanadas, que de ordinário ocupam, entre nós, os altos postos do governo, são incapazes de sentir a vileza desses mercados, de onde se proscreve calculadamente a inteligência, o saber, a probidade, a benefício da relaxação, da ignorância, da estupidez. Falta alma a esses filhos da fortuna, para experimentarem a santa indignação da justiça ferida, quando uma criatura nula da politicagem usurpa os cargos públicos aos homens de bem e aos homens de talento. Dir-se-ia até que, nesses triunfos da força selvagem contra o mérito, esses heróis da incapacidade têm os seus grandes dias de vanglória na ostentação desses prodígios da sua autoridade brutal." (Obras Completas de Rui Barbosa - V. 16, t. 6, 1889, p. 106)"

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 15/6/2005

"As denúncias do deputado Roberto Jefferson, por sinal bombásticas, não foram corroboradas por provas. Mas a ilustre deputada Denise Frossard (Desembargadora) comentando as denúncias de seu colega disse: - ele denunciou sem provas, mas não é investigador -. Para bom entendedor, a conclusão dela basta. Óbvio que as provas deveriam surgir de investigação. A investigação deveria ser realizada pela Polícia Federal, pela Corregedoria da União e pelo Ministério Público Federal. Entretanto, em razão dos vínculos que essas instituições tem com o Governo Federal, os resultados seriam eivados de parcialidade. Então, se o governo quer realmente investigar, sem a participação dessas instituições e do Congresso Nacional, via CPIs, que redundariam em saborosíssimas pizzas, deveria reeditar, desde logo, a República do Galeão. Sim, só os serviços de inteligência das Forças Armadas estariam infensos ao poder do sr. José Dirceu, que nas palavras de Roberto Jefferson, é um Rasputtin. Bem de ver que as Forças Armadas são as guardiãs de nossa Carta Magna. E como tal, neste caso em que algumas Instituições estão enlameadas por denúncias de corrupção e que colocam em xeque o Governo instalado legalmente, elas podem e devem agir. Ora, este País quer a verdade, doa a quem doer, e os acusados farão de tudo para impedir que ela venha a tona. A bem da verdade, não só os acusados, mas os congressistas, não querem a verdade, pois, ao final, o espírito de corpo fala mais alto. E o povo, bem, ora povo... O mar de lama que afogou a pífia República de Getúlio Vargas, e a sem vergonhice, estão de volta e ameaçam consumir a todos os brasileiros, exceto os que estão no Poder ou os que dele recebem benesses."

Antônio Orlando de Almeida Prado - 16/6/2005

"Adiro à irresignação manifestada em Migalhas 1.188, e, por pertinente, cito a vetusta exortação do mestre Rui Barbosa constante da imorredoura obra Oração aos Moços (1920): "Eia, senhores! Mocidade Viril! Inteligência brasileira! Nobre nação explorada! Brasil de ontem e amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta." Basta de corrupção! Não se pode enganar todo o povo todo o tempo."

José Luiz Ferreira - analista judiciário do TRF 1ª Região em Passos/MG - 16/6/2005

"Estaria o PT em "delúbio dorsal"?"

Sidney Saraiva Apocalypse - escritório Steel Hector & Davis Internationaol - 16/6/2005

"Parabéns ao Migalhas, pelo irrepreensível editorial "Choldra Pátria", divulgado em 15/6, sobre as mazelas políticas em curso, com o qual concordo em gênero, número e grau. Só queria acrescentar, a propósito das declarações prestadas pelo Deputado José Genoino, sobre o episódio, em que confirmou ter mantido inúmeras reuniões com o colega Jefferson, para discutir o apoio do PT ao PTB, nas quais, todavia, asseverou que nunca trataram de dinheiro, mas tão só de apoio material (faixas, baners e material de campanha) nos Municípios em que ambos partidos mantiveram coligações. Alguém acreditou?"

Carlos Andraus - advogado em SP - 16/6/2005

"Sobre o editorial "Choldra Pátria", de Migalhas 1.188 (15/6/05), a crise institucional e, mais especificamente, a crise de confiabilidade nos políticos no Brasil não é de hoje. Na verdade, hoje esse é um problema estrutural, não mais uma crise. E, embora não tenha votado no PT, não me parece ser coisa exclusiva desse partido. De qualquer modo, com respeito ao nobre editor, os representantes que aí estão são efetivamente nossos representantes. Muitos, nós reelegemos depois de terem seus nomes envolvidos em práticas (ao menos) suspeitas no passado. Cabe a nós não ter memória curta e eleger melhores representantes (mais bem preparados e honestos) nas próximas eleições."

Erick Corvo - 16/6/2005

"No strip-tease de bordel de quinta em que se transformou o desnudamento do virginal PT, a Veja desta semana, sob o sugestivo título "O mensalão da perua", diz que D. Marta também tinha o seu crediário para os clientes-vereadores-Cosa Nostra, dóceis à sua feroz vontade e férreos caprichos. Rápida no gatilho, D. Marta Calamity, no sábado mesmo, soltou nota ameaçando a revista com ferro, fogo e enxofre. Mas,o mais fino humor negro estava no fecho da nota, um autêntico verso de ouro, em que acusa a Veja de tentar destruir "o caráter ético, transparente e republicano que norteia os princípios políticos e a trajetória do nosso partido." Que partido, cara pálida botoxizada? O PT? Faz-me rir."

Alexandre de Macedo Marques - 16/6/2005

"O Padre Antonio Vieira (Sermões, tomo III), da Companhia de Jesus (Lisboa, 1608-1697), conta que El-Rei D. João III encomendou a São Francisco Xavier que o informasse do estado da India. Diz Vieira que o que o Santo "escreveu de lá, sem nomear offícios nem pessoas, foi que o verbo rapio na India se conjugava por todos os modos":

"Conjugam por todos os modos o verbo rapio, porque furtam por todos os modos da arte. Tanto que lá chegam, começam a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informação que pedem aos práticos, é que lhes apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo. Furtam pelo modo imperativo, porque, como têm o mero e mixto imperio, todo elle applicam despóticamente ás execuções na rapina. Furtam pelo modo mandativo, porque acceitam quando lhe mandam: e, para que mandem, todos os que não mandam não são acceitos. Furtam pelo modo optativo, porque desejam quanto lhes parece bem; e, gabando as cousas desejadas aos donos dellas, por cortezia sem vontade as fazem suas. Furtam pelo modo conjunctivo, porque ajuntam o seu pouco cabedal com o d’aquelles que manejam; e basta só que ajuntem a sua graça, para serem quanto menos meieiros na ganancia.

Furtam pelo modo potencial, porque sem pretexto nem cerimonia usam da potência.

Furtam pelo modo permissivo, porque permittem que outros furtem, e estes compram as permissões. Furtam pelo modo infinitivo, porque não tem fim o furtarcom o fim do governo, e sempre já deixaram raízes, em que se vão continuando os furtos. Estes mesmos modos conjugam por todas as pessoas, porque a primeira pessoa do verbo é a sua; as segundas, os seus criados; e as terceiras, quantas para isso têm industria e consciencia.

Furtam juntamente por todos os tempos; porque do presente, que é o seu tempo, colhem quanto dá de si o triennio; e, para incluirem no presente o preterito e o futuro, do preterito desenterram crimes de que vendem os perdões, e dividas esquecidas, de que se pagam inteiramente; e do futuro empenham as rendas e antecipam os contractos, com que tudo o cahido e não cahido lhes vem a cahir nas mãos.

Finalmente, nos tempos não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plus-quam perfeitos, e quaesquer outros; porque, furtam, furtaram furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse. Em summa, que o resumo de toda esta rapante conjugação vem a ser o supino do mesmo verbo: - a furtar, para furtar. E quando elles têm conjugado assim toda a voz activa, e as miseraveis provincias supportado toda a passiva, elles, como se tivessem feito grandes serviços, tornam carregados de despojos e ricos; e ellas ficam roubadas e consumidas."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 16/6/2005

"Senhores, depois do assassinato de Celso Daniel (o único homem capaz de explicar a mágica da subsistência do sr. Lula da Silva entre 1987/2002), depois dos buracos da Marta, depois da emergência do Delúbio 'Bafo-de-onça', depois das viagens de misteriosos objetivos do min. José Dirceu, depois das genuinas mentiras do sr Genoino, relembramos a famosa frase de Lord Acton: "O poder corrompe e o poder absoluto corrompe muito profundamente". Poucos, entretanto, recordam que Lord Acton prosseguiu;" ...e, freqüentemente,  quando o poder é concentrado em poucas mãos, seu controle passa a homens com a mentalidade de gangsters". Se é assim, gostaria de indagar quem, em sua opinião, seria o "Godfather" da gang no Poder? Atenciosamente,"

Geraldo de F. Forbes - OAB - 19.381 - 16/6/2005

"Senhor editor, Apesar de concordar com o indignado editorial, discordo da conclusão. Agora sim é a hora da reforma política. Só que ela  deve, pelas razões apontadas no editorial, vir de fora para dentro do Congresso. Uma grande manifestação e pressão dos mais variados setores da sociedade revoltados com o que estamos assistindo que. Em grande parte, é fruto de nosso absurdo sistema eleitoral e partidário, poderá sensibilizar o Congresso para promover uma autêntica reforma política."

André Franco Montoro Filho - 16/6/2005

"Quousque tandem? Até quando esses políticos abusarão da nossa paciência? Como dizia Cícero, referindo-se a Catilina, "quanto zombarás de nós ainda com esse teu atrevimento? Onde vai dar tua desenfreada insolência?" Oh! tempos! Esses que vivemos, tendo que assistir, em horário nobre, os achincalhamentos trocados por nossos homens públicos! Oh! Costumes! Esses que mantemos, de votar, sempre, nos piores!"

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 16/6/2005

"Mensalão?

no Congresso,

merendão nas Alagoas,

folha inchada na Rondônia,

tudo é propina das boas.

E repensando a  Nação,

se gritar 'pega-ladrão',

esvazia o Congresso,

ficam no escuro os plenários,

entre correrias e choros,

ecoam os sons libertários

prendam esses falsários!...

...esses famintos de erário.

As crianças sem merenda,

não só as das Alagoas,

do Oiapoque ao Chuí,

esperam que no recreio,

rente ao toque da sineta,

sirvam pastéis, rapadura,

batata doce e lingüiça,

muito leite e chocolate,

algo que a fome lhes mate. 

Não dá pra ficar calado,

até o índio mais duro,

nessa hora se apequena,

perde a rima e se envenena,

é o último recurso,

vamos apelar ao Altíssimo,

suplicando suas bênçãos,

em legítima defesa,

chega de CPI,

chega de CPMF,

chega de CIDE,

chega de IRRF,

chega de IPVA,

chega de ITBI,

chega de IPI,

chega de IPTU,

chega de ICMS,

chega de ISSQN,

chega, chega, chega!,...

chega de, ... tanto sacrifício do povo,

pra engordar as burras da Nação,

se todo esses rios de dinheiro,

sofrem desvios de rota,

e aos tropeços desaguam,

no mar da corrupção. 

Então, tem dó das criancinhas,

tem dó dos irmãozinhos,

tem dó dos descamisados,

tem dó, tem dó, tem dó,... 

do nosso pobre povinho."

Cleanto Farina Weidlich - Troveiro dos Conclaves - Carazinho/RS - 16/6/2005

"Traição

Judas traiu Jesus Cristo,

trinta moedas sonantes.

Do povo representantes,

trinta mil em dinheiro,

pobre povo brasileiro,

foi à luz do céu de anil,

povo nobre, gentil,

da Pátria amada,

idolatrada, encantada,

Brasil."

Mano Meira - 16/6/2005

"Amigos, durante a campanha para Presidente, em 2003, os privilegiados na economia do nosso país estavam apavorados diante da possibilidade de o Lula vencer a eleição, tanto que o dólar foi a R$ 4,00 e o risco país a 20.000 pontos, por causa das promessas de palanque, nas quais o povão acreditava. Naquela época eu sempre dizia: há somente uma maneira de o país se livrar do Lula, é deixando ele ganhar esta, que será a primeira e única, caso contrário persistirá a dúvida: será que não seria melhor se o Lula tivesse sido eleito! O tempo passou,  o dólar está a R$ 2.46, o risco país em 440 pontos, os balanços dos bancos fazendo até Ali Babá corar de vergonha, nossa dívida interna crescendo mês a mês, já é "impagável", não há verbas para nada que seja de interesse público, somente para pagar  METADE dos juros devidos aos banqueiros, a imprensa se empanturrando de notícias sobre corrupção no Governo Federal... etc. etc. etc... E os contribuintes, oh! Abraços,"

Aderbal Bacchi Bergo - migalheiro - Juiz de Direito Aposentado - 16/6/2005

"A deputada Jandira Feghali, com muita propriedade falou à tribuna da Câmara dos Deputados no dia 15 de junho, falando da sua preocupação do momento atual, bem como do oportunismo de certos grupos políticos e econômicos que, pegando carona na crise instalada, talvez até mesmo convenientemente, apostando no momento para fazer valer seus interesses de antanho, entre eles a sede privatista, incluindo-se nesse rol a Petrobrás. O país parece viver de crises, de tempos em tempos, lá vem uma, no entanto a mais presente e permanente de todas elas, silenciosa, que se movimenta diuturnamente pelos gabinetes de poder, público e privado, é a crise ética, a crise moral de quem detém parcela de poder. Não se questionam, neste momento, a forma e a estrutura do Estado brasileiro, não se fala em reformulá-lo, incluindo mecanismos de controle popular, nem tampouco se atenta para o passado recente e mais longíquo de certas figuras políticas que hoje ocupam tribunas e microfones pugnando por uma moral, assemelhando-se, no discurso, a entes probos e de passado ilibado, alguns dos quais se furtaram de cassação, por via de renúncia anterior a processo instalado. O cenário do legislativo federal, em muitas ocasiões, assemelha-se a um palanque, muito discurso, pouca seriedade, nenhuma intenção de ver a limpo o quadro desenhado. Generaliza-se um oportunismo, em que valem os dividendos eleitorais futuros, e o povo, ora o povo que coma brioche e acredite no que dizem certas figuras públicas."

Marcos José do Nascimento - 16/6/2005

"Embora, de maneira anti democrática, a CPI dos Correios seja inegavelmente Chapa Branca, pelo menos seu relator merece um voto de confiança. O Deputado Osmar Serraglio ocupou diversos cargos na Administração Pública paranaense, é professor de Direito Administrativo no Paraná, mas é bem conhecido nos meios jurídicos paulistas, pois, anteriormente, em 1985 e 1986, foi professor dessa mesma disciplina na Faculdade de Direito da PUC de São Paulo, onde cursou o mestrado, como aluno do consagrado Professor Celso Antônio Bandeira de Mello, cujo rigor científico e cujo espírito democrático são bastante conhecidos. Espera-se que, no mínimo, o Deputado seja fiel à sua biografia, que inclui ainda uma bolsa de estudos proporcionada pelo Governo da Holanda, onde fez um Curso de Finanças Públicas, com estágios na Holanda, Alemanha e Suécia, 1986."

Adilson Abreu Dallari - Professor Titular de Direito Administrativo da PUC/SP - 16/6/2005

"O dep. Roberto Jefferson vai ser cassado mesmo. Talvez até preso. Tudo porque, sentido-se acuado por denúncias comprovadas, via  gravações mostradas ao país todo, resolveu levar consigo uma boa quantidade de colegas e afins. Falou durante horas com alcance nacional. Acusou, acusou, acusou e não mostrou provas. Sem provas, claro que será mesmo condenado. Entretanto, em se tratando de políticos como muitos dos nossos, cabe a pergunta: "Precisa provar que o sol existe?".  Nesse ponto, realmente cabe uma reflexão séria e detalhada. Afinal, desde quando todo sabemos o que acontece com muitos deles?  Há muito tempo assistimos imensas fortunas conseguidas a partir de alguns  mandatos, particularmente no executivo, ou então um cargo com possibilidades enormes de enriquecimento ilícito mas não comprovado. Ora. Para que um executor tenha facilidade de enriquecimento, não basta ele simplesmente abrir o cofre e retirar dinheiro. É um processo que demanda uma forma de "equipe". E aí entram os legisladores, os que investem dinheiro na propaganda de certos candidatos. E gente que faz do mandato também um escudo contra investigações e processos. Temos exemplos de políticos que apenas se elegem para essa defesa. Nada fazem nas assembléias ou câmaras. O título é um sossego contra penas. Nunca é demais lembrarmo-nos da famosa frase de PC Farias dita em 1992, quando interrogado pela CPI da corrupção naquele tempo. Assistimos a inesquecível cena pela TV. Depois de quase uma hora de graves acusações, o acusado permanecia impassível de olho fixo nos acusadores. Quando finalmente lhe foi dada a palavra apenas disse: "Senhores! Deixemos de hipocrisia. Eu e os senhores sabemos muito bem de que maneira conseguiram sentar-se nessas cadeiras". Pronto. A sessão foi encerrada e nada foi apurado contra ele. Do lado dos governantes , tanto fizeram que conseguiram um tal de "foro privilegiado". Isso não significa que estão isentos de processos. Apenas que nesse caso só depois de décadas algo vai ser investigado. O que significa realmente imunidade total. E das CPIs, o que dizer? Esta que foi iniciada ontem, conta com a direção de quem está acusado. Tal como a CPI do Banespa que foi dirigida pelo que governava o estado quando o Banco quebrou. E a do Banestado? Quando o relator  descobriu que poderiam ser envolvidos "amigos" e "aliados", simplesmente "melou" tudo e a coisa  foi arquivada. E a dos combustíveis? E outras e outras? De uma coisa podemos estar certos. O Deputado Jefferson, confessando que praticou corrupção, ao menos colocou em  evidência aquilo que tanto e tanto procura-se esconder do povo. Prestou um enorme serviço à nação, pois de agora em diante, acho que tais ladrões tomarão mais cuidado.E nós, povo, nos encorajamos a denunciar e exigir mais. O Presidente mandou desengavetar a  Reforma Política, há 10 anos esperando por aprovação. O mal é que ela seja feita de afogadilho apenas visando o sucesso da reeleição. Novos tempos?"

Plínio Zabeu - 16/6/2005

"Há 21 anos, quando tinha apenas 14 anos de idade, comecei a alimentar um grande sonho. Achei que era possível construir um mundo melhor, com justiça, solidariedade, igualdade social, enfim, uma vida mais digna, principalmente para os mais pobres. Via tudo isso nos meus pais, que em vários momentos de nossas vidas, deixavam eu e meus irmãos em casa para ir às ruas lutar pela democracia e a liberdade em plena ditadura militar, tentando realizar o sonho de um dia mudar o Brasil. Tendo meus pais como referência, também entrei para o PT. Em plena adolescência troquei o futebol, o pega-pega, as brincadeiras de ruas que eram tão comuns na minha idade, por reuniões, manifestações, greves e participei ativamente de todas as eleições do PT desde 1986. Com apenas 17 anos, percorri de forma incansável mais de 340 cidades do Estado de São Paulo em cima de um carro de som pedindo votos para eleger Lula presidente, porque, afinal, era hora de mudar o Brasil. Faço esse relato para que todos possam compreender que a minha história no PT não começou em 2000 com a eleição do Edinho para prefeito, na qual entendo ter exercido um papel fundamental para que se chegasse à vitória. Minha história começou ainda criança, quando imitava os discursos do então sindicalista Lula, enquanto tomava banho, sem nunca imaginar que um dia estaria em seu palanque apresentando vários comícios de suas campanhas, nos anos de 89, 94 e 98. O tempo passou, o PT foi crescendo, conquistando mais espaço e foi se transformando num dos maiores partidos do País.Eu também cresci, fui amadurecendo e entendendo melhor a vida e pude acompanhar de perto as mudanças palas quais o PT passou. Para muitos, os sonhos que guiavam o PT cederam lugar ao desejo cego de se manter no poder. As ambições pessoais se tornaram mais fortes que a vontade de transformação. E a indignação com as injustiças perderam lugar para o discurso do crescimento sustentável. Hoje, muitos dos que integram o PT, para se manterem no poder, perseguem e fazem o jogo que um dia tanto condenaram. Deixo, o PT, hoje, com a certeza de que valeu a pena sonhar junto com tantos amigos e companheiros que fiz nessa longa jornada, mas saio por que no PT não cabe mais sonhar. Quero continuar fazendo política na cidade que eu escolhi para viver com minha esposa e meus filhos. Porém, quero manter vivos dentro de mim valores como amizade, família e sinceridade. Quero fazer política sem ter que mudar para vender uma falsa imagem, mas sim ser reconhecido por minhas qualidades e também defeitos. Ouvi um dia o principal líder do PT de Araraquara afirmar que a política lhe exige sacrifícios a ponto de você ter que abrir mão das coisas de que mais gosta na vida. Hoje, tenho certeza de que ele está errado. Vou continuar fazendo política, tendo ao meu lado aquilo que mais preservo hoje em minha vida: minha família, minha honestidade e os meus sonhos."

João Farias - ex - chefe de gabinete da Prefeitura de Araraquara - 16/6/2005

"Fui aluno do Prof. Osmar Serraglio nos idos de 93/94. Espero e acredito que desempenhará seu mister à altura de sua ilibada biografia, oportunamente lembrada pelo Prof. Adilson Dallari (Migalhas 1.189 - 16/6/05)."

Emerson José do Couto - 17/6/2005

"Depois do escândalo proporcionado por Roberto Jefferson, finalmente a CPI foi instalada. É bem verdade que com "chapa branca", mas quem não tem cão caça com gato. As instituições brasileiras, como o povo, tem que ter presentes que, se a CPI não funcionar e apurar as denúncias escabrosas do deputado sobre a corrupção no poder, é hora de irmos às praças públicas questionar o nosso direito de "representados" por essa corja que pulula a alta cúpula do poder público."

Jacy de Souza Freire - 17/6/2005

"Parece que as coisas começam a mudar, um núcleo de estudantes de direito da Universidade Federal de Mato Gosso está fazendo muito barulho no lançamento do DIA NACIONAL CONTRA A CORRUPÇÃO - 29/6/2005 - em que os estudantes farão protestos nas ruas e a sociedade em geral se vestirá de preto em sinal de protesto. Vale a pena apoiar!"

Lucia Carames Sarotrelli - 17/6/2005

"Prezado Diretor, permita-me homenagear a honrada classe de deputados da qual nós brasileiros tanto nos orgulhamos. São seis estrofes de versos, mas infelizmente não tive como resumir mais do que isto. Cordialmente.

Deputado brasileiro

(inspirado em Roberto Jefferson, Hildebrando Paschoal, Pedro Correia, José Janene, Sandro Mabel, Bispo Rodrigues, Romero Jucá(senador), Zé Dirceu, Valdemar Neto, Severino Cavalcanti, João Paulo Cunha, Professor Luizinho, etc)

Pedir voto ao eleitor
Com a astúcia de um rato
Tendo diploma e mandato
Arranjar um comprador
Ter dólar no exterior
Só figurando o laranja
Empresa, fazenda e granja
Tudo em nome de terceiro
Conseguir rio de dinheiro
Só pra trocar de Partido
Isso é cagado e cuspido
Deputado brasileiro!

Receber o mensalão
Surrupiar a merenda
Não declarar sua renda
Se proclamar bom cristão
Adotar como um padrão
Empregar os seus parentes
Ter ONGs beneficentes
O Estado dando o dinheiro
Brigar feito um desordeiro
Se o chamarem de vendido
Isso é cagado e cuspido
Deputado brasileiro!

Ser usuário em fraudar
Os bancos oficiais
Extorquir das estatais
Pra o seu caixa engordar
Receber sem registrar
Dinheiro de doador
Proteger sonegador
Ter amigo pistoleiro
Não repassar o dinheiro
Do imposto que foi retido
Isso é cagado é cuspido
Deputado brasileiro!

Ter condutas criminais
E ficar na impunidade
Nomear gente à vontade
Num monte de estatais
Ter vantagens imorais
Como auxílio-moradia
Ter passagem e estadia
E viver atrás de doleiro
Remeter pro estrangeiro
Montante desconhecido
Isso é cagado e cuspido
Deputado brasileiro!

Tomar valor emprestado
Mas dar falsa garantia
Esperar sempre anistia
Pra não pagar ao Estado
Dizer que está quebrado
Ou que o projeto faliu
Falar que o sócio o traiu
Ficando com o dinheiro
Inventar que um forasteiro
Tenha o negócio assumido
Isso é cagado e cuspido
Deputado brasileiro!

Defender a honestidade
Sem se livrar da sarjeta
Sendo refém da gaveta
De quem compra lealdade
Prometer com falsidade
Pensar que voto é favor
Danar-se pro exterior
Em janeiro e fevereiro
Comprar feito muambeiro
E do Fisco ser protegido
Isso é cagado e cuspido
Deputado brasileiro!"

Zé Preá - 17/6/2005

"Caros amigos (e os tenho poucos e contados, provados e testados), Jamais um editorial representou para mim, jornalista, algo que eu tivesse tanta vontade de assinar. E tanta angústia de ler. Retrata o grave momento em que vivemos e confirma, infelizmente, tudo o que escrevemos nos últimos anos a respeito do quê tomou o poder no país. Fui exilado político e conheci as personagens sombrias hoje em evidência. Mais: conheci sua maneira de pensar, de agir e de sentir. Tanto assim que neguei-me a pedir indenizações e mordomias, considerando que se participei da luta armada contra o regime militar, o fiz consciente e movido pela certeza de que seria possível construir um país livre de tiranias e suas mazelas. Não fui vítima porque reagi. O povo não me pediu que o fizesse, portanto não posso cobrar-lhe as conseqüências de minha vontade. Seria desonesto. Tinha assim mesmo a esperança que restaurada a democracia, mesmo que rastaquera, os princípios da legalidade primassem, impedindo aventureiros de desmando que tais os atualmente verificados. Que a coisa pública, o bem comum, o império da Lei nos levassem a caminhos de moralidade e integridade, de justiça e paz sociais. Que o cumprimento de direitos e obrigações nos permitissem um Brasil feliz. Por isso combati o que aí está conforme minha capacidade. Todavia, isso que domina hoje o país supera tudo que se possa qualificar de desonesto. Os vínculos são perigosos e as intenções criminosas, e as ações decorrentes assim os tipificam. É criminoso. Seu editorial, contudo, comove pela coragem e fortalece pela eloqüência, nos dá ânimo e incentiva a continuar lutando por aqueles princípios acima mencionados, mesmo sabendo que desta vez será muito mais difícil e arriscado. Fosse religioso e pediria que Deus nos ajude. Não sendo, somente resta acreditar, confiar e apoiar aqueles que, como vocês, insistem bravamente em serem honestos."

Caio Martins - Editor - Decon - Boletim de Desenvolvimento Econômico - 17/6/2005

"Caros, Na CPI dos Correios, conforme regimento interno, houve eleição, livre e sob o foco das câmaras, para a presidência. Como o resultado não agradou aos tucanos, pefelistas e simpatizantes, passa a ser considerada anti-democrática? Nos anos anteriores ao golpe de 64, era a mantra dos udenistas golpistas: toda eleição em que não obtinham sucesso (quase todas), era considerada antidemocrática e procurava-se impedir a posse do eleito. Razão tinha o Dr. Carlos Marx: "a história se repete, uma vez como tragédia, outra vez como comédia". E sem graça, completaria! Fraternalmente,"

Armando Rodrigues Silva do Prado - 17/6/2005

"Ainda sobre a Crise no Governo: Rendo-me ao pertinente ensinamento deixado pelo mestre Rui Barbosa, muito bem lembrado pelo amigo José Luiz Ferreira (Migalhas 1.189). Quero crer que o momento nebuloso passará, e o povo receberá uma resposta perinente no desfecho do caso. Afinal, "eu sou brasileiro e não desisto nunca"."

Jáderson Cláudio Gonçalves - Uberlândia/MG - 17/6/2005

"Existe no Orkut uma comunidade com o nome de "Eu nego até a morte (10473 membros)" e a descrição "Sempre tem alguém q põe palavras na sua boca, atribui situações, fatos e atitudes comprometedoras e injustas à sua pessoa. O que nos resta fazer nessas horas? NEGAR NEGAR NEGAR! O que vale não é o fato, é a versão!"

Oswaldo Ferreira Filho - Saboia Tecnologia da Informação - 17/6/2005

"Mesmo não sendo da área judiciária, gosto muito de ler Migalhas. Mantenho-me informada e que bom seria se todos os brasileiros tivessem acesso ao Migalhas. A desilusão deste povo já é tão grande, que sinceramente acho que nas próximas eleições não teremos em quem votar. Ainda gostaria de dizer: já que os votos são comprados, já que tudo é falcatrua, mentira e corrupção, não teriam que anular todas as votações desta cambada de desavergonhados? Salvam-se muito poucos, com certeza é um número menor que 10. Obrigada."

Vera Soares - 17/6/2005

"Karina Kuka Oka

Karina, menina Karina, a memória te traiu?

Parecias a salvadora, Joana D’Arc de  Minas...

Revista na banca, desfecho por um fio

Puff!-some tudo: deletas-te, garota traquinas?

Karina, menina Karina, não tinhas tudo na cuca?

O vai-e-vem da recheada maleta?

O tutu lá do banco, aquela quantia maluca?

Os fones grampeados...pô, tudinho da imensa mutreta?

Pena, menina Karina, o Brasil inteiro lamenta,

Pouco mais, serias a Diva dos palcos,

Consagrada, a cada nota, pelo tenor de Petropolis

Ganharias medalha, prenúncio do fim da tormenta

CPI instalada entre tapas e beijos, gogós  nos cadafalcos

Brasilia brilharia. E, desinfetada,  seria a nova Acropolis."

Pio Pardo - 17/6/2005

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