quinta-feira, 22 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Crise no governo

de 26/6/2005 a 2/7/2005

"Meio mundo afirma que o PT não é o mesmo. Digo eu que o PT não mudou. Apenas novas nuances, com as velhas  cores e tradicionais odores, não mais camuflados pelo manto diáfano da fantasia de "refundar o Brasil". Vejamos a evolução do PT, não a mudança. Do abuso das meias verdades passou à mentira deslavada. Da hipocrisia farisaica para o deslavado cinismo. Da "boquinha", tão amada por seus auto proclamados "intelectuais", para a desbragada mão grande. E bota mão grande nisso. Do oportunismo dos "fins justificam os meios" para um gangsterismo explícito em que sequer falta a eliminação física dos incômodos. Da  camaradagem para a "caterva". Da vassalagem ao Fidel à imitação, pobre e ridícula, do descaramento boquirroto de Chavez, explícito na ultima arenga do demiurgo de Garanhuns. Da manipulação dos inocentes úteis para fins políticos (ah! os caras pintadas...) à convocação dos mesmos para o delírio da ameaça da "conspiração das elites". Do dízimo cobrado aos "companheiros" ao bando de companheiros da mala preta  a serviço do "idealismo" petista. Enfim, o desnudamento do virginal PT e suas vestais de araque transformou-se num strip-tease de bordel de quinta com a criação de um mito absurdo: que "o pureza" de Garanhuns, absorto em suas andanças, barbas revolucionárias,iracundo esgar, rótulos pretos, frases feitas e abobrinhas de conversa de botequim, não sabia de nada. Haja coração... e saco!"

Alexandre de Macedo Marques - 27/6/2005

"Eu não sei que tipo de elite se sente prejudicada por Lula. Os banqueiros estão satisfeitíssimos, os usineiros sonegadores de impostos de Pernambuco e Alagoas riem à toa, e quando exportam riem mais ainda, por não incidirem tributos sobre o açúcar. Dizem que já tem "nêgo" fazendo exportação eletrônica. Os coronéis da direita (PFL) e da falsa esquerda (PSDB) não querem nem ouvir falar na queda de Lula, pois o PT comprando deputados aprovou tudo o que eles queriam e não conseguiram (leia-se Reforma da Previdência). Quem gostava de mutreta no âmbito da Secretaria da Receita Federal morre de amores por Jorge Rachid. Os grandes empresários estão de olho na reforma trabalhista para retirar direitos dos trabalhadores. Só o fabricante da Caninha 51 tem a reclamar, pois Lula poderia ser o pingunço-propaganda da sua cachaça."

Abílio Neto - 27/6/2005

"No dos outros é colírio... Li a nota publicada em Migalhas 1.195 (24/6/05 - "Busca"), sobre o depoimento do seu Catonho, pai do Delúbio Soares, em Buriti Alegre, Goiás. Realmente, parece que a única culpa da qual poderia ser o seu Catonho acusado é ser pai do Delúbio, o que não parece razão suficiente para algemá-lo, empurrá-lo e, inclusive, não terem permitido que, como desejava, tomar um banho para comparecer ao Ministério Público. Os fatos, diz a nota, causaram revolta e indignação no PT, que acusa o  MP de ter agido de forma arbitrária e violenta. Ora, ora, ora, então é isso? Tomara que possa o Delúbio, com todo o seu poder, devidamente assessorado pelos companheiros Dirceu, Genoino e Lula, não menos poderosos, colocar fim a tais arbitrariedades. A todas as arbitrariedades. Inclusive quanto às invasões de escritórios de advocacia. No final das contas, o companheiro é de casa."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 27/6/2005

"Ilustre Diretor: Trechos de diálogos de uma "CRI" (Comissão Real de Inquérito), segundo relato do bardo inglês: Rei Ricardo (II): Lencastre honrado, velho João de Gaunt, conforme teu penhor e juramento trouxeste Henrique de Hereford, teu filho temerário, porque ele sustente a grave acusação que não pudemos ainda julgar e que ele fez, há pouco, contra Tomás Mowbray, duque de Norfolk? GAUNT: Sim, veio ele comigo, Majestade. REI RICARDO: Dize-me, ainda: acaso já o sondaste? Não se funda em antigas desavenças a acusação lançada contra o duque? Ou provém essa queixa - como fora de esperar de um vassalo dedicado - de provas positivas de traição? GAUNT: Tanto quanto sobre isso foi possível examiná-lo, trata-se, realmente, de perigo que ameaça Vossa Alteza, não de malícia alguma da denúncia. REI RICARDO: À nossa presença os trazei logo. Face a face, sobrolho carregado contra sobrolho, agora nos dispomos a ouvir o que disserem livremente. ... REI RICARDO (a Henrique): Que acusação levanta o nosso primo contra Mowbray? Grande é, decerto, para nos fazer despertar o pensamento de algo ruim por ele praticado. BOLINGBROKE (HENRIQUE): Vêde: o que vou dizer, provo-o com a vida. Digo pois, que Mowbray recebeu oito mil como empréstimo do soldo do exército de Vossa Majestade, que ele desviou para uso inconfessável, como biltre injurioso e vil traidor... REI RICARDO (a Mowbray, Duque de Norfolk): ... Tomás de Norfolk, que responde a isso?... MOWBRAY: Então te digo, Bolingbroke, ao baixo coração, pela porta estreita e falsa dessa garganta: mentes! Pois três partes do pagamento de Calais em tempo foram devidamente distribuídas entre os homens de Sua Majestade. A outra parte eu guardei, depois de obtido consentimento do meu rei. É que ele me devia ainda o resto de uma conta, do tempo em que eu à França fora enviado para trazer-lhe a esposa. Agora engole toda a tua calúnia. .... (Shakespeare, A Tragédia do Rei Ricardo II, Ato I, Cena I) Qualquer semelhança é mera coincidência... Saudações."

Batuira Rogerio Meneghesso Lino - 27/6/2005

"Vivendo e aprendendo! Todo empresário sempre viu no político, basicamente, um corrupto que tinha seu preço. O PT, via em todo empresário, basicamente, um ladrão dos trabalhadores. Hoje, no poder, o PT ficou sócio dos em empresários e em nome da ideologia passou a integralizar o capital da Corrupção S/A! Será que o Brasil aguenta?!"

Eduardo Augusto de Campos Pires - 28/6/2005

"Complica-se a situação de Marcos Valério: o Banco Central detectou saques milionários em dinheiro associado a contas do empresário, acusado de ser o pagador do mensalão  (veja, 29/6/05). Digo eu que tudo em perfeita sintonia com as narrativas do deputado Jefferson e da ex-secretária Fernanda Karina Somaggio. Você, que tem muitas intimidades com sua secretária, cuidado! Você já é refém, não a descarte, não a magoe,  porque mulher se vinga. É muito ruim brigar com bicho de saia (mulher, padre e juiz togado). Parece que a melhor teta é mesmo contratos de publicidade. O PT realmente mostra-se diferente, como sempre afirmou que seria, embora a gente tenha entendido de outra maneira, isto é, que seria diferente como apregoava ser,  o monopólio da ética e da transparência. De fato, a idéia é genial: publicidade deixa vestígios, como as obras superfaturadas em geral, nas quais é possível cubicar concreto, por exemplo. Felizmente tudo não passa de uma genuína conspiração articulada pela oposição, psdb e pfl, como dizem lula e seus meninos. Afinal, Jefferson é deputado da oposição, as acusações de corrupção são endereçadas a testas de ferro indicados pelos partidos da oposição que ocupam todas as "tetas" no governo do PT, que, generosamente, permitiu que a oposição indicasse os ministros e os ocupantes de todos os cargos "rentáveis" nas estatais, como correios, IRB, Petrobrás, Eletrobrás, etc. etc. PT, parabéns, isto é que é ser um partido democrático. Conceder tantas benesses à oposição! PT, realmente um partido diferente! Abraços a todos os migalheiros."

Aderbal Bacchi Bergo - migalheiro - Juiz de Direito - Aposentado - 28/6/2005

"Trocando em migalhas, não há, como nunca houve, muito em quem confiar." O mensalão existe desde que Caim e Abel resolveram puxar o saco do Criador (que não era vegetariano, pois aceitou as picanhas do Abel). Essa prática só muda de nome: 'canetaço', 'é dando que se recebe', 'toma que o cargo é teu', 'braguetaço', 'cunhadaço', 'Severinaço' e mais outros mil ...'aços'. Não há e nunca houve vestal no Executivo, Legislativo ou Judiciário. E muito menos na imprensa e escassamente nos banqueiros e empresários. É só querer investigar que não fica um. Nem o Migalhas."

Cecy Fernandes de Assis - 28/6/2005

"O noticiário nacional está informando que o Ministro Thomaz Bastos afirma que "nunca se combateu a corrupção como agora". Pode até ter alguma coisa de verdadeira em tal declaração em termos quantitativos de denúncias e apurações, mas o que a sociedade está assistindo é que a corrupção está sendo praticada dentro do governo, pelo governo e esse governo empreendeu grande esforço para evitar a apuração dos fatos, ao tentar impedir a criação de CPIs (caso Waldomiro, Jefferson, e vai se saber o que mais...). Isto o Nobre Ministro não reconhece ou prefere omitir sua opinião a respeito? Será que somos todos idiotas, ou apenas acham que somos? Eu não tenho mais "estômago" para ouvir o Sr. Lula da Silva e outros em seu nome. É muito triste."

Maria Aparecida de Almeida Leal Wichert - Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - 28/6/2005

"Vamos ver como é que o publicitário Marcos Valério, acusado de atuar como caixa dois do PT, explica essa estória de sacar R$ 20,9 milhões do Banco Rural para comprar gado. Esse dinheiro daria para comprar umas 40 mil cabeças, quase o tamanho da maior boiada do Brasil, dos irmãos Quagliato, do Pará. É chegada a hora de o rei do gado Marcos Valério dar nome aos bois."

Iracema Palombello - 28/6/2005

"Lula e os componentes de seu governo carecem, à evidência, de experiência administrativa. Isso, aliado à falta de interesse de seu líder maior em gestão, deixam a situação do PT muito difícil. Lula sempre se deu melhor no palanque, sintetizando o imaginário da população. Seu governo, entretanto, só se sai melhor em áreas nas quais exista alguém preparado coordenando direito. Ou seja, e somente, na área econômica, na qual o governo, após manter a linha do MALAN na economia, socorre-se, agora, do Delfin Neto para tornar palatável a economia do país. Os outros, José Dirceu, Guchiken "et caterva", demonstraram-se sem qualquer pendor administrativo. Só sobrou para Lula o PMDB, representante do fisiologismo nacional, que agora cobra caro, muito caro, para aceitar, relutantemente, cargos de mando no barco à deriva e com furos no casco. Para Lula, tudo bem, pois não vai ser ele a administrar o país. Melhor ir para a Venezuela, apreender com o companheiro Chaves. Assim, entre uma viagem e outra, entre uma metáfora e um comentário idiota do presidente, entre um discurso irado e uma demonstração de irritação, assistimos o  PMDB, sem eleições, assumir o poder e a tutela do relativamente incapaz presidente. Tudo bem para eles. Pior para nós, que vemos o país loteado, os cargos públicos servindo só como moeda de troca, a corrupção comendo pesado, enquanto que o Brasil se desmorona, entre despreparados, corruptos e aproveitadores de toda sorte. Como dizia o Zé Dirceu: É, a vida é dura..."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 28/6/2005

"A mobilização de todos exigindo a devida apuração dos fatos relacionados às denúncias de corrupção no governo e a punição dos culpados mostra-se importante para que os gestores da coisa pública sejam devidamente punidos pelo seu mau-uso. Contudo, temo pelo surgimento de oportunistas, que se valham do delicado momento político para subverter a ordem, em prejuízo do regime democrático conquistado a duras penas pelos brasileiros. Deixemos que as providências sejam tomadas pelas nossas autoridades e que os agentes sofram as sanções civis, penais, administrativas e políticas que se mostrarem cabíveis. Sigamos as regras do jogo democrático!"

Luciano Moreira de Oliveira - 29/6/2005

"Ô que saudade danada

Do tempo de sindicato

Fazer greve era um barato

E beber a loura suada

Jogar a minha pelada

Tudo com tranqüilidade

Eu nunca tive vontade

De mandar ou governar

Mas fizeram acreditar

Que eu seria Presidente

Pra ser refém dessa gente

Que hoje quer me lascar!

Se esse clima esquentar

Vou perder minha lavoura

Antes eu agarro a loura

Pois bom mesmo é viajar

Se nada tenho a falar

Da compra de deputado

Nem o dinheiro sacado

Mandei Valério entregar

Zé Dirceu vai explicar

Vou saindo de fininho

Pois o Delúbio e Silvinho

Acho que vão se ferrar!

Afirmo que não sei nada

Muito menos algo eu vi

Mas nesses dias sofri

Igual a alma penada

Perco o sono da noitada

E me dano só em pensar

Será que vai se acabar

Minha vida de folgado

O Jefferson foi enviado

Pra fazer do riso pranto

Mas repito e agaranto

Eu sou um obturado!"

Zé Preá - 29/6/2005

"O presidente da república prometeu, quando eleito, manter a estabilidade financeira do país e, além de promover o desenvolvimento, conseguir a tão sonhada inclusão social para as populações mais carentes. Os escândalos que permeiam o atual governo desde a primeira hora, impedem o crescimento econômico tão sonhado e prometido e desembocam, um ano após o caso Waldomiro Diniz, no caso Correios, IRB, Petrobrás e a tudo coroando, o mensalão. O senhor Inácio da Silva alega nada saber com relação às denúncias. Não se compreende a origem desta miragem claramente desmentida pelos seus próprios companheiros, senhores Dirceu e Delúbio. Nas palavras do senhor Dirceu "Eu faço o que o presidente manda e não faço nada sem o seu consentimento". Já do senhor Delúbio "O que eu fiz foi decisão partidária. Seu eu sair, vai ter de sair todo mundo". A conclusão que se tira das declarações de seus auxiliares é totalmente contrária à afirmação do senhor presidente quando diz que "Ninguém neste País tem mais autoridade moral e ética do que eu para fazer o que precisa ser feito". O senhor presidente, cuja inteligência e esperteza permitiram que de retirante miserável se tornasse o homem mais poderoso da república, não pode não saber o que acontece a partir da própria casa, o palácio do planalto. Essa afirmação é um insulto à inteligência de qualquer brasileiro. Já o senhor Genoino é mais sincero e diz que "o Brasil está diante de uma grande mentira". Está mesmo. É a grande mentira da corrupção, do uso das empresas estatais para servir os amigos, dos cargos de confiança que nos impõem o atraso que o país não merece e por que não, da inimputabilidade da corte governamental que nos sufoca, culminando com a ridícula negativa do presidente quanto à sua participação nos "esquemas". É nesse contexto que, às denúncias feitas pelo deputado federal Roberto Jefferson, recheadas de provas, soma-se à operação abafa da CPI dos Bingos e do caso Waldomiro Diniz, ao melancólico desfecho da CPI do BANESTADO, à concessão de status de ministro ao presidente do Banco Central, às denúncias contra o ministro da previdência Romero Jucá e põe nu o rei e sua corte. Lembremo-nos que tudo que o senhor Inácio da Silva prometeu, o senhor Collor de Mello também o fez, com a diferença que recebeu o país com uma inflação parecida com 5.000 por cento ao ano. Lembremo-nos que o senhor Collor de Mello foi escorraçado da presidência antes do término de seu mandato e o seu assecla todo poderoso, Paulo César, assassinado. A versão conhecida é a que o presidente vivia, economicamente, à custa de dinheiro desviado pelo amigo e tesoureiro de campanha. Lembremo-nos que os rumores de corrupção entre os seus associados começaram a circular no primeiro ano do seu mandato e, contra o próprio Collor não foram feitas acusações, até ao dia que o irmão do Presidente, Pedro, divulgou uma série de informações pela revista Veja que publicou um extenso dossiê, reunindo provas contra o senhor Presidente, apresentado pelo irmão Pedro. Estes fatos que se repetem agora com uma fidelidade impressionante ocorreram há menos de duas décadas. Devemos nos questionar se a nossa sociedade era mais aguerrida então, ou, o que parece mais razoável, hoje o controle social por parte do governo e dos partidos políticos, muito mais eficiente. Se não, onde estão os caras-pintadas que deveriam estar na Paulista? Estão omissos. Não foram vistos. Em vez de lá estarem, o que se vê são pedidos generalizados de apoio ao senhor presidente por parte dos chamados movimentos sociais, seja lá o que isto quer dizer. A presidência da república e o congresso nacional estão sob suspeita, em conseqüência de fatos muitas vezes mais graves do que aqueles que culminaram na dispensa do senhor Collor de Mello antes do fim de seu mandato. O que veremos, no entanto, é a continuação da compra de mandatos, sob o apelido de reestruturação ou recomposição da base parlamentar do governo e a punição exemplar de alguns pobres gerentes das estatais mencionadas e porque não, de algum publicitário desavisado. É hora de nova ação social que repita aquele exercício de cidadania que tanto orgulho trouxe ao povo brasileiro. O que se impõe, é varrermos este governo que aí está para limitar o dano, e, exigirmos a renovação da ordem jurídica que garanta isenção diante dos crimes ora cometidos pela corte governamental contra a sociedade brasileira, a privatização das estatais produtivas e a implantação imediata da contratação de funcionários públicos somente por mérito, somente. É a nova oportunidade de promover a tão sonhada república para beneficiar o povo brasileiro e não para continuar a alimentar essa corte corrupta que sufoca o Brasil."

Thadeu T. de Freitas - engenheiro civil e rotariano - 29/6/2005

"Atendendo ao chamado de José Dirceu, os movimentos sociais liderados pela Consea (Coordenação dos Movimentos Sociais), MST, UNE, CUT, CPT, CIMI, Pastorais Sociais da CNBB totalizando 43 entidades, lançaram em 21/6 uma Carta ao Povo Brasileiro, na qual jogam a culpa da atual crise nas elites que 'iniciaram através dos meios de comunicação uma campanha para desmoralizar o governo e o Presidente Lula, visando enfraquecê-lo,  para derrubá-lo ou obrigá-lo a aprofundar  a atual política econômica e as reformas neoliberais, atendendo aos interesses do capital internacional'. Precisa dizer que é coisa patrocinada?"

Ricardo Palombello - 29/6/2005

"Sr. Editor, no período revolucionário dizia-se que o Dr. Ademar de Barros, se comparado aos militares, não passaria de um reles trombadinha; depois da entrevista do Gabeira no Jô Soares, podemos concluir que Fernando Collor e PC Farias não passavam de desastrados batedores de carteira."

Paulo Lara - advogado - 29/6/2005

"Quem assistiu ao programa do "Jô" ontem à noite (28/6/05), pôde ver o pensamento de quatro ilustres jornalistas políticas sobre a crise do atual governo. Aliás, a "Globo", ao que parece, não sabe mais em que "canoa" por o pé. "Jô" com muita propriedade convidou as pessoas certas para analisar a questão e ditou a maneira como os fatos devem ser encarados pela empresa. Graças a Deus, ainda temos secretárias e pessoas honestas neste país, e com um pouco de boa vontade ainda poderemos consertar alguma coisa de ruim. Abaixo os corruptos, abaixo o corruptor (PT), cassação para os "Dirceuzinhos da vida"."

Jacy de Souza Freire - 29/6/2005

"Sr. Diretor, li no Migalhas 1.198 que "Lula vai anunciar hoje (29/6/05), provavelmente em uma cerimônia no Palácio do Planalto, um PACOTE anticorrupção...". Não estou sendo pessimista, mas pode ter certeza que existe um equívoco nesse texto. O lógico seria: "Lula vai anunciar... um CAPOTE (disfarce, no sentido figurado) anticorrupção..."! Dê chibatadas, no redator, pois esse erro é inadmissível."

Olavo Lira Barbosa - 29/6/2005

"Muito já se comentou da falta de experiência administrativa combinada com a falta de interesse em gestão, não só do presidente, mas também dos que o cercam. Hoje ninguém duvida que o PT jamais teve um projeto de governo, mas tão somente um projeto de poder. Gilmar Mendes, ex-advogado geral da União e hoje Ministro do Supremo Tribunal Federal comenta um outro aspecto da desorganização que tomou conta da administração, atingindo em cheio o judiciário, sempre acusado de morosidade. Mais ou menos 15% do total de ações protocoladas no Supremo são de responsabilidade da União, seguida de perto pelo INSS e Caixa Econômica Federal. Uma grande parcela dos processos em tramitação perante as cortes brasileiras se originam da mais absoluta falta de coordenação entre os entes da administração pública. O consultor geral da União, Manoel Lauro Volkmer está incentivando a criação de uma câmara de conciliação na AGU, para tentar evitar que órgãos públicos entrem com ações contra outros órgãos públicos, seus pares, principalmente em razão da óbvia falta de lógica nesse procedimento, já que a União não poderá, jamais, sair vencedora de uma questão judicial contra ela mesma. Gilmar Mendes, hoje no Supremo, onde tramitam muitas ações desse tipo, afirma que: "É a revelação de uma crise organizativa, de falta de controle mínimo da União sobre os atos de seus entes." E conclui: "Se você pensar bem, os presidentes de todas as autarquias da União cabem dentro de um ônibus. É falta de organização". Até quando deveremos suportar essa crise de gestão, esse desinteresse por administrar o país, a balburdia criada na área social com projetos absurdos e fracassados, além da corrupção, os interesses escusos agora revelados. Como disse Gilberto Dimenstein, em sua coluna na Folha de São Paulo: "A verdade é que, para Lula, gerir a Presidência, com tantos aprendizados em meio a tantos erros, é um maravilhoso programa de trainee."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 29/6/2005

"Prezados, Diante da situação política nacional, nada melhor que reler Eça de Queiroz e a atualidade de seus textos escritos em 1871. Nossas Saudações.

No estado em que se encontra o País, os homens inteligentes que Têm em si a consciência da revolução - não devem instruí-lo, nem doutriná-lo, nem discutir com ele - devem farpeá-lo. As «Farpas» sao pois o trait, a pilhéria, a ironia, o epigrama, o ferro em brasa, o chicote - postos ao serviço da revolução.
Carta a João Penha, Jun. 1871







 

As FARPAS
Capa do vol. 1 (Maio de 1871)


Estamos perdidos há muito tempo...

O país perdeu a inteligência e a consciência moral.

Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.

Os caracteres corrompidos.

A prática da vida tem por única direção a conveniência.

Não há princípio que não seja desmentido.

Não há instituição que não seja escarnecida.

Ninguém se respeita.

Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.

Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.

Alguns agiotas felizes exploram.

A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.

O povo está na miséria.

Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.

O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.

A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.

Diz-se por toda a parte, o país está perdido!

(Eça de Queirós escreveu isto em 1871)."

Ricardo Estelles - 30/6/2005

"São partes de uma relação entre o privado e o particular, havendo ainda mais dados sobre o assunto: (Fonte: Revista Carta Capital - edição de 29/6/05.) Ação 3112/2004 - STF - contra o Estatuto do Desarmamento - Autor: Deputado Roberto Jefferson - recebeu doação de R$ 50 mil da Taurus - fabricantes de armas. Deputado Mendes Ribeiro - PMDB/RS - Projeto de Lei 5.064/05 - adiando o início da proibição de propaganda de cigarros em eventos esportivos - o fim da publicidade deve afetar a Continental Tobbaccos Alliance que em 2002 doou ao Deputado R$ 20 mil. Deputado Carlos Alberto Leréia - PSDB-GO - recebeu da Sama proprietária da única mina de amianto R$ 300 mil - é o mentor de documento, manifesto pró-amianto, afirmando que o amianto não representa perigo à saúde. Pneus remoldados - liberação de pneus usados importados - Senador Flávio Arns - PT/RS - negócio deve impulsionar a BS Colway - recebeu doação de R$ 15 mil da BS Colway - projeto libera a importação de pneu usado, caso o comprador siga contrapartidas ambientais - recolher e destruir carcaças inaproveitáveis. Senadores e Deputados boicotaram na reforma tributária a taxação de grandes fortunas e o IPVA de jatinhos e iates. Na comissão especial de exame das Parcerias Público-Privadas, dos 24 membros que fizeram o exame do assunto, 20 foram financiados por construtoras. Projeto 176/2004 - Senador Romeu Tuma - PFL/SP - propõe que os empregados escolham o banco de depósito de seu salário. Doações dos bancos - Marcos Maciel - PFL/PE - R$ 560 mil, Arthur Virgílio - PSDB/AM - R$ 310 mil - este deu parecer favorável à proposta do Senador Romeu Tuma, este recebeu R$ 410 mil. Doações graúdas - Odebrecht - R$ 10,9 milhões, OAS - R$ 8 milhões; BRADESCO - R$ 7,2 milhões, Itaú - R$ 7 milhões, Votorantim - R$ 9,7 milhões."

Marcos José do Nascimento - 30/6/2005

"Deu  no "Financial Times": crise política no Brasil não afetará economia. Por "coincidência", "Crise não mudará a economia, diz Palocci". Digo eu, pela milésima vez, que o governo do PT é o mais conservador que já houve, pelo menos no que demonstra como carneiro, já que, como lobo legítimo, o que é mesmo é de um radicalismo insuperável, a la Fidel, Chaves, ou a la guerrilheiros Dilma e Zé Dirceu, são eles que se auto-intitulam. Conseqüentemente, é risível essa desculpa esfarrapada dos membros governo federal e do partido do governo ao qual pertence Lula (PT), de que as denúncias sobre corrupção se constituem em golpismo da oposição. Porque as forças conservadoras às quais o governo se entregou não querem golpe algum, basta ver os lucros nos balanços trimestrais dos bancos, porque golpistas genuínos são os petistas que governam o partido e o país, se houver brecha eles mostrarão que são fidel travestidos de democratas, são de um radicalismo imbatível, e finalmente porque as denúncias não partiram do PSDB  nem  do  PFL, mas, sim, de um dos aliados da base governista, deputado Jefferson, presidente do PTB, a quem Lula tratava como fiel escudeiro. Dirceu, Genuino, Delúbio, Serginho, favor arranjarem  outra desculpa que essa de golpismo da oposição é cínica demais, não só para as CPIs do Mensalão e dos Correios, mas, também para a do WALDOGATE, do  assessor direto e de confiança do Dirceu,  Waldomiro, que o Sarney havia detonado a mando do governo federal  e que em boa hora o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL mandou continuar, graças a Ações promovidas por POLÍTICOS DECENTES, que ainda os há, tais como o SENADOR PEDRO SIMON, este sim é moela de ética e de transparência de que o PT tanto falou e fala, mas, que na hora da ação não usa. Se algum esquerdista for se inscrever em um partido político no Brasil, deverá ser o Partido da Deputada Luciana Genro, do deputado Babá, do Senador Suplicy, enfim, dos que foram expulsos ou do PT ou da direção do PT, porque são os poucos que honram as promessas dos palanques de 2003. Quem viu a Deputada Luciana Genro "recepcionando" o Zé Dirceu na Câmara Federal sabe do que eu estou falando. Se ele tivesse um mínimo de decência, não continuaria sorrindo como continuou, fingindo-se de surdo em conversas com outros presentes, mas, sim, derreteria de vergonha. Abraços,"

Aderbal Bacchi Bergo - Migalheiro - Juiz de Direito aposentado - 30/6/2005

"Ao que parece, desde o início do século as mesmas inquietações que hoje tem os advogados já as tinha Rui Barbosa, de quem se extrai algumas citações, bem próprias à atenta leitura de nosso diligente Ministro da Justiça.

"Fora da lei, a nossa Ordem (dos advogados) não pode existir senão embrionariamente como um começo de reivindicação da legalidade perdida. Legalidade e liberdade são o oxigênio e o hidrogênio da nossa atmosfera profissional." (Obras Completas de Rui Barbosa. V. 41, t. 4, 1914, p. 225)

"A suspeita é a justiça das paixões. O crime é a presunção juris et de jure, a presunção contra a qual não se tolera defesa, nas sociedades oprimidas e acovardadas. Nas sociedades regidas segundo a lei a presunção universidade, é ao revés, a de inocência." (Obras Completas de Rui Barbosa. V. 24, t. 3, 1897, p. 87)

"Os piores de todos os crimes, os que mais atacam a moral pública, e depõem contra a civilização de um povo, são as violências contra a lei pelos a quem ela incumbiu da sua guarda." (Obras Completas de Rui Barbosa. V. 40, t. 6, 1913, p. 208)

"Os  miseráveis,  os  aviltados,  os  criminosos  não  foram  postos  fora  das  garantias constitucionais. A  mais  desprezível  michela, o  larápio  mais  enxovalhado,  o  mais  atroz homicida têm no seu direito pontos invioláveis. Ninguém lho pode extorquir, nem a justiça, a coisa mais alta, mais augusta, mais santa neste regímen, que lhe deu a guardar a Constituição." (Obras Completas de Rui Barbosa. V. 26, t. 3, 1899, p. 151)

"Não  há  somente  crimes  de  ação,  há também  crimes de omissão. O Governo que,  por contemplação ou outros sentimentos inconfessáveis, deixe  de  mandar  responsabilizar  os seus subalternos quando responsáveis por atos que a lei qualifica de criminosos, prevarica, nos termos do Código Penal comum, e nos termos da lei da responsabilidade do Presidente da República e dos seus ministros." (Obras Completas de Rui Barbosa. V. 41, t. 3, 1914, p. 63)."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 30/6/2005

"Ontem dia 29/6, Migalhas ironizou: "Ainda vai aparecer alguém querendo beatificar Jefferson, com direito a estátua e tudo mais". Vai sim, Migalhas, e é da própria Igreja Católica. Há seis anos a Mitra Diocesana vinha tentando restaurar a Catedral de São Pedro Alcântara em Petrópolis-RJ e nada de recursos. Bastou o padre José Augusto Carneiro, pároco da Catedral, falar com Roberto Jefferson para que os recursos para a obra aparecessem em três meses e tudo dentro da legalidade. O dinheiro veio de estatais onde o PTB tinha influência: IRB R$ 570.000,00, Eletrobrás R$ 280.000,00 e Petrobrás R$ 285.000,00. Jefferson ainda conseguiu aprovação em tempo recorde do patrocínio do Ministério da Cultura e do projeto de restauração no IPHAN. A obra foi inaugurada em setembro de 2004 e apesar do inferno astral do deputado, o pároco disse: "Lamento o que está acontecendo porque ele é uma pessoa de muitos valores. É um amigo por quem rezo e peço muito". O padre José Augusto sempre liga pra Jefferson em Brasília pra lhe dar conforto espiritual e rezar com ele por telefone. Como Dirceu é ateu e o PT desde o fim de 2004 foi abandonado por frei Betto e pelo ex-frei Boff, fica fácil acertar quem vai vencer a disputa."

Abílio Neto - 30/6/2005

"O que torna a posição do PT indefensável é o fato de Roberto Jefferson, ao promover a denúncia, não se excluiu do rol dos que receberam recursos do PT. Lula, ao dizer que daria um cheque em branco ao Jefferson, quando todos os parlamentares do PT que apartearam na CPMI dos Correios querem massacrar o deputado denunciante, deixa claro que essa idéia de mensalão não foi dele, mas sim da alta cúpula do PT, sem o conhecimento do presidente."

Iracema Palombello - 1/7/2005

"Saiu a Ata da reunião da Comissão de Ética Pública do governo federal que, dentre outras "sugestões", pede "excesso de zelo" do ministro da cultura, Gilberto Gil, para que seu ministério assegure exame prévio pela assessoria de controle interno do mesmo, em situações capazes de configurar conflito entre interesses públicos e privados. Longo eufemismo para dizer que é essencial que o Ministro distinga entre o que é seu e o que não é. A comissão de ética foi mais longe, solicitando ao ministro para que pare e faça com que seus parentes também parem, ou seja, que se abstenham de pedir incentivos ao governo e que ele, o ministro, cesse de divulgar convites que recebe para fazer shows. E, considerando que Gil está Ministro, a mesma comissão recomenda que "desempenhe suas atividades artísticas apenas em caráter extraordinário, em horários compatíveis com o exercício da função pública." Será que era preciso tudo isso? Não deveria o ministro, como dizem os jovens "se tocar". E, já que ele deve estar "se tocando", tenho eu, também, uma sugestão, no sentido de que ele pare, por completo, essas ridículas apresentações não solicitadas, absolutamente constrangedoras. Refiro-me, especificamente, a cerimônias oficiais no Brasil e/ou no exterior, na presença de dignatários estrangeiros, no curso das quais nosso Ministro se extravasa cantando, tocando violão e, pior ainda, sambando e chacoalhando as cadeiras. Eu posso imaginar que ele tem o samba no pé e o ritmo no sangue. Mas é essencial que consiga se conter. Ele fica tão "tomado" que sequer percebe os sorrisos amarelos e expressões constrangidas dos presentes, à vista da violação do cerimonial. Mas, as palmas acabam saindo porque a isso se vêem obrigadas as pessoas, inadvertidamente colocadas nessa situação absurda."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 1/7/2005

"Com efeito, cada vez mais renova-se em mim a certeza de que Comissões Parlamentares de Inquérito não são ambientes mais apropriados para investigações sérias, a despeito da transmissão ao vivo. De parte a parte, há sempre muita manipulação, falta de preparo técnico para interrogar-se qualquer pessoa, seja denunciado ou testemunha. Salvo raríssimas exceções, um ou outro parlamentar sobressai-se nesse mundo de interesses tão pequenos. Há os que se arvoram em ditar normas de moral e conduta em tom elevado de voz, como se estivessem em um palanque, em plena campanha por eleição, há outros que tentam desvirtuar as leis, em especial a Constituição Federal, que funcionariam a reboque de seus argumentos pobres insustentáveis. Houve até deputado federal invocando imunidade parlamentar para o Deputado Roberto Jefferson, a fim de que ele respondesse às perguntas no momento que melhor aprouvesse, quando se sabe que, no curso de um depoimento, mesmo uma sindicância, quem responde, deve fazê-lo logo após ser indagado, uma vez que, de uma resposta, podem nascer novas perguntas, novas linhas de inquirição e a imunidade parlamentar não serve para uma atitude como esta. Não há como crer nesses embates políticos, em que se movem alguns atores movidos pelo interesse em aparecer na telinha, fazendo pose, gesto e usando timbre de voz apropriado para impressionar. Se é certo que há gente séria, disposta a um bom trabalho, mesmo que em minoria neste país, em especial no legislativo federal, mais certo ainda é que partidos como o PFL e PSDB pouco acrescentam às investigações, sempre cuidadosos em não avançar muito em determinados temas, em não aprofundar determinados ângulos de determinados assuntos, preocupados em colher dividendos da destruição da imagem do PT, amparados por uma mídia nacional que vive de lançar sempre um novo escândalo no ar, à busca de audiência e tiragem, quando não de outros interesses não confessados, que não vêm à luz, que, com muito escassas exceções, não primam nem por buscar ouvir a outra parte, quando um assunto cai-lhes no colo. Uma investigação séria atém-se aos fatos, ao que dizem os que depõem, nas suas contradições e omissões. Digno de nota é que o Deputado Roberto Jefferson calou, quando indagado sobre o financiamento da campanha de FHC em 1994, sobre o que ele afirmou na imprensa sobre doações por fora e por dentro, de um para outro partido, o PSDB e o PTB. Ele, simplesmente, não respondeu à pergunta feita, como em outros momentos, usando de artimanhas, buscou envolver parlamentares em elogios e divagações longas, mas sem responder ao que foi perguntado. Ele se assemelha à secretária demitida, para uns fatos tem uma memória prodigiosa, para outros, ele apenas se omite. Se ele tem muito a contar, como quer crer, seria interesse que contasse tudo, desde os tempos da era Collor, até os idos de hoje, sem omissões e sem tergiversar. O que, talvez, seria muito pedir a ele, posto que pelas suas atitudes até então, sua conduta assemelha-se a um teatro, em que ele fala, fala, usando de uma imunidade que está por cair e que se fora ele um cidadão comum, por muito menos já estaria preso e processado."

Marcos José do Nascimento - 1/7/2005

"Lanço a indagação aos juristas leitores, pois o deputado criminalista (especialista em crimes, né?) Roberto Jefferson, confesso mesmo antes de ser declarado réu, afirma: Recebeu do PT, 4 milhões de reais, cuja origem não é declarada, portanto duvidosa. Seria receptação? Desviou o dinheiro do destinatário, PTB. Seria infiel depositário? Assume o fato como cidadão, mas diz que não revela onde está o dinheiro e que também não o fará, mas reitera estar de posse dele. Seria roubo? Notem que o não tão pobre, quer dizer nobre deputado faz tais afirmações com um caráter de temporariedade, como se fosse possível ser criminoso e inocente ao mesmo tempo.  Chama as conversas que teve com a cúpula do PT de republicanas e "NÃO REPUBLICANAS', estas últimas, eufemismos para a palavra conchavo, do qual participa. Socorro leitores.... Como os pares, inquisidores dele na CPI não tiveram o tirocinio para raciocinar como eu, (corporativismo?), peço-lhes oh leitores que emitam suas opiniões, mesmo para provar que estou errado, mas se forem concordantes, ensinaremos aos membros da CPI a teoria de Disraeli que invoca das pessoas de bem, a mesma ousadia dos canalhas para acabar com a canalhice. Alardeou o deputado que um fio de água pura não passa pelo esgoto. Mostremos á ele e aos membros da CPI que nenhum fio de esgoto pode passar impunemente pela água pura. Quando um marginal delata seus pares, pode estar contribuindo para o bem estar da sociedade mas não estará em hipótese alguma se transformando num homem de bem."

Arthur Vieira de Moraes Neto - 1/7/2005

"Nosso presidente mais uma vez se dedicou ao improviso. Foi na posse do novo procurador geral da República. Sem grandes metáforas, Lula disse que todos são contra a corrupção, nos outros; que todos querem ver tudo investigado, nos outros. Que a corrupção faz parte dos maus hábitos dos brasileiros, e que os brasileiros precisam acabar com tais costumes. Aleluia. Pela primeira vez o improviso deu certo e o que foi dito tem sentido. Acostumado a ser pedra e não vidraça, e a atirar pedras nas vidraças dos outros, evitou o PT de olhar no próprio umbigo. Agora, há quem assista chocado o desenrolar da crise no governo e no PT, uma crise moral em que todos são vidraça, salvo honrosas exceções, dentre as quais, infelizmente, não se encontra a cúpula do PT. É de todo lamentável o esforço desenvolvido pelo partido, e pelo Governo que é do partido, em não serem investigados. Primeiro pela tentativa de obstrução da CPI. Depois pela luta pelo controle da CPI. E agora pelo triste espetáculo, constrangedor até, de deputados e senadores do PT, na nova situação de vidraça, tentando, por todos os meios, obstar as investigações e desviar o caminho da busca da verdade. A força com que o PT impede o Delúbio de se explicar, a violência do Genoino no mesmo sentido, o impedimento de a Polícia Federal verificar tanto o Delúbio como o Marcos Valério com qualquer operação de nome curioso como, por exemplo “A verdade salva”, são sintomas de que algo muito maior existe por aí, e anima o público a perder suas noites na nova novela das CPIs. O esforço do PT e do governo em ampliar para trás as investigações, para chegar ao governo anterior, merecia, mais, que tal ampliação se iniciasse com as informações de Pero Vaz de Caminha que, segundo consta, aproveitou sua carta para pedir emprego para um parente. De líder da ética (ao menos assim pensavam os filiados do PT), o partido descambou para a repetição (lo mismo, pero mas fuerte), pretendendo como única defesa o "sou, mas quem não é?" No fim, eu e todo o povo somos, mesmo, como diz o presidente: adoramos ver os outros investigados, já que corruptos são sempre os outros. E, em razão disso, mais um governo se vai. E com ele as esperanças de uma boa parte da população em que, dessa vez, as coisas fossem diferentes. Mas não são."

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 1/7/2005

"Reza o art. 14 da Lei 9.610/98 que "é titular de direitos de autor quem adapta, traduz, arranja ou orquestra obra caída no domínio público, não podendo opor-se a outra adaptação, arranjo, orquestração ou tradução, salvo se a cópia for sua". Nesse contexto, nosso Presidente perde uma grande oportunidade de registrar na Biblioteca Nacional suas pérolas. Primeiro ele adaptou, com maestria, a obra da própria natureza:

"Tive de esperar nove meses para nascer. Depois, onze meses para andar. Depois, doze meses para aprender a falar papai e mamãe. Por que vou fazer as coisas às pressas?"

Depois, traduziu:

"Se tem uma coisa que admiro nos Estados Unidos é que primeiro pensam neles, em segundo neles e em terceiro neles também. Se sobrar tempo, pensam um pouco neles outra vez."

E aí arranjou:

"Os descamisados vão acabar descuecados."

E quem disse que ele não sabe orquestrar?

"O Brasil vai precisar de uma pessoa que não tem diploma para consertar a universidade"

Definitivamente o ilustre autor dessas pérolas deveria registrá-las, afinal, vem aí eleição e nunca se sabe quando será preciso improvisar."

Eduardo Dietrich e Trigueiros - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados - 1/7/2005

"A corrupção corre solta. Mas existe uma incoerência no todo. Após a apuração, há que processar, condenar e confiscar os bens. Tal atitude talvez contenha um pouco a rapina. Meu ceticismo prende-se na verdade real de que um dos pilares do capitalismo é a corrupção (digo, roubo). Vide a mais-valia."

João Cláudio Loureiro - Caixa Econômica Federal - 1/7/2005

"Roberto Jefferson acusou, em uma nova entrevista à Folha de São Paulo, sua tribuna preferencial, um esquema de desvio de dinheiro da estatal Furnas. A acusação se referiu a R$ 3 milhões mensais, divididos em três partes, uma para o Diretório Nacional do PT, outra para o Diretório Mineiro do Partido e o último milhão dividido em duas partes, sendo R$ 500 mil para a própria diretoria de Furnas e R$ 500 mil para um grupo de deputados que trocaram o PSDB por partidos da base aliada do governo. Está difícil saber se essa base aliada do governo não é somente uma "societas sceleris". Digo "sceleris" porque tem óbvio caráter permanente, diferentemente da "societas criminis", mera associação de delinqüentes, formada apenas para o fim específico da prática de uma ação criminosa isolada. Mas, voltando ao assunto, a acusação estava no jornal Folha de São Paulo pela manhã. E, logo após o almoço, nova notícia: "Lula manda afastar diretores de Furnas citados por Jefferson". Duas considerações. A primeira é a de que, ao contrário do que nós do povo pensávamos, parece que Roberto Jefferson é o OMBUDSMAN do Governo Lula. Ele vê o que está errado e bota a boca no trombone. E o presidente vem a reboque, mostrando-se irritado e mandando afastar esse ou aquele, e exigindo "rigorosa e imediata investigação" (o que faz supor que, normalmente, as investigações são lentas e sem qualquer rigor). Outra consideração é a de que, tratando a denúncia de mais do que o mero furto, mas de uma divisão mensal do resultado da operação, não seria bom que o próprio presidente pegasse o telefone e ligasse para o Delúbio ou para o Genoino e perguntasse a respeito? Com todos os agentes federais invadindo escritórios de advocacia, seria de bom alvitre uma mãozinha ao Ministro da Justiça, já tão assoberbado com seu trabalho contra a corrupção. P.S.: Só para constar, são os abaixo indicados os deputados que eram do PSDB e mudaram para partidos da base aliada, segundo consta de quadro do site www.camara.gov.br:"

DEPUTADO

DO

PARA

DATA

Arnon Bezerra

PSDB

PTB

17/09/2003

Rose de Freitas

PSDB

PMDB

13/10/2003

Jovair Arantes

PSDB

PTB

07/08/2003

Pedro Canedo

PSDB

PP

11/02/2005

Ricarte de Freitas

PSDB

PTB

31/01/2003

José Múcio Monteiro

PSDB

PTB

14/05/2003

Luiz Piauhylino

PSDB

PTB

07/08/2003

Alex Canziani

PSDB

PTB

31/01/2003

Chico da Princesa

PSDB

PL

31/01/2003

Odilio Balbinotti

PSDB

PMDB

31/01/2003

Alexandre Santos

PSDB

PP

05/08/2003

Dr. Heleno

PSDB

PP

07/08/2003

Wilson Silveira - escritório Newton Silveira, Wilson Silveira e Associados - Advogados e CRUZEIRO/NEWMARC Propriedade Intelectual - 2/7/2005

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