segunda-feira, 26 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Faculdade para presidentes

de 10/7/2005 a 16/7/2005

"Migalhando a esmo: Em tempos de crise é que são valorizadas as nossas habilidades e virtudes intelectuais, para a solução dos problemas. Para se ir adiante é necessário ter fé. Muita fé, àquela crença inteligente, urdida, sofrida, testada, cujo exemplo bíblico encontramos em Jó, cap. 10 vers. 11 à 18, bom paradigma de afirmação e experimento do eterno enfrentamento e da luta do bem contra o mal. Os antagonismos naturais - de forças opostas - com os quais convivemos em sociedade. Por isso, continuando entreter imaginação sobre os paradoxos da sociedade brasileira, constato que existem hoje cursos para tudo, há um cardápio emaranhado de opções para as mais diversas profissões, que ensinam os caminhos para o desenvolvimento das nossas aptidões e vocações. Entretanto, considerando o dito do Doutor Anísio Teixeira, ... se a educação é a própria vida!Leia-se entre parêntesis a mensagem de Ennio Candotti, propondo a criação do Fundo Anísio Teixeira de Divulgação Científica:

(A popularização da Ciência, a divulgação e a educação não formal envolvem milhões de pessoas, mobilizam paixões interesses que podem mover montanhas. Para isso precisam, apenas, de alguns recursos e muita determinação. Clareza de que, se a ciência e os conhecimentos não forem compartilhados por todos, em breve se tornarão grave obstáculo para as democracias e fator de crescente exclusão na vida dos povos. É preciso pensar em instrumentos e sobretudo onde encontrar os fundos que nos permitam promover esta mobilização. Vejamos alguns exemplos: 1. Criar um Fundo Setorial Anísio Teixeira de apoio à divulgação e educação não formal em ciências humanas e naturais, utilizando para isso uma parcela (0,51%) do faturamento das empresas que operam através de concessões do Estado, como por exemplo em rádio, TV, WWW, etc. Este fundo, que poderia ser administrado pela Capes em homenagem a seu patrono, possibilitaria o financiamento de movimentos populares de educação e divulgação científica, laboratórios de educação e atualização profissional em C&T, museus, centros de ciências, documentação e memória, formação de professores e instrutores, além de publicações, vídeos, filmes, etc....)

e portanto, não é dado a ninguém parar de viver enquanto se educa, enquanto persegue os caminhos de uma boa formação acadêmica. Vejo que está na hora da sociedade em geral, levantar ecos em favor da fundação urgente, da FACULDADE PARA PRESIDENTES. Pois se deitarmos os olhos sobre a história político/administrativa de nosso país vamos com muita facilidade deduzir que jamais ao longo de toda a nossa breve história de Nação jovem, tivemos um Presidente ou Rei, capaz que reunir as condições Morais, Intelectuais e Científicas, imprescindíveis para o exercício do cargo, o maior de todos, o de Chefe de Estado. Muitos subiram as rampas dos palácios, sem nutrirem as mínimas condições de discernimento para poder fazer as escolhas, sobre os mais caros destinos da Nação e de seu povo. Nesse contexto, sugiro reflexões sobre o tema, peço auxílio aos ilustres e cultos articulistas, filósofos, poetas e pensadores da Família Migalhas, para que se inaugure um bom e competente debate social, com o fim de inaugurarmos a FACULDADE PARA PRESIDENTES. Quem sabe o seu primeiro formando resolve, após aprofundados estudos sobre a importância das atribuições do seu cargo, sugerir defendendo a sua monografia de conclusão, a mudança do dito em nossa Bandeira, para: ORDEM É PROGRESSO, e nos damos conta que a gravidade do momento político atual, depende da introdução de um acento AGUDO, em nossa bandeira nacional, em nossa alma, em nosso caráter e vergonha na cara."

Cleanto Farina Weidlich - 11/7/2005

"Acerca do tema de Cleanto Farina, Faculdade para Presidentes, ocorre que, em síntese, nessas crises descobertas e nas veladas, que não vêm a público, temos, acima de tudo, uma crise de ordem moral, não a moral convencional, mas a mais profunda, em que o ser humano defronta-se com o seu livre arbítrio (para os que ainda pensam em fazer algo certo) entre optar pelo mais correto, em prol da coletividade e dos interesses públicos, ou defender interesses particulares escusos. A ética, como proposta de conduta, é sempre deixada de lado. Acontece que nós, como povo, fomos educados, ao longo do tempo, para termos duas morais, uma de uso público, outra de uso privado, uma defendida em nossos templos de fé, e outra usada na nossa vida de relação, nos mais variados setores dela. O que é o perdão buscado nos templos de fé, senão a sanção do erro, com uma prática de cunho de exterior? Esse valor tem permeado toda a nossa sociedade, ao longo de sua formação e daí surgem os mais variados desvios, em todos níveis e de todos os tipos. Assim também ocorre com a ética, prega-se uma ética em público, usando-se outra no particular. Os políticos, alguns deles, senão a maioria, têm feito isso ao longo de muitas campanhas, pregam uma verdade nas praças e no horário de televisão, mas nos gabinetes e nos corredores, usam uma verdade bem diferente da veiculada para os seus eleitores, crédulos de que estavam fazendo a melhor escolha. É interessante notar, em alguns momentos, os canais de televisão do legislativo federal, tanto o da Câmara dos Deputados quanto o do Senado, temos visto, em alguns momentos, de passagem, comportamentos estranhos e curiosos, quando não contraditórios. Um senador defende que não defende interesse do Banco Opportunity, que viu seu presidente umas três ou quatro vezes, mas que no entanto possui uma amizade de vinte anos com um de seus diretores, ora, esse fato, por si só, já caracteriza ser suspeita a opinião do parlamentar. Uma deputada federal, com a autoridade de ter exercido a magistratura, afirma que não devemos olhar para trás, todavia, não há como entender esse tipo de argumento, posto que não há fato isolado no tempo, e os fatos sociais, assim como os históricos, são conseqüência de causas anteriores, algumas até talvez bem mais distantes. Talvez ela com isso quisesse proteger seu ex-partido, o PSDB. Um exemplo claro dessa situação é que, já no Segundo Império, os dois partidos então existentes, o Conservador e o Liberal, alternavam-se no poder, vivendo, ambos, de verbas e cargos públicos. A ética deveria ser disciplina obrigatória do currículo escolar, em todos os níveis, assim como se deveria ensinar, desde as primeiras letras, noções de cidadania, de forma a que surja, nas novas gerações, uma nova mentalidade, posto que várias das que hoje estão aí não têm mais conserto. Na faculdade de Direito, já percebíamos o quão anti-ético tinha na conduta de certos colegas, no relacionamento entre estudantes e com professores, não obstante a carga de informação ética que foi oferecida, mas desprezada por alguns. Esses colegas, tornados profissionais, dificilmente serão operadores do Direito que se comportarão de forma ética nas suas relações. Daí advirão ou não os escândalos e os desvios de conduta. Somente com muito senso crítico e auto-crítico forja-se no ser uma vontade de agir com ética, de outra maneira, não passaremos de criaturas envernizadas, tendo nas belas palavras e no conhecimento científico um verniz social, sem conteúdo de profundidade, o que percebemos na sociedade em que hoje vivemos e, quiçá, não será na de amanhã, a que os nossos descendentes herdarão."

Marcos José do Nascimento - 14/7/2005

"Ainda sobre o tema Faculdade para Presidentes, temos que o conhecimento, embora um instrumento útil e poderoso, por si só, não dá caráter ao ser humano. No entanto, não defendemos a ignorância, nem tampouco o retorno às idades primevas da humanidade. Em nossos grupos de estudo, sempre costumamos afirmar que se o conhecimento desse caráter, o mundo acadêmico formaria anjos. O conhecimento é uma ferramenta neutra, em princípio, podendo dar-se a ele a direção que se quiser. O problema maior reside em que usa esse o conhecimento, o ser que o detém. Um mineiro notável afirmava que na vida temos escola para tudo, mas não temos escola que nos ensine a ser pais, filhos, mães, vizinhos. Percebemos, nitidamente, que o estado brasileiro como um todo, em todos nos níveis da administração pública, federal, estadual e municipal, pouco investe na educação de massa, com propagandas repetidas em televisão, em especial, a fim de ir formando na população hábitos salutares. Um exemplo clássico do que afirmamos é que o Código de Trânsito, contendo inúmeras normas de conduta, que dizem respeito tanto ao motorista quanto ao pedestre é desconhecido da maioria dos dois envolvidos na questão. As campanhas de uso da faixa de pedestre, inicialmente bem feitas, pararam por aí, não continuaram, assim como não foram feitas campanhas com outros temas sobre o assunto, no entanto a fiscalização eletrônica avançou em todos os sentidos, a ponto do DENATRAN retirar o requisito de aviso ao motorista de fiscalização eletrônica existente, avisando antecipadamente o condutor de veículo. O exemplo, por si só, dá o tom o descaso para a educação do povo como um todo, e de como é mais importante arrecadar do que educar. Houvesse educação constante, não haveria necessidade de tanto aparato eletrônico. Em toda a problemática humana, temos como fulcro o ser em si, o que ele pensa, o que ele valoriza, realmente, que se traduz em suas atitudes, nós agimos, conforme pensamos, conforme valoramos as condutas escolhidas ou rejeitadas, no entanto, sem que, coletivamente, a partir do individual, a sociedade mude, as situações de sempre, já conhecidas, ter-se-ão como repetidas e repetitivas. Parabenizo ao site, pela construção de um espaço livre ao livre pensar de cada um."

Marcos José do Nascimento - 15/7/2005

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