terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Eleições 2006

de 3/9/2006 a 9/9/2006

"Zé Preá não sabe nada,

nunca escolhe de quem gosta,

já chega aos homens de costa

pior que bicha tarada

no fim só leva porrada

por comprar preá por lebre

por isso mesmo é que teve esse apelido

gaiato que lhe botaram no Crato

dindonde nasceu e véve.

Mas porém Ontõe, de leve,

vai coando os cãosdidato,

é gago mas dá seu trato

como urubu de ultraleve."

Antônio Carlos de Martins Mello - 4/9/2006

"As pesquisas divulgadas pela endividada Rede Globo de Televisão são mentirosas e, consequentemente, tendenciosas... Eles não dizem em quais municípios as pesquisas foram realizadas. Aqui no Estado do Espírito Santo (jornal A Tribuna de 27/8/2006) pesquisa diz que 49.2% dos eleitores ainda não escolheram presidente e  nem governador."

Antonio Placidino Grégio - 4/9/2006

"O apedeuta, equivocadamente colocado no Palácio do Planalto, agora, zomba de todos, dizendo que só 'fatores extraterrestres' o impedirão de cumprir promessas de campanha, como se alguma das suas promessas anteriores, tivesse sido cumprida! Besuntado na lama do seu governo e patrono dos desmandos nunca vistos no País, posa de bom moço e parece que está tendo sucesso. As pesquisas indicam que o esmoler poderá se reeleger. O povo está prestes a dar um cheque em branco, cobrável em quatro anos, que os brasileiros informados sabem que não tem fundos. Atenciosamente,"

Eduardo Augusto de Campos Pires - 4/9/2006

"Meu preclaro e amado Diretor de Migalhas, Lendo o artigo sob o título 'CONSCIENTIZAÇÃO' - Migalhas 1.490 (4/9/06) - não posso deixar de manifestar minha opinião a respeito da matéria. Realmente, a AMB, após vários pronunciamentos do TSE a respeito da não utilização do voto nulo ou branco está endossando duas teses: uma - a de que a população brasileira é ignorante e duas - que, em sendo 'ignorante' pode ser conduzida. Particularmente, não anularei meus votos, nem votarei 'em branco'. Mas, farei isso por minha própria convicção, não porque fui induzida. Se a revolta da população só puder ser manifestada pela anulação do voto, não é ético que se façam campanhas, certamente pagas com o dinheiro do contribuinte, para dissuadi-la dessa liberdade de votar como bem entender. Já basta a obrigação de votar. Agora, votar como a AMB ou o TSE querem? Já é demais!"

Eliza Besen - advogada e correspondente de Migalhas em Santo André/SP - 4/9/2006

"Chuchus verdes fritos. Agora vai? Não vai! Há que constatar a coragem do candidato Alckmin, contudo. Primeiro, enfrentou acirrada pancadaria para sagrar-se candidato. O argumento vencedor foi simples: se Serra ou Aécio forem para Brasília, quem será candidato a governador de São Paulo ou Minas Gerais? E por mais que baralhassem a equação, um mais dois continuava dando qualquer coisa, menos três. Nem o PSDB e nem o PFL teriam nomes de peso para impedir que o PT realizasse seu sonho de consumo: abiscoitar o governo paulista, levando de cambulhada o mineiro. Decidida a candidatura, novo impasse: o vice. Se numa das incógnitas iniciais o fator Aécio/José Agripino apresentava-se como combinação para derrotar o Presidente-candidato, na introdução do determinante São Paulo mudou-se o resultado. E ficou Alckmin/José Jorge, de vez que Agripino não entra em salseiro para perder. Aécio será reeleito em Minas, seguramente Serra vencerá em São Paulo, e tanto José Agripino quanto José Jorge prosseguirão combativos no Senado. Mais importante que a Presidência, para os estrategistas das oposições, seria bater o PT e seus aliados nacionalmente, numa versão criativa de ir-se o dedo, mas ficando a sociedade do forte anel do sudeste, numa paródia cabocla com todos os monstrinhos de direito. Nessa indigesta salada, Alckmin tentou manter o nível, o tom e a fleuma, evitando chutar o pau da barraca por saber que bronca é ferramenta de otário, e que, quem grita, perde a razão. Sabe que a travessa é estreita e a colher furada, mas acredita no que diz e no que faz. Não pretendia carregar no tempero. Perdidas as chances de defenestrar o Presidente, depois do estouro da fossa da corrupção, pelo medo de o país ser incendiado por atos violentos como os que ocorrem em São Paulo desde o lançamento da sua candidatura, Alckmin resistiu a entrar no jogo duro do vale-tudo por razões de caráter. Não é seu estilo. Acredita em atitudes mais dignas na vida pública, o que pareceu não ser do gosto de seus correligionários e aliados, embora fraquinhos em briga de rua. Neste momento em que o povão desliga a TV no horário eleitoral mais por tédio que por descrença, basta ver o patamar de intenção de votos da apimentada Heloísa Helena para deduzir quanto o PT perdeu dos fundamentalistas e do seu eleitorado mais esclarecido para constatar que, ante os fatos deletérios conhecidos, foi pouco. Fica comprometida, assim, a tese de contarem com a decadência ideológica e política do petismo mesmo tendo de engolir o Presidente Luiz Inácio por mais quatro anos, desde que espremido entre a maionese do PMDB de Sarney e o banho-maria das oposições. Falta menos de um mês para as eleições e Alckmin terá de conseguir, nesse tempo, o que não foi feito em muitos anos contra um movimento que tem ainda muita lenha para queimar para oferecer, no cardápio da sopa de lulas, chuchus verdes fritos à moda da casa."

Caio Martins - publicitário e produtor gráfico - 5/9/2006

"Pois é. O redator do poderoso Migalhas se insurge contra orientações da AMB e do TSE (Migalhas 1.490 – 4/9/06 – "Conscientização"). E com razão. Não cabe, principalmente, ao TSE dizer-nos como e muito menos em quem votar. Espera-se dos Tribunais e dos juízes isenção, e não 'ações espetaculares' e 'juízes militantes' ditando regras sobre como os tupiniquins devem votar. Garantindo-nos lisura nas eleições, já estará de bom tamanho."

Armando Silva do Prado - 5/9/2006

"Oportuna a crítica sobre a posição do TSE e AMB (Migalhas 1.490 – 4/9/06 – "Conscientização"). Aliás a Justiça eleitoral continua omissa e seletiva. No dia 2 a cantora Ivete Sangalo, ao se apresentar em Maringá/Pr, fez descarada propaganda para o candidato Ratinho Jr., filho do apresentador Ratinho."

Joel Coimbra - 5/9/2006

"Amigos Migalheiros, A propósito da Migalha a respeito do movimento contra o voto nulo (Migalhas 1.490 – 4/9/06 – "Conscientização"), concordo que cada pessoa protesta como quiser, mas não posso deixar de recomendar a leitura de artigo do poeta Ferreira Gullar sobre o tema, publicado no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, no último domingo (3/9/06). Tomo a liberdade de transcrevê-lo abaixo, se a transcrição não ultrapassar um catado de migalhas.

'FERREIRA GULLAR

Voto nulo

Votar, se é uma obrigação, é também um direito conquistado no regime democrático

PARECE CERTO que muita gente promete anular o voto nas próximas eleições. O número de leitores indecisos -que, pelas últimas pesquisas, anda por volta de 20%- indica a dificuldade que tem muita gente de ver com clareza o quadro político.

Fora uma parte dos eleitores que já optaram por Lula e pelos outros candidatos, os demais parecem não encontrar razões consistentes para escolher em quem votar. Contribui decisivamente para isso a sucessão de escândalos, envolvendo o governo, parlamentares e ocupantes (ou ex-ocupantes) de cargos executivos.

A acusação de que a atividade política é essencialmente corrupta e corruptora induz muitos eleitores a uma decisão radical: anular o voto ou votar em branco. Com isso, manifestam, no mínimo, sua revolta e seu protesto contra a sem-vergonhice generalizada que compromete as instituições da República.

Não há como lhes negar razão. De fato, não tenho lembrança, desde que me entendo como gente, de tanta corrupção e tanto escândalo implicando um número tão grande de políticos. Só no escândalo dos sanguessugas estão acusados quase 70 deputados, ou seja 12% da Câmara, sem falar em governadores, ex-ministros, quase todos candidatos nas próximas eleições.

Muitos dos implicados nas fraudes do mensalão -que renunciaram aos mandatos para não ter os direitos políticos cassados- tiveram suas candidaturas aceitas por seus respectivos partidos. Como classificar tais partidos? O descaramento é tanto que o assessor especial do presidente da República chegou ao ponto de declarar que isso não tem importância, pois "vergonha é não ter voto". Diante de tal desfaçatez, nada mais natural que o eleitor se negue a participar da farsa e queira anular o voto.

É justo e sadio indignar-se, mas isso não deve nos impedir de refletir, de ponderar, para ver qual a melhor maneira e a mais eficaz de responder a tais abusos. Se os que não aceitam a corrupção anulam o voto ou votam em branco, o resultado será a vitória eleitoral dos corruptos.

Mas como saber quais são os efetivamente honestos?, pergunta-me um amigo. Não é fácil, claro, mas, pelo menos, podemos negar nossos votos aos que já estão identificados como corruptos. Se os excluirmos do parlamento, já teremos prestado um grande serviço ao país.

Votar nulo é, de fato, dar chance ao safado. A história política brasileira de poucas décadas atrás nos ensina uma lição que merece ser lembrada neste momento.

Durante a ditadura, a oposição ao regime dividiu-se entre aqueles que acreditavam que era possível derrotá-lo pacificamente, exigindo a restauração das liberdades democráticas, e os que optaram pela luta armada e pregavam o voto nulo ou em branco, já que, segundo eles, as eleições eram uma farsa que legitimava o regime.

A conseqüência de uma tal atitude, na prática, era que, embora a ditadura tivesse menos votos que a oposição, ganhava as eleições, uma vez que os votos oposicionistas, somados aos nulos e em branco, superavam em muito os de apoio ao governo. E, com isso, ao contrário do que afirmavam os adeptos da luta armada, legitimavam o regime.

Só depois que a guerrilha foi definitivamente derrotada, em 1973, a ilusão se desfez, e os eleitores contrários à ditadura voltaram a votar nos candidatos de oposição. E assim foi que, nas eleições de 1974, a oposição elegeu os candidatos a senador de 21 dos 26 Estados.

O regime acusou o golpe e passou a falar em abertura política. Encurralada, a ditadura foi cedendo terreno, dividindo-se internamente, perdendo fôlego, até devolver o governo aos civis. Evidentemente, a situação atual não é a mesma, já que agora o que está em dúvida é a honestidade dos políticos em geral. Apesar disso, votar nulo é, como antes, fazer o jogo do inimigo.

Deve o eleitor compreender que votar, se é uma obrigação do cidadão, é também um direito que ele conquistou no regime democrático e que lhe permite influir no destino da sociedade, elegendo seus governantes. Por isso, a atitude correta, quando se criam situações como as que enfrentamos hoje, é empenhar-se na seleção mais rigorosa dos candidatos. Se não é possível eliminar toda possibilidade de erro nessa escolha, erraremos menos quanto melhor nos informarmos.

O que o eleitor tem de saber é que, querendo ou não, as eleições estão aí, candidatos serão eleitos, e a eles caberá legislar e administrar o país, em diferentes níveis. O voto nulo ou em branco não impedirá que isso aconteça.'

Saudações!"

Guilherme Dominguez - advogado em São José dos Campos/SP - 5/9/2006

"Gostei da crítica à campanha moralista da AMB (Migalhas 1.490 – 4/9/06 – "Conscientização"). Esta crítica também poderia ser enviada ao Faustão, que ontem em seu programa fez pregação contra a anulação do voto, dando a entender que isso caracterizaria um crime terrível. Por que tentar manipular a consciência dos cidadãos?"

Hugo Chusyd – escritório Ribeiro Advogados Associados - 5/9/2006

"Meus queridos Migalheiros, os votos nulos e os votos em branco levaram  Chávez ao Poder. Se vocês gostam do Ditador dono do Petróleo, meus pêsames."

Yony Blundi – OAB/SP 8.580 - 5/9/2006

"Primeiro diziam que o PT estava desbaratado. Diziam que Lula estava nas cordas, depois na lona e, finalmente, no chão. Diziam que até um poste seria eleito contra Lula. Preferiram um 'chuchu'. Aí vieram os 'cientistas' de aluguel: faltava um Lacerda, vitória no 1º turno não é democrática, Lula usa a máquina, etc. Finalmente, vem a síntese: eleito, será ditador, será um Chávez, proclamará a república dos sovietes da América, será a reencarnação de Napoleão, etc. Até onde vai o desespero? Derrota se curte na cama que é quente!"

Armando Silva do Prado - 5/9/2006

"Caros Migalheiros, é bom refletirmos que, embora não caiba ao TSE e à AMB dizer como devem votar os eleitores, o atual quadro político brasileiro demonstra que o eleitorado está sendo ostensivamente INDUZIDO por puro MARKETING DO FAZ DE CONTA (Migalhas 1.490 – 4/9/06 – "Conscientização"). E, nestas condições, entendo que cabe, sim, à população bem informada e ao próprio TSE ESCLARECER os menos avisados para evitar conseqüências mais funestas para a nação, atualmente tomada pelos mal intencionados que apostam na ignorância geral dos cidadãos."

Maria Aparecida de Almeida Leal Wichert - 5/9/2006

"Em ano eleitoral sugiro outra proposição além da idéia de terminar com a possibilidade de reeleição para os cargos de deputados federais (Migalhas 1.491 – 5/9/06 – "1 - Migalhas amanhecidas"). Sugiro que seja criada uma Lei que obrigue os candidatos a registrarem os locais em que realizaram suas campanhas eleitorais e, caso eleitos, sejam obrigados a retornar a cada três meses aos locais para prestar contas. Isto seria suficiente, ou melhor, mais uma forma de contribuir com a finalidade do voto, qual seja delegar o poder a um representante. Tal norma, se criada, seria perfeita para aplicação em localidades de grande aglomeração de pessoas de baixa renda, onde aproveitam-se os candidatos para fazer inúmeras promessas. A prestação de contas existiria de verdade."

Eduardo Pinto Lafèré Mesquita - Dep. Jurídico, EAGV/SAS - 5/9/2006

"Prezados Migalheiros, Sugiro uma nova Lei, uma Lei que obrigue os candidatos a cargos públicos a registrarem junto ao respectivo TRE os locais de suas campanhas eleitorais, principalmente o chamado 'corpo a corpo' e a retornarem, se eleitos, a cada três meses, a estes locais. Tal idéia surgiu esta semana quando conduzia meu automóvel e presenciei uma aglomeração ao redor de uma pessoa, carro de som com volume muito alto e promessas que já foram ouvidas por todos da localidade onde isto acontecia. Poucos ouviam com interesse e poucos acreditavam no que se dizia. Claro! Como poderiam cobrar estas promessas?! Aliás, se dependesse de promessas já não haveria problema na região. Essa norma, se criada, traria eficácia ao voto, fortaleceria a democracia e certamente faria com que a representação realmente existisse, objetivo central do Estado Democrático de Direito. Imaginem se algum político retornaria ao local onde fez promessas sem tê-las praticado. Nunca! Voltariam os candidatos eleitos a fazer o 'corpo a corpo'? Os incapacitados para os cargos eleitos seriam eliminados nas próximas eleições, através do voto, sem que fosse necessário acabar com a reeleição, que, neste caso, seria útil. Cordial e esperançosamente,"

Eduardo Pinto Lafèré Mesquita - Dep. Jurídico, EAGV/SAS - 5/9/2006

"Já venho falando sobre a proibição de reeleição de Deputados Federal, Estadual e Senador por vários anos no meu pequeno círculo de relacionamento. Sempre vejo os mesmos nomes na TV desde criança e até agora as coisas só pioraram. Achei super interessante o assunto vir para a mídia nacional por tão relevante informativo (Migalhas 1.491 – 5/9/06 – "1 - Migalhas amanhecidas"). Vamos lá, começamos já a batalha."

Daniel Flavio de Lima - 6/9/2006

"'POLÍTICA SE FAZ COM MÂOS SUJAS !' (Encontro dos artistas ) 'DEMOCRACIA NÃO É SÓ COISA LIMPA, NÃO!' (Lula, no Estadão de hoje, no palanque ao lado de políticos sob investigação da Polícia Federal). Se estes são os lemas e as verdades de algumas celebridades artísticas e do mandatário mor da República (ou será 'res putrica'?), numa clara alusão à 'desimportância' dos crimes praticados pelos políticos (leia-se 'mensalões', 'sanguessugas', 'caixas dois, três, etc.', peças íntimas recheadas de 'verdinhas') é preciso revogar todo o ordenamento penal pátrio, abrindo-se de imediato as prisões uma vez que os que lá estão nada mais fizeram do que seguir e exercitar tais ensinamentos. Infelizmente, tudo o que me ensinaram em casa e nas escolas, segundo a óptica e a ética dessas pessoas, é letra morta, sem nenhuma valor na realidade atual."

Marcos Antonio dos Reis - 6/9/2006

"A que ponto chegamos!

Em Brasília anda um Celta

com um adesivo que espanta,

bem dá idéia do fosso

dessa campanha que 'encanta'

pois se refere às disputas:

'Desta vez vote nas putas,

nos filhos não adianta'! (A placa do carro é JDN 2607)."

Zé Preá - 6/9/2006

"Muito se discute sobre voto nulo, voto em branco, é um tal de voto aqui e voto ali, enfim, já não agüento mais essa questão, principalmente porque todos agora têm opinião, ou justificativa para o que não foi. Mas o que não se discute ou se fala, é que quem não vota se cala, e deixa de mostrar que não está feliz com a situação. Anular o tal do voto, mesmo que não seja ensinada essa opção, faz parte da escolha, e demonstra a insatisfação, das pessoas que como eu acreditam em Salvação, mas não antes de uma grande revolução, na mente, na vida e no cotidiano dos milhões de Brasileiros que nem ao menos têm o direito de saber o que os eleitos por nós fazem quando apertam um botão. Sou a favor sim do voto nulo, e acredito que se dessa vez essa opção for divulgada e usada, causará em um primeiro momento, talvez, reboliço e confusão, mas demonstrará que não estamos dormindo ou vivendo no 'vamos fazer de conta que está tudo bem', ou 'deixa como está para ver como é que fica'."

Andréa Lopes Neves - 6/9/2006

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