quinta-feira, 22 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Ubiratan Guimarães foi encontrado morto em sua casa neste 11 de setembro

de 17/9/2006 a 23/9/2006

"Heróis

Era cabra destemido,

na cinta duas pistola.

Enfrentava inté bandido,

que chamava de baitola.

Na casa, que era um luxo,

caído foi encontrado,

sobre o tapete deitado,

estava ele pelado,

com um balaço no bucho.

Estação Carandiru

lhe chamô dotô Varela.

Ali houve sururu,

mais de cem morrero nela.

Sordado não mata em vão,

eles cumpre mandamento.

Sabe quem no tar momento,

comandava o regimento?

Coroné Ubiratão."

A. Cerviño - SP - 18/9/2006

"Creio que não fui claro (Migalhas dos leitores – "Ubiratan Guimarães foi encontrado morto em sua casa neste 11 de setembro" – clique aqui). Repito o que escrevi: 'Ficou por 20 minutos sim, mas após comandar a barbárie'. A barbárie foi a ordem para invadir, ocupar, controlar e reprimir. Para bom entendedor, bastou esse comando. Sua saída do Carandiru se deu após o início do massacre. Por mais respeitável que seja o Dr. Dinamarco, trouxe apenas uma versão. Mais uma versão, não mais. Quanto ao comando, referia-me às normas militares. Fleury não estava no comando militar. Mutatis mutandis, foi o que ocorreu em 1975 com o assassinato de Manoel Fiel. Os covardes assassinos eram comandados por um capitão. Mas quem Geisel puniu exemplarmente? Foi o comandante hierarquicamente responsável, general Ednardo Melo, que, no caso, justiça seja feita, nem estava no local e nem deu a ordem de assassinar. Geisel não mandou punir o governador de então. Quanto ao coronel atual (maior patente presente e em comando), estava no local e deu a ordem. Basta pesquisar, estudar e, principalmente, ler os autos. No mais, é pura tentativa de reescrever uma triste história."

Armando Silva do Prado - 18/9/2006

"Dr. Tiago, respondo sua questão em homenagem ao seu debate sempre franco (Migalhas dos leitores – "Ubiratan Guimarães foi encontrado morto em sua casa neste 11 de setembro" – clique aqui). No dia que o presidente torturar, assassinar, como se fazia comumente nos anos de chumbo, no dia que o presidente mandar matar indefesos recolhidos numa prisão sob responsabilidade do Estado, no dia que o presidente comprar votos para se reeleger, ou então usar dinheiro público para salvar bancos, doando empresas públicas, etc., não tenha dúvida que estarei na 1ª fila condenando-o e exigindo sua saída. Agora, quanto às atuais acusações eleitoreiras, moralistas e udenistas que lhe fazem, fruto de denuncismos, reputo-as perfeitamente capituladas no artigo 17 do C.P. Aliás, até aqui a justiça também entende assim."

Armando Silva do Prado - 18/9/2006

"Ninguém desconhece o papel de uma Imprensa Livre em um verdadeiro Estado Democrático de Direito que desejamos ver instituído e funcionando efetivamente, em toda sua plenitude, no Brasil. Entretanto, mais uma vez, principalmente em casos e processos criminais, como no do assassinato do Caso do Cel. Ubiratan Guimarães,parcela da imprensanacionalincorporada e imbuída de um papel e de prerrogativas legais que  NÃO lhes pertence, está fazendo, ou tentando fazer de uma só 'tacada' o papel que cabe, constitucional, legal e cronologicamente, à Autoridade Policial, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário! Pelo que leio daqui das terras potiguares, parte da imprensa, em especial a paulista, já teria condenado a advogada Carla Cepollina nesse caso citado. Há muita coisa a ser investigada ainda, muitas perícias e procedimentos que serão autorizadas pelo Poder Judiciário em conformidade constitucional e legal. Às vezes, nem tudo é como parece ser...  Ademais, a Polícia Civil e o Ministério Público estaduais paulistas são dos mais técnicos e proficientes deste nosso país, deixemos que façam seus respectivos trabalhos. Jamais olvidemos de casos como a Escola de Base e outros que destruíram a honra e a vida de seres humanos injustamente. Uma ofensa gravíssima a vários princípios constitucionais, em especial ao da dignidade da pessoa humana. Imprensa livre e atuante sim, mas com responsabilidade e ética profissional. Por fim, deixaria registrado, ainda que, em tese, alguém tentar tirar dividendos seja ele de que ordem for (inclusive político) por meio da morte de um ser humano é um ato vil e de extrema covardia moral e espiritual - Espero que isso não aconteça! O que espero é ver o verdadeiro criminoso ser submetido a processo justo (contraditório e ampla defesa) e receber uma pena necessária e suficiente. Saudações democráticas e cordiais,"

Paulo Rodrigues Duarte Lima - advogado, OAB/RN 6.175, Natal/RN - 18/9/2006

"Sr. Diretor. Não concordo absolutamente com o sr. Armando do Prado. Fácil, infelizmente é acusar sem provas, no Brasil. Eu só acusaria o Coronel se tivesse ingressado com os seus comandados, e mesmo assim, 'ad cautelam' só por ele não ter prevenido o massacre. Acusá-lo, quando num hospital, à distância, não cabe. É mais uma versão do advogado Dr. Dinamarco, como ele afirma, mas uma versão lógica, irrefutável. O Cel. Ubiratan não estava lá. Na pior das hipóteses, deveríamos condenar um seu comandado com patente menor, lá; nunca quem lá não esteve. Seria o mesmo se o Coronel Ubiratan tivesse morrido logo à entrada e o condenaríamos 'post mortem'. Quanto ao episódio do Presidente Geisel foi um episódio político, e ele foi contrariado, até na imprensa, por tê-lo tomado. Também não foi justo. Como culpar o General Ednardo que não sabia dos eventos? Não teve lógica. Acredito que o sr. Armando do Prado não seja advogado, porque para o advogado a primeira norma é: in dubio pro reo. Não cabe absolutamente culpar à distância, sem saber realmente o desenrolar dos fatos e condená-lo àquele absurdo só poderia sê-lo por leigos. O que o Tribunal do Júri quase sempre é composto, por isso sou contra ele. Deve ser mudado, pelo menos no sentido de condenação por unanimidade de seus membros, não por maioria simples. Atenciosamente."

Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP - 18/9/2006

"CORONÉ UBIRATÃO

Cerviño, nunca se meta

em briga de gente grande

a num sê que arguém te mande

sendo um cabra bem porreta.

Mas pro mode du'a grojeta

de algum doido cuma tu,

nós três do Carandiru

discubridos se pirando...

tô cum medo, té já ando

me mandando lá pro Ipu!"

Ontõe Gago - Ipu/CE - 20/9/2006

"Infelizmente um crime de morte aconteceu e, após, o cadáver do Coronel Ubiratan, deputado estadual em exercício e em campanha de reeleição, foi encontrado. Quanto ao crime, à polícia compete investigar e esclarecer, para apontar a autoria. Porém, além desse nefasto fato, os jornais deram destaque a outro que não se pode deixar passar ao largo sem as observações indignadas cabíveis e exigir que as providências legais sejam tomadas pelas autoridades responsáveis. Noticiou-se que, já na condição de ex-namorada do Deputado falecido, a advogada Carla Cepollina, fora nomeada para exercer o cargo de assessora parlamentar e que sua regular nomeação fora publicada. Quanto à posse no cargo, essa é uma situação ainda não está plenamente esclarecida, pois, conforme informa o Chefe de Gabinete, Eduardo Anastasi, ela nunca foi trabalhar, o que foi corroborado pela advogada-mãe ou mãe-advogada Liliana Prinzivalli. Outrossim, é consabido que a burocracia para a posse e exercício de um cargo tem seus procedimentos específicos que podem demorar vários dias. Porém, o que é relevante é que as circunstâncias que envolveram essa nomeação constitui uma afronta aos cidadãos paulistas. O objetivo para o qual a advogada Carla Cepollina foi nomeada, conforme revelado, e explicado, por sua mãe e advogada Liliana Prinzivalli não foi outro senão perpetrar um assalto aos cofres da Assembléia Legislativa. De fato, para justificar sabe-se lá o que, a advogada-mãe contou à polícia e aos jornalistas que sua filha aceitara o 'emprego' porque o dinheiro correspondente iria ser usado na campanha de reeleição do falecido deputado. Ora, isso, que constitui crime, é contado na notícia intitulada 'Mãe explica contratação 'fantasma'', cujo subtítulo dá destaque ao objetivo espúrio então visado: 'A ADVOGADA LILIANA PRINZIVALLI DISSE ONTEM QUE A FILHA CARLA SÓ ACEITOU EMPREGO NA ASSEMBLÉIA PORQUE O DINHEIRO DO SALÁRIO SERIA USADO NA CAMPANHA DE REELEIÇÃO DO CORONEL UBIRATAN' (O Estado, 15/9/2006). A desfaçatez fica pior quando informa também que a nomeação da filha foi ultimada para substituir a funcionária Ana Paula que estaria residindo nos Estados Unidos. Esses fatos e circunstâncias demonstram o usual pouco caso dos políticos com o dinheiro público e que existem pessoas que se prestam a fazer (ou não fazer) serviços espúrios para lesar a fazenda pública. Ou seja, no caso, a advogada Carla Cepollina, conforme declarado por sua mãe e advogada, conscientemente se prestou para um criminoso assalto aos cofres públicos. A advogada e mãe Liliana Prinzivalli assentou, ao ser entrevistada, que uma das formas de se obter dinheiro para uma campanha política é sacá-lo dos cofres públicos mediante a nomeação de 'fantasmas' para um cargo público de provimento em comissão, sem o ônus do trabalho, mas com o ônus de entregar o salário correspondente para abastecer a campanha política do 'padrinho político'. Em suma, a advogada Liliana Prinzivalli delatou uma prática que envolveu sua filha, também advogada(!), e que poderá não ser um caso isolado na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. O fato, o crime, está revelado e denunciado, visto que flagrado e tangencialmente confessado. Diante do fato denunciado pela advogada-mãe, portanto, inquéritos com outros rumos e objetivos devem ser instauradas. O Ministério Público deve, visto que institucionalmente competente para tanto, deve dar início às ações investigativas necessárias para a apuração dessa e de outras irregularidades com a mesma jaça que possam estar sendo realizadas na Assembléia Legislativa. E a Presidência da mesma Assembléia tem a obrigação, inclusive política, de determinar a apuração da denúncia referente ao Deputado Coronel Ubiratan e, ao ensejo, apurar se outras situações semelhantes não estejam ocorrendo na Casa que preside. E, considerado que Carla Cepollina é advogada e está sendo acusada de prestar-se a uma evidente dilapidação de dinheiro público, à Ordem dos Advogados, Seção de São Paulo, por sua vez, cabe instaurar o procedimento ético-disciplinar para apurar o quanto a instituição e seus membros foram maculados pela desabonadora atitude revelada pela mãe e advogada. Enfim, o motivo e o fundamento que infelizmente custaram uma vida foram revelados para que venha a ser, com urgência, instituído o necessário controle externo do Poder Legislativo."

Pedro Luís de Campos Vergueiro - 21/9/2006

"Mais um 11 de Setembro,

Mataro o Coroné

Pois das das data qui se alembro

Tem argumas por demais

Faz alguns anos prá trás

Tombém onze de setembro

Se fechou no mundo o tempo

Lá vêi um aeroplano

no país americano

Despejando enorme bomba

Cuma açude que se arromba

Entrô tudo pulo cano."

Ontõe Gago - Ipu/CE - 22/9/2006

"'Descurpe', Seu Diretor, mas acho que esse último verso do Tõe Gago está todo truncado."

Antonio Carlos de Martins Mello - 22/9/2006

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