CPI do Cachoeira

21/6/2012
Arísio A. Fonseca Jr.

"Ouso discordar do "Editorial" da edição 2.898 de Migalhas. Embora geralmente eu concorde com as opiniões exaradas neste rotativo, não posso estar de acordo com o que se disse ali (Migalhas 2.898 - 20/6/12 - clique aqui). Ou melhor, pode ser que estejamos vendo a situação por ângulos diferentes, o que é natural ocorrer entre os homens. Ao que me parece, Migalhas aparta do juiz Paulo Augusto Moreira Lima a condição humana, transbordante dos sentimentos, emoções, talentos e fraquezas inerentes ao ser humano. O que se espera dos magistrados? Serem heróis? Vestir a toga não é usar uma capa que protege a pessoa das perversas consequências de usá-la. Heróis existem nos gibis; o máximo que conseguimos, na vida real, é atribuir o heroísmo a algumas criaturas, ainda que figuradamente. O julgador pode, sim, ser ameaçado e o é. O que não pode é o Estado, a quem serve este julgador, manter-se inerte e deixar o magistrado à sua própria sorte, tão-somente porque, ao se candidatar ao cargo, este sabia que ameaças fariam parte do exercício da magistratura. A vida pulsante das cidades é muito mais do que princípios constitucionais e normas legais. A segurança do juiz não se faz no mundo maravilhoso de boas intenções legislativas, mas, sim, em aparato policial e defesa efetiva da integridade física do magistrado. Se o Estado garantir que pode, de forma eficaz, prover a segurança do juiz, a fim de que este cumpra o seu múnus, verdadeiramente o magistrado deveria manter-se no caso. Caso isso não possa ocorrer, que se espere um herói destemido para meter-se em cachoeiras nada prazerosas e muito perigosas. Repito, tendo ordinariamente a concordar com Migalhas, porém, desta vez, discordo do uso argumentativo das virtudes abstratas dos magistrados."

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