sábado, 24 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Telefonia

de 9/7/2006 a 15/7/2006

"Diante dessa vergonha nacional o que pretenderá o Judiciário fazer para penalizar as atitudes imorais da Telemar (Migalhas 1.450 – 10/7/06 – "Migas – 7" – clique aqui)."

Rodney Souza - 11/7/2006

"Acho que estão tirando conclusões precipitadas dos dados. A informação é de que a Telemar é a mais acionada (Migalhas 1.450 – 10/7/06 – "Migas – 7" – clique aqui). E só. Entrar com uma ação, no juizado especial é simples e, quase sempre, de graça. Processar e ser processado qualquer um pode. Gostaria de ver o número de condenações..."

Daniel Silva - 12/7/2006

"Pessoal do Migalhas, sou advogado e estou vivendo em Istambul agora. Envio para vocês uma historinha.

'Uma questão do bolso. Vamos supor que o leitor tem uma filha e, embarcando em uma promoção, compra-lhe um telefone celular. Ah, ela fica feliz, não fica? O bolso do leitor, no entanto, quando depara pela primeira vez com a fatura, começa a questioná-lo, Ela não ficou tão feliz assim... Mas veja só, estou eu colocando preço na felicidade da minha filha, contesta o lado direito do formidável cérebro do leitor. Contudo, mais astuto é o lado esquerdo, que bota todo o cérebro para trabalhar levantando a questão: Por quê? Por que o quê, pergunta o leitor impaciente, que não espera a razão elaborar a questão: Por que as ligações são tão caras assim? Pois é, seus respeitáveis miolos também se preocupam com essas questões; digo mais, neste momento não se preocupam com outra coisa. E tudo em virtude do bolso... Pois saímos do cérebro e do bolso, vamos às ligações telefônicas de celular, pois os lados do cérebro não estão satisfeitos. Então, possuindo os instrumentos jurídicos e tecnológicos, o cérebro, o bolso, todo o leitor, percorre um intrincado caminho que o levará a enfrentar os piores obstáculos que tal tarefa impõe e finalmente chegará a uma enorme e (pensa) intransponível porta; nada, nenhuma indicação, nenhum baixo-relevo. O lado direito abaixa os olhos, arrasta o pé no chão, creio que chega a se virar, mas hesita ao ver o lado esquerdo, resoluto, avançar e bater três vezes. O bolso, maneiro, observa de certa distância, que é a atitude natural dos bolsos nessas ocasiões belicosas. Nada. Mais três batidas, agora mais firmes. Nada. Mas ao lado esquerdo não se põe desânimo com facilidade. Ele sai permeando o muro e desaparece; volta dali a alguns minutos exultante, chama os outros para ajudarem: ele vai pular o muro. O que, leitor, tem medo? Não tenha, não é a primeira vez que faz isso, não é? Vamos lá, pisa no joelho do coração – sim, o coração está lá e, como deve imaginar, vai acelerado, apóia-se nos ombros dos pulmões, dos mais prestativos nessas horas. Então, um, dois, três, força! Upa! Cá está ele, equilibrando-se no muro. O que vê daí? Pergunta a curiosidade, um ótimo estímulo para um cérebro. Não sei, está um pouco escuro, responde. Cogita-se enviar-lhe os olhos, mas o lado esquerdo é orgulhoso e recusa, Não, não, espera, estou vendo algo. O quê? A curiosidade está exultante. Os ouvidos, nem se fala. Os pés se juntam às pernas e começam a pular. Esperem, e por falar isso quase murmurando, ficam todos quietos ao pé do muro. Há algo escrito... O lado direito está prestes a chorar, o que faz os olhos se afastarem e se aproximarem aos pés e às pernas, que parece não desistiram da empreitada. Vou precisar pular, e mal terminou a frase, o lado direito salta e o empurra; o desaparecimento do lado esquerdo paralisa a todos. O que ele fez, pergunta alguém. Então todos o olham, ele está constrangido. Forma-se um tumulto, o nariz, soberbo por natureza, diz, Deixem disso. E como é o lado direito do cérebro, até então o chefe, todos hesitam e resolvem esperar o retorno do lado esquerdo. Vejo! Nesse momento, vê-se um líquido escorrendo pelas calças do fígado, pobre fígado! Mas vamos ao empreendedor. Ele anda por um pântano, plantas se agarram aos seus pés, que é a razão. As mãos, que é a lógica, vão tateando pela neblina, até que os olhos, que são os prognósticos, enxergam uma pequena abertura. Neste momento o leitor está prestes a encontrar a razão, do que mesmo? Ah sim, grita o bolso de longe, Não se esqueça do preço! O preço! Sim, o preço das ligações telefônicas. Então o leitor se depara inesperadamente, sim, elas vêm inesperadamente, Vejo! É um anúncio! Diz 'Celulares a R$ 1,00'. O que, um real? O que, um anúncio? A agitação é geral, alguns começam a voltar, comentando entre si, Um anúncio, oras, tudo isso por um anúncio... A curiosidade deixa a sala, leitor? Sim, fica o bolso, com o dedo no queixo, Humm, celulares a um real...'

Abraço,"

João Pedro Cilli - 13/7/2006

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