Política

9/8/2014
Jorge R. S. Alves

É interessante como alguns de meus comentários desde o começo do ano (e até de alguns anos antes) com relação a que a oposição - em termos de partidos - deveria mostrar o que realmente quer mudar em termos de princípios e prioridades do Estado, e como, agora são de certa forma espelhados na mídia, como se isso fosse novidade e só agora possível de perceber. Nas atuais entrevistas dos agora candidatos eles continuam sem se aprofundar nas mudanças que a população gostaria que ocorressem e continuam apelando para a divulgação de mudanças genéricas e gerenciais sem se aprofundarem nas raízes dos problemas nem como as soluções devem ser encaminhadas. Um exemplo? A reforma fiscal que - óbvio! - depende do congresso e não da presidência! Nenhum presidente eleito por mais expressiva que fosse sua votação, que não será, teria poder de executa-la por si! Não tem respaldo dos partidos (que partidos?) para isso, e a população não tem sequer como analisar tal reforma para poder pressionar as bancadas estaduais ou o Congresso! As mudanças que queremos e que são necessárias são ao nível de estrutura de poderes e de transformação da 'República de bananas' tocada coronelisticamente, hoje existente, numa verdadeira República Federativa em que exista um Congresso atuante e representativo dos interesses nacionais e da população! Mas o que a oposição apresenta (assim como a situação) são apenas candidatos presidenciais 'absolutistas' que apenas demonstram buscar o poder para exercê-lo em função de seus interesses sem quebrar a estrutura que os tem beneficiado e da qual não pretendem abrir mão! Conta com o horário eleitoral 'gratuito' (sic) para convencer a população com 'imagens-embalagens' de que governariam melhor/diferente! Mas embora o 'lulo-petismo' e seu líder maior não tenham mais a força que tinham, como se percebe pela insatisfação mostrada nos índices de aprovação do governo e particularmente de rejeição à atual presidente - aliado ao fato de que Lula não tem conseguido aglutinar a população em suas intervenções a favor de seus candidatos - não há o contraponto proporcional na aprovação a seus oponentes! A população quer - embora não haja uniformidade nem um sentimento real em termos objetivos - mudanças, mas não de nomes obrigatóriamente mas sim de princípios e fundamentos, e nenhum candidato assumiu a liderança desse processo. Nem irá até Outubro. Pois ninguém muda seus principios e carácter em tão pouco tempo, se os muda! O que nos deixa no pior dos mundos: a continuidade do 'lulo-petismo' no executivo e um Congresso que, eleito dentro da estrutura politico-partidária que se baseia na cooptação para exercer suas funções, não terá como - nem interesse em - se debruçar sobre o que e como deve ser mudado para que tenhamos a República Federativa que precisamos para transformar o Brasil! Caberá aos grupos da sociedade civil analisar como intervir para mudar a estrutura politico-partidária do país de forma a que em 2018 possamos ter partidos que apresentem propostas as quais seus candidatos representem, e não candidatos que apresentam propostas mercadológicas e que comandam (quando efetivamente o fazem) partidos que visam acima de tudo a manutenção de privilégios que consideram 'direito adquirido' para seus grupos! Claro que toda a análise divulgada publicamente permite que ela seja negada pelos fatos uma vez que os agentes podem, ao pondera-la e nela acreditando, alterar seu posicionamento para evitar as conclusões exaladas. Espero, nesse sentido, que os fatos me desmintam!"

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