terça-feira, 20 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Volkswagen

de 3/9/2006 a 9/9/2006

"Sr. Diretor. Li em Migalhas (1.490 – 4/9/06): 'Não compraremos seus carros'. Na minha opinião pouco adianta, pois, eles exportarão. O que há de realidade nisso. Sei que eles pretendem fechar São Bernardo ou diminuí-la bastante, por questões de lucro. Culpa de quem? Obviamente a culpa é de nossas autoridades. Isto aqui virou um saco de gatos, que cada um faz o que entende. O Governo deveria dizer-lhes, a Volks:  Se fechar São Bernardo pode ir embora, nós assumiremos. E podem fechar todas. E se não houver outra empresa que queira empregá-los, nós empregaremos, passaremos também a fabricar automóveis. Por que não? Num sistema capitalista isto era previsto. O capitalista visa só lucro, que se danem os empregados. Já ouvi fecharem fábricas de tecidos no Sul  e abrirem no Nordeste. Os empregados do Sul danaram-se. O Governo deve estar preparado para isso: proibir, mandar fechar, assumir. Isso seria um governo na acepção da palavra. Deve estar preparado para enfrentá-los, porque o que eles querem é só lucro. Atenciosamente"

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 4/9/2006

'Quanto ao caso da Volks (Migalhas 1.490 – 4/9/06 – "Não compraremos seus carros" – clique aqui), porque em vez de brigarmos com a Volkswagen do Brasil não brigamos com o governo, que absorve mais de 50% do valor dos veículos com impostos, travando todo o mercado, a cadeia produtiva, gerando um ciclo vicioso negativo, ceifando a possibilidade de muitos brasileiros terem veículos (e não digo somente veículos novos...)... O Brasil está sempre atacando o alvo errado... e por isto é o que é...".

Roberto de Camargo Zanini - 4/9/2006

"Sr. Diretor, li em Migalhas o manifesto 'Não compraremos seus carros' (Migalhas 1.490 – 4/9/06). Alega-se que tudo foi feito por questões de lucro. Se esse é o caso, quanto maior o lucro, menor as demissões. Assim, o protesto correto não deveria ser 'Compraremos seus carros'? Ou então, 'Compraremos seus carros se recontratar os demitidos'?"

Daniel Silva - 4/9/2006

"Caro migalheiro Olavo, permita-me fazer os seguintes comentários: O que quer dizer 'nós assumiremos'? 'Eu' não quero o dinheiro dos meus impostos sendo desviados para pessoas que fabricam um produto que não vou adquirir. Impostos deveriam ser usados para segurança, educação, estradas etc. O capitalismo jamais previu o Estado produzindo automóveis. A sua assertiva está, infelizmente, equivocada. Equivoca-se também ao dizer que o capitalista só vê lucro e que se danem os empregados. Se prestar atenção, perceberá que os trabalhadores no Sul estão em condição de vida muito melhor que os trabalhadores do nordeste. Ou seja, a mudança da fábrica de tecidos beneficiou o povo nordestino, antes numa situação pior que a dos trabalhadores do sul, que agora tem um emprego e um salário. Embora pareça que os trabalhadores do Sul 'danaram-se' pelo fato da fábrica ter mudado de localização, a verdade é que eles se beneficiaram do trabalho que efetuaram e do treinamento que tiveram, aumentando o seu nível de conhecimento e expandindo as oportunidades de emprego que podem conseguir com os novos conhecimentos. Equivoca-se ao dizer que o capitalista quer só lucro. Se isso é verdade, diga-me quanto cobra a Google para que usem seus serviços na internet? Quantas vidas os laboratórios já salvaram com os seus remédios? Quanto conforto lhe proporciona as geradoras de energia elétrica? Se responder a essas perguntas, verá que o capitalista quer satisfazer os seus consumidores e o lucro é apenas uma módica contraprestação que aquele recebe por beneficiar infinitamente os últimos. Na esperança de ter clareado um pouco a sua visão sobre o capitalismo,"

Daniel Silva - 5/9/2006

"Há muito tempo... ou melhor, desde os primórdios, quando da 'Descoberta do Brasil', somos ultrajados a cada dia que passa e de maneira cada vez mais intensa e profunda! É tempo de todos nós nos unirmos em prol da Dignidade de todos nós brasileiros, para que deixemos de ser explorados por Europeus e NORTE-Americanos (frise-se o termo NORTE, afinal, nós brasileiros também somos americanos, do SUL). É realmente absurda a situação ocasionada pela Volkswagen brasileira (Migalhas 1.490 – 4/9/06 – "Não compraremos seus carros" – clique aqui), a mando daquela outra, ALEMÃ (portanto, Européia). Sou plenamente favorável ao plano de não comprarmos carros desta montadora, como forma de protesto e solidariedade aos nossos irmãos brasileiros! Lembremo-nos: Todos nós estaremos sendo prejudicados com a situação imposta pela Volkswagen! Mostremos, portanto, nossa verdadeira face de trabalhadores, sem os quais esta 'Criminosa' Européia nada seria!"

Carlos Alberto Barbosa de Mattos - 5/9/2006

"'Não compraremos seus carros hoje' (Migalhas 1.490 – 4/9/06 – "Não compraremos seus carros" – clique aqui). Acredito que 90% dos brasileiros já não compram carro OK, mas se todos tomassem essa consciência que tem a classe jurídica, poderíamos demonstrar ao Sr. (Berne) dos nossos direitos, e as outras já estão aí no mercado, já foi o tempo que só ela fazia e desfazia do mercado brasileiro. Se cuida 'Volks'!"

Prof. Antonio Raimundo Bezerra - 5/9/2006

"No momento em que juízes, procuradores e promotores de justiça assinam uma declaração pública como essa (Migalhas 1.490 – 4/9/06 – "Não compraremos seus carros" – clique aqui), é de se refletir: que imparcialidade terão para julgar? Lamentável isso."

Joel Coimbra - 5/9/2006

"(Migalhas 1.490 – 4/9/06 – "Não compraremos seus carros" – clique aquiAliás, esse carro lembra o 'projetista' Hitler. De qualquer maneira, precisamos dar um basta a essas empresas que nos fazem de 'correia de transmissão' para fortalecer sua matriz. Hoje, existem outros carros: melhores e mais econômicos."

Armando Silva do Prado - 5/9/2006

"...'verá que o capitalista quer satisfazer os seus consumidores e o lucro é apenas uma módica contraprestação que aquele recebe por beneficiar infinitamente os últimos'. Menos, meu caro Daniel Silva. Concordo com você no seu primeiro comentário e discordo no segundo. Explico-me: O que quer a direção da Volkswagen? Quer a modernização de equipamentos. Até aí tudo bem. Com que dinheiro? Com o dinheiro do BNDES que nada mais é do que o dinheiro pra ser usado em benefício dos trabalhadores, já que pertence ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Então esse capitalismo moderno quer reestruturar suas fábricas ao preço do emprego dos trabalhadores e com dinheiro de impostos de todos nós contribuintes pra beneficiar o capital? Meu querido, faz dois séculos que a tecnologia industrial começou a dispensar o trabalho humano! É loucura lutar contra a tecnologia? É. Mas o que fazer? Acho que o emprego da tecnologia deve ter um limite, já que nasceu pra diminuir o cansaço humano e aumentar a produção visando baratear os preços. Já viu alguma montadora baixar preço de carro em função do aumento da produção? Então o capitalista não é nenhum arcanjo que só pensa no bem estar dos consumidores! Saudações,"

Abílio Neto - 5/9/2006

"Prezado Abílio. O seu comentário é perfeito, exceto alguns pontos que talvez tenham sido mal interpretados. Eu falei sobre capitalismo. O que ocorre no Brasil é uma mistureba de coisas que tem pouca relação com capitalismo (a não ser na hora de se arranjar um culpado). Na verdade, podemos até classificá-lo como 'Capitalismo Corrupto', se achar que existe mesmo capitalismo. A política externa é de mentalidade mercantilista. A política interna é de mentalidade socialista e social-democrata. O que tem de capitalismo dentro disso é tão pouco que mal dá para exemplificá-lo. O BNDES é um tremendo engodo. Realmente ele ajuda 'algumas' pessoas, mas, conforme aprendi com Henry Hazlitt (Economia numa única Lição), os efeitos sobre outras pessoas (nós contribuintes) e o resto da economia é devastador. No tocante à tecnologia, permita-me discordar. Eu penso que a tecnologia não precisa de limites (ao menos nos termos que você mencionou sobre produção). O emprego da tecnologia libera o trabalho humano para ser empregado em outros campos. Ela não 'acaba' com o trabalho humano. Dizer quais são os campos que serão desenvolvidos é impossível, não há limites para a criatividade humana. Seria como dizer para alguém do século V que uma máquina de tear seria boa porque liberaria o trabalho humano para a construção de um avião (tecnologias que eram sequer palpáveis à época). Confesso que não sou velho o suficiente para atestar isso, mas já vi montadoras de carro diminuírem o preço e aumentarem a produção. Um exemplo simples: veja quantos carros existiam no Brasil quando o automóvel foi inventado; veja as pessoas que podiam comprá-lo e quanto gastavam de sua renda na compra. Agora veja quantos carros existem no Brasil, veja quais as pessoas que podem comprá-lo e quanto gastam. Compare também com a tecnologia dos carros de então e os de hoje. Para mim, há indícios claros que os preços diminuíram e a produção (e qualidade) aumentou. Acho equivocado personificar o capitalista como um 'indivíduo-modelo'. O capitalista é um ser humano e, certamente, não um arcanjo. Assim, existem pessoas cruéis e boas, sensatas e insensatas, calmas e violentas. Um capitalista pode ser qualquer uma dessas e muito mais, mas veja que se ele não agradar os seus consumidores, estes não comprarão o seu produto, não lhe darão lucro, serão atraídos pelo primeiro concorrente que aparecer e a falência será a única porta que restará. Saudações,"

Daniel Silva - 5/9/2006

"Eu já percebi que o Sr. Daniel Silva quer criar caso: discutir. O capitalista não quer só lucro, quer dar emprego? Porque então tira empregos. Ora! Ora! Seu imposto? E o dinheiro do BNDES quem dá a eles? Que o Sul está melhor. Ora! Quem estará melhor perdendo emprego? Porque alguém deve trabalhar 25/30 anos, dando lucro ao capitalista e, na hora 'h' ele desiste, vai para o Nordeste, porque a mão de obra lá é mais barata. O empregado que se dane! Com o Getúlio, que era consciente, não acontecia isso. 10 anos e era impossível mandar embora, procurando lucro em outro lugar. Os militares absurdamente impediram isso, criando ainda a figura do autônomo, que só serve para iludir. Não há dúvidas que houve mãos de banqueiros e industriais no absurdo programado. Os seus argumentos são tão frágeis, em defesa do indefensável. Eu não sei qual a sua cultura: analiso por procurar defesa onde não existe. Ou quer procurar discussão, motivo para discutir, embora sem base... Pode crer que o capitalista somente quer lucro. É claro é humano. Senão por que despedir? Por que procurar nas máquinas substituir o homem senão visando lucro? Por isso é preciso haver uma forma de defender os empregados. Até o fascismo defendia o operário, coibindo certas formas de lucro que os prejudicasse. Estude mais, meu amigo, o capitalismo e depois volte. Você não tem a mínima consistência nas suas divagações. Agora se quer discutir, por favor, discuta sozinho, diante do espelho, não me procure, mesmo porque eu além de tudo fui industrial, além de ser dirigente de multinacional, e sei perfeitamente o que estou falando. Atenciosamente,"

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 5/9/2006

"Prezado Olavo, sinto pelo rancor que tem para com os empregadores que teve em sua vida, mas não vejo razão para o senhor igualar-me a eles. Em primeiro lugar, não defendo o BNDES e, quem estudou capitalismo, também não. BNDES é coisa de social-democracia, de 'capitalismo-responsável' ou qualquer baboseira que o governo inventa para ludibriar o povo. Se o senhor acha que é o capitalista que busca mão-de-obra barata, peço por favor para da próxima vez que for comprar um produto ou serviço escolha o de pior qualidade e mais alto preço. Aconselhe todos que conhece para fazer o mesmo. O problema estará resolvido. Se for possível cobre menos (e aconselhe para que façam o mesmo) pelos seus serviços. Isso também ajuda. Sobre o Sul estar melhor ou não, acho que o senhor misturou as coisas. Em nenhum momento eu disse que perder emprego é bom. O que disse é que é melhor ter trabalhado, ganho o seu dinheiro, tido a oportunidade de aprender e poupar do que nunca ter tido esta chance. Nesta hora o capitalista é sempre 'esquecido'. Não entendi o que (ou quando) é a hora 'h'. E o que dizer de 30 anos de trabalho? Após 30 anos o senhor imagina que uma pessoa tem a mesma capacidade, poupança, conhecimento e renda que tinha quando começou e por isso necessita avidamente de alguém que o sustente por pura caridade? Também não compreendi o trabalhador 'dando lucro ao capitalista'... Se este acha que está 'dando lucro' para alguém, subentendo que é porque pensa que o seu trabalho vale muito mais do que é pago. Se isso é verdade, porque então não abre o próprio negócio? Reconheço que no Brasil não existe capitalismo e que nossas faculdades nos ensinam a ser empregados ou funcionários públicos (significando mais impostos) e não pessoas que valorizam, investem e extraem os frutos do próprio trabalho, mas lembre-se que argumentei sobre capitalismo e não essa porcaria que tem no Brasil. No momento oportuno, menciono o que penso sobre a influência da tecnologia (ou máquinas na sua visão) no desenvolvimento da humanidade. Minhas bases podem parecer pequenas, mas são muito maiores do que essa visão marxista de capitalismo que o senhor carrega e que por sinal errou em todas as suas previsões. O fato de o senhor citar o fascismo já dá uma pista de onde tira os seus ideais políticos e econômicos. Um último comentário, em momento algum discuti com o senhor, espero que compreenda isso. Apenas pedi permissão, perante as alegações que constam de sua migalha, para comentar uma visão equivocada de capitalismo que acho que muitas pessoas carregam. Talvez seja relevante para enaltecer a sua imagem ou para dar substância a sua migalha (que se comparada pelos seus critérios tem menos base que a minha), mas polidamente lhe peço que poupe as suas qualificações pessoais e mantenha-se somente no campo dos argumentos. Penso isso ser o mais saudável e o mais indicado. Caso contrário haveria a necessidade de o senhor rever os seus comentários sobre os membros do Poder Judiciário, pois, mais do que você, eles sabem muito mais do que estão falando, principalmente se nos referirmos a Ministros dos Tribunais Superiores, no entanto isso nos privaria dos seus comentários, acertados em grande parte das vezes, e de debater os erros que até Ministros são capazes de incorrer. Atenciosamente,"

Daniel Silva - 6/9/2006

Comente

Cadastre-se para receber o informativo gratuitamente

WhatsApp Telegram