Corrupção

18/11/2014
Pedro Luís de Campos Vergueiro

"'A investigação não é terceiro turno eleitoral. As pessoas não podem levar para o foro político possíveis crimes que foram cometidos. Se eleitorizarmos a investigação, a colocamos em cheque'. Assim disse o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo a propósito da Operação Lava Jato. O que é certo, é que nenhuma investigação é ou pode ser condicional: alguma coisa que acontece faz com que ela seja instaurada, e as instituições que conduzem o procedimento, tanto a polícia, da qual V.Exa. é superior hierárquico, como o Judiciário não são instituições levianas. Muito pelo contrário, como muito bem ficou demonstrado no caso 'mensalão'. Tudo lá (mensalão) como cá (Petrobras) que veio e vem a público, decorre de uma investigação até por demais longa no tempo na qual registrou-se a ocorrência, como bem diz o ministro Cardozo, de crimes, crimes que causaram o esvaziamento ilegal do cofre público. E vir a público para revelar o que está sendo apurado e o que já o foi independe de época adequada: o cidadão que contribui pagando os seus impostos tem o direito de saber tudo o que aconteceu e está acontecendo com o dinheiro de sua contribuição para o Estado. O cidadão tem o direito de acompanhar as investigações quando já desenhados os delitos e as responsabilidades, tal qual é direito dos réus saberem nos mínimos detalhes do que está sendo acusado. Há aí, por necessidade, reciprocidade de interesses; daí a necessária publicidade. Assim, cogitar de uma eleitorização de uma investigação nada mais é, parece senhor ministro, do que pretender levar o sigilo espúrio ao que não mais pode ser sigiloso. Investigação é investigação, doa a quem doer e, sabemos, dói muito para os cidadãos se os envolvidos e futuros réus são servidores públicos ou acólitos de políticos, todos no mau exercício de suas funções. Por isso, sr. ministro, não perca seu tempo inventando palavra para justificar aquilo que é injustificável: a pauta, injustificáveis crimes contra a fazenda e a administração pública que ocorreram nos últimos quase 12 anos. E, para finalizar, sr. ministro, eleitorização é uma palavra que não existe, de forma que seu significado é desconhecido."

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