quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Edírzimo

de 10/7/2005 a 16/7/2005

"A Igreja Universal do Reino de Deus, fundada pelo bispo Edir Macedo, hoje morando nos Estados Unidos, alega que o dinheiro apreendido em Brasília, quando os portadores embarcavam em avião fretado, é produto de doação dos fiéis e que a entidade está imune do pagamento do imposto de renda. Essa alegação é uma justificação que não justifica nada. Apesar de ser imune a pagamento de impostos, a imunidade não a desobriga de manter contabilidade do numerário arrecadado e o seu destino, pois o destino do dinheiro é condição para a manutenção da imunidade fiscal. Além disso, os fiéis doadores têm direito a saber o que é feito com as suas doações, que, para muitos deles é feita com grande sacrifício. Parabéns à Polícia Federal."

Cláudio B. Costa - OAB/SP 11.087 - 12/7/2005

"Como curioso do marketing e da comunicação  tenho acompanhado, há longo tempo, as estratégias de da Igreja Universal para conquistar mercado,arregimentar  consumidores-fiés e ganhar dinheiro ( muito) no que poderemos chamar de "Mercado da Fé". O seu primeiro posicionamento de Marketing visava o mercado dos que culpavam os seus azares,  carências existenciais, doenças,desacertos familiares, etc, á coisa feita, à macumba, ao mau olhado. "Causas" enraizadas no pathos brasileiro. Este "mercado" ainda é visado pela Universal em especial com as "sessões de descarrego" agora também ao vivo e a cores, via TV Record e espaços comprados em outras emissoras. O chamado público-alvo é constituído, primordialmente, por classes C,D,E, migrantes e demais lumpen espalhados pela periferia das grandes cidades. Esta estratégia foi alvo de demanda judicial na Bahia, Roma do Camdomblé, com condenação desta. Com o agravamento da situação econômica e carência de emprego, um novo segmento de mercado começou a ser explorado. Novos produtos foram lançados, com nomes exóticos, e prometendo solução para tudo e para tôdos, com ênfase no emprego. É claro que além do "podem passar a sacolinha", cada campanha tem arrecadação especial com os chamados envelopes cujo apelo é o seu destino exótico. Jerusalém, Fogueira de Jericó, Caminho do Sal e tantos outros. O Velho Testamento alimenta a imaginação dos "bispos" e esta  não conhece limites. Este novo segmento de mercado cooptou dois estratos da classe média afogada em problemas financeiros e de sobrevivência: a média-média e a média baixa. E, finalmente, com uma percepção diabolicamente fantástica para o mercado, a Universal do Reino de Deus lançou produtos para o empresariado e profissionais liberais em dificuldade, acenando com sucesso garantido em suas atividades e recuperação de seus desastres econômico financeiros. No portfólio dos seus produtos é o que mais arrecada, presumo, para os cofres da Igreja, pois os dízimos são proporcionais aos haveres dos suplicantes. Uma arma infalível no marketing da Universal: o testemunhal, como manda a boa regra dos marketeiros. E tome pequeno e médio comerciante, pequeno e médio industrial, profissionais liberais, propagando a eficácia da "oferenda". Seus negócios recuperados, seus consultórios e escritórios cheios, suas dívidas pagas, suas novas casas, carros, viagens. Enfim o céu na terra obtidos através oferta na  "sacolinha" ou do envelope "sagrado". Os 10 milhões de reais em seis malas são café pequeno no faturamento da mandrakaria da fé. Para terminar  este breve apontamento não posso de abordar a "técnica da fidelização do cliente". Simples: ao abandonar a Igreja Universal, estará condenado a voltar ao estado anterior, como comprovam os testemunhos. Este "Baú da Felicidade da Fé", estelionato consumado, está aí protegido, inicialmente, pelo equívoco de considerar os espertalhões pertencentes a um credo ou fé. Agora pelo seu peso político e financeiro. Pois a Universal é, apenas, uma espantosa máquina de arrecadar dinheiro de pessoas em desequilíbrio existencial. Em nenhum momento os pastores e "bispos" agem como agentes de uma Moral ou uma Ética religiosa. Recomendo aos curiosos que  gastem algum tempo escutando os programas de rádio animados por um desses camelôs do impossível."

Alexandre de Macedo Marques - 12/7/2005

"O mais interessante nessa história das "doações" é que a maioria das notas eram de R$ 50 e R$ 100 reais. E a desculpa oficial da Igreja era que "os bancos não aceitavam grandes depósitos em  notas pequenas". Puxa, como o nível aquisitivo das pessoas que freqüentam a Universal é alto, hein? Eles já estão tão acostumados com doações de R$ 100 que pra eles já é "nota pequena". Deviam cobrar o dízimo em dólar!"

Siddharta de Oliveira Campos - 12/7/2005

"Assistindo os fatos que envolvem a apreensão de dinheiro dito dos dízimos da Igreja Universal, estranha-me profundamente que os comentaristas (todos) se esqueceram daquelas cenas inacreditáveis que a Rede Globo exibiu, há cerca de 10 anos, mostrando a farra que os bispos faziam numa praia e, se não me lembro mal, em um hotel, gargalhando e caçoando dos "fiéis" que lhes davam o dinheiro. Será que minha memória é tão prodigiosa que só eu me recordo? Certamente que não. Alguma explicação deve haver para isso."

José Fernandes da Silva - 13/7/2005

"Não participo do pensamento do ilustre migalheiro Cláudio B. Costa. Dias passados quando o "CARECÃO" lá de BH se preparava para entrar em cena nacional, a polícia federal lançou o filme Cervejaria De ITU. Ontem (11/7/2005) quando o MP planejava lançar o filme INSS/PT/Firjam e também seria lançado o filme milagre da multiplicação = R$ 1,00 que virou R$ 5000.000,00 do LULINHA, a PF mais uma vez saiu na frente e lançou As SETE MALAS que ofuscou os outros lançamentos COM MIL DIABOS, AÍ TEM JACUTINGA. Um abraço a todos."

Nota da Redação - Ao enviar a carta o migalheiro ainda não tinha a informação da fresquíssima operação Narciso.

Jose Roberto Amorim - 13/7/2005

"Há malas que vêm para o bem....de poucos."

"MALAS QUE VÃO E VÊM...

Zé da Silva, não pensastes na besteira
De colocar, plácida e imóvel, a mala na esteira?
Não imaginastes que, Raio X à postos,
Vigilantes, os policiais a tudo estariam dispostos?

E você, Bispo João, o que pensas das malas que traz?
Seriam tolos, os homens da paz?
Se imaginavas, no hangar, operar um milagre
Morrestes na praia...amargando o sabor de vinagre

Zé da Silva, imaginem, ainda tinha reservas
Portava, matreiro, sexy dólares em estranha região
Que, previdentes, os da lei indicaram sem neles tocar...

O Bispo João, dizem, inda tentou amaciar "co'umas cervas..."
Mas, resoluto, o policial tirou a mão
E, rapidinho, entronizou o ex-santo bem longe do altar."

Pio Pardo - 13/7/2005

"Integral apoio ao advogado Cláudio B. Costa ("Edírzimo" - Migalhas 1.208). Acho que nossos legisladores, tão pródigos na elaboração de leis, em vez de produzir gastos com referendos populares para ver se o povo quer ou não se desarmar, bem que poderiam pensar numa lei que desvinculasse a religião da política, no sentido de não permitir pessoas exercendo mandatos eletivos políticos e detendo função religiosa. Desde a idade média que o poder temporal nunca deu bom resultado com ingerência no espiritual, sendo a recíproca verdadeira."

Eldo Dias de Meira - 14/7/2005

"Não simpatizo com a Igreja Universal, não sou filiado ao PFL, nem muito menos eleitor do Deputado Federal Batista Ramos ou em São Paulo, no entanto vi a íntegra do discurso do Deputado Federal em questão, assim como a nota da Febraban, e justiça seja feita:  o que o Deputado alegou foi que "nenhum gerente de banco aceitaria contar tamanho volume de dinheiro para logo em seguida transferi-lo para outra conta", isto é, sem que fosse possível fazer qualquer operação e se beneficiar daquele depósito que tanto lhe tomou tempo para fazer a contagem, como de fato ocorre na prática, já a Febraban, por sua vez, trata o "depósito" de uma forma genérica, não leva em consideração essa situação concreta. Estaria a Febraban, assim como a PF - Polícia Federal ou "Produção de Furos" (como bem elucidou esse informativo - Migalhas 1.208 - 13/7/05) apoiando a continuação de mais um escândalo que joga lama na oposição e desvia o foco da imprensa e da população? Mas porque a Febraban apoiaria com tamanha veemência esse Governo Federal? Talvez pelo fato de que os bancos nunca estiveram tão ricos. Boa parte dos bancos obteve, apenas nesse primeiro semestre, lucro superior a todo ano de 2004. Parece-me que a Febraban é a verdadeira "elite", não os partidos de oposição como o Presidente quis acusar em mais um de seus momentos Chavistas, mas certamente essa "elite" não quer o "golpismo". Não estou em defesa do Deputado ou questionando a legitimidade da origem ou do destino do dinheiro encontrado, mas apenas fazendo justiça quanto à possível motivação do transporte de moeda nacional em espécie para São Paulo."

Eduardo H. Bismarck - 14/7/2005

"As recentes apreensões em aeroportos de somas vultosas de dinheiro em espécie, as quais seriam, em tese, oriundas de dízimo de fiéis, levam inevitavelmente à seguinte questão: a possibilidade de dinheiro em espécie estar circulando, livremente, sem qualquer controle de entrada e saída, o que dá asas para toda a sorte de desvios. Naqueles casos, alegaram que o dinheiro foi fruto de arrecadação de doações dos fiéis. E o problema começa exatamente por aí, pois, quem pode assegurar que isso seja verdade? Pode até ser que  parte do dinheiro seja fruto de doações; mas pode ser que não. Na condição de cidadão, eu não acredito nisso e creio, poucos acreditam na versão dada pelos bispos. É o caso inevitável da palavra-contra-palavra em razão do absoluto descontrole na declaração da origem do dinheiro, pois nesse bolo pode estar dinheiro oriundo de atividades ilícitas, tais como (falemos francamente) o narcotráfico, contrabando, caixa dois.  A Instituição "Igreja" - seja ela qual for -  é "perfeita", mas os homens que fazem parte dela - padres, bispos, pastores - não o são. Então, urge que no Estado - que é laico, mas não é leigo - adote providências no sentido de proibir a circulação de dinheiro em espécie no território nacional, a partir de determinados limites, sob pena de confisco sumário. Essa medida obrigaria a circulação dinheiro nas instituições financeiras, facilitando o controle e dificultando a vida daqueles que vivem no submundo do crime. Porque ainda que seja verdade que aquele dinheiro apreendido nos aeroportos seja fruto de arrecadação de doação de fiéis, nada, mas nada mesmo justifica a circulação de tão grande volume de dinheiro, em espécie. Os evidentes riscos decorrentes de tal empreitada - como assaltos, roubos, acidentes - somente são admissíveis e compensáveis se a finalidade e resultado dessa circulação seja altamente compensatório, ou seja, aconteça por força de motivos não tão abençoados assim, mas muito lucrativos, como o pagamento de mensalões, pagamento de corrupção, financiamento de campanhas eleitorais "por fora". Sem contar com o evidente enriquecimento ilícito de pessoas - "religiosos" - que vivem sob à custa do comércio da fé, possuindo belas casas e carrões na garagem, usando ternos bem talhados, e fugindo do fisco. Na década de 60 o então presidente francês, Charles de Gaulle, disse que "o Brasil não é um país sério". Estou começando a achar que, 40 anos depois, ele ainda tem razão."

Milton Córdova Junior - migalheiro - 14/7/2005

"A Igreja Universal do Reino de Edir Macedo foi esmigalhada esta semana e não apareceu nenhum defensor. Também pudera! Malas de dinheiro apreendidas e malas de dinheiro liberadas, pois o delegado da PF em Belo Horizonte se recusou a prender o vereador Carlos Henrique Alves da Silva (PL) junto com o deputado George Hilton dos Santos (PFL), pastores da Igreja, flagrados domingo à noite, 10.07, no Aeroporto da Pampulha com seis malas cheias de dinheiro. O delegado da PF resolveu liberar os dois porque verbalmente acreditou na história da origem e do destino da bufunfa. Na certa prevaricou. Essas fortunas enormes transportadas pelos pastores de Edir Macedo estão muito longe de caracterizar "numerário em trânsito", título de uma conta de ATIVO das organizações para contabilizar remessa de dinheiro. É normal que em algumas ocasiões algumas empresas sintam a necessidade de se valer desse tipo de operação, só merecendo o aval do Fisco se a escrituração contábil for confiável, assim mesmo nenhuma empresa séria se arriscaria a transportar tanto dinheiro em espécie. De todas as hipóteses levantadas pelos migalheiros para tão absurda situação, acredito na sonegação fiscal. Ao contrário do patrimônio, da renda e dos serviços dos templos, a movimentação financeira não é imune à CPMF, como também não são as aplicações financeiras, do Imposto de Renda na fonte. Visando driblar o Fisco, um trabalho "pastoral" dos mais importantes dos bispos de Edir, é desempenhar o papel de verdadeiras mulas no transporte dos tesouros da Igreja. Alô Polícia Federal, fique de olho e não prevarique feito o delegado de Belo Horizonte."

Abílio Neto - 15/7/2005

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