domingo, 25 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Violência

de 7/1/2007 a 13/1/2007

"É uma calamidade o altíssimo grau de violência que hoje acomete os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Acho uma temeridade o Brasil pretender sediar eventos como a Copa do Mundo de Futebol, e acabar dando um vexame mundial. Se não se consegue assegurar que um pequeno grupo de turistas possa circular pelo Rio de Janeiro sem ser molestado por bandidos, imaginem uma grande quantidade de turistas, atletas, dirigentes do mundo esportivo, personalidades em grande quantidade, e com razoável quantidade de dólares nos bolsos. Vai ser uma festa para os bandidos."

Irineu Perin – advogado, Santo André/SP - 8/1/2007

"Nas vésperas das eleições, o Governo Federal (entenda-se o então candidato Lula) insistiu, com estardalhaço, que o Estado de São Paulo era impotente para rechaçar os atos criminosos do PCC (o verdadeiro, não o ótimo criado pelo Adauto Suannes), e oferecia tropas federais para com isso tirar proveitos políticos e denegrir a imagem do candidato Geraldo Alckmin. Agora, Serra, já candidatíssimo à presidência em 2010 e como relata o Estadão, 'pede ajuda' das forças federais para o Estado, forças estas cujo efetivo não passa de 8.000 soldados e se para cá forem mandados 20% do efetivo, serão 1.600 homens que pouquíssimo acrescentarão aos 130.000 homens da Polícia Militar. Como o pior cego é aquele que só tem dois olhos, meu terceiro me mostra que o governador está dando o troco ao presidente, inspirado no ditado que diz 'quem com ferro fere, com ferro será ferido', esperando matreiramente que Lula caia na própria arapuca que armou. E o que pensam os dois sobre a segurança do povo? O povo, ora o povo, parodiando Getúlio em relação às Leis. Resta-nos a frase da música imortalizada por Elis Regina: 'Valha-me Deus, Nosso Senhor do Bonfim...'."

Arthur Vieira de Moraes Neto - 8/1/2007

"Amigos migalheiros, li nesse rotativo que o Governo Federal quer ampliar as condutas tipificadas como crime de terrorismo, tudo a fim de responder às atrocidades das facções criminosas do Rio e São Paulo (Migalhas 1.568 – 5/1/07 – "Nova lei"). Somei tal informação com o discurso de posse de nosso mandatário-mor que, mais uma vez sem saber o que de fato diz, afirmou que as ações criminosas à baila não podem ser tratadas como crimes comuns, pois extrapolam os lindes da cidadania e por isso receberão tratamento Legislativo 'recrudescedor' específico. Pois bem, estaria o nosso Presidente propondo a utilização do ‘Direito Penal do Inimigo, de Jakobs?’ As circunstância parecem clamar, a população parece entender do que se trata, contudo não podemos nos deixa levar por tal doutrina. Aliás, se temos inimigos no Rio e em São Paulo, temo-los também em Brasília."

José Moacyr Doretto Nascimento - 8/1/2007

"A luta contra o terrorismo continua implacável e com sucessos retumbantes. Por um lado, nada de policiar as linhas amarela e vermelha no Rio de Janeiro, nada de impedir o acesso a celulares de parte dos criminosos presos, nada de prevenir rebeliões ou atentados das facções criminosas. Mas, de outro, sucesso absoluto. De fato, na última segunda-feira, dia 8/1, com o país curtindo as férias escolares nas praias superlotadas nas quais falta tudo, e os membros do governo descansando, deixando os Ministérios e até o Poder Central acéfalos, ainda é possível contar com o GATE – Grupo de Ações Táticas Especiais. Em uma passarela que serve de acesso para deficientes físicos na estação do metrô de Vila Matilde, uma sacola com uma cesta de palha; Na avenida 13 de Maio, na Bela Vista, alguém abandonou uma mala com documentos; Na avenida Abraão Ribeiro, na Barra Funda, alguém esqueceu uma caixa de sapatos que continha um tijolo, e uma mala vazia foi abandonada em uma rotatória no cruzamento das ruas Ipanema e Almirante Brasil, no Brás. Em todos os casos o GATE foi acionado e, após aquela ação cinematográfica que imita os filmes norte-americanos de ação, detonou todos os objetos mencionados, um a um. Foram três horas de trabalho árduo, acompanhado pelas câmeras de TV. Mas nem o tijolo, nem o cesto de palha e nem os documentos sobreviveram. Foi tudo pelos ares. Que tal agora, uma ação tática especial contra os criminosos que assustam e agridem a sociedade? E tudo isso nos remete a uma solução para o problema do Rio de Janeiro: abandonar, de quilômetro em quilômetro, nas linhas vermelha e amarela, pacotes, caixas de sapatos, sacos de plástico e malas. E chamar o Grupo de Ações Táticas, cuja presença, espera-se, iniba os criminosos."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 10/1/2007

"Como negócio, que é o que parece ser, não sei se os Estados Unidos têm obtido bons resultados no Iraque. É claro que não é possível saber dos lucros obtidos pelas empresas norte-americanas com o petróleo iraquiano. Mas, para obtê-lo, parece que os custos têm sido muito altos e o desperdício de dinheiro muito grande. Talvez por ineficiência. Senão, vejamos: Os EUA gastaram, até agora, no Iraque, 400 bilhões de dólares. Desde o início da invasão do país, 50.000 iraquianos foram mortos, ou seja, um custo de US$ 800 mil por cabeça. Realmente, é muito caro. Ainda mais se observarmos que os 50.000 assassinados no Brasil, por ano, os custos são muito inferiores 'per capita'. Gastar US$ 800.000 para matar uma pessoa é um valor exorbitante em qualquer país do mundo. O crime organizado no Brasil, convenhamos, é muito mais eficiente nesse tópico. Os meliantes, no Brasil, param um ônibus, não deixam sair os passageiros e ateiam fogo no veículo, logrando matar 6/7 pessoas a custo zero praticamente. Por outro lado, para cada 16 iraquianos mortos, um soldado norte-americano morreu, o que também não parece uma boa marca. Aliás, essa marca é a mesma obtida pela polícia carioca que, para 16 prisões, mata uma pessoa. E não se pode dizer que nós sejamos mais eficientes do que os americanos nesse campo. Realmente, há muito a fazer, e a aprender com relação a matar civis, seja aqui, seja em qualquer outro país. Temos visto resultados mais satisfatórios, mais eficazes, em países menos desenvolvidos, como na África, na Bósnia ou em Kosovo."

Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL - 11/1/2007

"O novo jeito de governar no RS. Não surpreendam-se ao entrar em alguma farmácia do RS se o vendedor lhes oferecer Pílulas Antiviolência. O 'novo jeito de governar' de Yeda Crusius inclui a descoberta de que a violência não tem causas sociais, tem causa viral. A governadora e o secretário da saúde Osmar Terra já anunciaram seus planos para acabar com a violência. Enquanto a Brigada Militar trabalha no campo 'repressivo' (palavra usada por Osmar Terra), correndo atrás de quem já está infectado, a Secretaria da Saúde cumprirá seu papel imunizando as pessoas e livrando-as desse maligno vírus que já é tratado como epidêmico. Talvez, até o fim do governo Yeda já tenha o selo 'Zona Livre de Violência', nos mesmos moldes das 'Zonas Livres de Febre Aftosa'. Nem Yeda Crusius, nem seu partido, PSDB, nem seu secretário da saúde podem acreditar de verdade naquilo que estão apregoando por aí. Nesse caso, só posso concluir que depois de caírem as teses biológicas e genéticas da violência, estão tentando criar uma tese bacteriológica que, provavelmente, desenvolve-se nos morros, nas favelas e nos guetos do RS. Como pudemos conviver tanto tempo sem esse 'novo jeito de governar'? Vou ficar esperando ansioso o anúncio de que desemprego é contagioso e de que fome é apenas um distúrbio causado pela bipolaridade estomacal."

Mirgon Kayser Junior - secretário de Comunicação da Juventude do PT/Porto Alegre - 12/1/2007

Comente

Cadastre-se para receber o informativo gratuitamente

WhatsApp Telegram