segunda-feira, 19 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Vida

de 20/8/2006 a 26/8/2006

"Meu querido Mano Meira!

Eu queria ser poeta inspirado,
nesta data dos teus sessenta,
pra chegar no teu costado,
e dizer que não fiz cinqüenta.

Então, meu querido mano,
tu agora está mais pra tio,
é que a invernia dos anos,
vai encurtando o assobio.

Mas o que quero te dizer,
e repartir c'os amigos,
teu versejar dá prazer,
mas fica velho contigo."

Cleanto Farina Weidlich - migalheiro / Carazinho - RS - 23/8/2006

"TIRO DE LAÇO

Sessenta é como tiro de laço
Que se dá de toda a trança
E sempre se alcança
Com firmeza no braço
Evitando o tironaço
Na vida da criatura
Não enforca mas segura
Com encanto e amizade
Sessenta é como saudade

Encurta qualquer lonjura.

Querido poeta inspirado
Meu amigo Cleanto
Pra mim teu verso é encanto
Aos grandes comparado
Fico meio abichornado
Dez após meia centena
Mas a vida não se apequena

E sei que tudo passa
E a tristeza vira fumaça
Com versos da tua pena."

Mano Meira - migalheiro, Carazinho/RS - 24/8/2006

"Feliz aniversário, Mano. Desejo que sejas um velho forte e saudável e que jamais fiques na situação daquele velhinho que eu encontrava na fila do SUS, do Hospital Osvaldo Cruz em Recife, onde acompanhava um parente pobre que vinha do interior. Sabendo que eu fazia versos, pediu-me pra fazer uns pro idoso. E saiu esta porcaria que ainda lembro:

 

O homem quando envelhece

Pra ele tudo acontece:

Se a sua vista escurece

O seu saco logo desce

Se a sua orelha só cresce

Também a junta endurece

Se seu dentão apodrece

O seu ouvido emouquece

Se a barriga elastece

O seu brinquedo amolece

Se a mulher lhe oferece

O coitado só agradece

Se vai rezar uma prece

Nem um descanso merece

Pois no SUS ele padece

E sofre no INSS.

 

Abraços de"

Zé Preá - Cabrobó /PE - 25/8/2006

"Minha resposta é sotreta,
meus bois não puxam teu laço,
quando vejo a coisa preta,
voa toalha e vou pro abraço.

Então querido tiozão,
quem não tem idéia própria,
ferido pela emoção,
só garimpei essa cópia.

Do Imortal Aureliano,
em seu Romance de um Peão:

'quanta coisa ela me disse,
não dizendo quase nada,
e quanto coisa ele entendeu,
da sua boca cerrada,
porteira do coração'.

E do Jayme Caetano,
em seu Alambrado:

'Velho alambrado gaúcho,
de três, cinco, sete fios,
se nem os serros e os rios,
figiram a tua tirania,
minha guasca sesmaria,
duvido que tu arranques,
pois ninguém crava palanques,
nessa m'alma bravia.'"

Cleanto Farina Weidlich - migalheiro, Carazinho / RS - 25/8/2006

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