terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Escândalo dos sanguessugas

de 30/7/2006 a 5/8/2006

"Já chega a 128 o número de parlamentares envolvidos no escândalo dos sanguessugas. Alguém duvida que isso vai muito mais além? Alguém duvida que não é só por ambulâncias que nossos nobres representantes tem especial predileção? Será que existe alguma dúvida, por menor que seja, de que o sistema parlamentar de pedágio atinge a todas as transferências de dinheiro público para atender emendas de deputados? Como estamos diante de um crime que lesa a pátria, haverá ao menos uma dúvida razoável a respeito? Mas, o pior está por vir, já que nenhum dos indiciados será julgado antes das eleições, o que significa que muitos deles poderão ser eleitos ou reeleitos, aumentando o exército de desonestos no nosso Congresso (se é que isso é possível), o que inviabilizará que qualquer punição se efetive. Disso, com certeza ninguém duvida. E daí? Fica tudo como dantes no quartel d'Abrantes? É claro que sim. Continuaremos a votar nesses elementos deploráveis, que não nos representarão (até porque isso não é deles exigido), eles continuarão a enriquecer com o dinheiro público, com as benesses do governo e com a negociação de votos, enquanto nós, o povo, continuaremos à margem do sistema, sem assimilar que o sistema é exatamente esse e foi criado exatamente para alcançar essas finalidades. Em resumo, eleição é briga de cachorro grande, na qual não estamos incluídos, a não ser como meros espectadores. E, por favor, não tenham dúvidas: não existe a menor chance dessa situação mudar."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 3/8/2006

"O Deputado Paulo Rubem Santiago (PT/PE), um dos sub relatores da CPI dos sanguessugas entregou ao comando da CPI um resumo de seus estudos a respeito do assunto. No tal resumo, ele afirma que um determinado parlamentar recebeu sucessivas parcelas mensais durante 2005, chegando a R$ 200.000,00. O valor, informa ele, seria o equivalente a 10% do valor de uma emenda destinada para compra de ambulâncias de um determinado município. Muito interessante. Então, custa 10% para que um parlamentar venda seu 'trabalho'? Quanto custa, afinal, uma emenda? Devem haver emendas mais baratas e outras mais caras. Uma ponte, por exemplo? Um hospital? Uma barragem? Nós, advogados, às vezes cobramos percentuais sobre o valor atribuído a uma causa que devamos patrocinar. Mas, nesse caso, assumimos um trabalho, do qual temos que nos incumbir e que, não raro, leva anos até ser concluído. Recebemos por um parecer? Sim, mas teremos o trabalho de elaborá-lo. Assim também ocorre com os médicos, engenheiros, contadores, etc., etc., etc. Todos nós, pobres mortais, para viver, temos que trabalhar para ganhar os valores que necessitamos para tanto. Em outras palavras, o que 'vendemos' é o nosso trabalho ou, como se dizia antigamente, o 'suor do nosso rosto'. Felizes aqueles que, nos dias de hoje, tem um cargo público, ou um mandato eletivo e, diferentemente de nós, pobres mortais, tem algo a vender que não lhes pertence e pelo que não tiveram de trabalhar. Vender votos, por exemplo, rende muito, como se vê por aí."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 3/8/2006

'Esta é a 'Opinião do Diário', do Diário de São Paulo, hoje (3/8/2006): 'Rigor Necessário': 'Se a crise do mensalão mostrou que o compadrio e o corporativismo existentes na Câmara dos Deputados são capazes de inocentar mensaleiros comprovados, o escândalo dos sanguessugas começa a revelar o alcance da imprevidência dos partidos, o descaso com que tratam a opinião pública. A decisão de alguns deles de não fechar as portas a acusados de receber propinas do esquema de fraude do Orçamento, que assim poderão tentar se reeleger e preservar a imunidade parlamentar; indica distância que certos partidos têm do eleitor: Outra vez surgem as clássicas justificativas de que 'não podemos prejulgar' ou 'tudo precisa ser confirmado'. Ressurgem os clichês usados para preservar apaniguados e militantes quando eles são pilhados ao cometer delito ético. Os partidos se esquecem de que o caso dos sanguessugas não é um escândalo qualquer: Pela dimensão e pelas provas. Com a investigação empreendida pela Polícia Federal e a Justiça de Mato Grosso, a CPI dos Sanguessugas já montou uma lista com 87 deputados e três senadores, todos acusados de apresentar emendas para viabilizar a compra, por prefeituras, de ambulâncias e equipamentos criminosamente superfaturados. Em troca, consta, recebiam dinheiro, carros e passagens aéreas de Darci e Luiz Antônio Vedoin, gerentes do golpe. Um caso que envolve 15% do Congresso atinge a imagem do Poder Legislativo, e requer tratamento de choque para preservar a instituição. Os partidos deveriam tomar a iniciativa de afastar acusados de seus quadros. Bom exemplo darão PPS e PRB se de fato impedirem que denunciados tentem reeleger-se pelas legendas. A reação leniente de alguns partidos reforça a necessidade de a Justiça eleitoral acolher a interpretação do deputado Miro Teixeira ao Artigo 14 da Constituição, segundo a qual parlamentar contra quem existam provas consistentes de 'abuso do poder econômico, fraude ou corrupção' pode ser impedido de tomar posse pelo TSE'."

Conrado de Paulo - 4/8/2006

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