sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ISSN 1983-392X

Migalheiro em Belém

de 14/1/2007 a 20/1/2007

"Migalheiro, ainda em Belém:

(ainda as voltas com o 'reino das águas', volto e mando notícias)

A história que vou contar,

remonta ao descobrimento,

o coração vai falar,

ecos dum triste lamento.

Viajei para outro mundo,

conheci o Algodoal,

é uma ilha lá no fundo,

nosso mar meridional.

Lá motor só água puxa,

e o transporte é animal,

tem golfinho até na ducha,

é tudo sensacional.

Tem carimbó de raiz,

desses que mexe c'a gente,

eu escapei por um triz,

um gaúcho nunca mente.

O Algodoal cansa,

aconselhou Dona Margarida,

o sol castiga quem dança,

precisa ter muita vida.

Pouso na Estrela do Sol,

com caldeirada e vinho,

tudo deixa o nego mol,

faz ir direto pro ninho.

Banho de mar é bem longe,

um cruzo de meia légua,

não cabe roupa de monge,

o calor não te dá trégua.

As areias são bem finas,

água quente e transparente,

brilho aceso nas retinas,

conserta a alma da gente.

Realmente muito meigo,

pra não dizer muito bacana,

égua, ... gaúcho leigo,

tá chegando minha chalana.

Uma última impressão,

achei o lugar perfeito,

aqui não tem contra-mão,

nem vereador ou prefeito.

Briga agora é decidir,

Marajó, ... pra não ficar só,

e na hora de partir,

Algodoal, ... pra não ficar mal.

De Belém eu vou fugindo,

dos aromas e mistérios,

também, vou me despedindo,

(pra Capitú e Bentinho,

um abraço com carinho)

e do Ver-o-peso gaudério."

Cleanto Farina Weidlich - migalheiro, Carazinho/RS - 16/1/2007

"MIGALHEIRO EM BELÉM (que volte às origens - antes que a lua mude).

Weidlichi! Saia já daí!

Tu tá é deslumbrado.

O carimbó é enrolado,

pula pra cá e pra ali;

tu aí é um lambari

que peixe grande come,

te cuida com os home,

às vez a coisa muda,

pegue galho de arruda,

apois podes virá lobisome.

Por isso não perca o prumo,

te manda que tá na hora,

venha logo simbora,

enrole o fumo,

o sul é o rumo.

Apois, desarme a barraca

e tire o teu da estaca,

saia logo desse meio,

pois touro em rodeio alheio

acaba virando vaca!"

Mano Meira – RS - 16/1/2007

"Migalheiro de Belém, eu estou ouvindo, a boleadeira zunindo, e o choro da gaita manheira, não quero perder a tinideira, vem pro galpão, boi na brasa é bom...

Cleanto vem pro Sul, que aqui tem mais...

Vinho, canha, mel e sassafráis."

Ilton Ferraz - Carazinho/RS - 16/1/2007

"Último dia em Belém, ...

Belém, ... do bem,

Belém, ... além,

Belém, ... do trem,

Belém, ... meu bem.

Sombra das suas mangueiras,

bora vou chorando esses versos,

procurar outras trincheiras,

no nosso mundo perverso.

Hoje foi dia especial,

ansiando os últimos mimos,

encontramos manancial,

um poeta com seus signos.

Ele é o autor do hino,

da Ilha do Marajó,

que cruzou nosso destino,

tremendo de carimbó.

De Óbidos um Patativa,

que veio pra V. de Nazaré,

com idéia e vida ativa,

c'a grandeza do Assaré.

Seu nome Eduardo Dias,

um poeta meio chucro,

irmão de tantos Marias,

foi batizado com lucro.

Um quebra-costela gaúcho,

aos que fizeram a festa,

Carol, c'a jaca de luxo,

Roberta, ... um beijo na testa.

Ao Rogério e seu 'bolinha',

com suas ilhas evilhanas,

deixo um de quebrar a espinha,

no embarque da chalana.

O Ver-o-peso me chama,

lá perto lanço meu grito,

inspirado em mulher=dama,

chega a noite vou pro agito.

Deixo um abraço também,

do tamanho da Amazônia,

paraúchos de Belém,

que me tiraram a insônia.

Saindo de Belém."

Cleanto Farina Weidlich - migalheiro, Carazinho/RS - 17/1/2007

"Maestro Agrião (Sempre molhado).

Chega de pato no tucupi,

carimbó, lundú e siriá,

WEIDLICHI volte pra cá,

já não te querem mais aí,

te cuide ao saí

pra não errá de avião,

podes pará lá no Japão

em vôo sem escala,

vão julgá pelo jeito e mala

que tu é o maestro agrião!"

Mano Meira – RS - 18/1/2007

"Gostei do teu entusiasmo, no Rio Grande chegas-te renovado, de bombacha nova paisano?

Vives apaixonado, por projetos de vida, desafios, apartes, debates, contendas...

Já é uma lenda, o urutau está cantando,

Eu estou observando, plantas e almas,

Idênticas e tão parecidas..."

Ilton Ferraz - Carazinho/RS - 19/1/2007

"Pois é, o Cleanto esteve em Belém, mas será que ele comeu pato ao tucupi? Será que provou do tacacá? Será que orou na Matriz de Belém? Será que ouviu o baião Tacacá (letra de Lourival Passos e música de Luiz Gonzaga)? Duvido-d+o+dó. Vou mandar a letra, se quiser a música é só pedir. É um dos mais lindos baiões de Gonzaga com a sua insuperável sanfona:

'Quem vai a Belém do Pará

desde a hora em que sai

não se esquece de lá,

quer voltar, lembrar

o açaí, o tacacá...

ah que saudade que dá

de Belém do Pará

Orar na matriz de Belém,

conversar com alguém

como é bom recordar!

Jesus em Belém foi nascer

e eu quisera morrer

em Belém do Pará!

Tá aqui tucupi

tem mais o jambu

também camarão

quem quer tacacá?'."

Abílio Neto - 19/1/2007

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