domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Planos de saúde

de 9/7/2006 a 15/7/2006

"O migalheiro Reynaldo Abrão Miguel põe o dedo na chaga da maracutaia entre ANS e as empresas de Seguro Saúde ao deixar a critério das prestadoras os aumentos dos planos ditos coletivos (Migalhas dos leitores – "Planos de saúde" – clique aqui). Uma empresa onde trabalhei tinha um plano coletivo com a Golden Cross. Em 1981 a empresa cancelou o contrato com a Golden Cross e passou para outra empresa. Alguns funcionários, entre os quais eu, através do Grêmio dos Empregados, decidiram continuar na Golden. Hoje esse grupo está reduzido a não mais de 3 titulares e 3 ou 4 dependente, pois a Golden Cross, a seu bel prazer e com a ominosa omissão da Agência Nacional de Saúde, a famigerada ANS - a partir de maio pp aumentou a mensalidade em 32,6%. Lembro que o Plano está adequado a novas regras pós-1999 e seus reajustes. Recorri à ANS tendo recebido a cínica resposta que era isso mesmo, que a Golden tinha o direito e que ANS não tinha poder para interferir. Pedi socorro ao comitê do consumidor da OAB/SP tendo obtido como resposta o majestático silêncio que caracteriza o órgão em São Paulo quando a coisa não enseja ganhos políticos. O mesmo da parte de dois institutos que se intitulam de defesa do consumidor. Resposta, obtive da Golden Cross. Iam enviar o meu contrato ao jurídico para que fosse cancelado. Que país é este? Já sei a resposta. É o país do Lula, do PT, do mensalão, do Sarney, do PMDB, do Quércia, do PCC, do Silvinho, do Delúbio, do Calheiros, da Seleção canarinho. Algum migalheiro especializado no assunto poderia fazer algum comentário sobre o affaire? Antecipadamente agradeço."

Alexandre de Macedo Marques - 11/7/2006

"Eu posso comentar, mas provavelmente não vai gostar. Você por acaso tem algum cliente desde 1981? Se tiver, você continua cobrando exatamente a mesma quantia que cobrava em 1981? Se não cobra, por que não cobra? Você aumentou o seu preço? Por quê? Se tiver aumentado, o seu cliente continua pagando? Por que você acha que ele paga pelos aumentos que você impôs a ele, de modo arbitrário (imagino que você não se submete a qualquer órgão regulador)? Se existir previsão contratual para você aumentar o seu preço, você irá ignorá-la e continuar cobrando a mesma coisa, mesmo que isso leve você a declarar falência? Em resumo: se você acha um absurdo o que a Golden Cross está cobrando, cancele o contrato e, da próxima vez que precisar de assistência médica, pague do seu próprio bolso. Pela sua estimativa será muito mais barato. Se você acha que o serviço da Golden Cross não vale o que você paga, busque outra empresa ou adote a primeira opção. Agora, se você acha que a Golden Cross lhe presta um serviço condizente com o que você paga (ou que ela possui a melhor oferta dentre as opções disponíveis), que este serviço inclui dar-lhe segurança diante dos imprevistos da vida (que nenhuma pessoa pensa ou deseja que ocorra), que você está em uma situação muito melhor caso não existisse esse serviço, por que você acha que a Golden Cross deveria entregar isso de graça à você? Se você quiser adotar a tese estúpida do 'preço justo', pense qual é o 'preço justo' pela sua vida e de seus familiares e compare com o que você está pagando. Ainda é muito? Entre em contato com a Golden Cross e tente uma negociação. Apresente propostas e argumentos para diminuir o preço. Pode não ser fácil, mas é o seu dinheiro - você decide. Ficar pedindo socorro para a ANS só vai lhe trazer uma coisa: gastos. Vão inventar que a ANS está mal aparelhada, que o Governo não tem dinheiro suficiente para investir em saúde e vão aumentar os tributos existentes, os quais vão para o bolso de burocratas ineficientes (contratados para ocupar os cargos 'extras' da ANS) e políticos corruptos. A saúde pública vai continuar uma porcaria, a ANS só irá tomar decisões erradas ou ineficazes (principalmente no longo prazo) e você terá que continuar pagando a Golden Cross."

Daniel Silva - 12/7/2006

"Brilhante, Daniel Silva! A percepção que teve do caso demonstra uma acuidade intelectual da melhor qualidade. Parabéns!"

Alexandre de Macedo Marques - 13/7/2006

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