sábado, 24 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Crise no governo

de 19/6/2005 a 25/6/2005

"Caros, Nos embates destes dias, percebe-se uma certa confusão entre o que ocorre na política e o que, normalmente, deveria acontecer no direito penal, ou seja, no segundo o réu só é condenado após o devido processo legal, quando a acusação é comprovada, valendo menos as provas apresentadas por bandidos confessos. Na política, por vezes, vale a versão, pode se acusar à vontade, não carecendo necessariamente das provas. Se há necessidade de destruir reputação, acusa-se, e o acusado que se vire para provar o contrário. Há uma inversão perversa do ônus da prova. A palavra de qualquer bandido tem validade superior e é aceita como fato verdadeiro. Veja-se o caso atual, um deputado, por tudo não recomendável, gira a metralhadora de acusações e, concretamente, só tem um réu confesso até agora: o próprio, pois assumiu que recebeu 4 milhões de reais! E os demais que se virem, um como o Zé Dirceu vai se defender no Congresso, outros pedem socorro ao Comitê de Ética, outros se calam, e assim o navio vai... O Congresso Nacional não é um convento, mas está longe de ser o que certa imprensa irresponsável pinta. Ruim com o Congresso que temos, sem ele, a ditadura, pois os regimes de exceção tomam o cuidado de, primeiramente, calar a voz desse poder, exatamente, por ser frágil, mas extremamente incômodo para os candidatos a ditadores. Fraternalmente,"

Armando Rodrigues Silva do Prado - 20/6/2005

"O  ex-Ministro José Dirceu disse há alguns dias, para quem quisesse ouvir, que não fazia nada sem conhecimento e autorização do Presidente Lula. Tenho pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso grande admiração, que remonta a um pequeno comitê eleitoral na Rua Senna Madureira na década de 70, mas não posso de forma alguma concordar com ele, quando afirma que a atual crise política em nada se assemelha com aquela que acabou por afastar o ex-Presidente Fernando Collor da Presidência. Sem qualquer respeito, repito, sem qualquer vênia, a única diferença que existe é que o ex-Presidente Fernando Collor foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, enquanto que o atual Presidente, o Lula lá,  ainda nem sequer foi indiciado. A oposição responsável não pode deixar de ser o altofalante das ruas sob pena de abrir espaço para a irresponsabilidade populista-chavista no Brasil. O Presidente Lula deverá ser, sim, investigado e o máximo que poderá acontecer é o Vice-Presidente ser chamado a assumir o cargo de Presidente. Se será  bom ou mal para o país, isso o futuro dirá; afinal, segundo o atual Deputado Federal José Dirceu, o Lula (reparem o tratamento) sempre soube e autorizou tudo, de tudo e para tudo!!!"

Alexandre Thiollier - escritório Thiollier Advogados - 20/6/2005

"Ouso discordar um pouco do ponto de vista do ilustre Antonio Cândido Dinamarco: a Austrália também foi colonizada por degredados, mas pelo que me consta a corrupção não é tão entranhada e grave por lá quanto é por aqui. Por outro lado, Pero Vaz de Caminha, na sua carta a El Rei Dom Manuel, pedia que lhe libertasse o genro do primeiro, que se encontrava degredado na Ilha de São Tomé. Prova que desde o começo a burocracia brasileira vive de autoritarismos e favores."

Francisco Teixeira de Almeida - Nóbrega Direito Empresarial - 20/6/2005

"Quando o assunto é coleta de lixo nunca deve ser desprezada a opinião do gari, pois de lixo ele entende mais do que qualquer outro, embora seja um trabalhador limpo. Já quando o assunto é poder, nada como ouvir os que conhecem os seus meandros, escaninhos e subterrâneos, ou melhor, a sua sujeira. Deste modo, as acusações de Roberto Jefferson, produziram uma chuva de indícios que não podem ser desprezadas por qualquer órgão competente para investigação, embora seja ele testemunha e réu ao mesmo tempo. A vantagem que tem Jefferson em relação a outras figurinhas, é que ele não menospreza a nossa inteligência. Por exemplo, diz que recebeu R$ 4 milhões do PT e não os declarou à Justiça Eleitoral. Estará ele errado? De modo algum. Aliás, dizem que o grande drama da cúpula do PT é que na sua "contabilidade" ( pois mais se assemelha a caixa dois), está registrada a entrega de R$ 20 milhões ao PTB. E onde foram parar os R$ 16 milhões? Com a palavra os ratos e os cupins do PT."

Abílio Neto - 20/6/2005

"Essa crise política sobre o Mensalão patrocinado pelo PT leva à seguinte ironia. O PT teve de se corromper para aprovar projetos de interesse da direita e que, antigamente, eram criticados por ele próprio. Parodiando Bertold Brecht, podemos dizer: Pobre do país que precisa de Ideologia. Atenciosamente,"

Jose Maria Filardo Bassalo - Belém - Pará - 20/6/2005

"Se há uma crise abalando o governo do Presidente Luiz Inácio, é totalmente inadequada a realização de uma pesquisa e, menos ainda, a divulgação de qualquer pesquisa realizada antes da instituição da crise de governabilidade do momento, ou durante a efervescência desta. O resultado apurado revela de duas coisas, uma: ou o povo está totalmente alienado (o que, com os bolsos tão vazios como nos dias que correm, não é admissível), ou a pesquisa não é confiável. Qualquer que seja o objetivo da pesquisa, hoje, a questão presente é a governabilidade federal, ou, dependendo da ótica, a ausência dela, da governabilidade, é claro. Não obstante a inoportunidade da pesquisa de opinião, fazer a pesquisa revela um fato inequívoco e inegável, expressado por unanimidade: Habemos Crisis."

Pedro Luís de Campos Vergueiro - 20/6/2005

"Sr. Editor: Sobre a crise do PT no governo, lembramos que, em determinado momento, a verdade vem à tona, pois impossível dar certo tamanho imbróglio armado entre faces da mesma moeda. No caso do PT, seus dirigentes nunca quiseram ouvir correntes contrárias ou os alertas de outros pensamentos. Sempre se acharam acima do bem e do mal. Ora, não há diabo que resista a isso. Os deuses se cansam! Merecem por tudo que fizeram quando na oposição. E pior. Continuarão a fazer enquanto não aceitarem o Estado Democrático de Direito."

Paulo Chiecco Toledo - 21/6/2005

"Para identificar a sujeira é preciso que um dos lados esteja limpo."

Gerson Costa - 21/6/2005

"O comentário do sr. Dinamarco sobre as mazelas éticas que afligem o Brasil não honra o seu professor de história nem o conhecimento de seu aluno. É evidente que a pena de degredo era freqüente em países que possuíam possessões ultramarinas, Espanha, França, Inglaterra e Portugal. Os "facínoras e as prostitutas" que, segundo o fero historiador Dinamarco, são responsáveis pelo falhas éticas do brasileiro moderno, não tinham o "talento" de tantos bandoleiros modernos. Que estranho poder teriam os degredados - muitas vezes penalizados por atos hoje banidos da tipificidade penal - para contaminarem alguns séculos depois os atuais facínoras patrícios, venais, ladrões, homicidas de origem italiana, espanhola, sírio-libanesa, chinesa, russa, portuguesa, etc.etc. Francamente! Acho que o grande mal deste país é a ignorância. Especialmente a que se apresenta com um verniz bacharelesco capaz de repetir, no melhor estilo lulista, "meias verdades e da quase lógica". Francamente..."

Alexandre de Macedo Marques - 21/6/2005

"Ufa! José Dirceu se foi. Mas, de fato, se foi? Lendo seu pronunciamento, podemos pinçar algumas coisas, talvez lapsos ou atos falhos: "todos aqui sabem que eu sempre sonhei em governar o Brasil ao lado do presidente Lula e vou continuar governando o Brasil...", "... eu vou poder esclarecer ao país... denúncias infundadas contra minha pessoa, o meu partido e o meu governo...", "Quero repetir: continuo no governo...". Não é para todos o velho ditado que diz que, para bom entendedor, meia palavra é suficiente..."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 21/6/2005

"Sr Editor: Saudações. Tenho observado ultimamente um aumento considerável de citações, seja por ilustres migalheiros, seja pelos redatores desse prestigioso informativo. No intuito de colaborar, envio dois exemplares comentários do mesmo Lord Acton, recentemente citado, e que caem como luvas no momento político em que vivemos:

A wise person does at once, what a fool does at last. Both do the same thing; only at different times.

Every thing secret degenerates, even the administration of justice; nothing is safe that does not show how it can bear discussion and publicity. (Lord Acton [1834-1902]) 

Atenciosamente,"

Ednardo Souza Melo - 21/6/2005

"Que dúvida! Lendo as biografias eu vejo que sai um assaltante de bancos e entra uma assaltante de residências. Fale sério: o Brasil pode ir para frente?"

Antonio Cândido Dinamarco - OAB/SP - 32.673 - 21/6/2005

"Perfeito. Profundo, até filosoficamente. Palavras poderosas da sabedoria de quem conhece. Pontualidade de quem sabe o que fala, ou melhor, escreve. Objetividade mais que expressiva. Precisão mais que precisa. Sinceridade até. Afinal, essa é a melhor característica do senhor José Genoino. Engano-me? Então, a meio de uma escandalosa crise de governabilidade, por que não ter um momento de dignidade pelo povo brasileiro e confessar a insofismável verdade verdadeira? Ainda que abrandada, é claro, pois o que vem sendo cogitado é o estelionato eleitoral. Realmente esta é a real realidade que vem sendo vivenciada há dois anos e meio: "O Brasil está diante de uma grande mentira" (O Estado, 18/6/05). Sábias palavras ditas no confessionário da mídia. E que outra coisa não foi, e não é, o PT com o seu petismo! Um título que basta por si próprio. Perfeitíssimo!"

Pedro Luís de Campos Vergueiro - 21/6/2005

"Um amigo meu definiria o Roberto Jefferson como um "cínico sincero". Cínico porque chafurdou na mesma lama em que pretende, com justiça, fazer chafurdar alguns proeminentes membros do governo. Sincero porque está a fornecer elementos que possibilitam a apuração mais detalhada do caso escabroso de corrupção em que se envolveu e em que podem estar envolvidas muitas outras pessoas. Figura interessante esta... Apresentou-se à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados vestindo uma camisa e uma gravata púrpura, símbolo de poder com que se adornavam os imperadores romanos. Não prestou apenas um depoimento. Confortavelmente instalado em seu assento, como se este fosse uma cadeira curul, distribuiu justiça atribuindo a cada qual sua parte no esquema de corrupção. Justiça seja feita. Por mais que não gostemos dele ou de seus métodos, este "cínico sincero" pode acabar sendo útil ao país. A literatura credita ao advogado Marco Tulio Cícero a responsabilidade de ter sido o último pilar da república romana. Curiosamente Jefferson também é advogado e pode se tornar o arauto da destruição não da república, mas deste presidencialismo imperial que é a fonte de todo o mar de lama que envolve os três poderes. Assim seja! Afinal, no sistema presidencial brasileiro o chefe do executivo pode legislar através de MPs e trancar a pauta do Congresso Nacional. Além disto, é o Presidente que nomeia os ministros do STF e STJ, tribunais que julgarão seus próprios atos e os dos seus ministros. Dezenas de milhares de cargos de confiança na administração pública direta, indireta, autárquica, fundacional, empresas públicas e de economia mista são nomeados pelo Presidente ou por seus prepostos. E todos sabem que cargo de confiança é moeda de troca para o apoio político e o instrumento de instalação de verdadeiras redes de influência e corrupção em nível federal, as quais dificilmente são desmanteladas. A não ser que aconteça algo inusitado, como no caso dos Correios. Não bastasse tudo isto, o Presidente dita a política externa e pode influenciar a política monetária em razão da ausência de autonomia legal do Banco Central. É muito poder para um homem só exercer, o que abre margem para a divisão informal de atribuições, de maneira que eminências pardas de todas as cores e credos acabam usurpando o voto popular e se tornando verdadeiros tiranetes nem sempre honestos ou comprometidos com o programa de governo sufragado. Creio que a única maneira de evitar que toda crise de governo se torne também crise de regime é criar um sistema de freios e contra-pesos que limitem o poder do Presidente da República. Coisas simples como a autonomia constitucional e legal do BC e do Itamaraty, criariam condições para a formulação e concretização de políticas monetárias e externas de longo prazo com uma menor influência do chefe do executivo. A eleição direta dos membros do STF e STJ para mandatos de 10 anos, sem direito à reeleição, criaria uma maior transparência e rotatividade na cúpula do judiciário. A renovação e arejamento dos tribunais conferiria ao Poder Judiciário mais autonomia e autoridade,  impedindo que eles ficassem à mercê do Presidente do dia.  A drástica redução dos cargos de confiança além de impossibilitar negociatas e a estruturação de redes de corrupção representaria uma economia substancial em favor dos contribuintes, que a bem da verdade estão cansados de sustentar uma máquina governamental cara e ineficiente. Se não aproveitarmos o furacão Roberto Jefferson para reformar o Estado as crises de continuarão ocorrendo. Afinal, cada vez que for eleito um Presidente sem maioria no Congresso a roda da fortuna o obrigará a realizar negociações lícitas e duvidosas para obter maioria parlamentar possibilitando crises de governo. O que é grave, pois crises de governo acabam se transformando em crises de regime, as quais sempre trazem conseqüências econômicas e políticas nefastas. Crises agudas abrem espaço para descontentamento e politização dos círculos militares. E para falar a verdade, a única coisa que o Brasil não precisa é novos golpes militares ou líderes populistas que se apóiem nos quartéis para governar com mão de ferro o país."

Fábio de Oliveira Ribeiro - 21/6/2005

"Amigos Migalheiros, A pregação conspiratória de Zé Dirceu é risível, visto como nunca o conservadorismo foi tão beneficiado como agora, no governo do PT. Os banqueiros é que mandam agora. Vejam  os lucros que são divulgados, em seus balanços. Ao contrário do que aconteceu no tempo do Collor, porque resolveram exigir 40% para pagarem as contas do governo, segundo o que os empresários afirmaram e a imprensa divulgou na época. A praxe sempre fora de 20%. Naquele tempo, sim, as elites conservadoras tinham motivo para empichar o presidente, num julgamento político, orquestrado pela Globo, visto como Collor foi absolvido em todos os Processos em que foi réu, foram mais de uma centena. Todos sabemos que a corrupção não deixa provas documentais, o dinheiro corre em malas, vivo, sem recibos, sem cheques, sem docs. bancários, sem conversas telefônicas comprometedoras. E em Processos, o julgador cinge-se à análise das provas produzidas. O que não está nos autos do Processo não está no mundo, já diziam os romanos. Prova consistente através grampo telefônico, autorizado pela autoridade competente, quase sempre é possibilitada por bandidos sem gabarito, sem a experiência dos corruptos que infestam nossa classe política. Quando os corruptos oferecem a quebra de seus sigilos bancário, fiscal, telefônico, quase morro de gargalhar. Pensam que a gente é idiota, que supomos que o dinheiro sujo foi depositado em suas contas bancárias, que os bens estão em nome deles e não em nome de testas de ferro, obviamente com a proteção de contratos de gaveta. Percebam que agora a Globo ameniza para o governo. Zé Dirceu, trate de arranjar outra defesa para as acusações do deputado Jefferson, essa não!"

Aderbal Bacchi Bergo - migalheiro - Juiz de Direito - aposentado - 21/6/2005

"A persistência com que o Deputado Roberto Jefferson mira em seus alvos preferidos deixa dúvidas no ar. Com efeito, onde estão as provas? Se ele participou de algum esquema ilícito, tê-lo-ia feito apenas recentemente? E antes? É crível a fixação com que ele dirige as suas acusações? Em razão de que fatos se deram as acusações sem prova até agora feitas pelo Deputado? Somente apoiou ele o partido presentemente ocupando o Palácio do Planalto? Se apoiou os anteriores, o que teria feito, do que teria participado? A quem interessa tanto barulho? Se ele sabia dum esquema dessa magnitude, por que não o denunciou antes, no órgão adequado, no momento em que teve notícia, em lugar de viver de porta em porta, dos órgãos da imprensa? E os governos anteriores, o que tem ele a dizer sobre as negociações e negociatas de que teve notícia ou participação com provas? Até que ponto pode ir um parlamentar federal nas suas acusações, sem que tenha trazido à luz provas concretas sobre elas? Uma vez não trazidas as provas do afirmado, e em razão do prejuízo causado, não seria o caso de uma responsabilidade proporcional ao dano que o acusado-acusador causou? Por que motivo a imprensa nacional fecha um discurso uníssono, salvo raríssima exceção isolada de revista semanal, sem abordagem variada de um para outro informativo, jornal ou revista? Se costumam dizer por aí umas e outras afirmações, cabe indagar de um princípio básico em toda a acusação: o ônus da prova cabe a quem acusa. Crer de outra maneira é sustentar no circo que se formou até hoje. Muitas dúvidas permanecem no ar, e não podemos, até prova em contrário, a despeito dos possíveis indícios demonstrados e, em especial, em razão das origens desses indícios, acusar, terminantemente, alguém. E o mais estranho, estapafúrdio é o acusado virar acusador, saindo incólume, até então, no primeiro momento televisivo-pirotécnico na Câmara dos Deputados.Este não é, decididamente, órgão sério para apuração de qualquer fato, deixando-nos o questionamento de até onde deve ir a imunidade parlamentar. Não seria o caso de acusações de possíveis crimes como esses, o fato ser apurado numa delegacia de polícia, no Ministério Público e, posteriormente, ser julgado em juízo de primeiro grau? Fosse a apuração dos fatos narrados feita em órgão técnico, em lugar de político, só restariam duas opções para tanta conversa, o arquivamento da acusação e a prisão do acusado-acusador. Ficam muitas perguntas no ar e poucas são as respostas. A oposição de hoje aposta no "quanto pior, melhor", acusação que usava no ontem contra quem é governo de hoje. E ficamos assistindo ao circo formado, onde de um lado, não vemos muita credibilidade; do outro, o oportunismo de uma oposição que alugou por oito anos o palácio (PSDB), cujo sócio viveu 38 anos no poder (PFL). Não estaria em momento propício aprofundar-se mais o debate, questionando-se o papel do legislativo, indagando-se do controle social sobre este Poder, sobre a forma como ele se organiza, mesmo internamente. Ainda que se diga que um Poder não pode interferir no outro, é justo que o controle social sobre o Legislativo, nas três esferas, estabeleça-se. Seria oportuna a proposta de controle externo do Poder Legislativo, dando esses poderes aos eleitores, em lugar de comissões, assim talvez tivéssemos um pouco mais de seriedade, em lugar do cinismo e oportunismo com que vemos tantas figuras ilibadas de ontem apregoar moral nova para esses mesmos pregadores de ocasião, moral que eles nunca prezaram e muito menos estão preocupados com valores que hoje se apresentam como paladinos. É crível que numa máquina dominada por oportunistas e serviçais do poder, seja qual for ele, prosperem tais figuras que, de tempos em tempos, voltam a carga, em especial quando se vêem alijadas do prato que costumavam comer. Oxalá, os brasileiros acordemos e mudemos, pois de outra maneira, o ciclo reinicia-se e vemos prolongar esse quadro que não é de hoje."

Marcos José do Nascimento - 21/6/2005

"A respeito dos vários artigos sobre as ratazanas, distribuição de mensalão, não recebimento, etc. parabéns ao Dr. Alexandre Thioller pelo artigo desta edição (Migalhas 1.191 - 20/6/05 - "Migalhas dos leitores - O PC faria. Mas o PT fez"). Indago, não estariam os migalheiros esquecendo-se dos "caras pintadas"? Em que época da história eles se fizeram notar? O PC Faria...O PT fez, por que eles não fazem?"

Marci de Deus - 21/6/2005

Zé, os companheiros  e o cão

(Drummond, me perdoe a liberdade

Mas, é impossível outra oportunidade...)

E agora,José?

O poder acabou

Acabastes um mané

Culpa tua, José

E agora, José?

Não terás mais a sala

Estás n’olho da rua

José, culpa tua

E agora, José?

Te sacaram a gerência

E lá, é di Sivirinu o recado

José, tu és o culpado

E agora, José?

Sumiu Waldomiro, rei do vete

Foi visto soltinho, pr’os  lados de Itu

José, o culpado és tu

Pois é, José

A casa caiu

(Me poupe da rima certa...)

Tornastes mais um "picareta"

Entr’aquela metade de mil..."

Pio Pardo - 21/6/2005

AMANHECER NA ESTÂNCIA (Causo dos Ratos do Erário)

"A roda do mate perdura

enquanto há água na cambona,

abancado numa carona

reforço a cevadura,

lá fora a brancura

de um tapete de geada,

cá no galpão a indiada

segue despacito, proseando,

causos desenrolando

na fria madrugada:

Fosse somente a carestia,

mas carecemos de representante,

mal estamos de mandante,

e na escolha da capatazia,

só botam sem serventia,

não valem um vintém,

inútil procurar alguém

 que por real não tenha ânsia,

comedido e sem ganância

pra administrar como convém.

O colono tá descrente,

além de tudo acuado,

sem ânimo, abombado

ele que era um valente,

hoje até falta semente

porque a seca foi mui grande,

tudo mermou no Rio Grande

e a crise atingiu a todos,

menos àqueles donos

da corrupção que se expande.

Nisso, o tio Romário,

trançador de muita perícia,

conta sem malícia

o causo dos mandatários,

senadores e deputados vigários,

uma praga igual a ratos,

chicanearam contratos

se infiltrando nos correios,

e em mais outro enleio

venderam seus mandatos.

Assim foi a prosa,

tio Romário mui sabido,

sendo por todos ouvido

disse à sua moda

como anda a poda

dos amigos do alheio,

da infestação nos correios,

praguedo igual a ratos,

negociatas com mandatos

escândalos de parar rodeio.

O dia já clareando,

à lida nos chamava,

tio Romário o relato findava,

e aos pingos fomos chegando,

procurando a volta e montando

eles se vão numa porvadeira,

eu fico na mangueira

cismando de mim para comigo:

se gente fosse como bicho, amigo,

não haveria robalheira."

Mano Meira - 22/6/2005

"Caros, o problema das elites com o presidente Lula, pode ser resumida na frase "sutor ne ultra crepidam", utilizada pelos teólogos da idade média para fulminar qualquer ousadia dos humildes. Os generais ditadores diziam de maneira mais vulgar "estudante tem que estudar, trabalhador tem que trabalhar..." e, governar, dizem as elites e os reacionários de plantão, bem governar é coisa para pessoas instruídas, príncipes, doutores, proprietários, que saibam usar gravatas e ternos italianos etc. e tal. Não toleram que um operário sem títulos bacharelescos possa governar seu país. Entretanto, por mais que isso os desagrade, é bom que saibam que a democracia republicana passa pela possibilidade de um filho do povo, independente de seus títulos, poder ocupar o mais alto cargo do país e, no caso, com dignidade, faltando, é certo, voltar-se para os que o elegeram, principalmente, os humildes e ofendidos. Nos anos de chumbo, quando era mais fácil se esconder nas sombras do poder, no executivo ou na justiça, alguns resistiram de todas as maneiras possíveis, como o atual presidente, assim como alguns dos ministros de seu governo. A história é implacável, mostra os covardes e os que fizeram a boa luta. Fraternalmente,"

Armando Rodrigues Silva do Prado - 22/6/2005

"Homo sum: humani nihil a me alienum puto" (Migalhas 1.193): Eu também fico puto (Aurélio: "danado da vida") quando esses putos (Aurélio: "corruptos") me tratam como se eu fosse puto (Aurélio: "criança")."

Mário Henrique Rolim - 22/6/2005

"Senhores, Penso que o presidente Lula foi até muito modesto ao dizer que "ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética" do que ele mesmo. Esqueceu-se o nosso humilde presidente de mencionar que ninguém também tem mais expertise econômica do que ele. Ou por acaso há algum outro brasileiro que tenha criado os filhos, montado casa e  vivido bastante bem obrigado, por 15 longos anos (1987/2002), sem emprego, capital, herança ou fonte de renda conhecida? Atenciosamente,"

Geraldo de F. Forbes - 22/6/2005

"Roberto Jefferson diz que seu partido, o PTB, recebeu do PT R$ 4.000.000,00. Há tempos, quando essa acusação apareceu, ele negou. Confrontado, diz agora que antes mentiu e que agora diz a verdade. A secretária do publicitário, que apareceu na reportagem de ISTO É, respondendo a perguntas do repórter, fez sérias acusações ao seu ex-patrão, acusado por Jefferson de distribuir o dinheiro do mensalão. Levada a prestar depoimento na Polícia Federal, negou tudo, dizendo que tinha mentido na entrevista que fora gravada. Agora, volta aos jornais para dizer que era mentira o que disse na PF e que era verdade o que disse na reportagem. O funcionário dos correios, o tal Marinho, que foi filmado e gravado dizendo uma porção de coisas sobre Roberto Jefferson e sobre a corrupção nos correios, levado à Polícia Federal declarou que mentira e que o que fora gravado e filmado de fato não acontecera, apesar de termos todos assistido. Agora, interrogado na CPI, informa coisas novas a respeito do genro de Jefferson, negando o que declarara, antes, na Polícia. E aquele fulano do IRB, que negou ter dito o que antes dissera, em reportagem gravada, no sentido de que lhe eram exigidos R$ 400.000,00 por mês, para caixa de campanha do PTB? Confrontado com a gravação, se desdisse, reafirmando que dissera sim, mas que não sabia que estava sendo gravado. Será que a mentira, hoje tão banalizada não tem mais importância? Será que, como já disse alguém, a mentira é tão somente uma verdade que deixou de acontecer? E lá vai o velho Rui, sobre a mentira como mal político:

"Mas o mal, e, sobretudo, o mal político, a terrível avariose brasileira, é essencialmente falso, falsídico, falsificador e refalsado. Sutil, sonso e sotrancão, alonga a cara triste e severa, baixa o olhar incerto e divergente, engrossa o falsete, azeita a rispidez, varia o furta-cor da palavra insidiosa, fala todos os idiomas da mentira, pratica a sedução com os pequenos, com os grandes a baixeza, a arrogância com os humildes, com os poderosos a servilidade, envolve nas altitudes da nobreza os sentimentos da prostituição, e, professando não denotar nunca o que sente, nunca dizer o que pensa, não mostra jamais o que faz, o chocalho nas mãos para a impostura, nos ombros, até à barba, a capa da traição, na cabeça, desabado para o rosto, o feltro das aventuras, com botas de sete léguas foge do merecimento, da justiça, da honra, da lealdade; e, se pudera vender-se a si mesmo, atraiçoando a própria natureza, a si mesmo se vendera, como vendeu o Cristo, para não desmentir a fatalidade da sua sina." (Obras Completas de Rui Barbosa, V. 46, t. 1, 1919, p. 13)

É a classe política que não muda? Ou estará Rui vivo, em algum lugar, comentando os fatos atuais?"

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 22/6/2005

"'Quem come com os porcos, porco é.' Concordo com alguns migalheiros que este informativo tão querido - creio, por 99% dos ditos operadores do direito - deveria falar mais sobre os temas ligados ao mundo jurídico e menos sobre os atuais escândalos e não emitir juízo de valor sobre os fatos, mesmo porque nenhum dos envolvidos é santo - e por isso o ditado acima. Acredito que o que acontece é o menos ruim, pois se venais não houvessem sido comprados, o país estaria ingovernável e à beira de uma crise política de grandes dimensões. Isso não é ser conivente, isso é pragmatismo. Lula e sua equipe apenas utilizaram métodos dantes inventados e largamente utilizados por todos os governantes de plantão e não creio que deva ser o único a ser linchado por isso, mesmo porque, se a compra e venda ocorre e há muito tempo e é pública e mais ou menos notória, é hipocrisia de muita gente que antes comprou ou vendeu abrir a boquinha num "ooohhh" de rubor e surpresa diante dos acontecimentos, como vestais puras e intocadas (não posso perder a piada: como os petistas de antanho...). Não me surpreendo ou me escandalizo com nada do que é divulgado, pois a maioria de nós já sabia que isso acontecia e a maioria da população também sabia e provavelmente não ligava, pois eleição após eleição, coloca no Congresso as mesmas pessoas. Ao fim e ao cabo, parece que o único que nada sabia de fato era o Lula, mesmo porque ele está tão deslumbrado com o poder e tão cercado por seu séquito de puxa sacos, que somente sabe aquilo que esses lhe dizem, provavelmente. Assim como o estimado FHC, Lula, parafraseando José Simão (que deveria voltar de férias rápido) é a Maria Antonieta do Planalto: o país desaba e ela manda que o povo sem pão coma brioches... Não sei de quem á e frase, mas dizem que uma das melhores coisas do mundo é a completa alienação; pois bem, acho que tem razão."

Luciana Cordeiro Cavalcante Cerqueira - Companhia de Saneamento do Tocantins - 22/6/2005

"A crise pela qual passa nosso país deixa claro que os verdadeiros obstáculos à governabilidade estão muito além de saber quem pagou e quem recebeu o "mensalão".O grande desafio do presidente Lula está em conseguir neutralizar e defenestrar os bolcheviques do PT, que já foram escorraçados uma vez da cena política pelas forças da repressão, pelo amplo repúdio popular e pela própria história mundial recente. Incapazes de tomar o poder pela força, sem respaldo da opinião pública e repetindo a mesma lengalenga vazia e envelhecida, esses bolcheviques voltaram pouco a pouco à cena, a bordo de polpudas "indenizações de exílio" que o povo paga e trataram de se apoderar de um partido charmoso e de vanguarda que empolgou até mesmo a classe média, usurpando-lhe a sigla e as bandeiras e transformando seu ícone mais visível em um verdadeiro refém da quadrilha, a ponto do Sr. José Dirceu se despedir do cargo proclamando o "seu governo". A existência de corruptores e corrompidos é preocupante e precisa ser combatida, mas a governabilidade corre mais perigo diante da bazófia e da fanfarronice da saudação aos "companheiros de armas", feita pelo próprio Sr. José Dirceu, em um momento em que os setores produtivos do país, a classe média, os assalariados, os profissionais liberais e um expressivo conjunto de formadores de Opinião começam a se sentir exaustos, não suportando mais a sangria de sua força vital para pagar a conta da bacanal em que foi transformada a República."

Paulo Lara - advogado - 23/6/2005

"Caros editores, boa noite. Quero dizer que o povo brasileiro não está surpreso diante da corrupção que assola o país.  E que essa prática não é exclusividade do governo. Está em toda sociedade. O que espanta é quantas pessoas são vendáveis, egoístas e espírito de porco. Com relação ao governo Lula, devo lembrar que a corrupção existe desde que o Brasil foi colonizado e que isto acontece em todos os governos, isto é, inclusive no do presidente Fernando Henrique e anteriores. Considero o Congresso um covil de cobras, que brigam entre si pela manutenção dos privilégios, pouco se importando com o país e seus cidadãos. Quero que eles se debatam até a morte e que o Congresso seja varrido de todos os seus atuais "representantes" (políticos profissionais, umas raposas). Gostaria que uma nova geração, de jovens políticos ocupasse aquelas cadeiras, com seus ideais de solidariedade, cumprimento do dever, coisas esquecidas atualmente. Também não apreciei a oposição ferrenha, sufocante, que foi feita ao presidente Lula (que está no poder pelo desejo da maioria do povo brasileiro). A oposição não deixou o Lula respirar...  As charges debochadas que o Chico  publica no Globo, me ofendem.  Ele está desmoralizando o chefe de uma nação, que em princípio, quer o bem do país e de seus cidadãos. A oposição de extrema direita do Brasil, me lembra os republicanos americanos que distorcem a verdade e as palavras dos opositores, sempre a seu favor... Sendo absolutamente hipócritas. A propósito, adorei quando Lula (que é a voz do povo) disse:  Os americanos pensam primeiro neles, segundo neles, terceiro neles e se sobrar um tempinho, pensam neles de novo. Tudo se resolveria, se os ensinamentos de Cristo (sou católica) fossem ouvidos.  Basta querermos bem uns aos outros, para essas atrocidades não acontecerem. Mas, parece que querer bem ao próximo é a coisa mais impossível do mundo... Um abraço,"

Leila Rodrigues - 23/6/2005

"Tão logo ocorreu a saída do ministro José Dirceu, o Supremo Tribunal Federal determinou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), indique os nomes dos integrantes da CPI que investigará o envolvimento do ex-assessor parlamentar do Palácio do Planalto Waldomiro Diniz com empresários de jogos de azar. Terá sido mera coincidência?"

Iracema Palombello - 23/6/2005

"Jeffersongate: "Ex-mulheres, ex-secretárias e diamantes são para sempre"."

Jorge S. Decol - 24/6/2005

CPI e a seleção A CPI dos Correios é igual à seleção do Parreira: não vai dar em nada!

Iracema Palombello - 24/6/2005

"Recadinho para o sr. Lula da Silva, o metafórico medíocre em exercício da Presidência da República. A casa é velha. Mas as sujeiras em pauta são recentíssimas. Têm o tempo do sr. e dos companheiros na mesa do banquete Federal."

Alexandre de Macedo Marques - 24/6/2005

"Nós estamos sendo enganados. E sendo enganados por aqueles a quem demos o nosso voto. A nossa procuração. O seu mandato. Elegemos pelo voto direto aqueles que se propunham a nos representar no Congresso Nacional elaborando leis e lutando pelas nossas necessidades. Mas agora o que vemos é um quadro absolutamente diferente do que pensávamos. A democracia no Brasil é uma farsa! Votos são comprados, apoio político é comprado e pessoas são compradas e o pior com o dinheiro público. E agora? O que fazemos? Nós demos os nossos votos. Nós damos 27,5% do nosso salário. E o que recebemos? O princípio geral de direito da supremacia do interesse público é também uma farsa, somente se prestando a estampar os livros de Direito. São interesses eleitoreiros, interesses partidários e pessoais que movimentam a política e a administração pública brasileira. Ah... Sem falar dos princípios constitucionais contidos no art. 37 da nossa Carta Magna como o da Moralidade, o da Impessoalidade, o da publicidade, o da eficiência... Servem para alguma coisa? O povo, titular do poder constituinte, morre nas filas dos hospitais porcamente administrados. Não tem escolas, é analfabeto. O povo, titular do poder constituinte, não tem saneamento básico. Não tem moradia. O povo, titular do poder constituinte, é refém da criminalidade. E pior, refém dos políticos por ele eleitos. Mas os nossos Administradores públicos, estes sim, usam e abusam da máquina pública, do dinheiro público e da confiança e boa vontade do povo. O Povo foi desarmado pelo governo Lula... Será que foi de caso pensado? Será que o que se queria era diminuir a criminalidade? Por que não se investiu em presídios? Ou se aparelhou a Polícia, inclusive aumentando seus salários? Por que não se combateu a corrupção? Lembrem-se um grande número "deles" eram guerrilheiros... Ou seja, pegavam em armas para "garantir o estado democrático". O PT reina absoluto. Sem qualquer ameaça. Tem memória fraca! Que audácia do Sr. José Dirceu lembrar em discurso a época em que lutou pela liberdade, pela justiça e pela paz social. Acho que ele não sabe que as pessoas mudam... E que ele e sua turminha mudaram para pior. Foram corrompidos pelo poder e já não podem usar a sua história para "embelezar" seus discursos. Aquelas pessoas morreram. Isso já não convence. Como disse Maquiavel em seus Escritos Políticos: "Não nos enganemos: examinemos a nossa situação e a encaremos seriamente." Alguma coisa precisa ser feita."

Maria Luiza Dieguez - 24/6/2005

"Como dizia o misterioso bardo inglês, Billy Shakespeare, também no Migalhas há mais coisas do que imagina nossa vã filosofia. Pois não é que o "think tank" do bilioso/ameno noticioso acha que o Supremo feriu a independência dos Poderes ao sanar um autêntico crime de lesa democracia praticado pelo... (estou em dúvida que adjetivo uso para qualificar este cavalheiro, deixo em branco) sr. Sarney, em momento "esperto" dos seus Marimbondos de Fogo petistas. Agiu bem o STF, mesmo com a presença do seu politiqueiro Presidente, mordido por demoníaco marimbondo petista fantasiado de "mosca azul", levando-o a sonhar em   ser vice-presidente na futura (?) candidatura Lula. O opinião do jurista Ferreira Filho é a mesma de Montesquieu, minha, sua, nossa, de todos os que aceitam a democracia como "o pior dos regimes, tirados todos os outros." Mas que a esperteza matuta de vendedor de burro cego em feira maranhense, como a praticada pelo Sir Ney, (apud Millôr Fernandes), recebeu adequada correção no STF, não há que duvidar. Pelo menos para nós, pobres mortais, que não temos acesso aos mistérios entre o céu e a terra, como parecem ter o "Think tank" migalheiro e o digníssimo  "uma no cravo, outra na ferradura" Procurador Geral da República. Imploro todas as data vênias que existem entre o céu e a terra ao nosso impretérito Migalhas."

Alexandre de Macedo Marques - 24/6/2005

"Ao caro colega migalheiro Fábio de Oliveira Ribeiro. Parabéns pela análise do "pato manco" que é o nosso presidencialismo "coronelato". Saúdo-o com uma das frases símbolo dos 60: "Falou e disse!"

Alexandre de Macedo Marques - 24/6/2005

"Prezado editor, à migalha abaixo:

(Migalhas 1.194 - 23/6/05) - Migalhas dos leitores - Mistério "Senhores, Penso que o presidente Lula foi até muito modesto ao dizer que "ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética" do que ele mesmo. Esqueceu-se o nosso humilde presidente de mencionar que ninguém também tem mais expertise econômica do que ele. Ou por acaso há algum outro brasileiro que tenha criado os filhos, montado casa e vivido bastante bem obrigado, por 15 longos anos (1987/2002), sem emprego, capital, herança ou fonte de renda conhecida? Atenciosamente," Geraldo de F. Forbes

Valeria acrescentar: "... ou fonte de renda conhecida e que, após empoleirar-se no mais alto cargo, não se avexa ao ver noticiado que seu pimpolho patrocina memoráveis e divertidas férias para seus colegas de escola, incluindo viajem em aviões da FAB, mordomias e estadia nos melhores locais disponibilizados pelo poder central, às custas do erário?... Saudações migalheiras"

Ulisses Brandão - 24/6/2005

"A deputada Raquel Teixeira acusou diretamente o deputado Sandro Mabel de ter a ela oferecido um milhão de reais à vista e uma mesada de R$ 30.000,00 (mas que poderia chegar a R$ 50.000,00), para que ela saísse do PSDB e ingressasse em um partido da base aliada do governo. O deputado reagiu prontamente, afirmando ser tudo mentira (afinal ele tem mulher, filhos e 3500 empregados a quem precisa prestar contas...). E, na seqüência, esclareceu o deputado que só uma vez ouvira falar em termos de um milhão para a compra de apoio, e que isso se dera por ocasião da votação do "impeachment" do presidente Collor. E explicava que, naquela ocasião, tratava-se de obter apoio para impedir "impeachment", questão maior, evidentemente, do que a mera governabilidade do governo Lula. É impressionante como tem os políticos uma acurada noção de preços. Para deputados Federais o mensalão previa R$ 30.000,00 mensais; já em Rondônia cada deputado estadual exigia R$ 50.000,00 mensais; as revistas semanais atribuem à ex-prefeita Marta um mensalão municipal de R$ 120.000,00. E, para mudar de partido, um milhão, de "luvas", por certo. E tem quem acha que o preço é de ocasião."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 24/6/2005

"Vale a pena ver de novo:

"Se eu ganhasse a Presidência para fazer o mesmo que o Fernando Henrique Cardoso está fazendo, preferiria que Deus me tirasse a vida antes para não passar vergonha. Por que sabe o que acontece? Tem muita gente que tem o direito de mentir, o direito de enganar. Eu não tenho. Há uma coisa que tenho como Sagrada: é não perder o direito de olhar nos olhos de meus companheiros e de dormir com a consciência tranqüila de que a gente é capaz de cumprir cada palavra que a gente assume. E, quando não as cumprir, ter coragem de discutir por que não cumpriu."

Quem disse isso? Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, em novembro de 2000, em entrevista a Revista Caros Amigos. Resumindo: A ser verdade, ele deve morrer por esses dias. No entretempo, talvez ele, o presidente, deva marcar uma reunião com o ministro Antonio Malan Palocci. Talvez haja uma opção ao anunciado suicídio..."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 24/6/2005

"Existe um site www.lula.org.br, do Comitê Nacional Lula 2002. Nesse site pode ser encontrado o Programa de Governo do PT, o qual, em seus tópicos 63 e 64, tratam da Reforma Política necessária e que ele, Lula, se ganhasse, iria promover:

"63. A reforma do sistema político brasileiro é urgente e necessária para promover uma efetiva democratização da sociedade e do Estado, permitindo que as disputas eleitorais sejam mais transparentes, equânimes e capazes de abrir espaço para o surgimento de novas lideranças. Tal reforma acontecerá a partir de uma ampla discussão na sociedade e no Congresso. Não haverá pacote ou receitas prontas a serem impostas de cima para baixo. Essa reforma buscará introduzir um sistema de financiamento público das campanhas eleitorais, o que contribuirá para a diminuição do peso do poder econômico e da corrupção, tornando mais efetiva a representação política. Para fortalecer os partidos, dar-lhes maior nitidez programática e consistência, será proposta a instituição de listas partidárias nas eleições proporcionais, assim como a adoção de mecanismos de fidelidade partidária, impedindo a atual troca de partidos, que atingiu cerca de 50% dos deputados federais da atual legislatura."

"64. Finalmente, deverão ser adotadas medidas que assegurem a efetivaproporcionalidade da representação. Isso implica um equilíbrio entre o número de eleitores de cada estado e o de parlamentares, na medida em que a Câmara Federal, expressão da soberania popular, deve representar a sociedade da melhor maneira possível. Essas medidas centrais da Reforma política serão desenvolvidas e complementadas visando a uma efetiva extensão da cidadania, ao fortalecimento do espaço público e a um maior controle do Estado pelos cidadãos."

Bla, bla, bla... Sob a bandeira de não ser um partido fisiológico, ainda que se sirva, pague e use os fisiológicos, o PT, como de resto todos os partidos políticos, tem duas faces: uma que consta dos documentos do partido e é tema de campanha. Outra que, como se está acompanhando, não tem nada a ver com o Programa de Governo, meramente ilustrativo."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 24/6/2005

"No momento histórico em que todos os juristas do país comemoram os 90 anos do queridíssimo professor Goffredo da Silva Telles, no instante em que, alunos de Direito estudam com orgulho e esperança a magnífica obra do mestre Goffredo "O povo e o poder", os nossos representantes pisam, sem qualquer escrúpulo, nos nossos sonhos. Presidente, leia o livro, ele foi escrito para o seu governo, tenho certeza."

Marly Suely Zeraik Armani - OAB - 22.097 - professora na Universidade de Taubaté - 24/6/2005

"A recente decisão do STF determinando que em CPI já instalada procedessem os parlamentares à efetiva indicação dos nomes integrantes, não fere, a meu ver, a repartição dos poderes. Nosso sistema jurídico-legal, como todos sabemos, é formal e formalista, mas se aferrar a isso e deixar que iniqüidades tomem espaço em nome da forma pela forma, sacrificando a moralidade e a eficiência - princípios também formais previstos na CF (37, caput) - não me parece boa medida, até porque os objetivos, princípios e valores do Estado (vide, p. ex., art. 3. da mesma CF) devem ser observados por todos os poderes que o integram e, por fim, como diz Michel Temer, o poder estatal é, em verdade, uma unidade, é uno, sendo a sua repartição uma medida que visa limitar o exercício do poder afastando o arbítrio, ao mesmo tempo que obtém uma maior eficiência administrativa. Como não considero nosso STF uma exemplo do que se possa chamar de vanguarda, avanço ou modernismo no que tange às idéias ali defendidas nos respectivos julgamentos, me sinto à vontade para opinar que, desta vez, o Pretório Excelso acertou."

Antonio Minhoto - 24/6/2005

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