domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Ubiratan Guimarães foi encontrado morto em sua casa neste 11 de setembro

de 10/9/2006 a 16/9/2006

"Que Caronte e Cérberus recebam o coronel assassinado (Migalhas 1.493 – 11/9/06 – "111 - 1a hora do dia 11"). Que sua estada nos círculos de Dante seja eterna e com muitos gemidos, gritos e ais..."

Armando Silva do Prado - 11/9/2006

"Necessário se faz corrigir a nota sobre  o Cel. Ubiratan (Migalhas 1.493 – 11/9/06 – "111 - 1a hora do dia 11"). Na verdade ele, com sua ação, impediu em 1992 que nada menos de 2 mil presos fossem mortos. Então não houve 'comando de massacre' e sim, uma atitude brava e valente de um Policial Militar no cumprimento do dever. Justiça seja feita..."

Plínio Zabeu – Americana/SP - 12/9/2006

"Caro Sr. Li em Migalhas (1.494 – 12/9/06 – "Migalhas dos leitores - In memorian").  

'Necessário se faz corrigir a nota sobre  o Cel. Ubiratan (Migalhas 1.493 – 11/9/06 – "111 - 1a hora do dia 11"). Na verdade ele, com sua ação, impediu em 1992 que nada menos de 2 mil presos fossem mortos. Então não houve 'comando de massacre' e sim, uma atitude brava e valente de um Policial Militar no cumprimento do dever. Justiça seja feita...' Plínio Zabeu – Americana/SP  

Sr., Não entendi donde pôde o sr. chegar àquela absurda conclusão. Lá foram mortos, que eu sei, porque acompanhei, réus de pensão alimentícia e de pequenos furtos, sem defesa, sem contemplação. Como poderiam os presos matar 2.000? Com as mãos? Essa desculpa é esfarrapada, sem sentido, absurda. A defesa daquele criminoso está morto, mas é indesculpável. Só nosso Tribunal poderia absolvê-lo. É a Justiça de nossa Terra. Não só ele deveria ser condenado, mas todos que participaram daquele covarde massacre, no mínimo a 30 anos, presos, sem indulto. O mundo todo acusou-nos: uma vergonha! Desculpe-me, mas que mensagem sem sentido, sem sustentação fática ou jurídica. O sr. não deve ser advogado, senão não faria uma defesa dessas, a não ser como advogado do réu, esse é obrigado a defender o indefensável."

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 13/9/2006

"O que mais me surpreende é o desconhecimento da verdade. Mesmo condenado a mais de 600 anos, Ubiratan nunca abandonou seus comandados (Migalhas 1.494 – 12/9/06 – "Migalhas dos leitores - In memorian"). Assim que, nem bem adentrou o Carandiru, foi vítima de uma explosão e dali socorrido para o Hospital da Polícia Militar, com ruptura no tímpano. Assim, nunca viu o que aconteceu, pois nunca esteve no Comando. A tropa que entrou, entrou sem Ubiratan. Apenas sua valentia e senso de responsabilidade fizeram com que ele sustentasse sua versão sobre o Comando, protegendo seus Comandados. Isto é coisa de Homem. Não de ratos que, na hora H, traíram e abandonaram Ubiratan e Pedro Campos. Percival de Souza sabe bem desta história!"

Antonio Cândido Dinamarco – OAB/SP 32.673 - 13/9/2006

"Li a defesa que fez o digno advogado Dr. Antonio Cândido Dinamarco do Cel. Ubiratan, dizendo que ele nem sequer esteve na invasão da Penitenciária, eis que foi ferido por uma explosão, antes de entrar. Não acredito que aquele advogado, hábil na defesa, porém estaria mentindo. Se confirmado o fato, absurdamente, todos pusemo-nos contra o cel. Ubiratan, inocentemente, diga-se de passagem. Deveríamos ter sido alertados do absurdo, da verdade. Por que o Cel. Ubiratan assumiu a culpa? Por corporativismo? De qualquer forma, se confirmado o fato, eu peço desculpas. Fui com os outros, contra o procedimento, no ouvir falar, nas acusações sem procedência, manifestadas pela imprensa, e por pessoas manifestamente inclinadas a criar caso contra a polícia ou também mal informadas. Não havia mesmo, se nem estava presente, como julgá-lo culpado. Não cabia também a defesa do Migalheiro de que protegera 2.000 presos de serem mortos. Atenciosamente"

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 13/9/2006

"Pois é. Adam Shaff dizia que reescrever a história faz parte da dialética do conhecimento e da vida. Em Pindorama, na ânsia por heróis, se reescreve a história sem base na realidade, mas baseado em versões ideológicas. Os que ontem usavam camisetas com o slogan: 'os humanos direitos absolvem o coronel Ubiratan', são ousados e, agora, já dizem que ele nem estava no Carandiru na hora da invasão. Quem era o fardado que reunido com o subsecretário da segurança e 2 juízes de execução concordaram que era necessária a invasão? Ficou por 20 minutos sim, mas após comandar a barbárie. E mais: mesmo que não estivesse presente, que não é o caso, o comandante responde pelos atos dos seus comandados, não por ser 'homem', mas, por estrita hierarquia e disciplina. Isso é mais do que norma no sistema militar, chega a ser uma religião. Apenas isso, nada mais que isso."

Armando Silva do Prado - 14/9/2006

"Sr. Diretor. Eu, como muitos, mal informado, investi contra o Cel. Ubiratan, julgando-o culpado pela invasão e morte de 111 presidiários. No episódio, fico analisando quantos erros nós, mesmo julgando-nos experientes, podemos cometer, ouvindo notícias distorcidas. Somos experientes, não só pela idade, 80 anos, mas na advocacia, 25 anos atuando nela. Dispusemo-nos, inclusive, contra o egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo, quando absolveu o Coronel Ubiratan. Após uma simples mensagem de um insigne advogado, em Migalhas, o Dr.  Antonio Cândido Dinamarco, a par realmente do assunto, vimos o quanto estávamos errados. Para nós, o Coronel em questão, comandara, de arma na mão o massacre. Nada disso, contudo, sucedeu. Ele, à entrada do presídio, devido a uma explosão, sofreu inclusive rompimento do tímpano e foi hospitalizado. Como puderam, pois, os 7 membros do Tribunal do Júri condená-lo? Fundamentados em que? Certamente, ou foram enganados sobre os acontecimentos, como nós; ou eram simplesmente ineptos para julgar e, diga-se de passagem, eu não acho que o Tribunal do Júri no Brasil, da forma que é constituído, podendo condenar por maioria simples, funcione, seja justo. Nos Estados Unidos o réu só é condenado se houver unanimidade deles, não por maioria simples. Ainda mais o Tribunal de Júri, constituído de cidadãos de diversas origens, obviamente e facilmente pode ser influenciado pela opinião pública; e um juiz não pode ser influenciado, ele tem de ser frio, objetivo; e se fundamentar tão somente no evento em si e nas Leis. Uma vez comprovado o fato de que o Coronel Ubiratan não estivera presente, como condená-lo? Penitencio-me e peço desculpas não somente à família dele, pois, infelizmente ele tragicamente foi morto, não se sabe, pelo menos até o momento por quem, como peço desculpas aos insignes Membros do Egrégio Tribunal de Justiça, de São Paulo, pois fizeram realmente Justiça ao absolvê-lo; e 'data venia' na minha opinião, caberia até, naquele momento, uma indenização pecuniária, pelo constrangimento  moral que sofreu devido à condenação totalmente injusta; a par dos riscos que também sofreu, visado obviamente pelos criminosos, por ser considerado o chefe do morticínio. Atenciosamente"

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 14/9/2006

"Gostaria que o Senhor Armando Silva do Prado utilizasse o mesmo raciocínio que trilhou para condenar o Cel. Ubiratan no caso do mensalão. Será que também condenaria o Excelentíssimo Senhor Presidente da República pelos atos de seus subordinados?"

Tiago Bana Franco - 15/9/2006

"Sr. Diretor de Migalhas. Também não concordo com o pensamento do sr. Armando Silva do Prado. Se aconteceu o acidente com o Cel. Ubiratan, para mim, a patrulha entrou sem comando e praticou, por isso a barbaridade, senão deveríamos condenar o Governador Fleury, quem realmente deu a ordem de invasão. Uma coisa é mandar invadir, outra atirar indiscriminadamente. A reação humana sem comando, no caso, para mim, foi o que aconteceu. Não nos esqueçamos das reações humanas do medo e das armas usadas. Hoje, basta porem-se os dedos no gatilho, para praticar uma tragédia. Foi o que aconteceu recentemente com um Promotor de Justiça que usava uma automática de 16 ou mais tiros.  Atenciosamente"

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 15/9/2006

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